quinta-feira, 11 de julho de 2013

Coroa de Erva, de Colleen McCullough

É dia de Ano Novo de 110 a.C. e assiste-se à tomada de posse dos novos cônsules, ineptos representantes da aristocracia. Mas no meio da multidão encontram-se dois homens cuja coragem e poder de visão irão mudar por completo a República Romana, que se debate com problemas como a expansão territorial e o ressentimento crescente dos não-cidadãos.
Um destes homens é Mário, impossibilitado pelas suas origens humildes de tornar-se o Primeiro Homem de Roma, aquele que, pela sua excelência, se eleva acima dos seus semelhantes. O outro é Sila, um belo e depravado membro da aristocracia, a quem a penúria impede de subir a Via da Honra, direito que lhe pertence devido às suas origens. Juntos pela guerra em terras distantes, combatem os seus inimigos romanos e os inimigos de Roma, pois ser o Primeiro Homem de Roma implica a mestria tanto política como militar.

A história da Roma Antiga é o tema romanceado que ao longo de seis volumes nos é apresentado por Colleen McCullough. Fruto de um excepcional trabalho de pesquisa, todo o ambiente histórico, quer se trate da forma de organização política, económica ou social, ou de simples estratégias de poder, é retratado com o rigor e o talento que caracteriza uma grande autora.

Wow.
Wow.
Ok, agora já posso continuar.

Acabei mesmo agora de ler Coroa de Erva e não consigo deixar de sentir que demorei anos. Aliás, quando reflicto sobre todos os acontecimentos do livro, questiono-me quantos livros realmente li, se um ou dez.
Colleen volta a fazer um trabalho extraordinário. Aliás, um trabalho muito, muito melhor do que o do primeiro volume.
Agora que a escritora não se tem de preocupar em introduzir-nos a este mundo romano e às suas regras e a tudo aquilo que, se fôssemos romanos, daríamos como garantido e como pilares da sociedade, pode finalmente dedicar-se a desenvolver as suas personagens no tom certo.

Mais uma vez, o livro abrange anos de história Romana. Os acontecimentos que ocorrem neste livro são tantos que dá mesmo a impressão que lemos mais do que um livro! Fico boquiaberto ao reflectir em tudo o que Colleen nos conta!

Há muito tempo que não ficava acordado a ler pela noite fora. Há muito tempo que não resistia a andar com o livro no meio da rua. É mesmo demasiado cativante para ser posto de parte. Colleen tem uma escrita belíssima e dificilmente não queremos saber o que vem a seguir. As coisas que ocorrem são tantas, e são sucedidas por tão novos e cativantes tramas, que é impossível não querer avançar algumas páginas e descobrir o que vai acontecer.

Por outro lado, é um livro muito mais sério e triste do que o primeiro. Havia uma certa alegria, um sentimento de esperança e vitória, na leitura de O Primeiro Homem de Roma. Este segundo volume, contudo, é tudo menos vitorioso. Há personagens que amámos no primeiro livro que neste se tornam cruelmente implacáveis. Aqueles que nós aprendemos a amar neste livro acabam por morrer, deixando-nos com o coração pesado. Não há uma vitória romana, mas sim uma confusão de acontecimentos que apenas reforça a ideia do quão decadente a República se tornou. É um livro que, para quem consegue estabelecer um bom contacto com as suas personagens, se pode tornar muito deprimente.

Altamente recomendado. Mais do que altamente recomendado. Seja ou não amante da História Romana, não vejo como alguém não pode apreciar esta obra tão intensa. Uma obra para viver, literalmente, que nos transporta para aqueles anos tão conturbados.

Avanço imediatamente para o terceiro volume, Os Favoritos da Fortuna, onde espero encontrar a personagem que nos é introduzida neste segundo volume e que promete ser o novo protagonista da série: Júlio César.


3 comentários:

Iceman disse...

Amigo Pedro.
Penso que já referi que li o primeiro volume desta mega série.
Gostei mas não adorei ao ponto de continuar a leitura.
Achei a leitura algo pastosa e, sobretudo, que versava muito sobre questões políticas, algo que me aborrece nesse imenso e importante império romano.
O que te quero colocar é o seguinte:
- Há porrada? :)
Ou seja, há cenas de batalha e afins, daquelas que gostamos de ler, com muito sangue, confusão, tipo O "Gladiador" nas cenas iniciais?
É que estas tuas opiniões começaram a espicaçar a minha vontade de continuar, e reler o primeiro volume, a ler esta série.
Abraço!

Pedro disse...

Olha, antes de mais, o primeiro volume também me aborreceu bastante no que toca às políticas da República Romana. Acho que Colleen se preocupou mais em explicar como é que tudo aquilo se processava do que em tentar inserir a situação no romance propriamente dito. Para mim, acabou por saber mais a uma lição de História muito longa e detalhada de Política Romana.

Isso não acontece neste livro. Ou melhor... Querelas políticas há. MUITAS. Grande parte deste livro debruça-se sobre a luta entre os senadores e leis que alguém tenta aprovar e que pode mudar completamente o rumo da História. E para ser franco, grande parte do livro é basicamente uma luta entre leis, ora são aprovadas ora são rejeitadas. Mas, desta vez, ao contrário do primeiro volume, eu achei bastante mais integrado e muito, muito mais interessante (sobretudo quando Marco Lívio Druso quer dar a cidadania a todos os italianos!).

Há porrada? ..... Há tanta quanto no primeiro volume. A Guerra principal neste livro é a Guerra Civil de Itália e acho que tem tanta "porrada" quanto a Guerra com os Germanos. Nada mais. Agora julga por ti próprio se é suficiente.

Não deixam, contudo, de haver cenas bastante macabras. Este livro é muito mais violento do que o primeiro. Lá para o fim então é um autêntico banho de sangue. Todas as personagens se tornaram tão implacáveis. É mesmo brutal, este livro não tem heróis, chega a ser deprimente a decadência a que República atinge.
A questão é: alguns autores podem descrever com muito pormenor esse banho de sangue ou os crimes atrozes que são feitos, até à mais ínfima gota de sangue. Colleen limita-se a relatar que esses crimes foram feitos, não gastando páginas a descrever o horror.

Portanto... Não, acho que não há as cenas de batalhas e confusão que procuras =P esta é uma guerra que se trava mais dentro do Senado. Não há muita porrada épica.

Mas, como sempre, nada como experimentares!! Eu acho que este segundo volume é muito melhor do que o primeiro, sem dúvida. E a quantidade de eventos que ele abrange é fenomenal.

Abraço forte!

Pedro disse...

E afinal ela não chega a escrever sobre a Guerra na Província da Ásia. Comecei agora o terceiro livro e, enquanto o segundo livro acaba com Sila a dirigir-se para a guerra na Ásia, o terceiro começa com ele a voltar. Há ali um espaço de 3 anos que Colleen apenas resume. É uma pena, teriam sido altamente interessantes (teria sido fascinante acompanhar o implacável rei Mitridates do Ponto, na Ásia). Pelos vistos Colleen parece muito mais interessada em avançar com a história e voltar às querelas na cidade de Roma.

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