Mais um livro da que é, talvez, a mais famosa colecção infanto-juvenil cá em Portugal.
Leio os livros desde a primária, e hoje reconheço que continuo a comprar os que saem por uma questão de "fidelidade", "tradição" e "colecção". Este livro sem dúvida confirma isso.
Os cinco amigos, Teresa Luísa Pedro João e Chico, fazem um viagem até à Amazónia, local místico, abundante em tudo o que pode existir na Natureza e a prometer várias aventuras. Mais uma vez, o Faial e o Caracol, os cães de estimação do grupo, não aparecem!
O que começa por ser uma simples visita à mais fascinante floresta do mundo acaba em tráfico de animais exóticos e contacto com uma das tribos que a floresta ainda não deu a conhecer, e que vivem sem saberem que estão no século XXI.
Como já disse, este já não é o meu tipo de livro. A escrita é deveras simples e virada para os mais novos, o que para mim já se torna um pouco irritante, a maneira como as coisas são explicadas e acontecimentos se desenrolam idem, a história mais do que previsível, como aliás acho que não podia deixar de ser depois de 50 livros publicados.
Ainda assim, mantenho-me fiel à colecção e vou lendo, com agrado, aventuras que continuam a fascinar crianças como eu próprio já fui. Não se trata de um "voltar atrás", de uma lembrança desses tempos, porque acho que este livro não provoca isso nos mais crescido. Trata-se, sim, de uma "fidelidade" à colecção, já que com 50 livros na estante não seria agora que ia parar de comprá-los.
Para além disso, procuro a fórmula da juventude destes aventureiros, porque as personagens pelos vistos nunca crescem. O que mostra que esta não é, definitivamente, uma colecção que saia dos eixos dos mais novos. Não há nada aqui para os mais crescidos, peço desculpa.
Não acho que este livro seja um dos melhores da colecção. O último que li, "Uma Aventura no Alto Mar", sem dúvida conseguiu seguir o estilo dos primeiros livros, dos melhores e dos originais, enquanto que "Uma Aventura na Amazónia" volta à fórmula dos últimos, sem surpresas ou que se diga. É mais um livro que se lê.
No entanto, passa-se no estrangeiro, e por alguma razão isso consegue ser sempre mais entusiasmante. Se há coisa que conseguiu fazer foi criar em mim o desejo de ir visitar a que parece mesmo a mais fantástica floresta do mundo e um dos lugares obrigatórios a visitar!
Por isso... Sim, lê-se. Não é dos melhores, à medida que avançamos parece que se vai tornando mais sério e dá para seguir com algum entusiasmo, mas ainda assim pouco tem que se diga. Passa-se num local espectacular, mas finalizo dizendo: não é com "Uma Aventura na Amazónia" que vou destacar esta colecção.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Nuvens e Labirintos, de José Mário Silva
Atiras o relógio pela janela, com
raiva, uma trajectória que acaba
no pequeno pátio onde os gatos
brincam com as sombras. Dizes
regresso, navio, Ulisses, palavras
contra a ideia do tempo que passa
por nós assim, quinze andares a
pique e depois nada. Eu olho as
nuvens lá no alto, distantes, são
as mesmas que os gregos viam,
igual brancura e lentidão; os gatos
escondem os ponteiros inuteis, tu
perguntas algo que não entendo,
algo sobre a importância do mar
quando uma cidade nos espera.
(15.º ANDAR, José Mário Silva)
Já li alguma coisa para, cada vez que pego num livro deste género, saber o que esperar. Cá em Portugal, quem se atreve a utilizar uma linguagem mais poética para se limitar a descrever situações e sentimentos tende a utilizar uma linguagem um pouco confusa, muitas vezes densas, e quase sempre disparatadas. Utilizam palavras e expressões caras, interligando-as de maneira a perderem completamente o sentido! Querem que o texto pareça poético, portanto misturam palavreado até que se contradigam, até que perca completamente o seu significado, para ficar um texto poético completamente oco.
Bem, "Nuvens e Labirintos" é uma excepção à regra. Felizmente.
Trata-se de um livro dividido em quatro partes, com texto por vezes só de 3 linhas, a maioria como o que é apresentado na contracapa (e que transcrevi em cima). São textos bastante pequenos, num estilo que parece poesia mas ao mesmo tempo talvez deva ser lido de maneira mais perspicaz.
Cada texto é como uma fotografia, e esse é em parte o seu grande encanto. Cada texto é como uma fotografia, mas em palavras, e isso é algo único de se fazer em tão poucas linhas.
Cada parte debruça-se sobre um determinado assunto, desde o esplendor perdido da Grécia Antiga, do Classicismo, na bruta actualidade, até à memória, ao legado e à arte. Acima de tudo, há um tema que predomina o livro inteiro: o Tempo. Seja ele o passado, o presente, o futuro, o sonhado ou o real, é sempre uma provação.
É um livro poético, que consegue captar uma imagem e livra-se de utilizar vocabulário menos acessível. Acima de tudo, é um pequeno livro (80 páginas!) a ser lido em muito tempo... De maneira a apreciar cada texto. Aliás, porque não um texto por dia, tentando-o reconhecê-lo à nossa volta? É, sem dúvida, uma obra a saborear bem, caso contrário será insuficiente.
raiva, uma trajectória que acaba
no pequeno pátio onde os gatos
brincam com as sombras. Dizes
regresso, navio, Ulisses, palavras
contra a ideia do tempo que passa
por nós assim, quinze andares a
pique e depois nada. Eu olho as
nuvens lá no alto, distantes, são
as mesmas que os gregos viam,
igual brancura e lentidão; os gatos
escondem os ponteiros inuteis, tu
perguntas algo que não entendo,
algo sobre a importância do mar
quando uma cidade nos espera.
(15.º ANDAR, José Mário Silva)
Já li alguma coisa para, cada vez que pego num livro deste género, saber o que esperar. Cá em Portugal, quem se atreve a utilizar uma linguagem mais poética para se limitar a descrever situações e sentimentos tende a utilizar uma linguagem um pouco confusa, muitas vezes densas, e quase sempre disparatadas. Utilizam palavras e expressões caras, interligando-as de maneira a perderem completamente o sentido! Querem que o texto pareça poético, portanto misturam palavreado até que se contradigam, até que perca completamente o seu significado, para ficar um texto poético completamente oco.
Bem, "Nuvens e Labirintos" é uma excepção à regra. Felizmente.
Trata-se de um livro dividido em quatro partes, com texto por vezes só de 3 linhas, a maioria como o que é apresentado na contracapa (e que transcrevi em cima). São textos bastante pequenos, num estilo que parece poesia mas ao mesmo tempo talvez deva ser lido de maneira mais perspicaz.
Cada texto é como uma fotografia, e esse é em parte o seu grande encanto. Cada texto é como uma fotografia, mas em palavras, e isso é algo único de se fazer em tão poucas linhas.
Cada parte debruça-se sobre um determinado assunto, desde o esplendor perdido da Grécia Antiga, do Classicismo, na bruta actualidade, até à memória, ao legado e à arte. Acima de tudo, há um tema que predomina o livro inteiro: o Tempo. Seja ele o passado, o presente, o futuro, o sonhado ou o real, é sempre uma provação.
É um livro poético, que consegue captar uma imagem e livra-se de utilizar vocabulário menos acessível. Acima de tudo, é um pequeno livro (80 páginas!) a ser lido em muito tempo... De maneira a apreciar cada texto. Aliás, porque não um texto por dia, tentando-o reconhecê-lo à nossa volta? É, sem dúvida, uma obra a saborear bem, caso contrário será insuficiente.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Os Prazeres do Amor: A História de D. Catarina de Bragança, de Jean Plaidy
Catarina de Bragança saiu da barra de Lisboa a bordo de um navio da armada inglesa no dia 25 de Abril de 1662 para se casar, em Inglaterra, com o rei Carlos II. Levava consigo o hábito do chá, que os ingleses desconheciam, e a moda dos leques e Portugal entregava à Inglaterra, Bombaim e Tânger. Quando os noivos finalmente se encontraram, em Portsmouth, Catarina ficou imediatamente apaixonada por Carlos II que, embora feio, tinha um porte régio e um enorme poder de sedução. Também o rei ficou seduzido pela inocência de Catarina e cedo a amou… à sua maneira.
Habituada a uma vida muito resguardada na corte portuguesa, de costumes rígidos, Catarina foi confrontada com uma corte licenciosa, dominada pelo rei e pelos prazeres do amor.
Católica numa nação protestante, incapaz de dar ao país o tão esperado herdeiro, enfrentando ameaças de divórcio e acusações de conspiração, D. Catarina de Bragança manteve-se firme na sua fé e no seu amor pelo rei, que pelo seu lado a protegeu e amou sempre, não obstante as muitas mulheres que cruzaram a sua vida.
Jean Plaidy nasceu a 1906 e faleceu a 1993. Embora não seja conhecida cá em Portugal, vendeu centenas de milhões de livros por todo o mundo e parece-me que merece ser reconhecida como a primeira a explorar o género de romance histórico pelo qual actualmente escritoras como Philippa Gregory ("Duas Irmãs e um Rei") são famosas.
Infelizmente, a Oceanos parece ter publicado este livro pelo facto de se tratar de uma biografia romanceada de uma rainha de Inglaterra mas portuguesa. É sem dúvida uma pena, visto que se insere numa série de 11 livros, cada um sobre uma rainha de Inglaterra, e é uma excelente leitura para qualquer momento.
D. Catarina de Bragança casou-se tarde, para os termos da época, vivendo todo o tempo até lá fechada no convento ou num palácio, à espera do dia em que o rei voltasse a ocupar o trono de Inglaterra. Quando esse dia chegou, um sonho concretizou-se. Infelizmente, a vida não é um conto de fadas, e por muito tarde que se tenha casado parece que ainda não estava preparada... Viveu em Portugal longe da corte, e quando chegou a Inglaterra encontrou-se no meio de intrigas, de interesses e das amantes do rei.
Nunca foi uma rainha muito amada pelo povo de Inglaterra pois não conseguia gerar um herdeiro e era católica (quando em Inglaterra dominava o protestantismo). Ainda assim, neste livro somos capazes de a reconhecer como uma grande amiga. Escrito na primeira pessoa, relata a sua vida, os seus sonhos, as suas expectativas, a corte de Inglaterra, o seu amor pelo rei e os seus ainda maiores desgostos... Porque "Os Prazeres do Amor" é uma ilusão, na verdade este livro fala dos desgostos do amor.
D. Catarina ama D. Carlos II. Ele é o seu príncipe encantado. O problema é que ele possui inúmeras amantes, descaradamente, e a rainha é quase sempre obrigada a sujeitar-se aos encantos que elas exercem sobre o rei. É triste, muito triste, mas ao longo do livro uma coisa temos a certeza: D. Carlos amava realmente D. Catarina, embora não fosse capaz de abandonar as aventuras sexuais das suas amantes amava D. Catarina de todo o coração. E por isso defendeu-a sempre, contra todas as intrigas contra ela, contra todas as ameaças (que perseguem Catarina todo o tempo que está em Inglaterra).
O que é o amor? É essa a questão a que o livro tenta responder, muito mais do que qualquer História. Embora Plaidy seja reconhecida pelo pormenor histórico, não foi de todo isso que encontrei aqui. Encontrei uma novela/drama familiar, uma mulher que tenta compreender o marido e suportar as crises que se abateram neste período da História da Inglaterra, e uma análise bastante curiosa sobre o que é, afinal, o verdadeiro amor.
Estava à espera de muito mais pormenor histórico, sem dúvida. Acho que a autora se debruçou demasiado nas questões pessoais de Catarina, e isso tornou-se demasiado repetitivo. Não tem uma dinâmica fervorosa, como poderia ter. Para além disso, estava à espera de uma maior atenção à História, talvez alguma dramatização. Pode ter uma investigação rigorosa, mas há poucos pormenores neste livro. Mais uma vez, Catarina parece tão preocupada com os seus próprios dilemas, que constantemente repete, que se esquece de reparar nos hábitos mais comuns (e até os mais notáveis) da corte inglesa. Há sempre em conta as várias "peripécias" da época, mas mereciam maior dramatização! Peca pela pouca descrição, peca por não nos mostrar os palácios e as paisagens, peca por não nos contar os pormenores dos vestidos das senhoras da corte, de como eram as refeições, de como passavam o tempo, peca por falar tanto das amantes de Carlos que se esquece de falar da Inglaterra do século XVII! Pessoalmente, a nível histórico tem muito, muito em falta... Acabamos por querer ter desejado ficar a saber mais (e é o que farei).
Por outro lado, há uma coisa sem dúvida fascinante no livro, e que me faz querer ler mais da autora, que me fez gostar imenso de lê-lo: a escrita. Jean Plaidy tem um dom, pois ler 300 páginas num dia parece pouco. Tem um estilo bastante acessível, bastante fluido mesmo, e é extremamente envolvente apesar de tudo. É uma daquelas leituras que sabe bem, que sem ser extraordinária sabe extremamente bem ler! Daí ter gostado tanto de conhecer a autora e de achar que este é o tipo de livro a ler em qualquer momento. Lê-se com bastante prazer sem dúvida. Desde a primeira página que simpatizamos com D. Catarina, desde a primeira página que gostamos de acompanhá-la e de a "ouvir".
Sem ser um livro de leitura obrigatória, ou sequer que se destaque dentro do género, é um livro que gostava de ver destacado numa livraria, pois é acima de tudo uma excelente leitura. Não é um livro memorável, mas o leitor não o vai esquecer. Não porque seja um grande livro, apenas porque é uma excelente leitura. Facilmente recomendável, facilmente um livro a oferecer.
Habituada a uma vida muito resguardada na corte portuguesa, de costumes rígidos, Catarina foi confrontada com uma corte licenciosa, dominada pelo rei e pelos prazeres do amor.
Católica numa nação protestante, incapaz de dar ao país o tão esperado herdeiro, enfrentando ameaças de divórcio e acusações de conspiração, D. Catarina de Bragança manteve-se firme na sua fé e no seu amor pelo rei, que pelo seu lado a protegeu e amou sempre, não obstante as muitas mulheres que cruzaram a sua vida.
Jean Plaidy nasceu a 1906 e faleceu a 1993. Embora não seja conhecida cá em Portugal, vendeu centenas de milhões de livros por todo o mundo e parece-me que merece ser reconhecida como a primeira a explorar o género de romance histórico pelo qual actualmente escritoras como Philippa Gregory ("Duas Irmãs e um Rei") são famosas.
Infelizmente, a Oceanos parece ter publicado este livro pelo facto de se tratar de uma biografia romanceada de uma rainha de Inglaterra mas portuguesa. É sem dúvida uma pena, visto que se insere numa série de 11 livros, cada um sobre uma rainha de Inglaterra, e é uma excelente leitura para qualquer momento.
D. Catarina de Bragança casou-se tarde, para os termos da época, vivendo todo o tempo até lá fechada no convento ou num palácio, à espera do dia em que o rei voltasse a ocupar o trono de Inglaterra. Quando esse dia chegou, um sonho concretizou-se. Infelizmente, a vida não é um conto de fadas, e por muito tarde que se tenha casado parece que ainda não estava preparada... Viveu em Portugal longe da corte, e quando chegou a Inglaterra encontrou-se no meio de intrigas, de interesses e das amantes do rei.
Nunca foi uma rainha muito amada pelo povo de Inglaterra pois não conseguia gerar um herdeiro e era católica (quando em Inglaterra dominava o protestantismo). Ainda assim, neste livro somos capazes de a reconhecer como uma grande amiga. Escrito na primeira pessoa, relata a sua vida, os seus sonhos, as suas expectativas, a corte de Inglaterra, o seu amor pelo rei e os seus ainda maiores desgostos... Porque "Os Prazeres do Amor" é uma ilusão, na verdade este livro fala dos desgostos do amor.
D. Catarina ama D. Carlos II. Ele é o seu príncipe encantado. O problema é que ele possui inúmeras amantes, descaradamente, e a rainha é quase sempre obrigada a sujeitar-se aos encantos que elas exercem sobre o rei. É triste, muito triste, mas ao longo do livro uma coisa temos a certeza: D. Carlos amava realmente D. Catarina, embora não fosse capaz de abandonar as aventuras sexuais das suas amantes amava D. Catarina de todo o coração. E por isso defendeu-a sempre, contra todas as intrigas contra ela, contra todas as ameaças (que perseguem Catarina todo o tempo que está em Inglaterra).
O que é o amor? É essa a questão a que o livro tenta responder, muito mais do que qualquer História. Embora Plaidy seja reconhecida pelo pormenor histórico, não foi de todo isso que encontrei aqui. Encontrei uma novela/drama familiar, uma mulher que tenta compreender o marido e suportar as crises que se abateram neste período da História da Inglaterra, e uma análise bastante curiosa sobre o que é, afinal, o verdadeiro amor.
Estava à espera de muito mais pormenor histórico, sem dúvida. Acho que a autora se debruçou demasiado nas questões pessoais de Catarina, e isso tornou-se demasiado repetitivo. Não tem uma dinâmica fervorosa, como poderia ter. Para além disso, estava à espera de uma maior atenção à História, talvez alguma dramatização. Pode ter uma investigação rigorosa, mas há poucos pormenores neste livro. Mais uma vez, Catarina parece tão preocupada com os seus próprios dilemas, que constantemente repete, que se esquece de reparar nos hábitos mais comuns (e até os mais notáveis) da corte inglesa. Há sempre em conta as várias "peripécias" da época, mas mereciam maior dramatização! Peca pela pouca descrição, peca por não nos mostrar os palácios e as paisagens, peca por não nos contar os pormenores dos vestidos das senhoras da corte, de como eram as refeições, de como passavam o tempo, peca por falar tanto das amantes de Carlos que se esquece de falar da Inglaterra do século XVII! Pessoalmente, a nível histórico tem muito, muito em falta... Acabamos por querer ter desejado ficar a saber mais (e é o que farei).
Por outro lado, há uma coisa sem dúvida fascinante no livro, e que me faz querer ler mais da autora, que me fez gostar imenso de lê-lo: a escrita. Jean Plaidy tem um dom, pois ler 300 páginas num dia parece pouco. Tem um estilo bastante acessível, bastante fluido mesmo, e é extremamente envolvente apesar de tudo. É uma daquelas leituras que sabe bem, que sem ser extraordinária sabe extremamente bem ler! Daí ter gostado tanto de conhecer a autora e de achar que este é o tipo de livro a ler em qualquer momento. Lê-se com bastante prazer sem dúvida. Desde a primeira página que simpatizamos com D. Catarina, desde a primeira página que gostamos de acompanhá-la e de a "ouvir".
Sem ser um livro de leitura obrigatória, ou sequer que se destaque dentro do género, é um livro que gostava de ver destacado numa livraria, pois é acima de tudo uma excelente leitura. Não é um livro memorável, mas o leitor não o vai esquecer. Não porque seja um grande livro, apenas porque é uma excelente leitura. Facilmente recomendável, facilmente um livro a oferecer.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Memória de Elefante, de António Lobo Antunes
Não vale a pena esconder que não comprei este livro apenas pela minha "curiosidade" em conhecer a obra de Lobo Antunes. Comprei o livro acima de tudo pela edição. Ler António Lobo Antunes era um interesse que foi alimentado com essa aquisição, não antes disso.
Escrito em 1979, "Memória de Elefante", juntamente com "Os Cus de Judas" (escrito no mesmo ano) figuraram juntos numa edição limitada numerada e autografada pelo autor (num conjunto de 500 packs). Curiosidade: o meu número é o 42. As capas são bastante bonitas, a qualidade do papel é impecável, só restava saber o que escondiam as suas páginas.
Há umas poucas noites espequei-me à frente das minhas estantes, cheias de livros por ler. Peguei, num acto cego, neste livro. Não escondo que adorei o que me foi apresentado.
Este livro não se trata de um enredo em busca de uma solução, mas sim de um homem em busca de um sentido. O psiquiatra (irónico sem dúvida o seu emprego) é um homem profundamente deprimido, recém-separado da mulher e das duas filhas, vivendo numa Lisboa pós-fascista e com a Guerra do Ultramar bem presente na sua memória. Tudo isso faz dele não só uma pessoa extremamente observadora como alguém capaz de se afogar a si próprio num monte de dúvidas existenciais ao questionar a realidade, a lucidez, o sentido dos seus actos.
Se formos a contar os dias que passam no livro, uma semana é demasiado. É um livro pequeno, que se passa em pouco tempo, que se debruça totalmente nas divagações do psiquiatra, no pouco que o seu quotidiano tem para oferecer e no muito que ele próprio é capaz de captar. Porque é isso mesmo a "memória de elefante": alguém que consegue lembrar-se de tudo, adquirir facilmente informações à sua volta e guardá-las. Isso pode ser uma mais valia para muitos, mas para este psiquiatra é a causa da sua desgraça.
Fiquei absolutamente admirado com a obra. Não esperava encontrar o que encontrei, nem de perto nem de longe.
António Lobo Antunes tem uma escrita extremamente densa. Não é para todos. Já ouvi muitos queixarem-se não da densidade do texto, mas de como o autor se aproveita disso para se gabar da "capacidade de escrever". Não digo que, como pessoa, não aconteça isso, mas o que encontrei foi um tipo de escrita bastante denso mas com todo o sentido. Ultimamente aparecem autores portugueses que "copiam" a escrita de Lobo Antunes, contudo facilmente caem na armadilha de se contradizerem constantemente, ou utilizarem vocabulário e expressões que, no fim de contas, não têm qualquer sentido nem ligação com o que estamos a ler. Não foi isso que encontrei em "Memória de Elefante". Encontrei, sim, um tipo de escrita bastante difícil de seguir, que talvez faça a maioria dos leitores perder-se ou cansar-se antes do parágrafo acabar, mas que a mim me cativou absolutamente. Por muito difícil que o vocabulário fosse, nenhuma expressão me pareceu fora do contexto, tudo teve um sentido de estar escrito, e a maneira como o texto corre, com bastantes apartes entre vírgulas, bastantes apartes próprios de uma personagem observadora, nunca me fizeram perder o fio à meada. Aliás, apenas contribuíram para me "encher" completamente as medidas, encontrando aqui uma escrita digna de explorar não só uma personagem mas obras inteiras. Para mim, um leitor que gosta de ir analisando o livro e as situações descritas, que gosta de ler uma frase e tentar perceber o que o escritor quer dizer com aquilo, esta foi a escrita mais compensadora que poderia encontrar.
Para o tipo de tema que é discutido neste livro, esse existencialismo todo, um vórtice de observações que arrastam o pobre psiquiatra, apenas uma escrita assim alguma vez conseguiria concretizá-lo.
"Memória de Elefante" é, também, curioso pelo seu carácter autobiográfico. E António Lobo Antunes deixa transparecer isso através da maneira como o narrador vai mudando, originalmente na terceira pessoa mas muitas vezes desviando-se para a primeira pessoa, entrando na mente do psiquiatra como se fossem um só. Cativante essas passagens. É uma técnica pelos vistos frequente nos seus livros, que pessoalmente gostei de encontrar aqui.
Finalmente, o que acima de tudo me deixou totalmente ligado ao espírito melancólico, dramático, do livro: Lisboa. Eu próprio sou um observador, um divagante, tal como o psiquiatra, e delicio-me a percorrer as ruas de Lisboa, quer pelas praças e avenidas como pelas pequenas ruas que entram directamente no coração da cidade. E Lisboa não é uma cidade alegre: é uma cidade nostálgica, quase melancólica, muito boémia. Eu encontrei essa Lisboa nesse livro! Nunca vi alguém transmitir tão bem o espírito de uma cidade como António Lobo Antunes aqui fez. E a Lisboa que ele observa é uma que eu encontro, com a qual eu sonho, na qual me identifico. Isso deixou-me irremediavelmente cativado.
Não posso aconselhar "Memória de Elefante" a toda a gente devido ao seu estilo de escrita. Embora seja bastante lido, não deixa de ser demasiado denso, e facilmente nos perdemos. Para além disso, é um livro muito melancólico, nada alegre, e para muitos isso pode ser ainda menos animador. É difícil de recomendar. Por outro lado... Há poucos assim. A partir de agora, vou ler as obras de António Lobo Antunes, pois quero mais desta escrita, quero mais deste sentimento.
(P.S.: só não dou as 5 estrelas completas porque ainda não percebi o que é que D. João IV tem a ver com a Praça da Figueira... Estas pequenas coisas deixam-nos cépticos para o resto do livro!)
Escrito em 1979, "Memória de Elefante", juntamente com "Os Cus de Judas" (escrito no mesmo ano) figuraram juntos numa edição limitada numerada e autografada pelo autor (num conjunto de 500 packs). Curiosidade: o meu número é o 42. As capas são bastante bonitas, a qualidade do papel é impecável, só restava saber o que escondiam as suas páginas.
Há umas poucas noites espequei-me à frente das minhas estantes, cheias de livros por ler. Peguei, num acto cego, neste livro. Não escondo que adorei o que me foi apresentado.
Este livro não se trata de um enredo em busca de uma solução, mas sim de um homem em busca de um sentido. O psiquiatra (irónico sem dúvida o seu emprego) é um homem profundamente deprimido, recém-separado da mulher e das duas filhas, vivendo numa Lisboa pós-fascista e com a Guerra do Ultramar bem presente na sua memória. Tudo isso faz dele não só uma pessoa extremamente observadora como alguém capaz de se afogar a si próprio num monte de dúvidas existenciais ao questionar a realidade, a lucidez, o sentido dos seus actos.
Se formos a contar os dias que passam no livro, uma semana é demasiado. É um livro pequeno, que se passa em pouco tempo, que se debruça totalmente nas divagações do psiquiatra, no pouco que o seu quotidiano tem para oferecer e no muito que ele próprio é capaz de captar. Porque é isso mesmo a "memória de elefante": alguém que consegue lembrar-se de tudo, adquirir facilmente informações à sua volta e guardá-las. Isso pode ser uma mais valia para muitos, mas para este psiquiatra é a causa da sua desgraça.
Fiquei absolutamente admirado com a obra. Não esperava encontrar o que encontrei, nem de perto nem de longe.
António Lobo Antunes tem uma escrita extremamente densa. Não é para todos. Já ouvi muitos queixarem-se não da densidade do texto, mas de como o autor se aproveita disso para se gabar da "capacidade de escrever". Não digo que, como pessoa, não aconteça isso, mas o que encontrei foi um tipo de escrita bastante denso mas com todo o sentido. Ultimamente aparecem autores portugueses que "copiam" a escrita de Lobo Antunes, contudo facilmente caem na armadilha de se contradizerem constantemente, ou utilizarem vocabulário e expressões que, no fim de contas, não têm qualquer sentido nem ligação com o que estamos a ler. Não foi isso que encontrei em "Memória de Elefante". Encontrei, sim, um tipo de escrita bastante difícil de seguir, que talvez faça a maioria dos leitores perder-se ou cansar-se antes do parágrafo acabar, mas que a mim me cativou absolutamente. Por muito difícil que o vocabulário fosse, nenhuma expressão me pareceu fora do contexto, tudo teve um sentido de estar escrito, e a maneira como o texto corre, com bastantes apartes entre vírgulas, bastantes apartes próprios de uma personagem observadora, nunca me fizeram perder o fio à meada. Aliás, apenas contribuíram para me "encher" completamente as medidas, encontrando aqui uma escrita digna de explorar não só uma personagem mas obras inteiras. Para mim, um leitor que gosta de ir analisando o livro e as situações descritas, que gosta de ler uma frase e tentar perceber o que o escritor quer dizer com aquilo, esta foi a escrita mais compensadora que poderia encontrar.
Para o tipo de tema que é discutido neste livro, esse existencialismo todo, um vórtice de observações que arrastam o pobre psiquiatra, apenas uma escrita assim alguma vez conseguiria concretizá-lo.
"Memória de Elefante" é, também, curioso pelo seu carácter autobiográfico. E António Lobo Antunes deixa transparecer isso através da maneira como o narrador vai mudando, originalmente na terceira pessoa mas muitas vezes desviando-se para a primeira pessoa, entrando na mente do psiquiatra como se fossem um só. Cativante essas passagens. É uma técnica pelos vistos frequente nos seus livros, que pessoalmente gostei de encontrar aqui.
Finalmente, o que acima de tudo me deixou totalmente ligado ao espírito melancólico, dramático, do livro: Lisboa. Eu próprio sou um observador, um divagante, tal como o psiquiatra, e delicio-me a percorrer as ruas de Lisboa, quer pelas praças e avenidas como pelas pequenas ruas que entram directamente no coração da cidade. E Lisboa não é uma cidade alegre: é uma cidade nostálgica, quase melancólica, muito boémia. Eu encontrei essa Lisboa nesse livro! Nunca vi alguém transmitir tão bem o espírito de uma cidade como António Lobo Antunes aqui fez. E a Lisboa que ele observa é uma que eu encontro, com a qual eu sonho, na qual me identifico. Isso deixou-me irremediavelmente cativado.
Não posso aconselhar "Memória de Elefante" a toda a gente devido ao seu estilo de escrita. Embora seja bastante lido, não deixa de ser demasiado denso, e facilmente nos perdemos. Para além disso, é um livro muito melancólico, nada alegre, e para muitos isso pode ser ainda menos animador. É difícil de recomendar. Por outro lado... Há poucos assim. A partir de agora, vou ler as obras de António Lobo Antunes, pois quero mais desta escrita, quero mais deste sentimento.
(P.S.: só não dou as 5 estrelas completas porque ainda não percebi o que é que D. João IV tem a ver com a Praça da Figueira... Estas pequenas coisas deixam-nos cépticos para o resto do livro!)
domingo, 15 de agosto de 2010
Toy Story 3!
O primeiro Toy Story saiu em 1995. Foi um êxito, e sem dúvida marcou os estúdios da Pixar, que ainda hoje continuam a fazer um trabalho fora de série.
Desde então que acompanho estes brinquedos, embora confesse que foi sempre a assinatura da Disney que me entusiasmou, mais do que a história do filme em si.
A verdade é que saiu o Toy Story 2 em 1999 e, mais uma vez, foi um enorme êxito. Muitos afirmam que a sequela é ainda melhor do que o primeiro filme. Só a Pixar para o conseguir.
E agora, em 2010, sai a segunda sequela. De alguma forma... Estes bonecos são alguns dos melhores amigos de quem tem vindo a acompanhar a saga desde o início, e principalmente para quem a acompanhou durante uma infância.
Mais uma vez, a Pixar supera-se a si própria, e sinceramente acho que este é o meu filme preferido da saga. Ao longo do filme vamos matando saudades destes brinquedos, destes amigos, e vamo-nos sentindo cada vez mais chegados a eles, e no fim temos um culminar absolutamente emocionante (sim, emocionei-me tremendamente), que nos faz pensar "Aconteça o que acontecer, estaremos sempre juntos".
Um filme mais do que recomendado, uma obra que se tem vindo a recuperar a si própria e que conquista um lugar nos nossos corações com este terceiro filme.
Desde então que acompanho estes brinquedos, embora confesse que foi sempre a assinatura da Disney que me entusiasmou, mais do que a história do filme em si.
A verdade é que saiu o Toy Story 2 em 1999 e, mais uma vez, foi um enorme êxito. Muitos afirmam que a sequela é ainda melhor do que o primeiro filme. Só a Pixar para o conseguir.
E agora, em 2010, sai a segunda sequela. De alguma forma... Estes bonecos são alguns dos melhores amigos de quem tem vindo a acompanhar a saga desde o início, e principalmente para quem a acompanhou durante uma infância.
Mais uma vez, a Pixar supera-se a si própria, e sinceramente acho que este é o meu filme preferido da saga. Ao longo do filme vamos matando saudades destes brinquedos, destes amigos, e vamo-nos sentindo cada vez mais chegados a eles, e no fim temos um culminar absolutamente emocionante (sim, emocionei-me tremendamente), que nos faz pensar "Aconteça o que acontecer, estaremos sempre juntos".
Um filme mais do que recomendado, uma obra que se tem vindo a recuperar a si própria e que conquista um lugar nos nossos corações com este terceiro filme.
sábado, 14 de agosto de 2010
As Aventuras de Pinóquio: História de um Boneco, de Carlo Collodi e ilustrações de Paula Rego
"Pinóquio pode ser visto como quisermos. Como um pesadelo, um sonho, uma tempestade, um pateta, a vida, a morte; tudo isso está certo, porque ele é um mito... É uma personagem mágica, espectacular, cheia de energia, vitalidade, fantasia, divertimento, poesia e até crueldade. Nele está contida a vida de todos os seres vivos, todos os impulsos de todas as almas do mundo, toda a alegria de viver, a tristeza, o sofrimento, a tragédia, os parafusos, os arames, os pedaços de madeira... É a própria vida que nos rodeia."
Roberto Benigni
"A madeira de que é feito Pinóquio é a própria humanidade."
Benedetto Croce
"No fundo, Paula Rego é uma contadora de histórias. A natureza do seu trabalho gráfico é tal que as suas melhores pinturas constituem contos brilhantes."
T. G. Rosenthal
Este álbum reúne a universal obra de Carlo Collodi, numa nova tradução a partir das suas mais recentes edições críticas, e a série de pinturas que a consagrada artista plástica Paula Rego dedicou ao personagem Pinóquio. Este volume conta igualmente com um posfácio de Italo Calvino, e textos da escritora italiana Romana Petri sobre as pinturas de Paula Rego.
A revista "Os Meus Livros", a Novembro de 2004, chamou "objecto de culto" a este livro, a esta edição. É precisamente isso que eu encontrei, e que torna não só este um dos livros mais geniais que já li como um dos meus preferidos (tenho de encaixá-lo pelo menos no meu Top5).
Não sei por onde começar. Pela história, pelo próprio Pinóquio? Seria o lógico. Pela edição? Capa dura, ilustrações, comentários a estas, posfácio de Italo Calvino? Ou pelas próprias ilustrações de Paula Rego, que tornam este livro uma completa preciosidade?
Vou começar por comentar o próprio Collodi, que já encaro como um génio. "As Aventuras de Pinóquio" não tem nada a ver com a história que encontramos no Pinóquio da Disney, ou em tantas outras adaptações. O livro de Collodi é algo muito mais brutal e único. Fiquei extremamente admirado pelo que encontrei.
Pinóquio é um menino traquinas que, por muito bom coração que tenha, não consegue resistir às tentações que encontra no caminho, acabando por se meter em sarilhos. São imensas as aventuras pelas quais ele passa, para chegarmos a uma conclusão interessante: se não tivesse passado por todo aquele Mal, será que teria atingido o Bom?
Pinóquio é a humanidade, e Collodi mostra isso da maneira mais genial que consigo imaginar. Com uma escrita marcavelmente belíssima, muitas vezes hilariante, detrás destas palavras, detrás dos actos de Pinóquio, esconde-se um mundo enorme de questões, de observações, de constatações e análises da vida, e é isso que me admirou tanto no livro. A história de Pinóquio é uma ninharia comparado com a história que Collodi conta entre linhas. Ele mostra-nos do que é feita a nossa vida e os nossos actos. Tudo está neste livro. A história, só por si, deve ser um objecto de culto, e é sem dúvida o melhor livro infantil que já li. E podem crer que não é só belo, consegue ser brutal, quase cruel, por vezes bastante negro! Tem de tudo este livro, não é possível expressar o que encontrar aqui! Cada frase deve ser saboreada, pois Collodi escreve divinalmente, de uma qualidade suprema, e cada capítulo deve ser lido com fascínio e admiração.
Uma história única. Por si só, não precisava de uma edição destas. Ainda assim, a Cavalo de Ferro homenageia este grandioso, monumental, livro com as brutais ilustrações de Paula Rego, que ilustram magnificamente a história de Pinóquio e analisam elas próprias uma visão de Pinóquio (porque são tantas, tantas as visões que ele nos oferece...).
Paula Rego fez um belíssimo trabalho e aos seus olhos conseguimos encarar Pinóquio de uma perspectiva completamente diferente, muito muito mais elaborada, e talvez tenha sido isso a fazer-me aperceber da dimensão da obra diante de mim. Cada ilustração é por si só uma profunda análise das várias cenas de Pinóquio, e se não pensámos nelas antes certamente pensámos em muitas outras. Extraordinário.
E, como se não bastasse, temos a oportunidade de ver essa análise expressa em palavras por Romana Petri. Se as ilustrações de Paula Rego já dizem bastante, Petri conseguiu expôr todos esses pensamentos em palavras simples. Se não percebemos à primeira a dimensão da análise de Rego, perceberemos com Petri a explicar.
E por fim... O posfácio do muito admirado Italo Calvino. Se eu já considerava Collodi um génio ao escrever um livro como "As Aventuras de Pinóquio" (que mais parece uma Bíblia), depois de ler as palavras de Italo Calvino passei a considerá-lo um deus.
"As Aventuras de Pinóquio" é uma obra grandiosa, escrita pela mão de um génio. É mais do que uma história, é algo que está entre as linhas, para além das palavras, é um mundo autêntico que se observa a si próprio e à vida.
Esta edição é poderosíssima, de todas as perspectivas. Desde as ilustrações à encadernação aos textos seleccionados, este é sem dúvida o livro com o qual todos deveriam conhecer a verdadeira história de Pinóquio.
Sem dúvida, um "objecto de culto", que guardarei como uma Bíblia preciosa. Um dos meus livros preferidos de sempre, porque poucos conseguem combinar tudo o que neste encontramos. Único neste mundo.

P.S.: é tão bom ler um livro excelente e logo a seguir ler um ainda melhor... Parece que dou demasiadas estrelas, mas é que tenho apanhado mesmo, mesmo livros magníficos.
Roberto Benigni
"A madeira de que é feito Pinóquio é a própria humanidade."
Benedetto Croce
"No fundo, Paula Rego é uma contadora de histórias. A natureza do seu trabalho gráfico é tal que as suas melhores pinturas constituem contos brilhantes."
T. G. Rosenthal
Este álbum reúne a universal obra de Carlo Collodi, numa nova tradução a partir das suas mais recentes edições críticas, e a série de pinturas que a consagrada artista plástica Paula Rego dedicou ao personagem Pinóquio. Este volume conta igualmente com um posfácio de Italo Calvino, e textos da escritora italiana Romana Petri sobre as pinturas de Paula Rego.
A revista "Os Meus Livros", a Novembro de 2004, chamou "objecto de culto" a este livro, a esta edição. É precisamente isso que eu encontrei, e que torna não só este um dos livros mais geniais que já li como um dos meus preferidos (tenho de encaixá-lo pelo menos no meu Top5).
Não sei por onde começar. Pela história, pelo próprio Pinóquio? Seria o lógico. Pela edição? Capa dura, ilustrações, comentários a estas, posfácio de Italo Calvino? Ou pelas próprias ilustrações de Paula Rego, que tornam este livro uma completa preciosidade?
Vou começar por comentar o próprio Collodi, que já encaro como um génio. "As Aventuras de Pinóquio" não tem nada a ver com a história que encontramos no Pinóquio da Disney, ou em tantas outras adaptações. O livro de Collodi é algo muito mais brutal e único. Fiquei extremamente admirado pelo que encontrei.
Pinóquio é um menino traquinas que, por muito bom coração que tenha, não consegue resistir às tentações que encontra no caminho, acabando por se meter em sarilhos. São imensas as aventuras pelas quais ele passa, para chegarmos a uma conclusão interessante: se não tivesse passado por todo aquele Mal, será que teria atingido o Bom?
Pinóquio é a humanidade, e Collodi mostra isso da maneira mais genial que consigo imaginar. Com uma escrita marcavelmente belíssima, muitas vezes hilariante, detrás destas palavras, detrás dos actos de Pinóquio, esconde-se um mundo enorme de questões, de observações, de constatações e análises da vida, e é isso que me admirou tanto no livro. A história de Pinóquio é uma ninharia comparado com a história que Collodi conta entre linhas. Ele mostra-nos do que é feita a nossa vida e os nossos actos. Tudo está neste livro. A história, só por si, deve ser um objecto de culto, e é sem dúvida o melhor livro infantil que já li. E podem crer que não é só belo, consegue ser brutal, quase cruel, por vezes bastante negro! Tem de tudo este livro, não é possível expressar o que encontrar aqui! Cada frase deve ser saboreada, pois Collodi escreve divinalmente, de uma qualidade suprema, e cada capítulo deve ser lido com fascínio e admiração.
Uma história única. Por si só, não precisava de uma edição destas. Ainda assim, a Cavalo de Ferro homenageia este grandioso, monumental, livro com as brutais ilustrações de Paula Rego, que ilustram magnificamente a história de Pinóquio e analisam elas próprias uma visão de Pinóquio (porque são tantas, tantas as visões que ele nos oferece...).
Paula Rego fez um belíssimo trabalho e aos seus olhos conseguimos encarar Pinóquio de uma perspectiva completamente diferente, muito muito mais elaborada, e talvez tenha sido isso a fazer-me aperceber da dimensão da obra diante de mim. Cada ilustração é por si só uma profunda análise das várias cenas de Pinóquio, e se não pensámos nelas antes certamente pensámos em muitas outras. Extraordinário.
E, como se não bastasse, temos a oportunidade de ver essa análise expressa em palavras por Romana Petri. Se as ilustrações de Paula Rego já dizem bastante, Petri conseguiu expôr todos esses pensamentos em palavras simples. Se não percebemos à primeira a dimensão da análise de Rego, perceberemos com Petri a explicar.
E por fim... O posfácio do muito admirado Italo Calvino. Se eu já considerava Collodi um génio ao escrever um livro como "As Aventuras de Pinóquio" (que mais parece uma Bíblia), depois de ler as palavras de Italo Calvino passei a considerá-lo um deus.
"As Aventuras de Pinóquio" é uma obra grandiosa, escrita pela mão de um génio. É mais do que uma história, é algo que está entre as linhas, para além das palavras, é um mundo autêntico que se observa a si próprio e à vida.
Esta edição é poderosíssima, de todas as perspectivas. Desde as ilustrações à encadernação aos textos seleccionados, este é sem dúvida o livro com o qual todos deveriam conhecer a verdadeira história de Pinóquio.
Sem dúvida, um "objecto de culto", que guardarei como uma Bíblia preciosa. Um dos meus livros preferidos de sempre, porque poucos conseguem combinar tudo o que neste encontramos. Único neste mundo.

P.S.: é tão bom ler um livro excelente e logo a seguir ler um ainda melhor... Parece que dou demasiadas estrelas, mas é que tenho apanhado mesmo, mesmo livros magníficos.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Uma compra obrigatória
Quando fui outro, Fernando Pessoa (antologia da autoria de Luis Ruffato)
A paixão é apenas um dos temas explorados neste livro. Além de grande poeta, Fernando Pessoa foi também filósofo, interessado por assuntos tão diversos como religião, astrologia, história e política. Um ficcionista que se desdobrava em múltiplas identidades, à procura, quem sabe, de se conhecer e de se esquecer. Nesta antologia, que reúne uma selecção fascinante de poemas, ensaios, anotações e fragmentos de cartas de amor, os heterónimos escondem-se para permitirem ao leitor vislumbrar Fernando Pessoa, o poeta e o homem, na espantosa unidade que espreita por trás da sua multiplicidade. O leitor contemporâneo encontrará nestas páginas múltiplas razões para se emocionar, perturbar e questionar, caminhando de braço dado com o maior poeta moderno português.
Conhecia este livro desde o Brasil! Chegou a Portugal, e ainda bem que isso aconteceu.
Sou um grande admirador da obra de Fernando Pessoa e conheço algumas antologias que por aí andam. Esta é, contudo, a melhor antologia de Fernando Pessoa que alguma vez encontrei.
Eu até sou aquele tipo de leitor que gosta de comprar a obra completa, não um livro que mostre um pouco daqui e dali. No entanto, digo isto muito seriamente meus amigos leitores: comprem este livro. Este é daqueles livros que sei que vão gostar, e que sei que é obrigatório reter.
Gostaria de conhecer Luis Ruffato, pois sem dúvida é alguém que sente Pessoa e o mostrou de uma maneira... Genial. Este livro é mesmo obrigatório, e seria capaz de chatear-vos até que o comprassem. Não é apenas Fernando Pessoa, é a antologia em si que está divinal.
A paixão é apenas um dos temas explorados neste livro. Além de grande poeta, Fernando Pessoa foi também filósofo, interessado por assuntos tão diversos como religião, astrologia, história e política. Um ficcionista que se desdobrava em múltiplas identidades, à procura, quem sabe, de se conhecer e de se esquecer. Nesta antologia, que reúne uma selecção fascinante de poemas, ensaios, anotações e fragmentos de cartas de amor, os heterónimos escondem-se para permitirem ao leitor vislumbrar Fernando Pessoa, o poeta e o homem, na espantosa unidade que espreita por trás da sua multiplicidade. O leitor contemporâneo encontrará nestas páginas múltiplas razões para se emocionar, perturbar e questionar, caminhando de braço dado com o maior poeta moderno português.
Conhecia este livro desde o Brasil! Chegou a Portugal, e ainda bem que isso aconteceu.
Sou um grande admirador da obra de Fernando Pessoa e conheço algumas antologias que por aí andam. Esta é, contudo, a melhor antologia de Fernando Pessoa que alguma vez encontrei.
Eu até sou aquele tipo de leitor que gosta de comprar a obra completa, não um livro que mostre um pouco daqui e dali. No entanto, digo isto muito seriamente meus amigos leitores: comprem este livro. Este é daqueles livros que sei que vão gostar, e que sei que é obrigatório reter.
Gostaria de conhecer Luis Ruffato, pois sem dúvida é alguém que sente Pessoa e o mostrou de uma maneira... Genial. Este livro é mesmo obrigatório, e seria capaz de chatear-vos até que o comprassem. Não é apenas Fernando Pessoa, é a antologia em si que está divinal.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A Lança do Deserto, de Peter V. Brett
O Sol põe-se sobre a Humanidade. A noite pertence agora a demónios vorazes que se materializam com a escuridão e que caçam, sem tréguas, uma população quase extinta, forçada a acobardar-se atrás da segurança de guardas de poder semi-esquecidas. Mas estas guardas apenas servem para manter os demónios à distância e as lendas falam de um Libertador; um general, alguns chamar-lhe-iam profeta, que em tempo uniu a Humanidade e derrotou os demónios. No entanto esses tempos, se alguma vez existiram, pertencem a um passado distante. Os demónios estão de volta e o Libertador é apenas um mito… Ou será que não?
Do deserto vem Ahmann Jardir, que transformou as tribos guerreiras de Krasia num exército que extermina os demónios. Ele auto-proclamou-se Shar'Dama Ka, O Libertador, e traz consigo armas ancestrais - uma lança e uma coroa - que atribuem credibilidade à sua pretensão. Ao jurar seguir os passos do primeiro Libertador, ele veio para Norte a fim de unir as cidades-estado numa força única que lutará contra os demónios, quer elas queiram quer não.
Mas os habitantes do Norte afirmam possuir o seu próprio Libertador, Arlen, que todos conhecem por O Homem Pintado, uma figura obscura com a pele tatuada com guardas tão poderosas que se tornou um oponente temível a qualquer demónio. O Homem Pintado nega ser o Libertador, no entanto as suas acções falam mais alto que as suas palavras, ensinando homens e mulheres a enfrentar os seus medos e a oporem-se às criaturas que os atormentam há séculos.
Em tempos o Shar'Dama Ka e O Homem Pintado foram amigos, irmãos de armas, mas agora são adversários ferozes. Apanhados na contenda estão Renna, uma jovem que é levada até aos limites da resistência humana; Leesha, uma jovem e orgulhosa herbanária cujos dotes de guardadora superam os do próprio Homem Pintado; e Rojer, um jogral com um dote para a música que acalma os demónios, ou os leva a tamanho frenesim que se atacam uns aos outros. mas, enquanto as velhas alianças são testadas e as novas alianças se estabelecem, surge uma nova espécie de demónio, mais inteligente e mortífero do que qualquer outro alguma vez visto.
Este é um dos melhores livros fantásticos que já li. Dos livros que mais gostei de ler.
A maneira como me absorveu foi absoluta. Passei os dias a pensar no livro, a pensar nas suas personagens, a sonhar com os demónios... Quando não estava a ler só estava a pensar no que podia estar a ler.
E a maior prova em como este foi um grande livro foi que, antes de adormecer, a minha mente divagava, imaginando histórias (muito delas sem nexo, mas de qualquer forma a partir do livro) que leria nas páginas seguintes.
Há coisas que mudam do primeiro livro, "O Homem Pintado", para este, segundo livro, mas em geral acho que foi ainda melhor do que prometia!
O estilo da obra mantém-se na integra. Trata-se da jornada de certas personagens na luta contra os demónios da Noite, que atacam os humanos, apenas protegidos por detrás de guardas (símbolos) mágicas.
Acima de tudo, Peter V. Brett é um contador de histórias que, nesta obra, consegue descobrir uma maneira própria de a contar. Passa por não deixar o leitor a matutar sobre certos mistérios. Nós conhecemos todas as personagens desde a sua infância até à sua maioridade, nenhuma é excepção! Portanto, todas as questões que se põem em causa pela personalidade das personagens não nos surpreendem. Nós conhecemo-las muito bem. E talvez isso nos aproxime ainda mais delas (e nos faça gostar ainda mais do livro).
Para além disto, neste segundo livro percebemos a importância do que aconteceu no primeiro livro. Talvez por isso ainda tenha sido melhor: tudo o que no livro anterior era "banal" ganhou importância renovada neste livro, levando-nos a perceber o impacto na história, no Mundo.
Em vez de seguirmos o Homem Pintado, vamos seguir mais ainda Jardir, um krasiano que desde cedo é treinado para matar demónios. Para muitos, acredito que isto não pareça satisfatório, pois o final de "O Homem Pintado" faz-nos querer saber ainda mais do que vai acontecer com o mesmo. No entanto, não é isso que encontramos neste livro. O que este livro faz, como já disse, é dar uma importância renovada ao Homem Pintado e ao que ele pode representar. Verdadeiramente, temos maior presença de Jardir e de personagens como Leesha e Rojer (que, já agora, será a minha personagem preferida).
Acompanhando Jardir, conhecemos um povo completamente diferente, de Krasia e mais sobre a lenda do Libertador. Confesso que Jardir conseguiu ser a personagem que mais gostei do livro, e depois a que mais odiei, e finalmente fiquei EXTREMAMENTE curioso com o destino que irá ter. É alguém bastante interessante, capaz de nos dar a volta à cabeça!
O que muda mais neste livro será, certamente, os próprios demónios. No primeiro livro, estes são a personificação do medo, dos pesadelos, são invencíveis e vê-los à frente é como estar perante a Morte. É um autêntico terror.
Neste livro... Não é bem isso que acontece. Os demónios deixam de ser o Medo em si para serem apenas inimigos, a serem eliminados. Que aconteceu? Para começar, os krasianos são guerreiros, que lutam com os demónios todas as noites e conseguem matar bastantes, atraindo-os para armadilhas. Depois, com a chegada do Homem Pintado, os povos do Norte também acabam por se tornar mais destemidos, e em vez de se esconderem detrás de guardas enfrentam os demónios, tentando matá-los, ganhando energia. Isto muda completamente a maneira como os demónios são descritos e encarados, e para mim essa é a maior diferença deste livro.
O nível de excitação que este livro em proporcionou foi algo completamente fora do normal. As personagens que conhecemos são todas bastante empolgantes, e o que vamos acompanhando é igualmente cativante. Com uma escrita bastante fluída, é difícil pôr de lado o livro e não continuar a ler! É tudo tão viciante, tão excitante, tão absorvente... Sem dúvida, absorvente até ao limite!
Mal consigo esperar pelo próximo livro, e último pelos vistos. Não apenas porque quero continuar a seguir esta grandiosa batalha, mas porque estou freneticamente curioso em saber qual o destino de todas as personagens. Depois de nos apaixonarmos, de odiarmos, de nos sujeitarmos, torna-se praticamente impossível neste momento imaginar o que acontecerá daqui para a frente? Haverá justiça que consiga arrumar todos? Eu posso esperar por um final feliz, mas não sei se é isso que quero que aconteça... Bem, até lá, peguem nesta saga porque vale mais do que a pena! Sem dúvida, não é um livro de Fantasia qualquer!
Do deserto vem Ahmann Jardir, que transformou as tribos guerreiras de Krasia num exército que extermina os demónios. Ele auto-proclamou-se Shar'Dama Ka, O Libertador, e traz consigo armas ancestrais - uma lança e uma coroa - que atribuem credibilidade à sua pretensão. Ao jurar seguir os passos do primeiro Libertador, ele veio para Norte a fim de unir as cidades-estado numa força única que lutará contra os demónios, quer elas queiram quer não.
Mas os habitantes do Norte afirmam possuir o seu próprio Libertador, Arlen, que todos conhecem por O Homem Pintado, uma figura obscura com a pele tatuada com guardas tão poderosas que se tornou um oponente temível a qualquer demónio. O Homem Pintado nega ser o Libertador, no entanto as suas acções falam mais alto que as suas palavras, ensinando homens e mulheres a enfrentar os seus medos e a oporem-se às criaturas que os atormentam há séculos.
Em tempos o Shar'Dama Ka e O Homem Pintado foram amigos, irmãos de armas, mas agora são adversários ferozes. Apanhados na contenda estão Renna, uma jovem que é levada até aos limites da resistência humana; Leesha, uma jovem e orgulhosa herbanária cujos dotes de guardadora superam os do próprio Homem Pintado; e Rojer, um jogral com um dote para a música que acalma os demónios, ou os leva a tamanho frenesim que se atacam uns aos outros. mas, enquanto as velhas alianças são testadas e as novas alianças se estabelecem, surge uma nova espécie de demónio, mais inteligente e mortífero do que qualquer outro alguma vez visto.
Este é um dos melhores livros fantásticos que já li. Dos livros que mais gostei de ler.
A maneira como me absorveu foi absoluta. Passei os dias a pensar no livro, a pensar nas suas personagens, a sonhar com os demónios... Quando não estava a ler só estava a pensar no que podia estar a ler.
E a maior prova em como este foi um grande livro foi que, antes de adormecer, a minha mente divagava, imaginando histórias (muito delas sem nexo, mas de qualquer forma a partir do livro) que leria nas páginas seguintes.
Há coisas que mudam do primeiro livro, "O Homem Pintado", para este, segundo livro, mas em geral acho que foi ainda melhor do que prometia!
O estilo da obra mantém-se na integra. Trata-se da jornada de certas personagens na luta contra os demónios da Noite, que atacam os humanos, apenas protegidos por detrás de guardas (símbolos) mágicas.
Acima de tudo, Peter V. Brett é um contador de histórias que, nesta obra, consegue descobrir uma maneira própria de a contar. Passa por não deixar o leitor a matutar sobre certos mistérios. Nós conhecemos todas as personagens desde a sua infância até à sua maioridade, nenhuma é excepção! Portanto, todas as questões que se põem em causa pela personalidade das personagens não nos surpreendem. Nós conhecemo-las muito bem. E talvez isso nos aproxime ainda mais delas (e nos faça gostar ainda mais do livro).
Para além disto, neste segundo livro percebemos a importância do que aconteceu no primeiro livro. Talvez por isso ainda tenha sido melhor: tudo o que no livro anterior era "banal" ganhou importância renovada neste livro, levando-nos a perceber o impacto na história, no Mundo.
Em vez de seguirmos o Homem Pintado, vamos seguir mais ainda Jardir, um krasiano que desde cedo é treinado para matar demónios. Para muitos, acredito que isto não pareça satisfatório, pois o final de "O Homem Pintado" faz-nos querer saber ainda mais do que vai acontecer com o mesmo. No entanto, não é isso que encontramos neste livro. O que este livro faz, como já disse, é dar uma importância renovada ao Homem Pintado e ao que ele pode representar. Verdadeiramente, temos maior presença de Jardir e de personagens como Leesha e Rojer (que, já agora, será a minha personagem preferida).
Acompanhando Jardir, conhecemos um povo completamente diferente, de Krasia e mais sobre a lenda do Libertador. Confesso que Jardir conseguiu ser a personagem que mais gostei do livro, e depois a que mais odiei, e finalmente fiquei EXTREMAMENTE curioso com o destino que irá ter. É alguém bastante interessante, capaz de nos dar a volta à cabeça!
O que muda mais neste livro será, certamente, os próprios demónios. No primeiro livro, estes são a personificação do medo, dos pesadelos, são invencíveis e vê-los à frente é como estar perante a Morte. É um autêntico terror.
Neste livro... Não é bem isso que acontece. Os demónios deixam de ser o Medo em si para serem apenas inimigos, a serem eliminados. Que aconteceu? Para começar, os krasianos são guerreiros, que lutam com os demónios todas as noites e conseguem matar bastantes, atraindo-os para armadilhas. Depois, com a chegada do Homem Pintado, os povos do Norte também acabam por se tornar mais destemidos, e em vez de se esconderem detrás de guardas enfrentam os demónios, tentando matá-los, ganhando energia. Isto muda completamente a maneira como os demónios são descritos e encarados, e para mim essa é a maior diferença deste livro.
O nível de excitação que este livro em proporcionou foi algo completamente fora do normal. As personagens que conhecemos são todas bastante empolgantes, e o que vamos acompanhando é igualmente cativante. Com uma escrita bastante fluída, é difícil pôr de lado o livro e não continuar a ler! É tudo tão viciante, tão excitante, tão absorvente... Sem dúvida, absorvente até ao limite!
Mal consigo esperar pelo próximo livro, e último pelos vistos. Não apenas porque quero continuar a seguir esta grandiosa batalha, mas porque estou freneticamente curioso em saber qual o destino de todas as personagens. Depois de nos apaixonarmos, de odiarmos, de nos sujeitarmos, torna-se praticamente impossível neste momento imaginar o que acontecerá daqui para a frente? Haverá justiça que consiga arrumar todos? Eu posso esperar por um final feliz, mas não sei se é isso que quero que aconteça... Bem, até lá, peguem nesta saga porque vale mais do que a pena! Sem dúvida, não é um livro de Fantasia qualquer!
sábado, 7 de agosto de 2010
Inception - A Origem
Acabei de vir da sala de cinema.
Inception, título em português "A Origem", é um dos filmes mais aguardados do ano. Falo por mim, esperava com grande ansiedade!
Mal saiu, as críticas foram incrivelmente positivas. No IMDb já está em 3.º lugar no Top dos melhores filmes de sempre, e parece que não vai cair! Parece que continua a arrastar as pessoas para as críticas mais favoráveis do momento. Há quem se atreva a dizer que é o melhor filme de sempre.
Eu fui ver o filme e gostei imenso. Está excelente, sem dúvida! Poucos, poucos defeitos posso apontar (aliás, nenhum!). A história é interessante, os efeitos especiais um máximo, as actuações magníficas (deve ser o melhor elenco que anda por aí. Só não sou muito fã de Leonardo DiCaprio, e embora ele esteja bem neste filme continua sem me chamar a atenção).
No entanto, não podemos ficar por aqui.
Uma das coisas que tenho é que raramente, mesmo raramente, me prolongo em explicar a história, seja de um filme ou de um livro. Preocupo-me mais em expressar o que senti em relação a ela.
Em jeito de resumo, direi que o filme faz lembrar um pouco "Matrix". Cobb e a sua equipa formam um esquadrão bastante peculiar: para roubarem, entram no inconsciente das pessoas. A tecnologia é capaz de juntar um grupo de pessoas no sonho de um sujeito, e a partir daí a sua missão é retirar todas as informações necessárias para a missão.
No entanto, este jogo entre o sonho e a realidade custou muito a Cobb. A sua chance de voltar para casa passa em pôr em prática uma última grande missão: não retirar ideias do inconsciente das pessoas, mas criar uma.
Este filme é interessante no que toca à realidade, ao sonho, e como encaramos os dois. Como já disse, os actores estão excelentes, os efeitos especiais brutais. Todo o conceito do filme vale a pena.
Não é tão profundo quanto me parece prometer, no entanto.
Lamento uma coisa: não ser em 3D. A maioria dos filmes que saiu em 3D foram uma chachada, e agora que sai um filme que valia a pena ver em 3D, não o é. Enfim.
E agora, o meu grande ponto de vista: de alguma forma, por muito bom que seja o filme (atenção, eu gostei bastante, está excelente!), acho que está bastante, bastante sobrevalorizado! Overrated!!
Eu compreendi todo o palavreado, toda a parte técnica. Pessoalmente, não fiquei absorvido pelo ecrã, é a primeira coisa. E, segundo, acho sinceramente que as boas críticas estão a puxar boas críticas, e por aí adiante. O filme é muito bom, mas 3.º lugar dos Melhores Filmes de Sempre? Nunca. A ideia é excelente, mas neste filme em particular foi apenas um entretenimento...
Talvez porque estivesse à espera de algo MUITO mais desafiante, porque já vi uns bastante.
Quem sabe, talvez o problema seja a única ponta solta ser o final... Geralmente, esperamos que estes filmes nos deixem a reflectir. "Inception" dá-se ao trabalho de explicar praticamente tudo.
Eu gostei bastante do filme, a sério! Mas, por favor, não é tãããããão especial quanto isso. Sou mesmo sincero, acho que as críticas mais-do-que positivas são arrastadas por críticas mais-do-que positivas
Claro, toda a gente vai gostar de "Inception". Mas não tem a nota mais alta, de todo. Está excelente, mas não o considero uma obra-prima. Gostei, mas não amei.
Inception, título em português "A Origem", é um dos filmes mais aguardados do ano. Falo por mim, esperava com grande ansiedade!
Mal saiu, as críticas foram incrivelmente positivas. No IMDb já está em 3.º lugar no Top dos melhores filmes de sempre, e parece que não vai cair! Parece que continua a arrastar as pessoas para as críticas mais favoráveis do momento. Há quem se atreva a dizer que é o melhor filme de sempre.
Eu fui ver o filme e gostei imenso. Está excelente, sem dúvida! Poucos, poucos defeitos posso apontar (aliás, nenhum!). A história é interessante, os efeitos especiais um máximo, as actuações magníficas (deve ser o melhor elenco que anda por aí. Só não sou muito fã de Leonardo DiCaprio, e embora ele esteja bem neste filme continua sem me chamar a atenção).
No entanto, não podemos ficar por aqui.
Uma das coisas que tenho é que raramente, mesmo raramente, me prolongo em explicar a história, seja de um filme ou de um livro. Preocupo-me mais em expressar o que senti em relação a ela.
Em jeito de resumo, direi que o filme faz lembrar um pouco "Matrix". Cobb e a sua equipa formam um esquadrão bastante peculiar: para roubarem, entram no inconsciente das pessoas. A tecnologia é capaz de juntar um grupo de pessoas no sonho de um sujeito, e a partir daí a sua missão é retirar todas as informações necessárias para a missão.
No entanto, este jogo entre o sonho e a realidade custou muito a Cobb. A sua chance de voltar para casa passa em pôr em prática uma última grande missão: não retirar ideias do inconsciente das pessoas, mas criar uma.
Este filme é interessante no que toca à realidade, ao sonho, e como encaramos os dois. Como já disse, os actores estão excelentes, os efeitos especiais brutais. Todo o conceito do filme vale a pena.
Não é tão profundo quanto me parece prometer, no entanto.
Lamento uma coisa: não ser em 3D. A maioria dos filmes que saiu em 3D foram uma chachada, e agora que sai um filme que valia a pena ver em 3D, não o é. Enfim.
E agora, o meu grande ponto de vista: de alguma forma, por muito bom que seja o filme (atenção, eu gostei bastante, está excelente!), acho que está bastante, bastante sobrevalorizado! Overrated!!
Eu compreendi todo o palavreado, toda a parte técnica. Pessoalmente, não fiquei absorvido pelo ecrã, é a primeira coisa. E, segundo, acho sinceramente que as boas críticas estão a puxar boas críticas, e por aí adiante. O filme é muito bom, mas 3.º lugar dos Melhores Filmes de Sempre? Nunca. A ideia é excelente, mas neste filme em particular foi apenas um entretenimento...
Talvez porque estivesse à espera de algo MUITO mais desafiante, porque já vi uns bastante.
Quem sabe, talvez o problema seja a única ponta solta ser o final... Geralmente, esperamos que estes filmes nos deixem a reflectir. "Inception" dá-se ao trabalho de explicar praticamente tudo.
Eu gostei bastante do filme, a sério! Mas, por favor, não é tãããããão especial quanto isso. Sou mesmo sincero, acho que as críticas mais-do-que positivas são arrastadas por críticas mais-do-que positivas
Claro, toda a gente vai gostar de "Inception". Mas não tem a nota mais alta, de todo. Está excelente, mas não o considero uma obra-prima. Gostei, mas não amei.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O Símbolo Perdido, de Dan Brown
Finalmente, leio aquele que foi um dos livros mais esperados durante anos, quando parecia que uma nova obra de Dan Brown não sairia.
Li que o autor considera este o seu melhor livro. Pergunto-me: leu ele os livros anteriores?
Este é um thriller empolgante. Facilmente me puxou pela leitura. Dan Brown tem a chave para fazer o leitor querer avançar mais e mais na leitura (geralmente é porque diz sempre que vai revelar coisas, mas fica sempre para a página seguinte. Fica sempre para a página seguinte... ). E não tem nada a ver com os capítulos pequenos, na minha experiência.
Ainda assim, a realidade é esta: é um thriller normal. Vulgar. Sinceramente, nem parece escrito pelo mesmo autor de "O Código Da Vinci" ou muito menos "Anjos e Demónios". Pessoalmente, este último é o seu livro mais bem elaborado, com personagens verdadeiramente motivadas, e reconheço que foi aquele no qual tinha a maior liberdade. Foi perfeito. "O Código Da Vinci" tem um enredo e personagens interessantes, mas enfim, lê-se um lê-se todos, no que toca à construção da trama. Ainda assim, foi uma mistério que valeu a pena descobrir! "O Símbolo Perdido" nem pelo enredo nem pelo mistério!
"O Símbolo Perdido", fora o facto de se ler bem, não chega aos calcanhares de nenhum deles, provavelmente nem muitos outros thrillers que andam por aí (Dan Brown não deveria ser um "rei" neste caso? Hum...). Não achei que fosse nada do que estava à espera. Nem a nível de enredo nem a nível de tema. Neste tipo de romances, a maneira como se desenvolvem acaba por ser sempre parecida, mas não é só isso que se passou de errado aqui...
Ok, uma coisa que é impressionante neste livro: cada linha tem cerca de 40 curiosidades. É uma cena maluca! Este livro TRANSBORDA de informações e curiosidades sobre Maçonaria, Religião e Ciência Noética (que, já agora, não conhecia, mas gostei de conhecer). É estonteante. Não sei se foi informação a mais, se se deveria ter preocupado mais em organizar a parte do romance e menos a parte temática... A verdade é que, depois de tanto tempo, este livro é um pequeno logro no género.
E o final... Aquilo foi uma espécie de climax/anti-climax. Ou seja: a nível do destino de certas personagens (principalmente do vilão) foi, para mim, um clímax, mas a nível de segredo e revelação houve qualquer coisa que não me satisfez... Talvez tanto "segredo" me tivesse levado a esperar algo realmente significativo.
No geral, gostei de ler. Entreteve-me bastante! Foi a minha terceira e última leitura de Verão, e foi isso mesmo: uma boa leitura de Verão. Este é o tal livro para os leitores exigentes que referi na minha opinião de O Labirinto dos Ossos. No entanto, fica muito aquém de qualquer expectativa. É um romance demasiado vulgar, impossível de se destacar (a única coisa que se destaca será o nome do autor da capa...). Nada de especial. Custa a crer que saiu das mãos de Dan Brown.
Li que o autor considera este o seu melhor livro. Pergunto-me: leu ele os livros anteriores?
Este é um thriller empolgante. Facilmente me puxou pela leitura. Dan Brown tem a chave para fazer o leitor querer avançar mais e mais na leitura (geralmente é porque diz sempre que vai revelar coisas, mas fica sempre para a página seguinte. Fica sempre para a página seguinte... ). E não tem nada a ver com os capítulos pequenos, na minha experiência.
Ainda assim, a realidade é esta: é um thriller normal. Vulgar. Sinceramente, nem parece escrito pelo mesmo autor de "O Código Da Vinci" ou muito menos "Anjos e Demónios". Pessoalmente, este último é o seu livro mais bem elaborado, com personagens verdadeiramente motivadas, e reconheço que foi aquele no qual tinha a maior liberdade. Foi perfeito. "O Código Da Vinci" tem um enredo e personagens interessantes, mas enfim, lê-se um lê-se todos, no que toca à construção da trama. Ainda assim, foi uma mistério que valeu a pena descobrir! "O Símbolo Perdido" nem pelo enredo nem pelo mistério!
"O Símbolo Perdido", fora o facto de se ler bem, não chega aos calcanhares de nenhum deles, provavelmente nem muitos outros thrillers que andam por aí (Dan Brown não deveria ser um "rei" neste caso? Hum...). Não achei que fosse nada do que estava à espera. Nem a nível de enredo nem a nível de tema. Neste tipo de romances, a maneira como se desenvolvem acaba por ser sempre parecida, mas não é só isso que se passou de errado aqui...
Ok, uma coisa que é impressionante neste livro: cada linha tem cerca de 40 curiosidades. É uma cena maluca! Este livro TRANSBORDA de informações e curiosidades sobre Maçonaria, Religião e Ciência Noética (que, já agora, não conhecia, mas gostei de conhecer). É estonteante. Não sei se foi informação a mais, se se deveria ter preocupado mais em organizar a parte do romance e menos a parte temática... A verdade é que, depois de tanto tempo, este livro é um pequeno logro no género.
E o final... Aquilo foi uma espécie de climax/anti-climax. Ou seja: a nível do destino de certas personagens (principalmente do vilão) foi, para mim, um clímax, mas a nível de segredo e revelação houve qualquer coisa que não me satisfez... Talvez tanto "segredo" me tivesse levado a esperar algo realmente significativo.
No geral, gostei de ler. Entreteve-me bastante! Foi a minha terceira e última leitura de Verão, e foi isso mesmo: uma boa leitura de Verão. Este é o tal livro para os leitores exigentes que referi na minha opinião de O Labirinto dos Ossos. No entanto, fica muito aquém de qualquer expectativa. É um romance demasiado vulgar, impossível de se destacar (a única coisa que se destaca será o nome do autor da capa...). Nada de especial. Custa a crer que saiu das mãos de Dan Brown.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O Labirinto dos Ossos, de Rick Riordan
Lê o livro.
Encontra as 39 Pistas.
E vive a maior aventura de todos os tempos!!!
O que aconteceria se descobrisses que a tua família é uma das mais poderosas da história da humanidade? E se te dissessem que a chave para encontrar o segredo do poder da tua família está escondida algures no mundo, e que para lhe chegares terias de desvendar as 39 Pistas? E se te dessem a escolher - ganhar um milhão de dólares e continuar a tua vida... ou receber a primeira pista?
Se fores a Amy ou o Dan Cahill, escolhes a pista - e entras numa corrida verdadeiramente perigosa.
Ora aqui está uma série que espero vir a ser publicada com frequência cá em Portugal, pois promete!
Trata-se de um conjunto de 10 livros (pensava que seriam 39, mas pelo que pesquisei são só 10, o último a ser publicado em Setembro na língua original), e cada um é escrito por um autor diferente.
Dan e Amy Cahill fazem parte de uma numerosa família, e quando a avó morre descobrem que pertencem também a uma das mais poderosas famílias de todos os tempos. Há, no entanto, um segredo que a avó quer que eles descubram, um segredo que os tornará as pessoas mais poderosas na Terra. Esse segredo foi guardado pelos Cahill desde sempre, e chegou o momento de ser revelado. O problema é que Dan e Amy não são os únicos a participar nesta corrida: vários membros da sua família foram também desafiados, e todos querem ter o mesmo poder...
Estamos perante uma série à qual desejo grande sucesso por cá. Promete, já com o primeiro livro, ser uma série obrigatória para os jovens, uma aventura fresca que vai entreter muitos!
Não é, de todo, um livro que aconselhe a leitores mais exigentes. É um "Código Da Vinci" para jovens, isso sim, e na minha opinião um muito bom. Uma pista traz um grande mistério, vários puzzles bem construídos, obrigando os personagens a dar a volta ao mundo em busca de todas as soluções! Embora leitores mais exigentes facilmente deixem este livro passar, tenho a certeza que deve ser lido pelos jovens. É empolgante, é interessante, agarra facilmente até à última página. Um livro que facilmente aconselho, ainda que por enquanto tenha um longo caminho a percorrer. Sou mais exigente.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
"Loucura Azul"...
Acima de tudo, além de dar a conhecer as minhas opiniões, há sempre novos autores que pedem para ser descobertos e sugestões que eu próprio ainda não li.
Fui contactado por este autor, Paulo Alexandre e Castro, que se ofereceu para disponibilizar tanto um exemplar para leitura e crítica como também um exemplar para um passatempo.
Até lá, aqui fica o booktrailer do romance "Loucura Azul". E os vossos comentários. Da minha parte, mantenho as expectativas baixas para o livro. Fiquei curioso, contudo, com um pormenor: o escritor russo que levou o protagonista a cometer um crime... Dá lugar para divagações não dá? Curioso!
domingo, 1 de agosto de 2010
Safari de Sangue, de Deon Meyer
Lemmer é um guarda-costas profissional. Silencioso, invisível, não se envolve. É um ex-condenado que vive retirado, tentando reconstruir a sua vida. Emma le Roux, uma jovem consultora de marca da Cidade do Cabo, acredita ter visto uma imagem do irmão no noticiário, por ocasião de um tiroteio em que morrem quatro caçadores furtivos, no Parque Nacional Kruger.Mas Jacobus fora dado como morto há mais de vinte anos. Emma faz uma tentativa de esclarecer aquele estranho incidente com o polícia que está a investigar o caso, mas acaba por aceitar que se enganou sobre a identidade do suspeito daquelas mortes. Contudo, dois dias mais tarde é atacada em sua casa e quer respostas que vai tentar encontrar por si própria. Mas precisa que alguém garanta a sua segurança e contrata Lemmer. Aquele caso vem a revelar-se extremamente perigoso e com implicações políticas internacionais. Agora ambos podem acabar mortos, mas Lemmer cansou-se da sua invisibilidade e, contra os seus princípios, envolveu-se demasiado... Um thriller empolgante do mais consagrado autor do género, na África do Sul.
"Safari de Sangue é um livro aliciante e um esclarecedor retrato de uma nação com problemas talvez ainda mais complexos e prementes do que os nossos."
The Washington Post
"Vibrante e avassalador."
The Sunday Times
Comecei esta leitura com alguma curiosidade.
Não sou fã de policiais, portanto à partida não estava à espera de ser cativado por estas páginas. De facto, foi o que aconteceu. Não me cativou o suficiente.
"Safari de Sangue" é um thriller policial que envolve não só as relações entre as várias personagens mas também a história de um país, a África do Sul, de todos os seus problemas, da sua política, e é dentro desse tema que cerra sempre o grande mistério.
É, portanto, um livro bastante curioso visto desse ponto, já que a diferença marca a mentalidade de quem lá habita e a sua história politico-social é bastante avassaladora. O livro mostra o que precisa, e bem, sobre esse assunto.
Para além disso, sem dúvida aos poucos e poucos (mesmo aos poucos) vamo-nos aproximando das personagens e dos seus sentimentos, o que me pareceu ser o ponto mais alto do livro e da escrita do autor. Sem mudar a integridade de cada protagonista como bem lhe convém, Deon Meyer vai aproximando-as do leitor, à medida que a leitura avança e elas próprias mudam a sua maneira de ver as coisas. Interessante sem dúvida.
Com isto, é uma boa leitura, que nos vai agarrando. Agarra sim! Porém, e aqui entra o facto de não ser fã de policiais, acredito que para fãs do género será um excelente thriller, mas para quem não o é não é este livro que o fará ser. Lembro-me de "Black Out - A Cortina da Memória", de Lisa Unger, cuja crítica aqui encontrarão; esse foi um livro que me puxou definitivamente e que me fez querer aprofundar um pouco mais o género. Esses livros, embora não nos tornem directamente fãs, fazem-nos mudar seriamente de ideias.
"Safari de Sangue", contudo, por muito bom (e acredito que seja, portanto força na sua leitura!) para quem gosta de ler este tipo de livros, não é o romance que vai agarrar quem não aprecie policiais assim tanto. É uma boa leitura no fundo, uma óptima leitura de Verão!!!
Mas... Não mais. A mim, que não sou fã de policiais, não me marcou, e não creio que a pessoas na mesma situação seja diferente. Aproveitem ainda assim o Verão para o ler, será a época ideal.
"Safari de Sangue é um livro aliciante e um esclarecedor retrato de uma nação com problemas talvez ainda mais complexos e prementes do que os nossos."
The Washington Post
"Vibrante e avassalador."
The Sunday Times
Comecei esta leitura com alguma curiosidade.
Não sou fã de policiais, portanto à partida não estava à espera de ser cativado por estas páginas. De facto, foi o que aconteceu. Não me cativou o suficiente.
"Safari de Sangue" é um thriller policial que envolve não só as relações entre as várias personagens mas também a história de um país, a África do Sul, de todos os seus problemas, da sua política, e é dentro desse tema que cerra sempre o grande mistério.
É, portanto, um livro bastante curioso visto desse ponto, já que a diferença marca a mentalidade de quem lá habita e a sua história politico-social é bastante avassaladora. O livro mostra o que precisa, e bem, sobre esse assunto.
Para além disso, sem dúvida aos poucos e poucos (mesmo aos poucos) vamo-nos aproximando das personagens e dos seus sentimentos, o que me pareceu ser o ponto mais alto do livro e da escrita do autor. Sem mudar a integridade de cada protagonista como bem lhe convém, Deon Meyer vai aproximando-as do leitor, à medida que a leitura avança e elas próprias mudam a sua maneira de ver as coisas. Interessante sem dúvida.
Com isto, é uma boa leitura, que nos vai agarrando. Agarra sim! Porém, e aqui entra o facto de não ser fã de policiais, acredito que para fãs do género será um excelente thriller, mas para quem não o é não é este livro que o fará ser. Lembro-me de "Black Out - A Cortina da Memória", de Lisa Unger, cuja crítica aqui encontrarão; esse foi um livro que me puxou definitivamente e que me fez querer aprofundar um pouco mais o género. Esses livros, embora não nos tornem directamente fãs, fazem-nos mudar seriamente de ideias.
"Safari de Sangue", contudo, por muito bom (e acredito que seja, portanto força na sua leitura!) para quem gosta de ler este tipo de livros, não é o romance que vai agarrar quem não aprecie policiais assim tanto. É uma boa leitura no fundo, uma óptima leitura de Verão!!!
Mas... Não mais. A mim, que não sou fã de policiais, não me marcou, e não creio que a pessoas na mesma situação seja diferente. Aproveitem ainda assim o Verão para o ler, será a época ideal.
De volta...
15 maravilhosos dias no Algarve, o Bookaholic esteve nas águas mais quentes da temporada e longe tanto da cidade como das pessoas que conheço...
Sem querer dizer se isso é bom ou mau, eis a notícia: em 15 dias li 3 livros. Uma miséria, bem sei, mas acontece que passei metade das férias com amigos, que até nem via há bastante tempo, pelo que ler era-me quase impossível.
Infelizmente, nenhum dos livros me deixou completamente satisfeito ou marcaram as férias. Foram bons livros de Verão, isso sim!, mas não foram, de todo, livros que vá recordar ao longo do tempo...
A novidade é apenas esta: voltei. Para o mesmo? É o mais provável.
Sem querer dizer se isso é bom ou mau, eis a notícia: em 15 dias li 3 livros. Uma miséria, bem sei, mas acontece que passei metade das férias com amigos, que até nem via há bastante tempo, pelo que ler era-me quase impossível.
Infelizmente, nenhum dos livros me deixou completamente satisfeito ou marcaram as férias. Foram bons livros de Verão, isso sim!, mas não foram, de todo, livros que vá recordar ao longo do tempo...
A novidade é apenas esta: voltei. Para o mesmo? É o mais provável.
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