sábado, 27 de setembro de 2014

A Sacerdotisa dos Penhascos, de Sandra Carvalho

Os Guardiães das Lágrimas do Sol e da Lua vivem finalmente em plena união. Dos seus amores nasceram Halvard e Kelda, os gémeos sobre quem pairam profecias grandiosas e temíveis. Halvard está nas mãos de Sigarr, o Mestre da Arte Obscura, que espera treiná-lo para ser o Guardião do Conhecimento Absoluto, e usar o imenso poder deste em seu proveito. Kelda, no topo da mais alta fraga da Ilha dos Penhascos, entrega o seu corpo dorido e espírito destroçado à violência da tempestade, enquanto as palavras da sua melhor amiga Oriana qual maldição : «Hás-de acabar sozinha e devorada pelo mal como o teu irmão!» Como poderá lutar contra as forças negras do destino, se todos aqueles que ama lhe viram as costas? Será capaz de provar que os pais estavam enganados acerca da sua índole perversa? E resgatar Halvard do jugo dos Feiticeiros, cumprir os desígnios da Pedra do Tempo e salvar a sua própria alma? Ou está condenada a ceder ao apelo da Arte Obscura que pulsa no seu sangue e tomba ao abismo?


 Eis-nos na terceira geração de A Saga das Pedras Mágicas, a última geração! Eis que começa a última parte da história e que foi profetizada no primeiro livro de todos, A Última Feiticeira: a profecia do Filho do Dragão, um homem nascido da Rainha do Sol e do Rei da Lua que deterá o Conhecimento Absoluto e será um deus terreno.

Kelda é irmã de Halvard, que está a ser treinado por um Feiticeiro de Magia Obscura para se tornar o Filho do Dragão. Obstinada, ela acredita no bom coração do irmão e que conseguirá contrariar o destino, custe o que custar. Contudo, quem a rodeia não acredita nela e ela ainda não conhece o poder da sua magia... Este é o seu livro, e abençoada seja a sua vinda!

Infelizmente, muitos leitores perdem o entusiasmo pela história chegados à história de Edwina (mãe de Kelda). De facto, das três protagonistas, é a menos cativante. Mas mais infeliz é o facto de esses leitores não chegarem a conhecer aquela que é provavelmente a melho protagonista de todas! Kelda é teimosa, muito poderosa, lutadora, e fará tudo o que for preciso para contrariar a profecia e recuperar o irmão. Ao mesmo tempo, é uma apaixonada, uma eterna sonhadora, que nem sempre pensa antes de agir mas porque aquilo que acredita vem sempre em primeiro lugar. Para além disso, ser a ovelha negra da família e desprezada por todos aqueles que a rodeiam tornam-na ainda mais simpática aos nossos olhos.

Um livro bastante bem construído. Não só a escrita continua apaixonante como sempre, mas também me agradou bastante a forma como a história é desenvolvida, sem grandes devaneios amorosos desnecessários ou mesmo enredos paralelos confusos. A escritora cresceu, assim como as personagens (é aliás muito interessante reparar em como o temperamento de certos protagonistas se vai alterando à medida que os livros avançam, à medida que elas próprias envelhecem). Grande parte do livro dedica-se a envolver-nos na história de Kelda e a construir a sua personagem, até às grandes, enormes reviravoltas do final! Mais uma vez, e como Sandra Carvalho já nos mostrou, o destino acaba sempre por se concretizar... Mas nem sempre da forma que esperamos. E o final deste livro é, sem dúvida, o melhor que já li desta saga! Mais uma vez, Kelda e a sua história revelam-se a melhor coisa que esta série nos oferece. Tenho mesmo muita pena que o melhor tenha ficado para o fim e sejamos "obrigados" a esperar tanto.



2 comentários:

Tita disse...

A Kelda é uma protagonista excelente! Eu quase que abandonei a saga por causa da Edwina mas ainda bem que não o fiz. Estes últimos volumes são muito bons! =D

Pedro Tavares disse...

Olá Tita

Sem dúvida, é uma pena que a Edwina seja para alguns leitores tão difícil de ultrapassar, porque o melhor de toda a saga é mesmo a história de Kelda!

Estou sem fôlego, e sem dúvida já sinto algumas saudades de mergulhar no imaginário de Sandra Carvalho (é um sentimento normal quando nos dedicamos a uma série tão grande de seguida, mas a sua escrita apaixonante ajuda bastante).

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