segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Rei do Inverno, de Bernard Cornwell

O primeiro de uma magnífica serie CRÓNICAS DO SENHOR DA GUERRA.

"Estas são as histórias dos dias que antecederam a descida das grandes trevas. Estas são as histórias das Terras Perdidas, do país que outrora foi nosso, mas ao qual os nossos inimigos chamam agora Inglaterra. Estas são as histórias de Artur, o Senhor da Guerra, o Rei que Nunca Existiu, o Inimigo de Deus e, que o Cristo Vivo me perdoe, o melhor homem que jamais conheci."

"Cenas de batalhas grandiosas e intriga política brilhante norteadas por personagens lendárias com características muito humanas." Kirkus Reviews


Desde criança que a lenda do Rei Artur animou a minha imaginação. A espada na pedra, Merlim, Guinevere e Lancelot, a Távola Redonda, a Dama do Lago, Mordred, Morgana, e muitos outros pormenores que cada contador acrescenta. É uma lenda romântica, trágica, épica, e felizmente pouco ou nada se sabe da sua veracidade. Sim, felizmente, porque é devido à falta de informação histórica tão grande que temos o prazer de ler dezenas de versões diferentes da lenda, cada uma dando à história o seu toque mágico.

A base da história, contudo, é comum: Artur foi um grande guerreiro que, tanto pelo destino como pela sua habilidade, governou Inglaterra. Seu mentor foi Merlim, um druida que empresta à lenda a Magia presente em todas as grandes histórias antigas, e seu grande amor foi Guinevere, que mais tarde se apaixona pelo seu grande amigo, Lancelote.

Bernard Cornwell decide juntar-se à já enorme lista de escritores que aproveitaram estas personagens fascinantes e contar a sua história. O que tem de diferente de todos os outros? Uma aproximação o mais realista possível à lenda. Nada de feitiços ou magia, nada de situações que não aconteceriam no nosso mundo. Não é certamente a verdade sobre Artur, se é que existe alguma, mas poderia muito bem ter sido.

Infelizmente, não podemos pedir um romance histórico absolutamente correcto sobre Artur, já que muito pouco se sabe sequer da sua existência. E sem dúvida são palpáveis os devaneios literários a que Cornwell se entrega. Não deixa de ser, contudo, a história mais realista que existe sobre esta lenda e um dos melhores romances históricos que já li. O fundo histórico parece bastante sólido e os poucos vestígios que existem da história de Artur estão lá.

As descrições do autor são absolutamente magníficas. Desde tentar transportar-nos para as estradas do século V até às épicas batalhas travadas não só por Artur mas também pelos seus companheiros, Cornwell é um mestre absoluto na arte da narrativa. Só por esse facto tornar-se-á, depois de ler esta trilogia, um dos autores que seguirei.
As personagens são brilhantes. Certamente das melhores aproximações que já foram feitas às personagens desta lenda, que se tornam tão vivas com Cornwell. Nenhuma delas está livre de defeitos, nenhuma delas é um herói iluminado, e Cornwell não as define pelos seus feitos mas sim pelas suas personalidades, o que as afasta um pouco da lenda de onde vieram mas que permite criar uma história sólida e independente.
Finalmente, a história em si. Cornwell fala-nos de uma terra em decadência. Os vários reinos batalham entre si enquanto inimigos estrangeiros conquistam as suas terras. O Cristianismo começa a espalhar-se, ameaçando a Velha Religião dos deuses e o druidismo (fiquei particularmente fascinado por esta abordagem). E Artur é um idealista num mundo bruto. Desde a primeira página que se sente a atmosfera algo trágica e negra destes tempos.

 Um primeiro volume sem falhas e empolgante, uma recomendação certa! Estava à espera de um livro demasiado focado nas guerras que Artur enfrentou, mas em vez disso encontrei um livro completo. Até agora, toda a fama e glória desta série parece merecida.


1 comentário:

Miar à chuva disse...

Tenho este livro por ler à tanto tempo que ao ler a tua opinião fiquei ainda mais envergonhada do que o que já estava!

Sandra do blog http://vidasdesfolhadas.blogspot.pt/

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