
O Meu Amor Morreu em Bagdade
é um relato verídico, revelador e dramático de um dos períodos mais violentos do conflito no Iraque e é, simultaneamente, uma história de amor que nos retrata o que acontece quando a juventude, a inocência e o amor se expõem à devastação da guerra. O narrador é Michael Hastings, um repórter da revista Newsweek
enviado para Bagdade para fazer a cobertura da guerra que, num dos seus regressos a Nova Iorque, se apaixona por uma jovem colaboradora da Air America, Andi Parphamovich. Após um ano de namoro, Andi acompanha Michael quando este volta ao Iraque e acaba por ser vítima de uma emboscada fatal ao ser destacada, ao serviço do National Democratic Institute, para uma missão numa das zonas mais perigosas da cidade. Um olhar intenso sobre o caos da guerra no Iraque e sobre a perda de um grande amor.
Este deve ter sido o primeiro livro que li de não-ficção sobre a Guerra do Iraque, essa guerra sobre-humana à qual tenho assistido com pesar.
Mas, até ler este livro, nunca me tinha apercebido do quão horrível ela é.
É, de facto, um relato chocante da Guerra. Constantemente pensei para mim mesmo: "Como é que isto é possível? Como é que o Homem é capaz de sobreviver a este tormento? Esta guerra é simplesmente sobre-humana, como é que somos capazes de aguentar tal coisa?".
Sem dúvida, os dotes do jornalismo dão a Michael Hastings o poder de invocar o ambiente de guerra. Reparem, o livro não fala de como a guerra começou, dos segredos por detrás dela, ao que poderá levar. Não. Este livro fala sobre viver debaixo das bombas, dos tiros, viver debaixo de uma cortina do medo, debaixo do receio de, a qualquer momento, morrer. Fiquei bastante, bastante impressionado por isso. Não acredito que haja pessoa neste mundo que seja capaz de sobreviver a esta vida. É mais do que difícil, é fora do nosso alcance. Só mesmo lendo o livro poderão perceber o sofrimento que falo, a menos que tenham estado lá e sobrevivido.
E, agora, o amor. Confesso que, ao longo do livro, o romance entre Mike e Andi não foi o que mais me impressionou. Fiquei bastante tocado com as descrições da guerra, mas não com as descrições do seu amor, dos e-mails, das mensagens. No entanto, quando chegamos ao fim, quando somos confrontados com a notícia da morte de Andi e assistimos ao que se segue, não se deixa de sentir um pequeno aperto no coração, uma dor, um sofrimento. Pessoalmente, esta parte tocou-me bastante, fazendo-me desejar que nada disto tivesse acontecido.
Descrições de guerra absolutamente estonteantes. A morte da amada e que não deixa o leitor impune.
Como escritor, receio dizer que Michael Hastings oferece-nos um excelente relato não-fictício, mas não me parece que seja pessoa para escrever um livro. Hastings é um excelente jornalista, mas não é um escritor. Oferece-nos esta obra dramática, muito boa, mas não se revela um escritor.
Portanto, o meu conselho é que leiam. Eu gostei imenso. Fiquei tocado, muito sensibilizado, e foi com horror que me apercebi do sofrimento que é viver debaixo de uma guerra que está a acontecer. Parem de enviar soldados e de devolver caixões.