segunda-feira, 30 de março de 2009

Apontem! Nova colecção com a Sábado!



Esta revista não pára! E ainda bem!!!

Fiquei surpreendido com a notícia, já que o intervalo de tempo entre duas colecções parece-me demasiado pequeno (lá vão os meus planos de abater a exagerada pilha de livros por ler por água abaixo...), mas é verdade: a revista Sábado vai lançar mais uma colecção de livros!

O bom nesta revista nem é oferecer livros, já que este tipo de promoções é habitual. O que é MESMO bom é que são grandes obras que teremos a oportunidade de ler!!

É em tudo semelhante às outras: cada livro é um 1€, + revista. São sete livros, mas olhem que vale mais do que a pena:

16 Abril - Plano Infinito, de Isabel Allende
23 Abril - As Noites das Mil e Uma Noites, de Naguib Mahfouz
30 Abril - Sem Sangue, de Alessandro Baricco
7 Maio - Herzog, de Saul Bellow
14 Maio - Terra de Neve, de Yasunari Kawabata
21 Maio - O Talentoso Mr. Ripley, de Patricia Highsmith
28 Maio - A Luz, de Stephen King

Toca a apontar nas agendas as datas!

Fonte: Estante de Livros

domingo, 29 de março de 2009

My Immortal - Descansa em paz



Conheci a Tânia/Snowshoee/Pikenatonta através do seu blogue. Rapidamente me tornei seu seguidor, e fiquei bastante sensibilizado com o problema de coração que ela tinha.

É quem não merece que parece encontrar mais rapidamente o descanso na morte... A Tânia amava a vida, ela amava. Há que admirar pessoas assim. Infelizmente o seu estado veio a piorar desde o final do ano passado, e este ano sofreu demasiado: dois AVCs que lhe arrancaram metade do cérebro, coma e esperança quase nula de acordar.
É difícil pensar que nunca mais irei conversar com ela. Parece estúpido, mas a verdade é que se alguém a quem eu era bastante chegado aparecesse à minha frente (depois de morto) eu acharia isso normal. Parece que são estas pessoas com quem mantemos conversas frequentes mas distantes que nos fazem pensar assim.

A verdade é que ela estava a sofrer, e por isso por um lado já descansa em paz. Por outro, as saudades que deixa são imensas. E os filmes que não viu, e os livros que não leu (chegou a enviar-me o e-book de "A Metamorfose" de Kafka para confirmar se era integral... Creio que nunca chegou a ler...), o carinho que ainda podia dar.

Mas, tal como ela diz,
Flores? Bons, essas coisas são para serem dadas em vida… Palavras bonitas diante da lápide? Essas palavras são para serem ditas em vida.


Antes de morrer deixou uma carta, prevendo o seu desfecho. Certamente que ficarão sensibilizados como eu fiquei.
Podem conhecê-la através do seu blogue Just Things... ou conhecer a sua jornada no hospital no blogue que lhe dedicaram, Querida Snowshoee.

Tânia, ficarás marcada nas vidas de quem te conheceu, pessoal ou virtualmente. Espero pelo dia em que voltarei a falar contigo, em que voltarás a sorrir. Beijos e descansa em paz.

P.S.: no seu blogue, a música que nos deixa é "My Immortal", dos Evanescence, que é uma das minhas preferidas! Acho que a letra diz muito do que ela sentia...

I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave
I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

[Chorus:]
When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have
All of me

You used to captivate me
By your resonating light
Now I'm bound by the life you left behind
Your face it haunts
My once pleasant dreams
Your voice it chased away
All the sanity in me

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

[Chorus]

I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along

[Chorus]

terça-feira, 24 de março de 2009

A Muralha de Gelo, de George R. R. Martin


Como a sinopse possui alguns spoilers para quem ainda não leu o livro anterior (e para quem está interessado em ler este!), pode ser lida por aqui.

Não há muitas palavras para descrever esta saga.
Há livros assim: poderosos, intensos. Absorventes.
"A Muralha de Gelo" é daqueles livros que são quase impossíveis de parar de ler! A partir do momento em que pegamos nele, mal conseguimos desviar os olhos... A história é demasiado electrizante, as palavras têm um sabor especial! Absorvente ao máximo expoente!!!
Como já tive a oportunidade de dizer, este livro é a prova em como George Martin é considerado uns dos maiores escritores de Fantasia da actualidade.

Na verdade, esta é a segunda parte do primeiro livro, "A Game of Thrones", pelo que se em "A Guerra dos Tronos" temos uma apresentação do mundo e das personagens, neste final do livro temos o desenrolar de todas as conspirações, segredos e intrigas. As personagens chocam finalmente umas com as outras, a dinamite explode com este livro e a partir de agora o resto da saga é sempre a expandir.
Não só completa o primeiro livro como marca o princípio de um enredo que promete! O autor vai até ao seu limite num mundo fantástico, com personagens que vamos amar, odiar, temer, com cenas com as quais vamos chorar e ficar chocados, pois este livro consegue ser bastante violento e cruel! A acção é viciante! As personagens são demasiado reais, demasiado próximas ao leitor! Mesmo para quem não gosta de Fantasia, aposto que este livro não desilude, embora note que neste segundo livro explora-se um pouco mais o lado fantástico do enredo, ao contrário do primeiro que acaba por ser uma introdução a um mundo de Fantasia com traços medievais.

Tenho poucas palavras para descrever um livro tão bom. Simplesmente leiam!
Volto a dizer que esta releitura da saga está a ser mais proveitosa do que pensava, e foi de certeza o melhor que fiz!


domingo, 22 de março de 2009

Divisadero, de Michael Ondaatje


Um romance cativante sobre a paixão, a perda e o incontornável passado.

No coração de
Divisadero, encontramos histórias entrelaçadas de um pai, as suas duas filhas e Coop, o órfão com quem partilham a casa até que um incidente terrível incendeia o resto das suas vidas.

Este é o romance mais intimista e encantador do genial Ondaatje que nos transporta numa viagem envolvente desde a Califórnia dos anos 70 à Primeira Guerra Mundial, dos perigosos bastidores dos casinos do Nevada à beleza das paisagens rurais do Sul de França.


Divisadero é uma poderosa história de amor e paixão, violência e separações, memórias e emoções ao rubro. Um romance inesquecível.

Romance vencedor do Governor General's Literary Awards - Fiction 2007 e finalista do Scotiabank Giller Prize 2007 e do Commonwealth Writers Prize for Best Book (Canada & Caribbean) 2008


Antes de mais, devo um enorme pedido de desculpas às respostas atrasadas, a não comentar os blogues, mas mesmo assim continuando a par das novidades! Peço desculpa por tudo isso, e pelos meus postes.

Entretanto, tenho dedicado algum tempo à leitura. Desta vez, debrucei-me sobre o autor de "O Doente Inglês", livro que gostava bastante de ler!

Que posso dizer deste livro? Sinceramente, é difícil de descrever... A sinopse é um bocadinho enganadora, pois não explicita o quão profundo e diferente este livro é.
É muito único. Ondaatje cria uma narrativa que não lemos todos os dias. Não há um enredo propriamente dito, há mais o objectivo de escrever.
Tudo começa com uma família que quase nada tem de laços familiares, já que se sentem diferentes uns para os outros. Após um triste incidente, a família desmembra-se por completo, pelo que seguiremos os passos de cada um. Em busca de um futuro, mas verdadeiramente não há futuro, baseiam-se demasiado no passado. Mais para a frente, o autor apresenta-nos uma diferente família, diferentes personagens, um século antes, desta vez personagens de diferentes famílias mas que se vão apaixonar entre si, criar eles os laços, sofrer por isso.

Adorei a escrita de Ondaatje. Bastante poética quando quer, capaz de nos tocar, embora seja um bocado fria certas alturas... Mesmo assim, um tipo de escrita cativante.
Já o livro... Tenho de ser sincero, este livro deve ser lido com calma, com o arrastar do tempo, e deve ser lido na altura certa. Não sei ainda bem se o li na altura certa, talvez. A verdade é que a certa altura perdi-me. Ou talvez sinta que o escritor se perdeu.
O livro começa bem, aliás começa na perfeição. Numa Califórnia rodeada pela Natureza, numa família cujos intervenientes chocam, vidas cujo futuro ainda está em aberto. Personagens absorventes, um começo ideal. Até que se separam, e a partir daí aos poucos e poucos a coisa vai perdendo a chama... Até que senti que o autor se perdeu na narrativa, a certa altura simplesmente parece que a vida dessas personagens perde sentido. Não totalmente, ainda há alguma curiosidade, mas perde o charme! Por exemplo, Coop a princípio leva uma vida interessante, no jogo, até que desligamo-nos dele, simplesmente é abandonado na história. Já Anna vai para França e aí encontramos uma reflexão que mais tarde, ao recordarmos, nos parece interessante, sem no entanto parecer ter sido aprofundada suficientemente! Talvez seja eu que tenha perdido o sentido, não sei.

A segunda parte do livro é bastante mais apaixonante, e aí percebemos a sinopse quando ilustra o livro como "cativante, sobre paixão, a perda e o incontornável passado". Achei que neste segunda parte o autor volta a encontrar um rumo, volta a encontrar algo para escrever, e aqui sim está o romance que esperávamos. Aqui sim encontramos paixão, perda, encontramos desencontros e personagens pelas quais seríamos capazes de chorar.
O final é totalmente aberto. Não há conclusão simplesmente.

Por isso, ainda não sei bem o que dizer do livro... Encantado com a escrita, de pé atrás com o rumo. É complexo. É erudito à sua maneira.
Sem saber se dar o 4 ou o 5... É uma nota que sobre algumas décimas principalmente por ser o livro que é. Mas atenção, este não é um livro para todos! É um livro para quem está preparado para conhecer personagens que nunca serão suficientemente exploradas, um enredo que em parte não existe, uma narrativa com uma escrita absorvente mas palavras que dificilmente chegam a algum lado. Uma escrita que promete mas, sinceramente, não chegou. Parece que o autor até quer chegar a algum sítio, mas perde-se no meio do livro, até o leitor se perder também. Um livro recomendado... Mas não para todos.


(porque sou teimoso e este livro é dos casos "Primeiro estranha-se, depois entranha-se")

segunda-feira, 16 de março de 2009

Desencontros Virtuais, de Maria Eugénia Ponte


O meu nome completo é Maria Eugénia Ferreira da Ponte.
Tenho 52 anos de idade e sou Analista de Sistemas Informáticos.
Nasci numa pequenina aldeia perto de Alenquer, a poucos quilómetros de Lisboa.
Desde pequena que tenho um gosto especial pela leitura.
Recordo como perdia a noção do tempo quando pegava num livro e me entusiasmava com a sua leitura…
Esse prazer de ler conduziu-me ao prazer de escrever e estes dois prazeres têm caminhado comigo, lado a lado, ao longo de toda a minha vida.
Quando jovem, escrevia poesia. Mais velha, passei à prosa. Em pequenos apontamentos pessoais ou em pequenos contos infantis, conseguia expressar pela escrita sentimentos e vivências que não conseguia expor falando.
Escrevi sempre e apenas pelo prazer de escrever.
A capacidade de imaginar e de sonhar é um dom fascinante do ser humano e eu, com muita humildade e sem pretensões, guardei bem dentro de mim o sonho de publicar os meus escritos.
Por achar que não tinham qualidade suficiente, nunca me atrevi a tentar algo maior e mais arrojado.
Mas, todas as coisas têm um tempo próprio para acontecer e, agora, já depois dos 50, surgiu este romance.
Trata-se de uma obra de ficção, quanto aos factos, em si, mas é quase uma auto-biografia quanto aos sentimentos e ideias.
Ana Beatriz, a heroína desta história de amor, poderia perfeitamente chamar-se Maria Eugénia, porque as duas são muito parecidas, diria mesmo que parecem irmãs gémeas.
Quanto a João Ricardo… talvez me tenha cruzado com ele um destes dias, na Net, onde encontrei alguns bons amigos e amigas, mas não o reconheci. Penso que não existe, que é pura imaginação… será?
Espero que gostem desta história e que lê-la lhes dê tanto prazer como me deu a mim escrevê-la.


Antes de mais, não posso deixar de me emocionar pela atenção da autora em conceder este livro e pela dedicatória tão bela, tão própria de alguém que se orgulha dos seus livros e gosta do que escreve!

Agora, o livro.
É mais uma prova em como um enredo simples, personagens simples, descrições simples, nos podem emocionar fortemente.
Poucos livros conseguirão ser tão belos quanto este!

Não é possível descrever sem mais nem menos a amizade de João Ricardo e Ana Beatriz. João tem 23 anos e Ana 45 anos quando se conhecem através da Net. De um momento para o outro, trocam impressões, passam horas a conversar, e criam uma relação que vai combater as dificuldades, que vai tentar ultrapassar todas as barreiras, simplesmente porque o tempo não juntou estas almas gémeas!

Este livro é lindíssimo! Como me emocionei! Adorei!
Uma coisa é certa: tocou-me bastante porque tenho amizades (especialmente uma) que infelizmente poucas vezes vejo cara-a-cara, mas cujas conversas na Net se estendem pela noite dentro, e entre nós não há preconceitos, podemos dizer o que quisermos, simplesmente somos nós próprios, abertos a cada um. Esta é a relação de João e Ana, que entretanto se vai tornando cada vez mais séria...

Não sei bem o que dizer sobre o livro. Para mim, imperdível. Li-o em praticamente um dia, impressionei-me com a escrita!

Pontos negativos, poucos encontro. Tenho de referir talvez a repetibilidade da ideia: porque, verdadeiramente, a história não avança muito de capítulo para capítulo. Trata-se mais de lembranças das suas experiências e de uma repetição da ideia de amizade e amor entre eles, de como se identificavam bastante. Confesso, a certa altura pareceu-me repetitivo a mais, todos os capítulos dizia-se a mesma coisa, de como eles se sentiam completos um com o outro, de como rezavam para que pudessem ter a mesma idade.

Mas, mesmo assim... Que emoção as ler as páginas deste pequeno romance!
Altamente aconselhável. Espero que Eugénia Ponte não desperdice o óbvio talento que tem em escrever e, desde a primeira página, expressar sentimentos! E, conhecendo Ana Beatriz como conheci, sinto que já conheço a autora bem de mais =) Fabuloso! Aconselho-a a procurar maiores desafios, talvez um romance bastante maior, com um enredo algo mais complexo mas igualmente terno e emocionante! Porque o nível de escrita parece-me adequado para isso.

sábado, 14 de março de 2009

Beleza Assassina, de Chelsea Cain


Após dez anos no encalço de Gretchen Lowell, o detective Archie Sheridan é raptado e torturado durante dez dias pela lindíssima serial killer. Mas, no final, ela decide, misteriosamente, libertá-lo e entregar-se às autoridades.

Gretchen é condenada a prisão perpétua, enquanto Archie é condenado a outro tipo de prisão: viciado em vários medicamentos, não é capaz de regressar à sua antiga vida e não consegue esquecer aqueles dez dias de tortura... nem Gretchen.

Quando outro assassino começa a raptar e assassinar raparigas adolescentes de Portland, Archie é convidado a voltar ao activo e a liderar a equipa que vai investigar os crimes recentes.

A nova investigação dará início a um jogo mortal entre Archie, o novo assassino e... Gretchen Lowell.

"(...) Esqueça tudo o que pensa que sabe sobre os monótonos
serial killers dos romances que leu. Este é inimitável."
Booklist

Para quem já me conhece através das minhas leituras, talvez saiba que não sou fã de policiais. Porquê? Acho que tem a ver com o tipo de linguagem que é utilizado nessa narrativa. Ou talvez ainda não tenha encontrado um policial que me marque como quero.
De qualquer maneira, este thriller policial deixou-me curioso depois de ler algumas críticas.

De facto, superou as minhas expectativas. Adorei, delirei com as personagens! No entanto, como livro tem várias coisas para referir.

Em primeiro lugar, Gretchen Lowell e Archie Sheridan. Gretchen é uma das melhores personagens que já li. Uma serial killer atractiva, bela, mas perigosa, viciante, absorvente. É, de longe, o melhor neste livro. Archie é o detective que foi torturado por ela e acaba por ser um anti-herói na trama, mas que nos fascina perante a sua luta, os seus vícios, a sua repentina perspicácia.
Mas o livro atinge o auge quando vemos em acção a dupla Gretchen-Archie, quando os dois estão juntos o livro torna-se absolutamente genial. A sua relação é perturbante, contagiante, e faz-nos querer seguir atentamente.

E a partir daí começam os problemas. Porque fora as memórias desse dez terríveis dias, fora os encontros entre os dois, fora Gretchen, o livro passa a menos interessante. Sinceramente, se tirarmos essa inovadora, brilhante dupla, o livro não me parece ter o mais empolgante dos enredos. Parece-me, em parte, um policial banal, alguns assassinatos e um homicida por descobrir. Uma equipa liderada por um chefe que trava a luta da sua vida, isso sim empolgante. E uma jornalista que segue atentamente e demasiado perto a investigação. Gretchen é constantemente uma sombra, uma deusa omnipresente, e isso dá ao livro um ar muito mais genial.

Porém, fiquei com bastante pena de Gretchen-Archie serem apresentados juntos poucas vezes. Fora as cenas desta dupla, a obra perde o brilho! Tive realmente pena que Gretchen não participasse activamente na investigação, deixando apenas alguns farrapos entre as cenas e um pouco do auge nas últimas páginas (estas bastante, bastante excitantes!!). Finalmente, deve-se dar alguma atenção à maneira como a autora conseguiu interligar todos os elementos no final, empacotar o enredo e as personagens.
Gostei muito de ler, um bom thriller policial, sem dúvida, e que me conseguiu impressionar. Contudo, soube-me um pouco a uma introdução à série que a autora está decidida em escrever. Excedeu as minhas expectativas, mas Cain poderia ter dado muito mais a este livro! Muito mais! Os primeiros passos estão dados, Chelsea Cain criou duas das personagens mais fascinantes que já li, mas o livro parece simplesmente iniciar o que poderá ser uma excelente série. Por isso, as expectativas que tinha com este livro passam obrigatoriamente para o próximo da série, aliás duplicam, esperemos que com mais realce para a participação de Gretchen num enredo policial que não pára aqui.



P.S.: fiquei com BASTANTE curiosidade em ler "O Silêncio dos Inocentes", já que Gretchen Lowell parece rivalizar Hannibal Lecter ;)

domingo, 8 de março de 2009

Natália, de Helder Macedo


O novo romance de Helder Macedo é uma história de amor-paixão que nos chega sob a forma de um diário escrito na primeira pessoa por uma jovem mulher, Natália, durante três períodos críticos da sua vida, nos anos 2000, 2003 e 2008. Este relato, inicialmente destinado a constituir a base de um romance, respondendo ao desafio de um autor que ela entrevista na televisão, depressa passa a uma tentativa de lidar com as dúvidas que sempre tinha tido sobre quem ela própria seria. Órfã de pai e mãe, assassinados na Argélia quando recém-nascida no Natal de 1973, Natália foi criada pelos avós maternos e construiu as suas memórias em torno do que lhe contou o avô, figura tutelar, através de histórias fantásticas, referências literárias e excertos poéticos, sempre plenos de ambiguidades, que se constelam na sua imaginação como enigmas. Quando este morre, ela encontra numa pasta documentos relacionados com o seu nascimento e três misteriosas fotografias de uma jovem desconhecida. A intervenção desta figura feminina na rede de relações de Natália em que os interlocutores são predominantemente homens, virá conferir à sua vida uma nova dinâmica apaixonada mas especular e insidiosamente corrosiva. Num registo entre o confessional e o thriller psicológico, num estilo que flui coloquialmente, o leitor é mantido ao longo do romance na expectativa de um desfecho imprevisível.

Antes de mais, peço desculpa por não escrever frequentemente. Não tenho tido tempo nem para comentar blogues nem para escrever aqui. Nem para avançar a leitura! Mas juro que todos os dias passo pelos vossos cantinhos para ver as novidades!

Bem, quanto ao livro...
É um bom livro. Não é bem o que esperava. Aliás, é um livro que muda muito de humor ao longo das páginas.
Antes de tudo, comecei a lê-lo com bastante expectativa. Depois, as primeiras páginas foram pouco cativantes e nem gostei muito da escrita de Macedo.
Cheguei a pensar "Ah, já sei porque é que sou tão céptico quanto a autores portugueses...".
De facto, as primeiras páginas deste diário foram lidas com algum cepticismo.
Como já disse, o estilo de Helder Macedo não me impressiona. Depois, achei a personagem Natália com pouco assunto para analisar. Talvez a ache demasiado irreverente a princípio. Não simpatizei com ela à primeira, e acho que Macedo começa por aprofundar pouco as reflexões da Natália no diário.

Até que... À medida que vamos lendo, vamos cada vez mais ficando habituados à sua escrita. Cada vez mais gostamos de ler os pensamentos da Natália, bastante cativantes aliás. Torna-se bastante interessante com o avançar das páginas, e acho que a principal razão é entrarem mais personagens, o enredo torna-se mais intrigante à medida que vão entrando segredos do passado. Natália sente-se confusa, e aí "desabrocha" um pouco. Depois, sem dúvida este livro não é nada senão pela ligação de Natália com quem os rodeia. São as personagens que interagem consigo que tornam a obra cativante.
Finalmente, à medida que vamos acabando o livro, parece que o enredo está encurralado, a Natália amadurece e as personagens que a rodeiam encurralam a história, até Natália se transformar numa personagem completamente diferente.

É um bom livro, concluindo. Uma leitura rotineira, mas boa. Que se vai tornando cativante à medida que vamos avançando. Agora, para mim este livro não é bem a definição de "thriller psicológico"... Confesso que quase que lá chega, mas falta um clique, falta a parte da acção.

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