sexta-feira, 3 de julho de 2009

Paixão em Florença, de Somerset Maugham

Florença. Uma magnífica casa nas colinas serve de cenário para um sonho que, subitamente, se transformará em pesadelo... Nesse refúgio de tranquilidade, as violentas emoções do passado são momentaneamente eclipsadas e Mary Panton pode encarar calmamente as perspectivas do seu segundo casamento com Sir Edgar Swift — que ela admira e respeita, mas não ama. Um simples acto de compaixão, o desejo de proporcionar alguma beleza à vida atribulada e infeliz de um jovem refugiado, vai no entanto dar início a um pesadelo de violência que destruirá a ténue serenidade de Mary. Intuitivamente, ela vai confiar na ajuda e compreensão de Rowley Flint, um estranho de reputação mais que duvidosa. E compreenderá com ele que rejeitar o amor, mesmo com todos os seus múltiplos riscos, é rejeitar a própria vida. Escrito com a simplicidade das grandes obras literárias, Paixão em Florença é um exemplo perfeito da genialidade de Somerset Maugham. William Somerset Maugham, um dos mais famosos romancistas e dramaturgos ingleses do século XX, nasceu em Janeiro de 1874, em Paris, e faleceu em Dezembro de 1965, em Nice. Paixão em Florença foi já adaptado ao cinema, num filme de Philip Haas, com Kristin Scott Thomas e Sean Penn como protagonistas.

Foi um par de horas gasto a ler este pequeno, mas lindo livro.
Peguei nele para passar o tempo. O objectivo era pegar num livro pequeno e passar o tempo, enquanto esperava.
A primeira página impressionou-me tanto que não fui capaz de parar.

Identifiquei-me muito com as sensações transmitidas. Muito mesmo. Enquanto Mary está sentada no terraço, a admirar a cidade de Florença, a nostalgia dessa cena é de tal modo forte que todas as sensações a partir daí descritas me tocaram. Vi nelas reflectido muito do que eu sou.

É na verdade uma história simples, um único acontecimento, mas que encerra em si uma lição de vida estrondosa.
Mary é uma viúva que se viu desiludida com o amor. E, no entanto, acredita nele e acredita que está pronta a dá-lo a quem quiser... Agora que Edgar, um ricalhaço, lhe pediu em casamento, ela considera aceitá-lo, mesmo não o amando.
Na mesma noite, e enquanto Edgar viaja durante três dias, antes da resposta de Mary, ela conhece Rowley, um mulherengo cujo ideal de vida é totalmente diferente, e fá-la querer ver mais para além dos planos que todos gostamos de ter.

Este livro trata-se do confronto entre vários ideais de vida. Cada personagem do livro, cada uma, representa uma forma de viver, um ideal de vida. Somerset Maugham descreve-nos cada um e confronta-os. Temos a oportunidade de discutir e ver serem discutidas as diferentes maneiras de levar a vida. Seja planeada, seja impulsiva, seja pelo amor, seja por interesses.

Depois, temos a importância da compaixão, do amor e do desejo. Mary proporciona a um jovem uma noite inesquecível, por razões que foram discutidas com Rowley e que só agora ela se apercebeu. Mas, mais uma vez, para este jovem o amor e a vida não são levados como Mary os leva, pelo que começa um pesadelo do qual dificilmente se pode escapar.

Fiquei duplamente impressionado com este livro. Primeiro, pelas suas descrições, pelos momentos de nostalgia e melancolia. Por outro, pela criação de uma história que tão bem nos faz reflectir nos actos de vida, e numa conclusão que nos quer fazer mostrar que a vida não é mais do que uma oportunidade de arriscar. E é muito, muito mais sério do que o título pode-nos levar a crer.

Não me vou esquecer facilmente deste livro. Marcou-me de várias maneiras e muito ao meu gosto.
Aconselho a todos a sua leitura. Parece-me uma obra belíssima, vinda de um autor que desejo explorar.
Esta noite, sonho com Toscana. E amanhã tomo riscos pela vida.

9 comentários:

Livros em 2ª Mão disse...

É interessante ler opiniões ocntrárias às nossas. Eu li este livro e... detestei! Achei que o argumento não era forte o suficiente para sustentar todos os acontecimentos, enfim... foi um balde de água fria! Provavelmente se tivesse começado a ler Maugham por este livrito, nunca mais pegaria noutras obras do autor, mas felizmente, comecei com "O Fio da Navalha" e, sendo assim, ainda pretendo conhecer mais alguns dos seus livros.

Rui Bastos disse...

Quem diria, um livrito para passar o tempo, e leva a pontuação máxima!

Ana disse...

Então, não deixes de ler a "Servidão Humana"!!

Bom fim de semana!

flicka disse...

Tens um selinho no meu blog à tua espera
:)*

Pedro disse...

Livros em 2.ª mão,
quem sabe se detestaste porque "O Fio da Navalha" é tão bom que só podias esperar mais? Talvez se começasses pela "Paixão em Florença" gostarias para depois adorares "O Fio da Navalha"!
Espero que seja o meu caso :P
Eu compreendo-te. Chega uma parte do livro em que a história perde muito. Mas o ter apanhado o espírito logo à primeira deixou-me logo agarrado.

Rui Bastos,
este ano estou a ficar muito agradado com os livros mais pequenos ^_^

Ana,
sim, esse e "O Fio da Navalha" são de certeza os que hei-de adquirir, "Servidão Humana" é tido como uma obra-prima acima de todas as outras.

Flicka,
muito obrigado, fico sempre lisonjeado com esses elogios e considerações =)

Um grande abraço

Ana Carolina disse...

Já ouvi falar muito bem desse livro :)

Passa no meu, se és um ídolo de António Gedeão (Rómulo de Carvalho), vais certamente gostar :)

Iceman disse...

Servidão Humana pah, lê Servidão Humana.

Canochinha disse...

Deste autor, tenho "O Véu Pintado" para ler. Mas os outros títulos do autor também me interessam :)

Pedro disse...

Ana Carolina,
como é que adivinhaste?? Eu tenho cá a obra completa de António Gedeão, adoro a sua poesia!

Iceman,
já leste "O Fio da Navalha"? Suponho que a Servidão é melhor, pronto... Mas se for pelo que a Livros em 2.ª mão diz, então "O Fio da Navalha" é melhor do que "Paixão em Florença", e por sua vez "Servidão Humana" será melhor do que "O Fio da Navalha".
Com isto quero dizer... Que provavelmente vou comprar os dois --'

Canochinha,
já esse livro não me chama tanto a atenção... *unsure*
"Paixão em Florença" vale mais do que a pena, adorei.

Um grande abraço

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