sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Estranho Caso de Benjamin Button, de F. Scott Fitzgerald


Na génese deste conto publicado pela primeira vez em 1922 terá estado, segundo F. Scott Fitzgerald, uma observação de Mark Twain em que o escritor lamentava que a melhor parte da vida fosse ao início e a pior no fim. Assim nasceu Benjamin Button, mas, como o leitor poderá começar a adivinhar, para grande desgosto e estupefacção de todos os envolvidos, o «pequeno» Benjamin vem ao mundo com a aparência, o tamanho e as peculiaridades de um homem de 70 anos. Começa então uma tragicómica batalha entre os relógios biológico e cronológico de Benjamin Button, à medida que ele rejuvenesce e enfrenta as dificuldades inerentes a passar pelas diversas etapas da vida em sentido contrário. Oscilando entre uma ironia mordaz e uma sensibilidade desconcertante, O Estranho Caso de Benjamin Button constitui uma crítica maliciosa a uma sociedade que não admite ver para além das aparências e que recusa tudo o que se desvie das normas e padrões em que assenta o seu estilo de vida. Esta obra foi adaptada ao grande ecrã.

Se não fosse da gentileza da Editorial Presença ter disponibilizado este livro, creio que veria o filme primeiro!
Mas vou deixar a minha opinião do filme para amanhã ;) Hoje vou ficar mesmo pelo livro.

Sendo um conto, parti para a leitura com as expectativas... moderadas. Sabia que a história deveria ser muito original, mas é tão pequenino que receei que fosse pouco desenvolvida. De facto, não prima por grandes descrições. Mas, meus amigos, superou as minhas expectativas e tornou-se um dos meus contos preferidos!

Benjamin Button nasce com aspecto de 70 anos. E à medida que vai "crescendo" vai ficando cada vez mais novo. Nada mais interessante do que acompanhar a vida desta personagem e das dificuldades que enfrentará, até ao último dia de vida (que também aguardamos com alguma curiosidade). O livro é de uma ternura indescritível, fiquei duplamente surpreendido com a ternura com que o tema é tratado!

A sinopse classifica muito bem o livro em "ironia mordaz" e "sensibilidade desconcertante". Ao contrário do filme, que aposta numa interpretação mais emocional, mais ligada à efemeridade da vida e ligação entre as várias pessoas que marcam a nossa vida, o livro descreve uma personagem de condições "deficientes" inserido numa sociedade que procura constantemente ocultar essa aparência e manter uma reputação. É uma crítica fabulosa à futilidade das pessoas perante os milagres da vida e tudo o que ela nos oferece, nos olhos de uma personagem deveras cativante. Além de ter essa vertente satírica fabulosa, é de uma sensibilidade difícil de entender, porque sem nos apercebermos sentimo-nos ligados aos vários sentimentos que percorrem a vida de Benjamin. O amor, a amizade, a solidão, a motivação, a vontade de viver, são coisas que nos afectam durante a cerca de meia-hora de leitura. Até ao fim do livro, aos últimos momentos, senti-me agarrado, senti que o escritor soube transmitir, de uma maneira absolutamente "desconcertante", todas as emoções.
(já agora, o livro faz, em certas alturas, lembrar o Forrest Gump!)

Não tenho outra sugestão: leiam este pequeno mas maravilhoso conto. Superou as minhas expectativas. Para reler e para suspirarmos pela vida tão efémera e fugaz como é, pela beleza e a crueldade da existência. É uma lição de vida.

15 comentários:

Cristina Bernardes disse...

Conseguiste convencer-me e vou mesmo comprar o livro, ler o mesmo ainda antes de ver o filme. Obrigado pela fantástica crítica.

marcia disse...

Eu não li o livro e já vi o filme que considero muito bom. Mas de facto a tua opinião agradou-me e fez-me pensar duas vezes em relação a sua leitura.

flicka disse...

Achei a critica fabulosa! Vou então comprar este livrinho e será lido imediatamente a seguir ao que estou a ler de momento! Convém ler primeiro, antes de ir ver o filme, não é?! ;-) Pode me dizer quantas páginas tem o livrinho (se dizes que é tão pequenino)?

Ana Carolina disse...

Já tinha curiosidade em ver o filme, agora também tenho em ler o livro! ;)

Migalhas disse...

Cá está um autor clássico da literatura americana que eu nunca tive oportunidade de ler, apesar de durante a faculdade ter ouvido falar imenso dele.
Pelos vistos, este pequeno conto será um bom excelente ponto de partida :)
O filme já estava na minha listinha de filmes "a ver". Não estava a pensar ler o livro antes, mas agora deixaste-me com o "bichinho" :)

Borboleta disse...

Fiquei bastante curiosa... =)

Pedro disse...

Cristina Bernardes,
obrigado eu pelo elogio =) O livro está mesmo muito fixe, e o filme... estou prestes a comentá-lo ;)

Marcia,
se gostaste do filme e viste-o primeiro, agradecia muito que lesses o livro e desses a tua opinião ;) É que se calhar ficarás impressionada pela disparidade entre as duas coisas!

Flicka,
obrigado!
Eu li-o primeiro... Mas olha, sou-te franco, podes ver o filme primeiro porque simplesmente filme e livro não têm nada a ver um com o outro! =P Até ficas impressionada!
Por isso, é como achares melhor... Apenas não te esqueças que se vires o filme primeiro não te vai estragar a leitura em nada, porque realmente são completamente diferentes.
O livro tem 75 páginas, mas as letras são tão grandes...

Ana Carolina,
ambos valem a pena, mas são para serem vistos de diferentes maneiras ;) Em breve posto a minha opinião sobre o filme!

Migalhas,
Também é a minha primeira vez, embora tenha cá em casa "O Grande Gatsby"!
Eu achei um excelente ponto de partida, fiquei cativado pela maneira como o autor, sem nada aparentemente, consegue transmitir uma sensação de ternura... Um bom escritor sem dúvida!
Olha, como já disse a outros, vê os dois na ordem que te apetecer ;)

Borboleta,
acho que essa curiosidade vale bem a pena! ;)

Um grande abraço

CelyLua - O blog das Letras disse...

Querido Pedro!

É encantador visitar teu blog. Sempre repleto de novidades...Isto é maravilhoso!
Tuas recomendações sobre livros, filmes...Enfim, é tudo de bom!
Vou comprar primeiro o livro. Depois assistir ao filme e ver realmente o que evoluiu em cenas...Isto é ótimo!
Não somente assistir o filme, mas também absorver todos detalhes antes pelo autor do livro.
É realmente fantástico!
Eu penso assim...Acredito que muitos também pensem assim como eu.
Deus te abençoe Pedro!
Beijos poéticos, rsrsrs.

CelyLua.

Miss Alcor disse...

Agora sim! Ainda fiquei mais convencida!
Um dos livros mais maravilhosos que li em toda a minha vida foi "As Pontes de Madison County", que é minúsculo e no entanto tão grande em descrições e objectividade que me arrebatou.
Este parece-me ser o género, sem tirar nem pôr!

Pedro disse...

CelyLua,
obrigado pelo elogio tão caloroso! ^_^
Também prefiro ler o livro primeiro! Espero que gostes de ambos ;)

Miss Alcor,
repara, este livro não é rico em descrições... Mas é objectivo, e estranhamente terno! Muito bom! Como ainda não li "As Pontes de Madison County", não posso fazer comparação =)

Um grande abraço

Lady Macbeth disse...

Olá e Boa Noite a Todos,

para quem ainda ñ viu o filme, aconselho vivamnente q o faça e se perca nos detalhes, nas pequenas intenções q só Fantásticos Actores conseguem passar isso e obviamente um génio na escrita se detém no somples facto de "ainda" sermos Humanos.
Desejo-vos uma bela semana com excelentes leituras e Grandes filmes.

p a t r í c i a * disse...

Li esse livro na Fnac, em meia hora.
Foi fantástico, tão fantástico que que ne sei descrever o sentimento nunca sentido ao acabar de o ler.
Ainda não vi o filme, não tenciono ver, mas com um tão bonito e comovente, tal como vi, o filme não deve ser assim tão mau...

Pedro disse...

Lady Macbeth,
é verdade, este é um filme para nos perdermos nos detalhes...

Patrícia,
=) adorei o livro também! O filme é totalmente diferente, acho que até a premissa varia um bocado... Mas, enfim! Até que está muito muito bom! ^^

Um grande abraço

p a t r í c i a * disse...

Já li o livro à muito tempo, mas concordo contigo: é um dos melhores contos que já li. Adorei e fiquei em choque emocional, na positiva xD
Nem quis que acabasse... mas acabou. Terá ele ficado uma célulazinha? Acabou muito bem. Adorei.

Pedro disse...

Hum... Bem apontado! Eu acho, sinceramente, que ele ao atingir a fase de "recém-nascido" faleceu. E é sem dúvida uma cena magnífica...

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