sexta-feira, 16 de julho de 2010

Servidão Humana, de Somerset Maugham

 "Um dos meus escritores favoritos."
Gabriel García Márquez

Servidão Humana é um dos romances mais emblemáticos do século XX e a obra-prima de Somerset Maugham. Esta narrativa clássica de entrada na idade adulta conta a história de Philip Carey, alter ego do autor na sua juventude, dividido entre o fervor religioso da família e o desejo de liberdade que os livros e os estudos lhe dão a conhecer. Na sua ânsia por independência e aventura, Philip sai de casa em busca de uma carreira como artista em Paris. Mas os seus planos vão ser postos em causa quando se apaixona perdidamente pela mulher que mudará a sua vida para sempre.

Relato inigualável sobre o poder do desejo e da sede de liberdade do homem moderno,
Servidão Humana coloca-nos friamente perante a nossa própria visão da vida, as nossas dúvidas e o poder transformador das decisões. 



Antes de mais, nos próximos 15 dias este Bookaholic vai estar a apreciar umas férias merecidas, algures num canto deste mundo (e, claro, em vários cantos de todos os mundos literários possíveis).

Mas, antes de me ir, fiz o esforço para acabar o livro "Servidão Humana", e agora escrevo a minha crítica.

Depois de ler Paixão em Florença, estava certo de que tinha de ler mais de Somerset Maugham. Depois de ler "Servidão Humana", está certo que lerei toda a sua obra, se possível.
Este foi provavelmente o livro que mais expectativas acumulei nos últimos tempos, não só porque já tinha adorado o autor (e, posso dizer, não o esperava) mas também pela história e pela maravilhosa edição da Asa.
Preferia ter pegado primeiro em "O Fio da Navalha", do mesmo autor, mas acontece que mal vi este livro na livraria tive de o trazer. É uma edição espectacular, e se a colecção se chama "Vintage" o livro faz-lhe jus. Não posso deixar de realçar a maravilhosa capa com Bette Davis (que participou no filme homónino), em toda a beleza estética do livro. O único ponto negativo é a capa mole, que com muito receio esperei que se desfiasse e se soltasse.

Depois de alguns meses na estante (não foram muitos ainda assim), não consegui adiantar mais a leitura.
Não acho que possa dizer que esperava encontrar o que ele me proporcionou. Primeiro, a pequena sinopse da contracapa não é, de todo, o que nos é apresentado. O livro é um épico que percorre a Alemanha, Paris, e finalmente Londres, e aí sim decorre a maior parte do romance. Não vou esconder que tive saudades dos ares românticos de Paris... Mas, bolas, eu vou ter saudades de tudo deste livro!
Philip Carey é um jovem diletante e com um pé boto. Criado pelos tios, desde novo descobre o prazer da leitura, e a educação religiosa ajuda-o a criar uma visão idealista do mundo. Infelizmente, a realidade da sua vida vai contra tudo o que sempre imaginou. Numa ânsia infinita de liberdade, percorre cidades, estuda e conhece imensos amigos que vão afectar a sua visão do mundo e que lhe colocarão mais dúvidas do que ele alguma vez pensou que podiam existir. Basicamente, qual o sentido da vida? E à medida que o vemos avançar, esta pergunta parece cada vez com menos sentido.

De facto, este livro dava uma excelente série televisiva, com várias temporadas certamente. É sobre a vida de Philip, é sobre os amigos que ele conhece, é sobre a beleza do mundo, é sobre a natureza humana, as suas questões e as suas ideias, é sobre cada um de nós, é sobre o tremendo poder do desejo e da realidade, é sobre uma vida. Philip não é mais do que uma vida, e nela nos podemos ver reflectidos. O poder das nossas crenças, o poder da nossa religião, e finalmente o poder da realidade, crua e dura, que pode levar à mais extrema miséria.

Não tenho palavras para descrever a maneira como me identifiquei com a personagem. Durante as minhas centenas de leituras, nunca fui capaz de dizer que me identificava com certa personagem (sinceramente, nunca pensei que isso fizesse diferença!). Fui capaz de me apaixonar por elas, mas nunca de me identificar nelas. Este livro ofereceu-me uma experiência absolutamente diferente, tornando-se o único livro do qual sairei capaz de dizer "Eu identifiquei-me com Philip Carey!". À medida que ele próprio crescia eu via as minhas próprias aventuras, os meus próprios desejos, e gritava só por não poder avançar as páginas e ver o que ia acontecer porque afinal era o desenrolar da minha própria vida! Talvez isso me tenha afectado de facto, nas expectativas que reservo do meu destino e das pessoas que me rodeiam.

Eu queria dizer maravilhas deste livro. Queria explicar-vos quão profundamente me identifiquei com ele. Queria mostrar-vos tudo o que ele me ensinou, todos os sítios que me mostrou, queria mostrar-vos todas as pessoas que conheci. Queria mostrar-vos qual o seu propósito, quais as suas questões, porque falei eu de coisas como o desejo, porque neste livro a natureza humana está tão bem explorada. Mas acho que não consigo. Estamos perante uma obra-prima, que embora tenha 700 páginas de bom grado oferecerei a todos os meus amigos. Mas não há maneira de dizer quão fortemente me senti o próprio Philip Carey.

Só tenho pena de não conseguir escrever melhor crítica neste momento. De não me conseguir organizar nas palavras e nas ideias gerais.




P.S.: fui reler a minha opinião a "Paixão em Florença", muitas vezes melhor do que esta digo já, mas muitas das sensações parecem ter sido as mesmas.

3 comentários:

Iceman disse...

Por mim não precisas de escrever mais nada.

Sabia que ias gostar.

Repito o que já afirmei em diversos lugares: este livro é uma das maravilhas da Literatura e lamento que Somerset Maugham não tenha o "nome" que, hoje em dia, muitos têm e ficam a léguas dos seus calcanhares.

Boas férias!
Um abraço!

Filipe de Arede Nunes disse...

Um livro fantástico! Maugham é um dos maiores escritores do século XX, facto que fica demonstrado na perfeição neste Servidão Humana e também No fio da Navalha!

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Pedro disse...

Iceman,
sem dúvida, uma maravilha. Foi uma leitura única, algo que ainda não tinha sentido.

Filipe,
esse será o próximo! Venham todos!

Boas leituras

Quem também lê