terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Os Maias, de Eça de Queirós

Sou fã de Eça de Queirós desde que me posso chamar de "leitor". Este foi o autor que me iniciou no "grande romance", e sem dúvida o que mais me marcou, por vários sentidos.

E, como primeira leitura de 2010, não podia ser melhor. Se me queixei em 2009 de que nenhum livro entrara no meu Top 5, este aqui entrou. "Os Maias" é sem dúvida uma obra-prima, de Eça, da Literatura Portuguesa, de toda a Literatura. E um dos meus livros preferidos.

O que me fez gostar tanto do livro? Simples: se estava em baixo, esta leitura alegrava-me; se estava alegre, aqui encontrava o momento alto do dia; e nunca me senti tão triste por viver em 2010, e não em 1875!
Tenho pena de não ter estado ao lado de Carlos da Maia, personagem que idolatrei completamente (embora no fim me tenha desiludido imenso), João da Ega (personagem que muitas vezes me irritava pela sua atitude tão pouco altruísta, mas que no fim me apanhou de surpresa), Afonso da Maia (que impõe respeito), e todos os companheiros que no Ramalhete passaram horas a conversar, com especial destaque para Craft, um senhor que, embora muito secundário, me impressionou. Há destas coisas.

Esta é a história de uma família. De três gerações. De Afonso, Pedro e Carlos da Maia. E, embora sejam diferentes pessoas, as suas histórias estão inevitavelmente ligadas. Principalmente pela tragédia, pois Carlos tem de ser criado pelo avô Afonso, uma vez que Pedro, seu pai, se suicidou... Bem, mas mesmo tratando-se de uma introdução, não vou dizer razões nem nada do género! É muito interessante de se seguir, preparem-se para uma grande carga.

Para uma obra de 700 páginas, não é nada parada. Talvez porque nunca é demais a descrição e as longas discussões masculinas sobre a sociedade portuguesa. Sim, confirma-se: Eça de Queirós esmera-se em atacar por onde pode este nosso pequeno país. E tudo o que ele diz é quase como uma premonição; incrível como ainda hoje temos as mesmas preocupações daquela altura... Curioso...

Mas, para além das personagens, para além da história de uma família, para além de uma obra completa em tudo, temos a escrita. As magníficas descrições de Sintra e de Lisboa. A escrita que tão facilmente nos percorre. Eça de Queirós é um mestre a evocar uma plenitude de sensações, de logo no momento "desenhar" alguém, de nos fazer percorrer ruas inteiras.

Não acho que este seja um livro para senhoras. Muito pelo contrário. É um livro bastante "macho".
Mas que todos deveriam ler pelo menos uma vez.
Fenomenal. Estou sinceramente sem palavras para mais. E custa-me isso, pois esta crítica está pequenina. Mas não sei mais que dizer. Deixem-me ficar com este livro no pensamento, não me peçam para vos partilhar esse sentimento.

11 comentários:

Jacqueline' disse...

Depois de ouvir tantas opiniões negativas sobre este livro, é bom ouvir uma excelente! Vou ler Os contos dele na escola e agora já me sinto um pouco mais motivada em relação à sua escrita!

Filipe de Arede Nunes disse...

Os Maias é só o melhor livro que li na minha vida.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

p a t r í c i a * disse...

Ouvi dizer que o livro não é muito interessante, mas só até a uma certa parte; e que depois, interessa mais. Mas isso depende da opinião do leitor.
Mas acredito que é um livro muito bom! De Eça de Queiroz só li contos, mas eram muito bons... ^^

Ana Carolina disse...

Eu gosto bastante do Primo Basílio e da Tragédia da Rua das Flores :)

t i a g o disse...

"e nunca me senti tão triste por viver em 2010, e não em 1875!"

Foi exactamente isso que senti quando terminei o livro, e nas semanas seguintes que se passaram; e ainda hoje quando penso nisso tenho "saudades" desse tempo, embora nunca o tenha vivido.

Quanto ao Carlos da Maia, não gostei dele. Acho que é uma personagem um bocado vingativa, má. A atitude dele chega a tornar-se rancorosa. SPOILER: quando ele bate no Eusebiozinho, lá para o fim, fiquei de boca aberta. Um bocado cruel.

Já o Ega adorei, porque era uma pessoa espontânea, parecia sempre à vontade, e a sua vontade de empreender grandes projectos foi como que um espelho para aquilo que eu sou.

De resto foi um bom livro. A primeira parte, de narrar os acontecimentos todos da história da família, aborreceu-me um pouco. Mas a segunda metade fluiu muito melhor.

Boa crítica ;)

N. Martins disse...

Gostei muito da tua crítica.
Li Os Maias (nessa mesma edição das Selecções Readers Digest)como leitura obrigatória para a escola (já há alguns anos)e gostei imenso, ao contrário de muitos dos meus colegas que se ficaram pelos resumos. Depois desse li quase tudo o que há para ler do Eça, gosto muito da escrita dele, das histórias e do sentido de humor dele. É definitivamente um dos melhores escritores portugueses. Também gosto muito do Camilo Castelo Branco. Diferente do Eça, mas também gosto muito. :)

Continuação de boas leituras.

Iceman disse...

Eu sabia que ias delirar com o livro.

E nota que João da Ega é o próprio Eça. Ele rectractou-se nesse personagem.

Pedro disse...

Jacqueline',
se ouviste opiniões tão más, foi porque este é o "monstro" do secundário, e a maioria das pessoas antes de o ler já não gosta dele.
Sem nenhuma razão!
Por isso, acho que podes vir a gostar bastante.
Os seus contos também são muito bons, e um bom exemplo do que é capaz (Eça de Queirós começava por escrever os contos e, mais tarde, desenvolvia-os para romances! ;D). Mas eu acho que um romance do Eça é a melhor leitura que podem ter!

Filipe de Arede Nunes,
Sem dúvida, sem dúvida, este livro é para ser lido. Magnífico, esplêndido. Acho que, se fosse por mim, nem escrevia esta opinião, para ficar com ela para mim. Apaixonante.

Patrícia*,
Pois é, depende da opinião de cada um! Eu achei precisamente que o início é das partes mais fascinantes (onde é relatado o passado da família Maia!). Uma introdução fascinante, e que nos deixa ficar cativados até à última página do livro.
E as descrições não são tão grandes quanto dizem!
Se já vens com os contos dele de trás, acho que vais mais motivada para esta leitura ;) Aproveita-a bem!

Ana Carolina,
"O Primo Basílio" foi o primeiro livro que li de Eça e AMEI! A sério, marcou-me de uma maneira incrível.
"A Tragédia da Rua das Flores" ainda não li, mas espero compensar isso em breve! =P

Tiago,
acho que este vai ser daqueles livros que vou reler imensas vezes xD não consigo evitar, quero voltar lá!
Eu idolatrei o Carlos da Maia. Daquelas personagens que me impressionavam, pelos objectivos de vida, pela personalidade, por tudo! Queria ser como ele. Mas o que ele fez no fim ([b]SPOILER[/b]: deixar aquela tarefa pesada para o Ega, e fugir para Santa Olávia) fez-me perder toda a confiança que tinha nele. Que desilusão! =(
O Ega foi o contrário. Algumas vezes gostava bastante desse seu espírito, outras vezes merecia um par de estalos (muito pouco altruísta, até com o melhor amigo!). Mas, no fim, revelou ser a melhor personagem de todas!
A primeira parte adorei lol Adorei o livro todo, pronto!

N. Martins,
li "O Primo Basílio" há já muito tempo, e adorei. Nessa altura também li quase tudo do Eça, e hoje peguei n'"Os Maias" e apaixonei-me de novo! Fenomenal.
Camilo Castelo Branco li "O Bem e o Mal", é bom mas para além de ser diferente, não me cativou tanto tanto.

Iceman,
já sabes, enfim.
Pois, bem li a tua crítica, que faz referência a esse retrato. Pois bem, só tenho pena que ele algumas vezes nem para o melhor amigo fosse o melhor amigo! Salvo o fim, que para mim veio provar que Ega é a melhor personagem.

Boas leituras!

branca de neve disse...

Eu também gostei muito dos Maias. Gostei mas gostei mais d' O Crime do Padre Amaro. Agora talvez leia O Primo Basílio

Pedro disse...

Branca de Neve,
eu adorei "O Primo Basílio"! É dos meus preferidos ;)

tonsdeazul disse...

Os personagens criados por Eça ficam-nos entranhados na memória! :) Gosto imenso da sua escrita que tão bem retrata este nosso Portugal e mesmo depois de anos passados ainda nos revemos nas suas histórias! É sem dúvida um mestre da literatura portuguesa!
«Os Maias» por ter sido o primeiro que li dele acaba por ser o meu preferido, mas também destaco "O primo Basílio», «A relíquia» e «A cidade e as serras».

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