sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sputnik, Meu Amor, de Haruki Murakami

Um jovem professor primário, identificado apenas pela inicial "K", apaixona-se por Sumire, uma jovem aspirante a escritora. Quando esta entabula uma relação amorosa com Miu, uma enigmática mulher de meia-idade que a emprega como secretária, K é relegado para o ingrato papel de confidente. Sumire, porém, estando de férias numa ilha grega com a sua amante, desaparece misteriosamente, e K é chamado para ajudar nas buscas. Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade. Haruki Murakami nasceu em Quioto, Japão, em 1949. Licenciado em Artes Dramáticas, publicou o seu primeiro romance em 1979. Recebeu diversos prémios pelos seus romances, entre os quais o Yomiuri (1996) e o Franz Kafka (2006), sendo actualmente considerado um nome incontornável da literatura contemporânea. Além de Sputnik, meu Amor, onde se encontram resumidos todos os temas que atravessam a sua obra, destacam-se os títulos Em Busca do Carneiro Selvagem, Madeira Norueguesa, Dança, Dança, Dança, Crónica do Pássaro de Corda e Kafka à Beira-Mar.

Se me permitem, ainda nem sei muito bem o que dizer deste livro...

Que vício!!!

Epá, alguém me quer oferecer outro de Murakami? Qualquer um! Quero lê-lo já de seguida, a sua escrita é tão viciante!

Dizem que este é o livro "menos bom" de Murakami (já que não tem nenhum livro pior), mas eu adorei lê-lo e a vontade de mais é incontrolável.

Imaginem...
Mergulharem num sonho. Num mar feito de matéria de sonhos. Essa é a escrita dele. As suas palavras enveredam por enredos e personagens estranhas, muitas vezes não percebemos muito bem a história... Mas são tão belas, tão viciantes, e tão simples, que não podemos deixar de ler.
O livro é recheado de metáforas e comparações. Tal qual os sonhos. E, por isso, muitas das vezes não nos deixamos de perguntar "Mas que é que ele está a dizer?".

Para mim, a sinopse que apresento e que está na contracapa do livro não faz jus ao livro.
Em primeiro lugar, isto é muito mais do que uma relação amorosa. É mais complicado...
O triângulo de personagens é, de facto, o mais estranho possível.
Não esperem uma história completa, porque não é. É bastante estranha, preparem-se. Há coisas para as quais não há explicações.
Isto pode ser um entrave para alguns de vocês. Mas com Murakami é assim, não é preciso haver explicações, fins ou sequer inícios, apenas sonhos.

Alguns acontecimentos mais estranhos e mais inexplicáveis deste livro fizeram-me lembrar as típicas histórias japonesas que realizadores como Hayao Miyazaki nos apresentam (no seu grande filme "A Viagem de Chihiro", só para referir um no meio da sua obra-prima).

A vida das personagens é tudo menos convencional. Desde Miu, que sofreu um episódio mais do que misterioso e inexplicável, marcando-a para o resto da vida, Sumire que desaparece sem deixar rasto, K que se vê metido neste triângulo e preso pelas suas implicações. O sentido está muito, muito pouco explícito, mas o leitor só pode deduzir que está lá, e isso fá-lo querer ler e reler.
A história tanto se passa no mundo real como se pode passar num mundo para lá deste...
Mas, verdadeiramente, este é um mundo real? Quem somos nós, nesse caso?
São algumas perguntas que o livro coloca. E é por fazer parte de outro mundo que temos de lê-lo com outros olhos.

Um sentimento nostálgico atravessa as suas páginas, para além da paixão, das reflexões, e principalmente da solidão. Adorei os diálogos das personagens, prenderam-me.

Mais do que aconselhado. Todos deviam experimentar este autor. Quero ler mais, quero ler mais!!

22 comentários:

bauny disse...

Ai ai!! Eu não sou a pessoa indicada para comentar... Como referiste passei a maior parte do livro a perguntar-me: "Mas que é que ele está a dizer?"... Bjs e boas leituras!!

Pedro disse...

Pois, bem sei que não gostaste nada do autor...

Eu agora quero ler "Crónica do Pássaro de Corda", que vê lá tu dizem ser dos melhores dele...

São gostos, e esses não se discutem ^^ Ou melhor, discutem-se sim, por isso é sempre bom ninguém gostar do mesmo!

Paula disse...

Olá Pedro.
Li Sputnik meu Amor e gostei muito. Também li Kafka à beira Mar, Muito bom também. Tem muito mais de "fantástico"...Agora, pensando bem, acho que gostei mais de Kafka à Beira Mar....

Abraços!

Mónica disse...

Esse é daqueles autores que não me diz mesmo nada. Comprei o "A rapariga que inventou um sonho" e não consegui passar de meio. Definitivamente não faço parte do clube de fãs :(

Cris...* disse...

Este foi o primeiro livro que li de Haruki Murakami e, apesar de estar muito bem escrito e de facto sermos questionados por algumas perguntas do livro, nao me fascinou por aí alem...

Acho que nao devia ter começado pelo "Sputnik, meu Amor", mas sim antes pelo "Cronica do passaro de corda" que ainda nao li, mas tenho opinioes muito melhores do que de Sputnik, mas como este saiu na biblioteca sabado, a oportunidade surgiu primeiro, enfim... =P

Boas Leituras ^^

carl@ disse...

Olá
Eu acabei de ler à pouco "Kafka à Beira Mar" e gostei bastante... e como diz a Paula é muito mais "fantástico" e também nos nos leva a reflectir

bom fdsemana

anaaaatchim! disse...

Isso é que é entusiasmo Pedro! Ainda bem que gostaste =)

Silent Raven disse...

Tenho aqui para ler... E, depois dessa crítica, acho que o vou subir umas quantas posições na pilha. :)

Homem do Leme disse...

É a beleza da literatura japonesa. Sou apaixonada!

Butterfly disse...

A escrita de Haruki Murakami é simplesmente viciante ... "Sputnik, meu amor" foi o primeiro que li e depois não consegui parar até ler os restantes ! ;)

Bjinhos

t i a g o disse...

Como sabes, já li este e o A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol, e tornei-me completamente fã do autor. Essa surrealidade no meio da realidade, confundir a matéria com o sonho... é ainda muito mais acentuada nesse segundo, o qual te aconselho. E nestas férias vou ler A Crónica do Pássaro de Corda, considerado a sua obra-prima. yeey :D

Tiago
PS: Hoje o Lydo e Opinado celebra o seu primeiro aniversário; passa por lá!

Lucie disse...

Experimenta o After Dark!!! É um livro leve (tem menos páginas que os Kafka ou o Pássaro) e é fantástico!!
Sim, há quem diga que este livro é o "menos bom dele", eu, pessoalmente, acho que tem a essência da escrita de Murakami!!!
Eu dar, do Murakami, não dou, mas terei o maior prazer em te emprestar o que quiseres ler!!! :)

Beijito

Ana Carolina disse...

Eu tenho o "Franz Kafka". Li metade do livro. Mas não me lembro bem, porque já o fiz à algum tempo :)

Lembro-me que gostei :)

Esse livro também parece bom :)

Boas leituras :) Passa no meu :)

Patrícia disse...

Olá olá
Fiquei curiosa em relação ao livro. Será uma das minhas próximas leituras.
boas leituras
Pat

Argos disse...

Pedro,

Confesso uma coisa:
Olhei para a capa ,li o título e a sinopse e não comprei o livro...até que fui ao blog da Paula!
Lá fiquei envergonhado e li-o como "penitência". Acabei por gostar.
Agora aqui, depois de ler o que escreveste, julgo que vou experimentar outros livros do autor!

abraço

Iceman disse...

Eu sabia que ias gostar!

Carla Martins disse...

Já ouvi falar muito desse livro...deve ser mesmo demais!

beijos!

Pedro disse...

Paula,
eu acho que vou gostar mais de Kafka à Beira-Mar! É maior, parece estar ainda mais desenvolvido, e se for mais fantástico que este... bem, vou adorar.

Mónica,
Ou gostamos ou não, compreendo. Acho que o problema é lermos e não sabermos o que ele está a dizer. Isso pode aborrecer os leitores ;)

Cris,
eu estou na mesma situação!
Mas fascinou-me mais =)
Quer dizer, o que me impressionou mais no livro foi o vício. É uma leitura tão viciante que eu não sabia bem que fazer!

Carl@,
esse será uma das minhas próximas aquisições!

Anaaaatchim,
já esperava ^^

Silent Raven,
acho que vale a pena experimentares! ;) Não sei se irás gostar, mas será sem dúvida um livro que queres ler!

Homem do Leme,
tenho de explorar mais =)

Butterfly,
pois, eu se pudesse ia comprar já a obra completa dele! x)

Tiago,
sei sim, e as tuas leituras deram-me ânimo para pegar neste livro ;) Obrigado por isso!

Lucie,
eu espero experimentar todos dele!
obrigado pela disponibilização ^^ eu vou mesmo comprá-los, porque estou a ver que me vou tornar fã como tu!

Ana Carolina,
"Kafka à Beira Mar", queres tu dizer ;) Não sei até que ponto tem ligação com Kafka, o autor. Hei-de ler e explorar!

Patrícia,
espero então que gostes! =D

Argos,
a princípio pode não chamar a atenção, mas vale a pena! Também quero ler outros do autor.

Iceman,
=D estavas certo, como quase sempre.

Carla Martins,
o livro é muito bom mesmo ;)

Um grande abraço

Pedro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Carolina disse...

O único livro que li dele foi o Norwegian Wood. (Existe uma adaptação cinematográfica do livro) Dizem que é o melhor livro dele. Eu adorei o livro! A história é impressionante! Aconselho vivamente!
O que me levou a começar o livro foi o título, o nome de uma das minhas músicas preferidas dos Beatles...e mal eu sabia que estava prestes a conhecer um autor espectacular! :)

Cristina disse...

Olá também li e adorei este livro, e o post que fez está o mais completo que vi até agora, ajudou-me imenso, mas fiquei com dúvida sobre outra vertente deste livro: Afinal como é que o titulo deste livro(que parece que não foi nada escolhido ao acaso) e o factos que o próprio titulo comporta pode relacionar-se com história do livro em si?? Se me pudesse ajudar agradecia imenso!!!

Pedro disse...

Olá Cristina!
Essa é a pergunta que só pode ser respondida quando se lê o livro, o que peço que faça sem demora se ainda não o leu.
Sputnik é o nome dos satélites enviados para orbitarem à volta da Terra. Essa imagem, esse satélite, serve de metáfora para os temas que este livro discute: a solidão (o satélite, sozinho no espaço, orbitando até "morrer") e como nunca nos conhecemos uns aos outros, mesmo aqueles que nos são mais próximos e amamos (é um tema lindíssimo não é? E Sputnik, apesar de girar à volta da Terra, nunca dela se aproxima, gira à distância, nunca a "conhece" verdadeiramente)

Obrigado pelo seu comentário. Há algum tempo que não pegava no livro e fez-me lembrar o quanto gostei dele! Vou relê-lo.

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