Na sequência dos
dramáticos acontecimentos que encerram o primeiro volume desta saga, Catelyn é levada com os seus captores para a Terra
Antiga. Aí, a jovem feiticeira descobre os fios que entretecem o seu
próprio destino com o daqueles que agora a acolhem. Descobre igualmente
que aquele viquingue que a salvou de uma morte certa é alguém que ela já
tinha vislumbrado em intrigantes visões. Throst, filho de Thorgrim, é
agora o seu senhor. Mas os segredos do Universo, guardados no topo da
Montanha Sagrada são indiferentes aos desígnios humanos. Catelyn, a neta de Aranwen, ao apoiar as mãos na Pedra do Tempo anseia por encontrar a solução para os
enigmas que a atormentam, assim como por descobrir a identidade d'Aquele que irá orientá-la na aprendizagem
da Arte Superior. No instante em que as suas mãos tocam a pedra mágica, a sua mente é transportada numa viagem inesperada que culminará em descobertas angustiantes. Quando o sangue derramado no mar clama por vingança, Catelyn enfrentará a mais difícil das decisões: regressar à Grande Ilha,
para derrotar a hedionda Gwendalin e salvar o seu povo, ou permanecer na Terra
Antiga, livrar o Guerreiro-Lobo da maldição que o condena, e ajudá-lo na
sua grande missão? Para os muitos leitores que a autora já conquistou, e que esperavam por esta continuação de A Última Feiticeira, é o ansiado reencontro com a rara transparência da narrativa de Sandra Carvalho, arrastando-nos na vertigem e na ofuscante beleza do seu mundo fantástico construído com uma tão fina percepção que nos faz sentir completamente envolvidos nele.
A Saga das Pedras Mágicas, como se chama esta série, é composta por oito livros. É portanto uma história que se estende ao longo do tempo, atravessando gerações, onde as profecias falam de filhos cujos pais ainda estão por nascer, onde o Destino só pode ficar completo com o cumprimento das profecias.
A história da primeira geração que faz parte desta épica saga acaba com este segundo volume. E apesar de já estar preparado para continuar a seguir o destino dos filhos dos heróis, a segunda geração, onde as forças que movem o mundo vão batalhar ainda mais intensamente, não consigo deixar de sentir algumas saudades do que vai ficar para trás.
Catelyn foi uma protagonista à altura do desafio. Vulnerável e corajosa, apaixonada e obstinada, Sandra Carvalho conseguiu criar uma personagem que se adequou bem à história. Veremos se continuará a consegui-lo com os próximos livros.
O Guerreiro-Lobo ensina-nos imensas coisas. Se A Última Feiticeira começou
por ser a história de Catelyn e os seus irmãos, amaldiçoados por uma
bruxa maldita, e a sua luta em recuperar as suas vidas, este segundo
livro mostra-nos que essa não a verdadeira história.
Esta é uma história de amor. Simples.
Não é a história da luta entre o Bem e o Mal. Não é a história de Feiticeiros e Humanos e os poderes misteriosos da Natureza. É uma história de amor entre Catelyn e Throst, duas pessoas de diferentes terras e destinados a ficar juntos.
Este livro está recheado de muita magia, portanto não será uma leitura adequada para quem não gosta de Literatura Fantástica que envolva feiticeiros a controlar os elementos com a força da mente.
Está também recheado de imensas profecias e Visões. Ao início fez-me confusão, visto que parece que a autora se baseia demasiado nas Visões que as personagens têm em relação ao seu futuro (não prima por uma abordagem muito realista). Mas, para além de uma história de amor, este livro é também sobre o Destino e como, aconteça o que acontecer, não importa quantas reviravoltas as forças humanas ou feiticeiras dêem, o Destino acaba por se concretizar sempre (bem, excepto raras excepções).
E, tal como no primeiro livro, Sandra Carvalho prova ser uma escritora excepcional, dotada daquele dom de agarrar o leitor com uma escrita simples e incrivelmente apaixonada. Quase sempre me vi agarrado a estas páginas, ao ponto de andar na rua sem conseguir tirar os olhos do livro. É uma excelente sensação!
Previsivelmente, a escritora ganhou alguma maturidade na construção das personagens. Apesar de algumas serem verdadeiramente más, e outras puramente boas, Sandra Carvalho deixa para trás o desenvolvimento básico e pouco profundo das personagens no primeiro livro e oferece-nos algumas mais interessantes (sobretudo Sigarr, um feiticeiro que apesar de praticante da Magia Negra não é de todo um tirano a odiar). A maior parte das personagens torna-se menos linear e acho que isso só ajuda a melhorar uma história que, por si só, é demasiado fantasiosa.
Mas não é de todo o livro que podia ser. E duvido que alguma vez seja. Para começar, a história torna-se incrivelmente confusa. Desde primos de primos de primos a histórias de avós com avós com primos dos primos dos avós, chega a altura em que mais vale avançar na leitura e esperar que o enredo passe sem termos de decorar essas relações todas. O que nos pode levar a pensar se, por muito extraordinária que seja a escrita da Sandra Carvalho, e é-lo, ainda tem alguma coisa a aprender em controlar a forma de contar uma história tão intrincada.
E apesar de tudo até ficaríamos mais satisfeitos se o livro se dedicasse de facto a esse enredo confuso... Se praticamente as 400 páginas não rivalizassem as histórias de amor mais lamechas da nossa geração (estou a ver-te Stephenie Meyer!). E é aborrecido... Muito. Tudo bem que isto é uma história de amor entre duas pessoas ligadas pelo destino mas separadas pela realidade das suas vidas, mas mais de metade do livro é passado com as duas personagens a queixarem-se que se amam muito, mas depois não podem amar, mas depois amam-se mais, e esta conversa toda cansa de vez em quando. Queremos romance, sim, mas não queremos um livro completamente baseado nisso. Bem, eu não quero, porque certamente servirá os intentos dos leitores mais apaixonados e que procuram esse tipo de distracções na leitura. Não queremos páginas e páginas de suspiros e promessas de amor e queixumes amorosos. É que quando chegamos às partes mais entusiasmantes (cenas de batalhas, sobretudo aquela grande batalha final já típica, ou mesmo a aprendizagem da magia ao
longo do livro), estas acabam por ser mais curtas e menos desenvolvidas do que mereciam.
Tal como o primeiro livro, é em geral uma boa leitura e um óptimo entretenimento que nos deixa totalmente agarrados. Ao contrário do primeiro livro, é terrivelmente mais lamechas e a história fica muuuuuuito mais confusa, numa tentativa de já dar a entender que podemos esperar mais meia dúzia de livros pela frente. E é uma conclusão à primeira geração da Saga das Pedras Mágicas que deixa saudades, com as suas personagens que com o tempo se tornam muito fortes e às quais ganhámos carinho...
quinta-feira, 10 de abril de 2014
terça-feira, 1 de abril de 2014
A Última Feiticeira, de Sandra Carvalho
O fantástico épico está novamente de parabéns com mais uma
estreia literária de uma autora portuguesa que a Presença propõe ao seu
público. Em A Saga das Pedras Mágicas os heróis, diz-nos
Sandra Carvalho, têm uma profunda ligação à Natureza e aos Elementos,
são apaixonados pela Vida e inteiramente determinados na sua coragem. A
acção passa-se num tempo em que os sábios Druidas se recolhiam nas
florestas para perpetuarem o Conhecimento que em eras passadas lhes fora
transmitido pelos Seres Mágicos. Mais precisamente, depois de a feiticeira Aranwen ter renunciado aos seus poderes mágicos para se casar com um mortal por quem se apaixonara. Para que esses poderes não se perdessem, ela guardou-os dentro de sete lindíssimas pedras formando um colar que viria a ser muito cobiçado. O berço da heroína desta história,
Catelyn, e dos seus cinco irmãos varões, situa-se na Grande Ilha, cada
vez mais fustigada pelos ataques dos Viquingues. Os senhores locais
formaram uma Aliança para os repelirem, consolidando essa política
através de casamentos combinados entre os herdeiros das grandes
famílias. Depois de uma infância paradisíaca, Catelyn cresce num mundo
cada vez mais violento, assistindo impotente às manipulações da maldosa
Myrna, a protegida do homem com quem o pai de Catelyn destinou casá-la. Só a Pedra do Tempo que se ergue imponente sobre o Norte do mundo guarda o segredo de um poderoso pacto de amor e sangue.
Depois de ler a impressionante saga Crónicas dos Senhores da Guerra, de Bernard Cornwell (sobre o Rei Artur, lembram-se?), vi-me numa espécie de impasse. Primeiro, gostei tanto desses livros que foi difícil escolher o seguinte. Segundo, quando nos embrenhamos numa série, é difícil passar pela adaptação de largá-la e voltar a pegar num livro diferente. E depois de ler O Silêncio dos Inocentes, que foi uma leitura um pouco menos entusiasmada do que estava à espera (apesar de suficientemente psicopata para me agarrar), percebi que precisava de voltar a pegar numa série, num conjunto de livros que voltasse a acompanhar-me e a crescer durante algum tempo. Decidi pegar na saga fantástica de Sandra Carvalho, que confesso já tenho por ler há demasiado tempo...
Já detentora de um estatuto de culto na Literatura Fantástica portuguesa, Sandra Carvalho é acima de tudo uma escritora apaixonada. Mais do que a história deste primeiro livro (que não é tão original quanto isso), Sandra Carvalho escreve com uma paixão e fluidez que deixarão poucos leitores impassíveis. Com apenas meia dúzia de palavras, deixa-nos agarrados. Se quer que amemos uma personagem, consegue-o. Se quer que odiemos alguém, ou que soframos por querermos com desespero saber qual será o destino das personagens, fá-lo-á com as suas palavras. Sem uma história que seja diferente ou mesmo bastante sólida (podia sê-lo mais, talvez o avançar dos livros o garanta), o sucesso torna-se garantido com a sua escrita intensa e apaixonada.
A protagonista, e narradora, é Catelyn, filha de um grande Lorde e descendente de uma Feiticeira. Vive alegremente com os seus irmãos até ao dia em que o seu sofrimento praticamente não pára. Misteriosos poderes mágicos, negros, atingem a sua família e a sua terra é ameaçada pelos estrangeiros Viquingues. Catelyn, contudo, é portadora da sua própria magia, muito mais poderosa do que ela própria imagina. E só isso vai permitir salvar a ela, à sua família e à sua terra natal.
As inúmeras comparações a A Filha da Floresta, de Juliet Marillier, são constantemente apontadas. Sim, é óbvio que Sandra Carvalho se inspirou nessa história de Marillier, tão óbvio que as comparações nem merecem ser críticas.
E, apesar de algumas variações, o enredo de Sandra Carvalho é notoriamente mais rebuscado e não tão aprofundado ou estudado, colocando a história num patamar mais juvenil do que a de Marillier. A história dos antepassados de Catelyn, a caracterização das personagens principais, pecam por alguns delírios demasiado fantasiosos, como um conto de fadas com um background simples e não particularmente inteligente e personagens de características muito estereótipas. Mas continuo à espera que, com o evoluir da série, e o amadurecimento da escritora, esta perspectiva mude e a obra adquira um tom mais maduro (sem, contudo, perder a sua Fantasia). Até porque não se pode pedir muito de um livro onde a Magia está tão presente.
Mas, como já disse, pouco incomoda até que ponto a história é ou não desenvolvida, porque a escrita é tudo. Não me lembro de uma única vez ao longo desta leitura ter sido fácil largar o livro, e isso deveu-se à escrita tão enfeitiçante de Sandra Carvalho. Espero sinceramente que ela não se perca ao longo dos oito volumes, pois prometem ser uma leitura viciante.
Depois de ler a impressionante saga Crónicas dos Senhores da Guerra, de Bernard Cornwell (sobre o Rei Artur, lembram-se?), vi-me numa espécie de impasse. Primeiro, gostei tanto desses livros que foi difícil escolher o seguinte. Segundo, quando nos embrenhamos numa série, é difícil passar pela adaptação de largá-la e voltar a pegar num livro diferente. E depois de ler O Silêncio dos Inocentes, que foi uma leitura um pouco menos entusiasmada do que estava à espera (apesar de suficientemente psicopata para me agarrar), percebi que precisava de voltar a pegar numa série, num conjunto de livros que voltasse a acompanhar-me e a crescer durante algum tempo. Decidi pegar na saga fantástica de Sandra Carvalho, que confesso já tenho por ler há demasiado tempo...
Já detentora de um estatuto de culto na Literatura Fantástica portuguesa, Sandra Carvalho é acima de tudo uma escritora apaixonada. Mais do que a história deste primeiro livro (que não é tão original quanto isso), Sandra Carvalho escreve com uma paixão e fluidez que deixarão poucos leitores impassíveis. Com apenas meia dúzia de palavras, deixa-nos agarrados. Se quer que amemos uma personagem, consegue-o. Se quer que odiemos alguém, ou que soframos por querermos com desespero saber qual será o destino das personagens, fá-lo-á com as suas palavras. Sem uma história que seja diferente ou mesmo bastante sólida (podia sê-lo mais, talvez o avançar dos livros o garanta), o sucesso torna-se garantido com a sua escrita intensa e apaixonada.
A protagonista, e narradora, é Catelyn, filha de um grande Lorde e descendente de uma Feiticeira. Vive alegremente com os seus irmãos até ao dia em que o seu sofrimento praticamente não pára. Misteriosos poderes mágicos, negros, atingem a sua família e a sua terra é ameaçada pelos estrangeiros Viquingues. Catelyn, contudo, é portadora da sua própria magia, muito mais poderosa do que ela própria imagina. E só isso vai permitir salvar a ela, à sua família e à sua terra natal.
As inúmeras comparações a A Filha da Floresta, de Juliet Marillier, são constantemente apontadas. Sim, é óbvio que Sandra Carvalho se inspirou nessa história de Marillier, tão óbvio que as comparações nem merecem ser críticas.
E, apesar de algumas variações, o enredo de Sandra Carvalho é notoriamente mais rebuscado e não tão aprofundado ou estudado, colocando a história num patamar mais juvenil do que a de Marillier. A história dos antepassados de Catelyn, a caracterização das personagens principais, pecam por alguns delírios demasiado fantasiosos, como um conto de fadas com um background simples e não particularmente inteligente e personagens de características muito estereótipas. Mas continuo à espera que, com o evoluir da série, e o amadurecimento da escritora, esta perspectiva mude e a obra adquira um tom mais maduro (sem, contudo, perder a sua Fantasia). Até porque não se pode pedir muito de um livro onde a Magia está tão presente.
Mas, como já disse, pouco incomoda até que ponto a história é ou não desenvolvida, porque a escrita é tudo. Não me lembro de uma única vez ao longo desta leitura ter sido fácil largar o livro, e isso deveu-se à escrita tão enfeitiçante de Sandra Carvalho. Espero sinceramente que ela não se perca ao longo dos oito volumes, pois prometem ser uma leitura viciante.
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