segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Sombra do que Fomos, de Luis Sepúlveda

Luis Sepúlveda regressa ao romance com uma grande homenagem ao idealismo dos perdedores. Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal... Prémio Primavera de Romance 2009, A Sombra do que Fomos é um virtuoso exercício literário posto ao serviço de uma história carregada de memórias do exílio, de sonhos desfeitos e de ideais destruídos. Um romance escrito com o coração e o estômago, que comove o leitor, lhe arranca sorrisos e até gargalhadas, levando-o no fim a uma reflexão profunda sobre a vida.

Este livro é um hino ao espírito do Chile e do seu povo, que luta pela vida e cuja vida se tornou, reciprocamente, a luta em si.

Pode-se dizer que é uma espécie de policial. No entanto, só podemos dizer isto pela presença de detectives e de uma morte. Na verdade, esta morte tão invulgar é a desculpa perfeita para juntar velhos camaradas e para relembrar o passado.
A sombra do que fomos não é mais do que isso: homens velhos, esquecidos, mas cuja memória é a de guerra, de revolução, de assalto. E é essa sombra, essa faísca, que os faz continuar a viver, e que os dá força para, hoje, darem um último golpe.

Quando digo que este livro é um hino ao espírito revolucionário chileno, não brinco. A conversa entre camaradas vai relembrar datas, assaltos, actos, todo o tipo de feitos que duraram até ao golpe de estado de Pinochet, que resultou com a morte de Allende. Daí para a frente, tudo o que aconteceu de revolta foi como que uma vontade dos perdedores de se reafirmarem, de relembrarem os velhos tempos, porque a sua vida é uma luta.

Sepúlveda sempre foi conhecido pela sua escrita simples, e todavia poética. Este livro apresenta uma escrita simples, muito agradável, o que o torna uma excelente leitura para estes dias tão tristes. É uma escrita que tenta reunir a nostalgia do que já passou, que tenta homenagear a história do Chile. Pelo que, independentemente da nostalgia que se torna muito característica deste livro, estava à espera de encontrar uma poesia que não está lá. No meio de referências a golpes de estado, datas e acontecimentos, pequenas revoltas, exílios, e tudo o mais, Sepúlveda perde um pouco a poesia da sua escrita.
Abdica da sua escrita latina, tão característica, para defender o seu país latino.

Enfim, para mim a escrita do autor prometia mais, e não cumpriu. O que mais rende é o humor (sim, ainda é capaz de nos arrancar alguns sorrisinhos) no meio da conversa nostálgica.

Ainda assim, sem dúvida é uma leitura muito agradável e que recomendo sem grandes reservas. O escritor consegue reunir, brilhantemente, o espírito chileno nas suas palavras, e embora isso vá agradar ainda mais os próprios cidadãos do Chile, a mim impressionou-me na perfeição em dar-me a conhecer a sua própria nação. Recomendo porque merece ser lido um livro que homenageia, tão bem, a luta de qualquer perdedor, a coragem de cada combatente, a vontade de quatro homens que defendem os seus ideais até ao fim da sua vida. É de honrar!

4 comentários:

Bia disse...

Olá!
Tem uma brincadeira lá no meu blog!
Gostaria que você participasse! Não é selinho!

Bjs
Bia
Livros de Bia

Beαtriz disse...

Um óptimo 2010! :DDD

Tétis disse...

Olá

Muda-se de ano... Muda-se de sonhos... Muda-se de objectivos... Muda-se de aparência... Mas jamais se muda de amigos.

Feliz Ano Novo!...

Pedro disse...

Bia,
não tive tempo para tal, mas espero que tenha tido sucesso!

Beatriz,
para ti também ;D

Tétis,
podes crer! =) Os amigos nunca se deveriam mudar...

Boas Leituras

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