quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A Segunda Vinda de Cristo à Terra, de João Cerqueira

"O filme Jesus de Montreal de Denys Arcand inspirou-me a tentativa de criar um romance onde um Jesus contemporâneo revive os episódios mais importantes da sua anterior vida.

A leitura da Bíblia tornou claro que o caminho teria de ser outro.

Acontecimentos sociais e políticos recentes iluminaram a via a seguir."

Dotado de um sentido de humor único, rico nas metáforas, refrescante e imaginativo, João Cerqueira continua a receber as melhores críticas nacionais e internacionais ao seu trabalho. 


Para a sua segunda vinda à Terra, Cristo, não podia ter escolhido um lugar melhor: Portugal. 

 Depois de conhecer a ativista Madalena – que luta por um mundo melhor – Jesus vê-se envolvido em situações de conflito.

Vai conhecer os "ecologistas radicais" que o obrigam a confessar-se, um autarca corrupto, empreiteiros sem escrúpulos, um comandante da GNR forçado a fazer de Pilatos, habitantes de bairros degradados e um bruxo.  


A Segunda Vinda de Cristo à Terra aborda fenómenos de conflitualidade social e política que ocorrem no nosso país. De forma crua e inteligente, o autor conduz o leitor por uma história fascinante onde… no fim… é Portugal que acaba na cruz.

"Recorrendo ao humor, à ironia e ao sarcasmo, João Cerqueira apresenta um estilo único cuja qualidade lhe valeu a conquista de três prémios de literatura nos Estados Unidos e a tradução para inglês, italiano e espanhol."

Beverly Hills Book Awards 2014 Vencedor do Multicultural Fiction
The USA Best Book Awards 2013 Vencedor do Multicultural Fiction

Beverly Hills Book Awards 2014 Finalista no Literary Fiction
The USA Best Book Awards 2013 Finalista no Historical Fiction

ForeWord Book of the Year Awards 2012 Vencedor do Translations (Bronze medal)
Nominated for the Montaigne Medal 2014
Vencedor Global E-book Awards 2014 - Fantasy Historical Setting




Conheci o escritor em A Tragédia de Fidel Castro, um dos melhores livros que li o ano passado. Altamente satírico e caricatural, com uma escrita muito inteligente, João Cerqueira é um daqueles autores com uma voz única na escrita portuguesa e com muito a oferecer.

A Segunda Vinda de Cristo à Terra é, por isso, recebido de braços abertos e com grandes expectativas. Foram realizadas? Posso dizer que sim.

Nesta nova visita à Terra, Jesus revela-se uma pessoa muito mais ponderada e, sempre que possível, evita meter-se no meio das confusões. Infelizmente, de nada serve ficar quieto porque a cada esquina que dobra encontra um novo conflito!

Este livro é menos a história da segunda vinda de Cristo e mais a história dos problemas da actualidade: o "fundamentalismo ecológico", a corrupção e a exclusão social, entre muitos outros mais secundários (problemas não faltam).
Cristo, ao contrário do que o leitor pode esperar, não passa de uma personagem secundária, quase um figurante, mero espectador dos problemas do mundo.

As situações caricatas são imensas e os apontamentos satíricos de Cerqueira são extremamente perspicazes, como já nos começa a habituar. Destaca-se a forma como, a partir da comédia, evidencia tão claramente os defeitos da nossa sociedade. Delicioso.

No entanto, é um livro com bastante mais história e acção. As personagens são muitas, mas o que constrói o livro é mesmo as várias peripécias que vão acontecendo, ou seja a caricatura que o autor faz da situação, não a caricatura de cada personagem. Um pouco ao contrário de A Tragédia de Fidel Castro, que se dedica bastante à construção das suas personagens, alarga-se nas suas reflexões e constrói com muito maior minúcia as suas características, preferindo uma história com menos acção e desenrolar em favor de descrições mais extensas, dissecações quase científicas do ambiente, que na minha opinião caracterizaram o estilo único e inteligente da escrita de João Cerqueira.
Por isto, o nível de inteligência deste livro encontra-se bastante mais camuflado numa história onde as aventuras não param e as personagens são simples e não pedem muito para além de um papel na história.


A abordagem menos descritiva neste livro torna-o, contudo, muito mais fácil de ler. Apesar de continuarmos perante um livro em que se saboreia cada palavra sem nunca se tornar verdadeiramente arrebatador, lê-se muito mais rapidamente. Espero que essa evolução, aliada ao tema do livro, chame a atenção de muitos leitores, porque merece.

Fico à espera do seu próximo trabalho, com a mesma expectativa elevada. João Cerqueira é o Christopher Moore português, mas realista (e não fantástico, pelo menos ainda!) e de uma escrita mais inteligente. A comédia, a sátira e a História Alternativa na literatura portuguesa são géneros que merecem maior destaque, e Cerqueira é a boa promessa. Espero assim que continue a explorar este mesmo estilo. Quais serão os próximos alvos da sua observação tão perspicaz: aliens? Sócrates? Lady Gaga?


2 comentários:

Carla disse...

Olá
Não conhecia o escritor, o livro já tinha visto à venda mas não gostei da capa. Gostei muito da tua opinião e abriu-me o apetite para a leitura do livro.
Boas leituras.

Pedro Tavares disse...

Olá Carla!

Infelizmente, a capa não tem nada a ver com o livro, ou sequer com a personagem de Jesus. Jesus é bastante pacífico e moderado, tentando mover-se num mundo tão diferente do que ele visitou há 2015 anos atrás. É tão virtuoso quanto o era da primeira vez.
Ainda bem que consegui agradar! De facto vale muito a pena, tal como "A Tragédia de Fidel Castro" (mas, reforço, não é uma leitura leviana, mas sim muito observadora e inteligente. Sobretudo o livro sobre Fidel, que pede bastante atenção).

Boas leituras

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