quinta-feira, 27 de novembro de 2014

PASSATEMPO - A História de Edgar Sawtelle, de David Wroblewski

Vai um passatempo?

Para festejar a chegada do Natal, decidi criar um pequeno passatempo e acrescentar uma prenda a um leitor afortunado!

O livro que vou sortear é A História de Edgar Sawtelle, de David Wroblewski



O livro foi comprado assim que saiu, mas está em estado COMPLETAMENTE NOVO, intocável.

Aquando o seu lançamento, foi muito bem sucedido, tendo sido eleito ROMANCE DO ANO 2009 e bastante apoiado pela personalidade Oprah Winfrey. Aqui vão algumas críticas ao livro:

"O universo deste livro, a sua profundidade psicológica e mestria poética, fazem dele um dos melhores romances do ano... " - Oprah Winfrey

"Um lugar onde se desenrola diariamente o espectáculo da natureza, aqui contado de forma extraordinária, como se presenciado pela primeira vez." - Elle

"Um romance que consegue transmitir, de forma admirável, o estranho mundo dos humanos. A não perder". - Library Journal

"Maravilhosamente escrito, dá voz a alguns dos maiores arquétipos da humanidade... Uma leitura cativante e esmagadora".

Infelizmente, acho que este é daqueles livros cuja leitura tenho adiado e não prevejo que vá ler muito cedo. Por isso, decidi oferecer como prenda de Natal a um leitor do blogue!

Do pouco que pude ver, posso confirmar que parece bastante bem escrito.
Quanto à história, Edgar Sawtelle é um menino que nasceu mudo e vive idilicamente numa quinta com os pais. Contudo, a chegada do seu tio provoca o caos e Edgar vê-se subitamente forçado a enfrentar território selvagem... A seu lado, conta com a ajuda da sua fiel companheira canina, Almodine.
Prevê-se uma leitura de emoções fortes.

Para participar, basta:

1.º - Gostar ("like") a página de Facebook do blogue, www.facebook.com/cantinhobookaholic

2.º - Partilhar ("share") a publicação referente ao passatempo (estará devidamente fixada no topo da página, para que seja a primeira publicação a ser visualizada).

E esperar!

Poderão participar todos os habitantes de Portugal (Continental e Ilhas), uma única vez. O passatempo terminará a 7 DEZEMBRO, às 19:00. Os participantes serão listados e sorteados. Haverá um úncio vencedor, anunciado nos dois dias seguintes ao final do passatempo. Esse vencedor será contactado por mim para disponibilizar os seus dados pessoais.

Boa sorte!


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A Teoria de Tudo, de Stephen Hawking

Grande divulgador de ciência mas também cientista brilhante, Hawking acredita que os avanços da física teórica devem «poder ser compreendedidos pelo grande público, e não apenas por alguns cientistas». Neste livro, propõe-nos a extraordinária aventura da descoberta do cosmos e do nosso lugar nele. Em sete lições, responde à curiosidade de todos aqueles que já olharam fascinados para o firmamento e se perguntaram o que há lá em cima e como foi lá parar.


Hawking começa com a história das teorias do universo, desde Aristóteles, que afirmou que a Terra era redonda, até à descoberta de Hubble, mais de dois mil anos mais tarde, de que o universo se encontra em expansão. Partindo daí, explora os confins da física moderna, incluindo as teorias da origem do universo e a natureza dos buracos negros e do espaço-tempo. Da sua investigação na área dos buracos negros, a que se dedicou durante mais de uma década, afirma: «é um pouco como procurar um gato preto numa carvoaria». Por fim, levanta algumas questões da física moderna que continuam sem resposta, especialmente como combinar todas as teorias parciais numa «teoria da unificação de tudo». «Se descobrirmos a resposta a esta questão», declara, «atingiremos o triunfo máximo da razão humana – porque então conheceremos a mente de Deus.»


Depois de ter lido Breve História do Tempo, fiquei com uma enorme vontade de ler mais obras científicas, não só de Stephen Hawking como de outros autores de renome, como Brian Greene e Michio Kaku (aliás, mal posso esperar por encontrar os livros destes cientistas). A Ciência, a Física, é mesmo assim: quando começamos a explorar, só queremos saber mais e mais. Felizmente, há mesmo sempre mais por descobrir e aprender.

Este A Teoria de Tudo - A Origem e o Destino do Universo calhou ser o livro que tinha aqui por casa, ainda por ler. Claro que não podia ter avançado para esta leitura mais ansioso, tal a febre que tinha deste o livro anterior de Hawking.
Infelizmente, a desilusão foi enorme. Não porque o livro não seja interessante, ou Hawking tenha perdido inteligência... Mas sim porque eu já o li.

O livro não é mais do que um resumo de Breve História do Tempo. Aliás, as mesmas palavras são usadas nos dois livros. Ler A Teoria de Tudo é reler Breve História do Tempo, e não é um exagero: o texto é exactamente igual.
Posto isso, posso dizer que obviamente gostei de ler! Pois se gostei tanto do livro original, gosto sem dúvidas deste remake que, atrevo-me a dizer, expõe a Ciência numa linguagem ainda mais coerente (talvez porque, sendo um resumo, foca-se no importante e não divaga tanto nos detalhes técnicos que baralham o leitor, apesar de complementarem as teorias).
Por isso, este talvez seja o livro perfeito para os interessados em Física Teórica que procuram um livro simples, fácil de compreender, que resuma as grandes teorias do Universo (com a excepção do MultiUniverso).

Contudo, sinto-me defraudado. Isto não é uma reedição do Breve História do Tempo, nem sequer assume a ligação. É puramente uma publicação que se aproveita da popularidade de Hawking e das suas teorias com vista a aliciar os leitores que, como eu, se deixam encantar por este género de livro. Apesar do génio de Hawking estar presente, apesar da leitura não deixar de ser interessante e educativa, é um livro que não acrescenta nada de novo às estantes. Aliás, nem o próprio Hawking autorizou esta publicação.

Eu adoro livros, tanto quanto adoro ler. Mas não sou capaz de apoiar este tipo de golpes editoriais, que se aproveitam da popularidade de um autor e do tema discutido para explorarem o mercado.
A Editorial Gradiva naturalmente não é responsável, visto que se limita a editar as tantas obras de ciência popular disponíveis pelo mundo fora (e, por isso, só tenho a agradecer e a expressar o meu maior apoio na colecção "Ciência Aberta", que publica grandes obras!). Se não tivesse lido Breve História do Tempo, teria com toda a certeza uma opinião muito diferente sobre A Teoria de Tudo, que expõe tudo o que sabemos sobre o Universo, o Tempo e o Espaço de uma forma extremamente clara e acessível, talvez ainda mais acessível do que Breve História do Tempo. Infelizmente, li o original, não há muito tempo, e por isso as semelhanças são demasiado berrantes para ignorar.


domingo, 2 de novembro de 2014

Há flores de plástico e gravilha a enterrar a memória, de Paulo Alexandre e Castro

“As palavras da poesia não têm regras precisas, cânones definidos, ortodoxias impostas; gosta-se, não se gosta. É tudo! Eu gosto do que o autor escreve. 
Paulo Alexandre e Castro revela essa heterodoxia, heresia e desregramento sobre a morte neste livro que tem o horrível título Há flores de plástico e gravilha a enterrar a memória. Mas é horrível porque é preciso, porque nos dá a verdade que nenhum de nós quer enfrentar. Temos medo, temos dor e em vez de como o autor refletir sobre o medo, a dor da morte, fugimos de tudo isto na esperança vã de jamais sermos apanhados. Mas um dia também teremos a nossa campa de mármore branco, lavada a lixívia com alto grau de pureza, e quem sabe, com flores de plástico e gravilha a enterrar a memória. No fundo, com esta obra podemos ‘aprender’ a morrer, isto é, a valorizarmos a vida que nos foi dada viver.”
Henrique Monteiro, Jornalista, Redactor Principal e ex-Director do jornal Expresso

"A poesia de Paulo Alexandre e Castro convive e flui entre a experiência pessoal do eu poético e a individualidade de cada leitor. O peso da vizinha morte atinge o insipiente quotidiano, conduzindo o homem por um caminho de sofrimento.
O autor estabelece um compromisso poético com o homem comum: não viver agrilhoado à banalidade da existência diária. A sua obra desafia pelas palavras a agarrar o tempo, que cada novo dia nos dá, na tentativa de uma conquista feliz de sabedoria interior."
Ana Lúcia Curado, Professora na Universidade do Minho



Eu não queria gostar deste livro

Como leitores, temos o direito de criar expectativas. E depois de termos centenas de leituras na nossa bagagem, tendemos a fazer um julgamento bastante antecipado dos livros que temos à frente. Tão antecipado que nos atrevemos a adivinhar se vamos gostar ou não antes de o começar a ler. Muitas vezes acertamos na nossa intuição (que não é mais do que a voz da experiência literária), e outras vezes somos surpreendidos (por essa magia, razão pela qual vale sempre a pena pegar no próximo livro).

Aborrecem-me aqueles autores poéticos tremendamente inspirados que se perdem em longos desabafos criativos, de expressões muito trabalhadas e palavras caras, ocas e sem sentido algum. Escrever bem não é usar palavras bonitas. Mais importante, publicar um livro é assumir o compromisso de dar o prazer da leitura às pessoas, mais do que mostrar ao mundo que consegue escrever muito bem. E com um título como Há flores de plástico e gravilha a enterrar a memória, longamente pomposo, imediatamente me enfastiei.

Mas Paulo Alexandre e Castro escreve genuinamente. Não há nenhum esforço exagerado na sua escrita, nenhuma pretensiosidade. Ele é mesmo assim, um escritor poético e emotivo. Um bom escritor.

É verdade que ou se gosta ou não se gosta. Em poesia, isso é uma verdade incontornável, digo eu. O texto poético não é uma experiência de leitura leviana. Por isso, certamente muitos leitores não vão achar piada a este trabalho. Apesar disso, afirmo que estes poemas nunca serão desprovidos de qualidade.

A morte é o grande mote destes poemas, desde a sua acepção mais metafísica à fria realidade da carne morta, das lápides brancas. Não é uma leitura aconselhada a quem tem o estômago fraco, não por ser fisicamente violento mas porque oferece pouca alegria. É um livro triste, deprimente, que não procura de todo aliviar o peso da morte. Muito pelo contrário, obriga-nos a enfrentar essa crueldade do destino. Ao longo dos 58 poemas, somos desafiados a viver o sofrimento que a morte traz e a aceitá-la. Passamos a ser meras gavetas num cemitério, ou o pretérito dessa realidade. Sentimos a "ausência de deus" perante a biologia da decomposição e as "campas de mármore branco", ouvimos as "pedras sobre a caixote envernizado de madeira", e intencionalmente somos parte dos versos. Somos a "estrofe de um poema não verbalizado" que um dia acabará.

Mas é belo, tão belo. Por muito intensas que sejam as imagens evocadas pelo poeta, há uma sensação de consciencialização nas suas reflexões, uma espécie de despertar para a realidade da vida. Talvez não seja inspirador, mas é estranhamente reconfortante porque não nos esconde nada. Quando somos crianças, a morte é um assunto tabu que os adultos não gostam de abordar (erradamente na verdade). Agora, Alexandre e Castro dá-nos a oportunidade de explorar ao máximo a matéria, não nos privando de qualquer reflexão possível. E nessa clarificação há uma espécie de aconchego, estranho mas real. Como se, como Ana Lúcia Curado afirma, conquistássemos uma espécie de sabedoria interior.

De vez em quando há alguns poemas que achei exagerados, sobretudo os mais raivosos e os mais explícitios. Paulo Alexandre e Castro tem muito, muito jeito para filosofar, mas não tanto para falar de vermes ou cadáveres. De qualquer forma, são poucos esses momentos forçados.

Já com o romance Loucura Azul fui surpreendido. Não aprendi a lição à primeira e Há flores de plástico e gravilha a enterrar a memória relembrou-me a não menosprezar as capacidades literárias de Paulo Alexandre e Castro. Vou tentar não voltar a desconfiar.


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