quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Lança do Deserto, de Peter V. Brett

O Sol põe-se sobre a Humanidade. A noite pertence agora a demónios vorazes que se materializam com a escuridão e que caçam, sem tréguas, uma população quase extinta, forçada a acobardar-se atrás da segurança de guardas de poder semi-esquecidas. Mas estas guardas apenas servem para manter os demónios à distância e as lendas falam de um Libertador; um general, alguns chamar-lhe-iam profeta, que em tempo uniu a Humanidade e derrotou os demónios. No entanto esses tempos, se alguma vez existiram, pertencem a um passado distante. Os demónios estão de volta e o Libertador é apenas um mito… Ou será que não?
Do deserto vem Ahmann Jardir, que transformou as tribos guerreiras de Krasia num exército que extermina os demónios. Ele auto-proclamou-se Shar'Dama Ka, O Libertador,  e traz consigo armas ancestrais - uma lança e uma coroa - que atribuem credibilidade à sua pretensão. Ao jurar seguir os passos do primeiro Libertador, ele veio para Norte a fim de unir as cidades-estado numa força única que lutará contra os demónios, quer elas queiram quer não.
Mas os habitantes do Norte afirmam possuir o seu próprio Libertador, Arlen, que todos conhecem por O Homem Pintado, uma figura obscura com a pele tatuada com guardas tão poderosas que se tornou um oponente temível a qualquer demónio. O Homem Pintado nega ser o Libertador, no entanto as suas acções falam mais alto que as suas palavras, ensinando homens e mulheres a enfrentar os seus medos e a oporem-se às criaturas que os atormentam há séculos.
Em tempos o Shar'Dama Ka e O Homem Pintado foram amigos, irmãos de armas, mas agora são adversários ferozes. Apanhados na contenda estão Renna, uma jovem que é levada até aos limites da resistência humana; Leesha, uma jovem e orgulhosa herbanária cujos dotes de guardadora superam os do próprio Homem Pintado; e Rojer, um jogral com um dote para a música que acalma os demónios, ou os leva a tamanho frenesim que se atacam uns aos outros. mas, enquanto as velhas alianças são testadas e as novas alianças se estabelecem, surge uma nova espécie de demónio, mais inteligente e mortífero do que qualquer outro alguma vez visto.

Este é um dos melhores livros fantásticos que já li. Dos livros que mais gostei de ler.
A maneira como me absorveu foi absoluta. Passei os dias a pensar no livro, a pensar nas suas personagens, a sonhar com os demónios... Quando não estava a ler só estava a pensar no que podia estar a ler.
E a maior prova em como este foi um grande livro foi que, antes de adormecer, a minha mente divagava, imaginando histórias (muito delas sem nexo, mas de qualquer forma a partir do livro) que leria nas páginas seguintes.

Há coisas que mudam do primeiro livro, "O Homem Pintado", para este, segundo livro, mas em geral acho que foi ainda melhor do que prometia!
O estilo da obra mantém-se na integra. Trata-se da jornada de certas personagens na luta contra os demónios da Noite, que atacam os humanos, apenas protegidos por detrás de guardas (símbolos) mágicas.

Acima de tudo, Peter V. Brett é um contador de histórias que, nesta obra, consegue descobrir uma maneira própria de a contar. Passa por não deixar o leitor a matutar sobre certos mistérios. Nós conhecemos todas as personagens desde a sua infância até à sua maioridade, nenhuma é excepção! Portanto, todas as questões que se põem em causa pela personalidade das personagens não nos surpreendem. Nós conhecemo-las muito bem. E talvez isso nos aproxime ainda mais delas (e nos faça gostar ainda mais do livro).
Para além disto, neste segundo livro percebemos a importância do que aconteceu no primeiro livro. Talvez por isso ainda tenha sido melhor: tudo o que no livro anterior era "banal" ganhou importância renovada neste livro, levando-nos a perceber o impacto na história, no Mundo.

Em vez de seguirmos o Homem Pintado, vamos seguir mais ainda Jardir, um krasiano que desde cedo é treinado para matar demónios. Para muitos, acredito que isto não pareça satisfatório, pois o final de "O Homem Pintado" faz-nos querer saber ainda mais do que vai acontecer com o mesmo. No entanto, não é isso que encontramos neste livro. O que este livro faz, como já disse, é dar uma importância renovada ao Homem Pintado e ao que ele pode representar. Verdadeiramente, temos maior presença de Jardir e de personagens como Leesha e Rojer (que, já agora, será a minha personagem preferida).

Acompanhando Jardir, conhecemos um povo completamente diferente, de Krasia e mais sobre a lenda do Libertador. Confesso que Jardir conseguiu ser a personagem que mais gostei do livro, e depois a que mais odiei, e finalmente fiquei EXTREMAMENTE curioso com o destino que irá ter. É alguém bastante interessante, capaz de nos dar a volta à cabeça!

O que muda mais neste livro será, certamente, os próprios demónios. No primeiro livro, estes são a personificação do medo, dos pesadelos, são invencíveis e vê-los à frente é como estar perante a Morte. É um autêntico terror.
Neste livro... Não é bem isso que acontece. Os demónios deixam de ser o Medo em si para serem apenas inimigos, a serem eliminados. Que aconteceu? Para começar, os krasianos são guerreiros, que lutam com os demónios todas as noites e conseguem matar bastantes, atraindo-os para armadilhas. Depois, com a chegada do Homem Pintado, os povos do Norte também acabam por se tornar mais destemidos, e em vez de se esconderem detrás de guardas enfrentam os demónios, tentando matá-los, ganhando energia. Isto muda completamente a maneira como os demónios são descritos e encarados, e para mim essa é a maior diferença deste livro.

O nível de excitação que este livro em proporcionou foi algo completamente fora do normal. As personagens que conhecemos são todas bastante empolgantes, e o que vamos acompanhando é igualmente cativante. Com uma escrita bastante fluída, é difícil pôr de lado o livro e não continuar a ler! É tudo tão viciante, tão excitante, tão absorvente... Sem dúvida, absorvente até ao limite!
Mal consigo esperar pelo próximo livro, e último pelos vistos. Não apenas porque quero continuar a seguir esta grandiosa batalha, mas porque estou freneticamente curioso em saber qual o destino de todas as personagens. Depois de nos apaixonarmos, de odiarmos, de nos sujeitarmos, torna-se praticamente impossível neste momento imaginar o que acontecerá daqui para a frente? Haverá justiça que consiga arrumar todos? Eu posso esperar por um final feliz, mas não sei se é isso que quero que aconteça... Bem, até lá, peguem nesta saga porque vale mais do que a pena! Sem dúvida, não é um livro de Fantasia qualquer!

3 comentários:

Elphaba J. disse...

Bem Pedro aguças-te ainda mais a minha curiosidade, fantástico é comigo… Mas primeiro tenho uma longa caminhada a percorrer com O Homem Pintado que também está em fila de espera.

Sabia que Peter V. Brett vem a Portugal ao Fórum Fantástico de 12 a 14 de Novembro?
Sem dúvida uma boa oportunidade para expormos a nossa opinião sobre os seus livros. Eu da minha parte tenho mesmo de os ler até lá!

Bom Post **

Pedro disse...

Elphaba,
eu acho que és capaz de vir a gostar muito destes livros!

Sim, sei que Brett vem cá, e já estou a planear as coisas de maneira a ir lá! =D hei-de cumprimentá-lo e sair com os dois livros autografados!!

dylan disse...

estou procurando alguns videos de resenhas desse segundo livro em portugues, se souberem de algum . procurei no youtube mas não achei

Quem também lê