terça-feira, 15 de setembro de 2015

A Casa da Floresta, de Marion Zimmer Bradley


MARION ZIMMER BRADLEY, que nasceu em Albany, Estados Unidos da América, em Junho de 1930, começou a escrever, adolescente, e até agora escreveu quase 50 livros, um terço dos quais constitui as Darkover novels.
Até à publicação, em 1983, de "As Brumas de Avalon", um novela feita a partir de um ponto de vista das mulheres na lenda do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda,a sua carreira literária abarcou as histórias que vendeu para revistas de "western", de ficção científica e de mistério dos anos cinquenta, para sustentar o marido e os filhos, os romances góticos que pagaram a sua estadia universitária nos anos sessenta, e os romances de ficção científica, tais como "Seven From The Stars", "Hunters of The Red Moon" e "The Endless Voyage", que continuam a vender-se hoje em dia, anos depois da sua publicação, de um modo muito estável. Com "As Brumas de Avalon" e a sua permanência de três meses na lista de best-sellers do "New York Times", Marion Zimmer Bradley marcou um lugar para si nos corações dos leitores pelo mundo inteiro.



Marion ganhou enorme notoriedade com a sua interpretação da lenda do Rei Artur, As Brumas de Avalon, considerado um clássico da Literatura. Mas desiludam-se os que pensam que a sua obra sobre Avalon fica por aí. Aliás, como já disse quando li As Brumas de Avalon, o livro é mais sobre um culto aos deuses e sobre o mundo de Avalon do que a história medieval de Artur. Uma bíblia religiosa, não um conto de cavaleiros.

Infelizmente, a obra de Bradley não me cativou e as expectativas eram bastante baixas para esta leitura. Felizmente, este revelou-se o meu livro preferido de Marion Zimmer Bradley.
Vou dizer algo que ainda não ouvi ou li alguém, em lado algum, afirmar: gostei muito mais de A Casa da Floresta do que de As Brumas de Avalon.
Leitores à volta do mundo (fãs e não só) olhar-me-ão com desprezo depois de tal afirmação. As Brumas de Avalon é uma obra quase intocável no universo literário, aplaudida em todos os sectores, que quase define um género. Mas para mim, que não achei os livros nada de especial (singular, sim, mas "falhoso") gostar mais de A Casa da Floresta foi bastante fácil.

O enredo passa-se alguns séculos antes da chegada do Rei Artur, antes sequer de Avalon ser importante. Estamos em plena presença romana na Britânia e apenas um pequeno grupo de bretões nativo resiste ao seu domínio. Eilan, uma sacerdotisa nativa, apaixona-se pelo general romano Gaius, ambos quebrando as regras que são impostas pelas suas comunidades e ensinando que o amor é uma linguagem universal.

Em A Casa da Floresta, Bradley atinge o equilíbrio perfeito entre um romance histórico, uma história de amor e uma ode aos cultos espirituais celtas. 
Nada de personagens sem rumo e sem qualquer vontade própria; nada de descrições obscuras e imperceptíveis, nem de magia sem qualquer sentido. Não chegamos ao fim com a impressão de termos lido os devaneios de uma seguidora de um qualquer culto aos deuses pagãos e que despreza a Igreja, mas sim a história dos Homens que lutam por evitar o destino que é, porque assim os deuses o querem, inevitável.
Acredito que Diana L. Paxson, cuja participação no livro não é creditada, teve bastante influência neste casamento perfeito entre História e Fantasia. Sem dúvida, ajudou Marion Zimmer Bradley a empenhar-se mais na reconstrução histórica e menos nas suas fantasias nebulosas.

Fui completamente cativado. É uma história completamente trágica e emocional, com personagens riquíssimas em motivações e complexos que ditam as suas acções, o que as torna bastante interessantes. Sim, é de facto uma história bastante triste. Enquanto folheio estas páginas, lembrando-me daquilo que me fizeram sentir, é tristeza e condenação que guardo delas. Mas um livro não precisa de ser alegre, sequer esperançoso (apesar de tudo este não deixa de o ser) para ser bom.
Apesar de chegar à conclusão que dificilmente simpatizo com qualquer personagem que Bradley crie (porque será que as suas personagens conseguem ser tão tacanhas ou com faltas de espírito tão grandes de vez em quando?), ao contrário de As Brumas de Avalon elas têm vontade própria, lutam pela sua vida ou por aquilo que acreditam e não se limitam a seguir cegamente a vontade dos Deuses. Isso agrada-me imenso.

Um verdadeiro romance histórico fantástico com um enredo que participa activamente nos eventos da História da Bretanha. Sim, é bastante triste, não só na história como nas palavras. Mas é demasiado emotivo para desagradar.
Se depois de As Brumas de Avalon decidi ler os restantes livros dedicados a Avalon mais por obrigação do que por prazer, desta vez é com genuína vontade que quero ler os restantes livros (apesar de, infelizmente, a editora que os publicava em Portugal ter falido e pelo menos um dos livros nunca ter sido traduzido).


1 comentário:

Patrícia C. disse...

Também gostei do "A casa da floresta".
Mas qual é o livro que não foi traduzido? Pensei que o único dela que não foi traduzido fosse da saga "trillium"...
Boas leituras

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