quinta-feira, 25 de junho de 2015

Rainha Suprema, de Marion Zimmer Bradley

O presente volume constitui a segunda parte do monumental romance As Brumas de Avalon. Significativo da sua qualidade e simultânea popularidade, é o facto de alguns paises já se terem atingido a vigésima edição desta obra tão favoravelmente acolhida pela crítica mundial.


«Lemos o primeiro livro,
A Senhora da Magia. Esperamos pelos restantes para preencher a nossa avidez de mistério e de saudade daquela sabedoria inicial, que fomos perdendo na assimilação de culturas, quando éramos um com a terra.»
João Mattos e Silva,
Letras & Letras, Mai. 88

«Uma perspectiva alucinante e vertiginosa, de uma época onde tudo era possível através dos poderes das mulheres.»Mulheres, Fev. 88


«O ponto de vista das mulheres, sobre este ciclo de lendas, é, de facto, original e cativante. A prová-lo está o enorme sucesso editorial que a obra de Bradley suscita em toda a parte.»
A Capital, 26 Nov. 87

«Uma fascinante visão do mágico, do místico, do fantástico de eras perdidas do mito.»
D. S. Bruno,
Semanário, 22 Dez. 87 

«... um livro a reter como um retrato relativamente fiel de uma tradição, onde o fio da lenda (haverá coisas tão agradavelmente reais como as lendas arturianas?) é contado a partir de outra perspectiva, de outro olhar sobre o destino da História e do sentido de Avalon.»
Francisco José Veigas, Expresso, 5 Mar. 88 



O primeiro volume foi uma introdução muito amena a esta versão mágica e feminista da lenda do Rei Artur. A magia esotérica, muito indefinida, e as mulheres poderosas mas de pouca vontade própria não me conseguiram entusiasmar.

Este segundo volume, no entanto, afasta-se completamente do misticismo tão indistinto quanto as brumas de Avalon e aproxima-nos do mundo real. Efectivamente, neste segundo volume a personagem principal afasta-se de Avalon e vai para o meio da corte real - onde a magia é completamente abominada. É por isso uma abordagem muito mais empolgante, que finalmente nos faz torcer por personagens que querem apenas viver e amar e que lutarão pela sua felicidade.

Nada de esoterismos, nada de sacerdotisas: apenas mulheres, Morgaine e Gwenhwyfar, lutando por aquilo em que acreditam, não se deixando vergar pela vontade dos outros. Isto, sim, é uma perspectiva feminista!
Apesar da magia que caracteriza e distingue esta série não estar tão presente (reconheço que é o que torna a obra tão idiossincrásica), a vontade humana é mais forte do que nunca e nada é mais cativante. Cativante, contudo, de uma forma algo mórbida: nós que conhecemos a lenda, sabemos como tudo acaba em tragédia, mas assistimos com emoção a estas personagens que procuram tecer o destino à sua maneira. Talvez seja verdade que a vontade dos Deuses seja inultrapassável.
É este segundo volume que faz de mim um seguidor de Avalon.

Gwenhwyfar é a Rainha Suprema, mulher de Artur, e o seu fanatismo religioso fá-la uma personagem praticamente detestável; enquanto Morgaine vai perdendo a sua influência junto do Rei, e com ela o poder de Avalon na Terra, Gwenhwyfar usa todos os trunfos para transformar a Bretanha em terra cristã, abolindo de vista as manifestações celtas.

A presença dos homens mal se nota, o que para mim acaba por tornar esta saga não tão completa quando poderia ser. Reuniões de guerra e batalhas são completamente ausentes, o que faz sentido visto que nenhuma destas mulheres se pôs a combater ao lado de Artur, mas acabam por ser desprezados momentos muito importantes na história. Momentos que são desperdiçados com uma referência rápida. Por vezes nem sequer temos a oportunidade de acompanhar as mulheres no nervosismo que acompanha a espera, já que oportunamente desmaiam ou entram em transe. Por favor, eu até aceitava uma magia maluca qualquer que fizesse com que o espírito delas fosse transportado para o meio das batalhas! Mas nem isso nem nada parecido.
Contudo, sou justo: esta é uma perspectiva completamente feminina da lenda de Artur e Bradley nunca se esquece disso. É um desafio completado com louvor. A ausência dos momentos masculinos é um dano colateral, mas necessário para tornar esta obra tão única. Se quero ler mais, que vá procurar outros livros.

Com o fanatismo religoso de Gwenhwyfar, vem a guerra entre cristianismo e culto da Deusa. Esta discussão teológica poderia ser bastante interessante, mas infelizmente ao longo do livro os argumentos são sempre os mesmos e o que podia ser uma argumentação bastante construtiva acaba por ser apenas repetitiva, sempre a bater nas mesmas teclas... Talvez nos próximos livros isso melhore.

Finalmente, as brumas encantaram-me. Daqui para a frente espero que esse encanto apenas aumente com o adensar da história...


2 comentários:

Claudia Miqueloti disse...

Olá, tudo bem? Gosto muito desse livro e de tudo que fala-se das lendas do Rei Arthur. Marion foi uma das autoras que mais li na adolescência. Dela, gosto muito de O Trílio Negro.

Visitando seu blog pela primeira vez e gostando.
Bjs doces.

Claudia Miqueloti disse...

Olá, tudo bem? Gosto muito desse livro e de tudo que fala-se das lendas do Rei Arthur. Marion foi uma das autoras que mais li na adolescência. Dela, gosto muito de O Trílio Negro.

Visitando seu blog pela primeira vez e gostando.
Bjs doces.

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