"O filme Jesus de Montreal de Denys Arcand inspirou-me a tentativa de
criar um romance onde um Jesus contemporâneo revive os episódios mais
importantes da sua anterior vida.
A leitura da Bíblia tornou claro que o
caminho teria de ser outro.
Acontecimentos sociais e políticos recentes
iluminaram a via a seguir."
Dotado
de um sentido de humor único, rico nas metáforas, refrescante e
imaginativo, João Cerqueira continua a receber as melhores críticas
nacionais e internacionais ao seu trabalho.
Para a sua segunda vinda à Terra, Cristo, não podia ter escolhido um lugar melhor: Portugal.
Depois de conhecer a ativista Madalena – que luta por um mundo melhor – Jesus vê-se envolvido em situações de conflito.
Vai
conhecer os "ecologistas radicais" que o obrigam a
confessar-se, um autarca corrupto, empreiteiros sem escrúpulos, um
comandante da GNR forçado a fazer de Pilatos, habitantes de bairros
degradados e um bruxo.
A Segunda Vinda de Cristo à Terra
aborda fenómenos de conflitualidade social e política que ocorrem no
nosso país. De forma crua e inteligente, o autor conduz o leitor por uma
história fascinante onde… no fim… é Portugal que acaba na cruz.
"Recorrendo ao humor, à ironia e ao sarcasmo, João Cerqueira apresenta um
estilo único cuja qualidade lhe valeu a conquista de três prémios de
literatura nos Estados Unidos e a tradução para inglês, italiano e
espanhol."
Beverly Hills Book Awards 2014 Vencedor do Multicultural Fiction
The USA Best Book Awards 2013 Vencedor do Multicultural Fiction
Beverly Hills Book Awards 2014 Finalista no Literary Fiction
The USA Best Book Awards 2013 Finalista no Historical Fiction
ForeWord Book of the Year Awards 2012 Vencedor do Translations (Bronze medal)
Nominated for the Montaigne Medal 2014
Vencedor Global E-book Awards 2014 - Fantasy Historical Setting
Conheci o escritor em A Tragédia de Fidel Castro, um dos melhores livros que li o ano passado. Altamente satírico e caricatural, com uma escrita muito inteligente, João Cerqueira é um daqueles autores com uma voz única na escrita portuguesa e com muito a oferecer.
A Segunda Vinda de Cristo à Terra é, por isso, recebido de braços abertos e com grandes expectativas. Foram realizadas? Posso dizer que sim.
Nesta nova visita à Terra, Jesus revela-se uma pessoa muito mais ponderada e, sempre que possível, evita meter-se no meio das confusões. Infelizmente, de nada serve ficar quieto porque a cada esquina que dobra encontra um novo conflito!
Este livro é menos a história da segunda vinda de Cristo e mais a história dos problemas da actualidade: o "fundamentalismo ecológico", a corrupção e a exclusão social, entre muitos outros mais secundários (problemas não faltam).
Cristo, ao contrário do que o leitor pode esperar, não passa de uma personagem secundária, quase um figurante, mero espectador dos problemas do mundo.
As situações caricatas são imensas e os apontamentos satíricos de Cerqueira são extremamente perspicazes, como já nos começa a habituar. Destaca-se a forma como, a partir da comédia, evidencia tão claramente os defeitos da nossa sociedade. Delicioso.
No entanto, é um livro com bastante mais história e acção. As personagens são muitas, mas o que constrói o livro é mesmo as várias peripécias que vão acontecendo, ou seja a caricatura que o autor faz da situação, não a caricatura de cada personagem. Um pouco ao contrário de A Tragédia de Fidel Castro, que se dedica bastante à construção das suas personagens, alarga-se nas suas reflexões e constrói com muito maior minúcia as suas características, preferindo uma história com menos acção e desenrolar em favor de descrições mais extensas, dissecações quase científicas do ambiente, que na minha opinião caracterizaram o estilo único e inteligente da escrita de João Cerqueira.
Por isto, o nível de inteligência deste livro encontra-se bastante mais camuflado numa história onde as aventuras não param e as personagens são simples e não pedem muito para além de um papel na história.
A abordagem menos descritiva neste livro torna-o, contudo, muito mais fácil de ler. Apesar de continuarmos perante um livro em que se saboreia cada palavra sem nunca se tornar verdadeiramente arrebatador, lê-se muito mais rapidamente. Espero que essa evolução, aliada ao tema do livro, chame a atenção de muitos leitores, porque merece.
Fico à espera do seu próximo trabalho, com a mesma expectativa elevada. João Cerqueira é o Christopher Moore português, mas realista (e não fantástico, pelo menos ainda!) e de uma escrita mais inteligente. A comédia, a sátira e a História Alternativa na literatura portuguesa são géneros que merecem maior destaque, e Cerqueira é a boa promessa. Espero assim que continue a explorar este mesmo estilo. Quais serão os próximos alvos da sua observação tão perspicaz: aliens? Sócrates? Lady Gaga?
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Estranhas Coincidências, de José Vieira
Estranhas Coincidências mostra como a existência de cada ser humano
neste nosso mundo é semelhante aos seus pares. A nossa essência é fruto
da mesma matéria, os nossos caminhos estão enrodilhados e no final de
cada percurso somos absorvidos por sensações e sentimentos idênticos. Se
pensarmos sobre aquilo que diverge a vida de cada um de nós chegamos à
conclusão que em tudo somos semelhantes.
Nada diverge a vida de Judite e Isaac, Samuel, Salomé, João e Dalila e Pedro e Simão. Todos sem excepção amam, sonham, entristecem e sentem dor. Todos vivem sabendo que a qualquer momento as suas vidas podem mudar. Todos sem excepção sabem que a vida é volúvel e que por vezes pequenos nadas alteram para todo o sempre o rumo da existência de cada um.
As nossas vidas não são tão diferentes de Judite e Isaac, Samuel, Salomé, João e Dalila e Pedro e Simão. Cada estória contada poderia ser a minha existência retratada ou até mesmo a sua caro leitor.
Estranhas Coincidências é um livro muito, muito pequeno, daqueles que se lê tranquilamente numa viagem de comboio ou numa sala de espera.
Ainda assim, guarda nas suas páginas quatro contos, quatro casos de vida. As histórias são muito simples, pouco mais do que o registo de um momento de vida de cada personagem; cada protagonista reflecte muito brevemente nas circunstâncias da sua vida que o levaram àquele momento. Tão curtas são que não sei se as posso chamar de "histórias".
"Estranhas" coincidências? Não encontrei muitas, confesso, à excepção do último conto (em que uma enorme tempestade, tão terrível que parece ser intervenção divina, permite dois amantes do mesmo sexo fugirem e viver o seu amor livremente. Achei deveras interessante essa sugestão controversa).
Tal como a sinopse do livro indica, todas as vidas são bastante semelhantes entre si e com as nossas. Todas as pessoas que conhecemos, todas as nossas escolhas são, se olharmos para trás, resultado de coincidências atrás de coincidências. E essas coincidências são, a maior parte, acontecimentos absolutamente vulgares. Os momentos da nossa vida não são acontecimentos isolados, mas sim resultado de tudo aquilo que já passou, e creio que essa é a verdadeira conclusão desta leitura: as estranhas coincidências da vida não são, no fundo, estranhas, mas sim comuns a todos nós. A vida não é mais do que uma história de acasos.
Infelizmente, os contos são demasiado breves. Mais parecem resumos de uma história. O que não é de todo mau sinal SE um dia chegarmos a ler as histórias completas: gostaria muito de acompanhar Isaac na sua viagem, ou conhecer melhor a aldeia de Samuel, ou explorar com um olhar mais profundo essa noite de temporal. Acabamos de ler cada conto com a sensação de que não lemos uma história, mas sim uma sinopse, nunca conseguindo sentir a ligação às personagens porque não se dá tempo nem palavras para isso.
Contudo, José Vieira (pseudónimo de Teresa Vieira Lobo) revela um dom para a escrita através de um conhecimento das palavras. É o ponto positivo deste livro: está muito bem escrito, com um estilo muito correcto. Parece mesmo que José Vieira nos está a contar uma história (não infantil). Existe a promessa de uma autora que tem o dom de entreter o leitor, mas que precisa de escrever muito, muito mais. Um conto não é um resumo, é uma história que se sustenta a si própria em poucas páginas, e creio que José Vieira falha nisso. Não obstante, é um pequeno aperitivo para quem procura novos autores e uma promessa de livros mais compostos no futuro. Resta-me esperar pelo dia em que as histórias que não o chegaram a ser sejam efectivamente publicadas.
Nada diverge a vida de Judite e Isaac, Samuel, Salomé, João e Dalila e Pedro e Simão. Todos sem excepção amam, sonham, entristecem e sentem dor. Todos vivem sabendo que a qualquer momento as suas vidas podem mudar. Todos sem excepção sabem que a vida é volúvel e que por vezes pequenos nadas alteram para todo o sempre o rumo da existência de cada um.
As nossas vidas não são tão diferentes de Judite e Isaac, Samuel, Salomé, João e Dalila e Pedro e Simão. Cada estória contada poderia ser a minha existência retratada ou até mesmo a sua caro leitor.
Estranhas Coincidências é um livro muito, muito pequeno, daqueles que se lê tranquilamente numa viagem de comboio ou numa sala de espera.
Ainda assim, guarda nas suas páginas quatro contos, quatro casos de vida. As histórias são muito simples, pouco mais do que o registo de um momento de vida de cada personagem; cada protagonista reflecte muito brevemente nas circunstâncias da sua vida que o levaram àquele momento. Tão curtas são que não sei se as posso chamar de "histórias".
"Estranhas" coincidências? Não encontrei muitas, confesso, à excepção do último conto (em que uma enorme tempestade, tão terrível que parece ser intervenção divina, permite dois amantes do mesmo sexo fugirem e viver o seu amor livremente. Achei deveras interessante essa sugestão controversa).
Tal como a sinopse do livro indica, todas as vidas são bastante semelhantes entre si e com as nossas. Todas as pessoas que conhecemos, todas as nossas escolhas são, se olharmos para trás, resultado de coincidências atrás de coincidências. E essas coincidências são, a maior parte, acontecimentos absolutamente vulgares. Os momentos da nossa vida não são acontecimentos isolados, mas sim resultado de tudo aquilo que já passou, e creio que essa é a verdadeira conclusão desta leitura: as estranhas coincidências da vida não são, no fundo, estranhas, mas sim comuns a todos nós. A vida não é mais do que uma história de acasos.
Infelizmente, os contos são demasiado breves. Mais parecem resumos de uma história. O que não é de todo mau sinal SE um dia chegarmos a ler as histórias completas: gostaria muito de acompanhar Isaac na sua viagem, ou conhecer melhor a aldeia de Samuel, ou explorar com um olhar mais profundo essa noite de temporal. Acabamos de ler cada conto com a sensação de que não lemos uma história, mas sim uma sinopse, nunca conseguindo sentir a ligação às personagens porque não se dá tempo nem palavras para isso.
Contudo, José Vieira (pseudónimo de Teresa Vieira Lobo) revela um dom para a escrita através de um conhecimento das palavras. É o ponto positivo deste livro: está muito bem escrito, com um estilo muito correcto. Parece mesmo que José Vieira nos está a contar uma história (não infantil). Existe a promessa de uma autora que tem o dom de entreter o leitor, mas que precisa de escrever muito, muito mais. Um conto não é um resumo, é uma história que se sustenta a si própria em poucas páginas, e creio que José Vieira falha nisso. Não obstante, é um pequeno aperitivo para quem procura novos autores e uma promessa de livros mais compostos no futuro. Resta-me esperar pelo dia em que as histórias que não o chegaram a ser sejam efectivamente publicadas.
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