quarta-feira, 27 de julho de 2011

Releitura de Living Dead in Dallas, de Charlaine Harris

Continuo a leitura desta maravilhosa saga de vampiros. Até agora só tinha lido até este segundo volume, por isso a partir de agora será tudo novidade.

Quando a Dívida de Sangue (título publicado cá em Portugal), cuja primeira crítica podem ler aqui, surpreendeu-me mais nesta releitura do que me lembro ter feito da primeira vez!

O factor "novidade" que tanto louvei no primeiro livro de alguma forma já não está tão presente neste livro. Pelo menos assim que o começamos. Talvez porque li-o de seguida ou talvez simplesmente porque o primeiro livro serviu de introdução (daí a sensação de ser tão original) e este segundo é nada mais do que um começo sério de uma série que se vai prolongar durante vários volumes.

Sookie começa esta nova aventura de forma bastante abrupta: um colega de trabalho é morto e quase ao mesmo tempo ela encontra-se com um ser mitológico, uma Ménade, que a deixa entre a vida e a morte. Depois de ser salva pelos vampiros, é-lhe dada a tarefa de viajar até Dallas para, com os seus poderes telepáticos, descobrir o que aconteceu a um vampiro desaparecido.

Uma coisa que me incomodou, já no primeiro livro, foi a introdução de mais seres sobrenaturais na série. Estava à espera disso talvez no terceiro livro, mas não logo no primeiro (os "shapeshifters", pessoas que se transformam em animais, são desde o primeiro livro abordados)! Pelo que mais um ser sobrenatural na história como a Ménade foi, para mim, um bocado abrupto. Felizmente, ao longo do livro mudei completamente a minha opinião. De alguma forma, Harris consegue levar-nos até ao fim e deixar-nos fascinados com a variedade de seres sobrenaturais que vão aparecendo. É a diferença entre a Fantasia e um fascinante Mundo Alternativo.

Carregado de muita acção e muito contacto com o mundo vampírico, comparado com o primeiro livro é bastante mais completo. Temos um contacto muito maior com a sociedade que os vampiros formam e ficamos a saber mais alguns dos seus hábitos. Uma vez que a maior parte do livro se passa numa grande cidade, temos esta perspectiva incrível da maneira como os vampiros e os humanos se relacionam. Como já no primeiro livro referi, esta relação está extremamente bem desenvolvida, tão realista que ao ler não consigo deixar de pensar em todos as "minorias" da nossa sociedade actual, como a comunidade LGBT. A presença dos vampiros e as suas complicações na sociedade humana são tão presentes quanto qualquer outra comunidade da nossa sociedade.

É de nos deixar sem respiração. Conhecemos uma quantidade de personagens novas em Dallas, completamente deliciosas de seguir. É um livro com um enredo tão abrangente que sem dúvida reforça o poder que a série pode vir a ter. Não há um único momento morto e continua a ser de fácil leitura. Harris promete, com este livro, uma série com várias reviravoltas e "mudança de ares" (ou de vampiro) de vez em quando, por isso mal posso esperar para continuar.

sábado, 16 de julho de 2011

Releitura de "Dead Until Dark", de Charlaine Harris

A editora Saída de Emergência parece estar a fazer um excelente trabalho na tradução desta série de vampiros, que considero absolutamente irresistível e a melhor que poderão encontrar actualmente. Por muito cansado que esteja da avalanche da febre dos vampiros (que parece-me já ter acalmado), garanto que esta série revela-se uma leitura compulsiva. Infelizmente, acaba por ser, pelo menos no nosso país, "mais uma" dentro das múltiplas publicações que existem. Poderão encontrar 9 dos 11 livros escritos já cá publicados.

Também já ganhou uma adaptação para série televisiva. Ainda não assisti a nenhum episódio, mas segundo as opiniões dos espectadores tem bastantes desvios dos livros.

Adquiri as edições inglesas quando a série tinha acabado de chegar a Portugal. Na verdade, podem ler a minha crítica aqui, e estou espantado como foi em 2009!! Estou abismado em como já foi há dois anos que peguei pela primeira vez neste livro. Li este primeiro, li o segundo, mas acabei por afastar a série para dar prioridade a outras leituras. Desta vez, estou decidido em continuar a ler até ao fim, ou pelo menos perto disso.

Como já disse, este é sem dúvida um dos livros que mais gostei de ler. Absolutamente original. Mesmo já tendo lido bastantes livros de "vampiros modernos", este continua a parecer o mais original de todos, o melhor escrito e o com a melhor premissa.
Sookie é uma empregada de mesa em Bon Temps que consegue ler os pensamentos dos outros humanos. Ainda que a impeça de ter uma vida social satisfatória, não deixa de ser um dom que ela consegue controlar. O grande abalo da sua vida acontece quando conhece o vampiro Bill, um "não-morto" que decidiu, por sua vez, ter uma vida social. É que, nesta série, os vampiros são legalmente aceites como cidadãos do mundo. Para perceberem a situação, vou comparar a situação dos vampiros à situação dos homossexuais. Nesta série as questões sexuais são completamente aceites, aliás há uma grande carga sexual tanto na maneira como os vampiros são como na maneira como Harris desenvolve a história. Os vampiros acabam por ser o que os homossexuais são actualmente, cidadãos "diferentes" do que a norma da nossa sociedade estipula, que lutam pelos seus direitos e alguns procuram viver abertamente junto dos humanos.

A relação entre Sookie e Bill é intensa, mas o vampiro dificilmente se integra em Bon Temps quando há um assassino à solta que anda a matar raparigas. E todas elas têm marcas de dentes de vampiro (convém dizer que sexo entre um humano e um vampiro é altamente exótico... E viciante).

Não se podia pedir que o livro estivesse escrito de outra maneira. É uma excelente introdução à série. Parece-me óbvio que há muita coisa que ficou por desenvolver, principalmente dentro do mundo dos vampiros, mas isso é precisamente aquilo que deve ser deixado para os próximos volumes. Por enquanto, tudo aquilo que foi dito chegou para nos deixar a querer conhecer este mundo alternativo. Escrito na primeira pessoa, é uma leitura simples e que se desenrola sem problemas, sempre com aqueles momentos mais picantes que dão à obra um ar mais exótico. Difícil não gostar, na minha opinião. Sempre original, fico muito feliz por ter relido um livro tão apetecível e que nunca quebra o ritmo.


P.S.: fui ler a minha opinião da primeira vez que li o livro. Não mudou nada. Aliás, convido-vos a ler. Talvez na altura me tivesse "empolgado" na questão mais sexual do livro, que nesta releitura me soube a algo mais "natural". Como se o tema "vampiro" estivesse automaticamente associado a sexo, portanto ele ser abordado sem qualquer tabu não parece novidade ou chocante. Quanto à relação entre Sookie e Bill, de facto é tão instável que chega a irritar... Vampiro ou não, é uma relação que parece mais aberta do que se gostaria.

domingo, 10 de julho de 2011

Nove Semanas e Meia, de Elizabeth McNeill

 Sim, provavelmente já viu o filme. mas ao ler o livro que lhe deu origem, a imaginação permite outros voos, que não passam necessariamente pelas caras (e corpos) de Mickey Rourke e Kim Basinger. Elisabeth McNeill é um pseudónimo que oculta a identidade de uma mulher de negócios nova-iorquina que, em 1978, revelou aqui as memórias de uma aventura sexual obsessiva, com padrões próximos do sadomasoquismo, com um homem que conheceu casualmente.

Bem, eu não vi o filme, mas espero pegar nele em breve!
Talvez alguns de vocês questionem o interesse da Literatura Erótica. Na verdade, eu respondo que livros eróticos são dos poucos livros que oferecem uma análise tão profunda e bem explícita da condição humana. A obsessão,  o desejo e prazer, a necessidade, até o amor, tudo aquilo que tanto caracteriza a motivação humana é exposta nestes livros, atingindo os limites. É um tipo de leitura fascinante que me dá bastante prazer em analisar (não estou a falar dos livros que encontramos na papelaria da Sabrina ou qualquer outro nome, esses sim próprios para fantasiarmos com a beleza dos corpos, embora nunca tenha lido nenhum desses).

Nove Semanas e Meia é igualmente cativante, ainda que bastante diferente da minha leitura erótica anterior (Sob os Telhados de Paris). Este livro é sobretudo a exposição de uma relação amorosa, em que o homem exerce um poder demasiado grande sobre a mulher, que loucamente apaixonada é capaz de fazer qualquer coisa por ele. De repente, a dor que ela achava repugnante torna-se um prazer, simplesmente porque o agrada. É talvez complicado perceber porque é que esta mulher não abandonava uma relação que ia longe demais nas suas fantasias, mas o que ela sentia por ele ultrapassava a paixão. E ele fazia tudo, mesmo tudo, por ela, portanto cabe ao leitor julgar a posição de ambos.


Não é um livro que dê destaque algum aos corpos dos personagens ou aos pormenores das relações sexuais. Aliás, nunca nos é fornecida uma descrição completa dos dois personagens, homem e mulher. Que me lembre, a única coisa que chegamos a saber é que ele tem um sorriso bonito e ela seios pequenos. Não é nada se considerarmos isto Literatura Erótica!
Mas, como disse logo ao início, a obsessão, a necessidade, são os principais temas deste livro. No fundo, não é pelo sadomasoquismo das relações sexuais, mas sim as motivações para isso e o que é que sentiam no momento.
Um livro pequeno, com uma escrita simples, mas aconselhável apenas a quem se interessar pela história, pelos temas abordados ou pelo tipo de literatura. Caso contrário, não é mais do que uma leitura de relativo interesse. Não me marcou sobremaneira como Sob os Telhados de Paris, acabando por servir apenas como "leitura entre livros", se me faço compreender. Tem um final repentino, mas as últimas palavras finalizam toda a obra.
Não é o tipo de relação que alguma vez estabelecesse com alguém. Ainda assim, quem sabe com quem me cruzarei amanhã...



sexta-feira, 8 de julho de 2011

A Viagem, de Tim Kring e Dale Peck

DO CRIADOR DA SÉRIE TELEVISIVA HEROES CHEGA A MAIOR CONSPIRAÇÃO DE TODOS OS TEMPOS.
 

Memorandum: Apenas para os seus olhos, queimar depois de ler

23 Novembro, 1963
Para: Director McCone
De: J. J. Angleton, Director,

Contra-informação
Assunto: Consequências para a Companhia dos acontecimentos de ontem em Dallas.
Facto: Desde 1953 que a Companhia desenvolve um programa secreto denominado MK-ULTRA.
Facto: O programa testou LSD em milhares de cidadãos Americanos.
Facto: O objectivo? Controlo da mente. A criação do agente infiltrado perfeito. O candidato da Manchúria.
Facto: O KGB desenvolvei programas similares.
Facto: Lee Harvey Oswald viveu na União Soviética de 1959 a 1962.
Conjectura: Terá o LSD matado JFK?


Quem não é apreciador de uma boa teoria da conspiração? O mistério, as motivações, a realidade e a fantasia juntas para tornar a vida um pouco mais interessante.
O assassinato de John F. Kennedy, presidente dos EUA, em 1963, é um tema embrulhado em mistério. Lee Harvey Oswald foi o suposto assassino, tendo supostamente agido sozinho... Mas hoje em dia cada vez mais temos a noção de que muita coisa acontece acima de nós, coisas cuja verdade só daqui a muitos anos, muitos mesmo, poderá ser revelada. O assassinato do presidente é uma delas. O poder é uma coisa  assustadora.


CIA, KGB, FBI, Estados Unidos, União Soviética, uma série de pessoas relacionadas com todas essas organizações e nenhuma ao mesmo tempo... Este livro mostra bem como a realidade destas empresas de poder é bastante complexa e como cada um joga por si. Aliás, por vezes nem por si!


Assim que tive este livro nas mãos achei-o bastante interessante. Nunca li muito sobre JFK, e sinceramente os assuntos da CIA são tão misteriosos que me parecem demasiado confusos (que oportuno!). Achei que este livro seria pois um excelente começo para despertar o meu interesse no estudo desta época que marcou tanto a História dos EUA e do Mundo. Por um lado, acabou por ser de facto um bom incentivo para pesquisar tudo sobre este acontecimento. Por outro lado, não foi ao início a melhor maneira de clarificar as minhas ideias.


Infelizmente, para um tema que envolve de facto bastantes situações, inclusive a Guerra Fria, a crise dos mísseis em Cuba, a situação desse país, etc, este livro não começa bem. Parece-me que o autor toma imensos acontecimentos, situações ou ideias como garantidas. Para um leitor como eu, que mesmo tendo estudado um pouco sobre esta época não sabe metade das conspirações que existem, é bastante frustrante não me conseguir situar no livro. Isto prolonga-se nas primeiras 100 páginas. Talvez (e nem tenho a certeza disso) os americanos falem destas coisas todos os dias e estejam bastante familiarizados com todas as pessoas e todas as conspirações e todos os detalhes fictícios ou não durante este período da Guerra Fria, mas eu não estava e isso prejudicou muito o princípio da minha leitura. De minuto a minuto vinha pesquisar sobre um assunto que o livro abordava. Acho que isso era algo que o próprio livro me devia ensinar. Se por um lado é genial porque não há qualquer fingimento da parte das personagens, por outro não é bom para o prazer da leitura.


Enfim, com isto, a minha primeira impressão era que antes de ler este romance devia ter lido meia dúzia de livros ou documentários sobre a vida dos Kennedy. Um livro destes, por boa leitura que se tornasse, estava condenado a não ser mais do que isso, um daqueles livros que lemos, podemos gostar mas que não nos vão marcar.
Felizmente, dei uma oportunidade e continuei. Aliás, peguei no livro e num dia li pouco mais de 200 páginas, o suficiente para estar suficientemente agarrado. À medida que avancei na leitura comecei a "entrar" no esquema, a habituar-me às personagens e a não me perder nos saltos de locais de acção constantes. Ao contrário do que tinha previsto, acabei por me sentir ligeiramente agarrado às personagens principais (já agora, construídas com bastante pormenor). No climax da obra, o meu coração galopava e não conseguia parar. Ao contrário do que eu já tinha tomado como garantido... Este livro agarrou-me e deixou-me completamente empolgado. Até hoje, é dos poucos livros que me agarrou mais pela acção do que pela teoria.
Foi, ao virar a última página, uma leitura mais do que satisfatória, que aconselho a quem goste de um bom livro com acção ou a quem se interessar minimamente pelo tema ou por teorias da conspiração.


A única coisa que torna este livro demasiado "fictício" é que a história do LSD e de Orfeu são tão fantásticas que acaba por dar à obra um toque de "ficção-científica". Acho, aliás, que percebe-se perfeitamente que a mesma pessoa que escreveu Heroes é quem escreveu este livro. História alternativa ou não, ficção ou próximo da realidade, o final é satisfatório. Não sei se será perfeito (não no que toca ao destino das personagens de certeza), mas pelo menos como teoria da conspiração tem tudo aquilo que procuramos. As últimas páginas compensam a fantasia toda e, ainda que acredite não ser esta a "verdade" final, é bastante convincente. Pode ter sido assim.


As últimas palavras vão para a capa, na minha opinião muito boa. Ainda que o livro não seja tão psicadélico quanto ela sugere.



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Novidade para ler este Verão!

Preciso de Ti, de Luísa Jeremias, promete ser um daqueles romances deliciosos para se ler este Verão. Aconselhado às mulheres portuguesas mas também "aos homens que dizem nunca compreenderem as mulheres", citando as palavras da autora.

Não há nada mais difícil do que revelar um segredo. Violeta Guerra sabia-o, por isso tinha-o guardado a sete chaves, há mais de um ano, com medo de ser julgada, de, ao dizê-lo, torná-lo real. Contudo estava longe de imaginar que, ao abrir as portas do seu coração às suas duas melhores amigas, a sua vida iria sofrer uma tamanha transformação. Mas a vida é realmente uma caixa de surpresas. Depois de perder o emprego e de se libertar de uma relação amorosa sem futuro, Violeta, aos 33 anos, está pronta para enfrentar a vida tal como ela é, com as suas alegrias, tristezas, perdas, obstáculos e vitórias. Para isso, conta com a ajuda das suas amigas, Rita, a eterna solteirona, que faz da vida uma festa e não pretende ficar refém do amor, e Inês, casada, mãe de duas filhas, que não se deixa levar nem pela morte nem pela doença que abala a sua família. Amigas que estão sempre presentes, nos bons e nos maus momentos, nas alegrias e na dor, para dar a mão ou puxar por ela quando precisamos de coragem. Juntas estão dispostas a tudo para serem felizes e encontrarem o amor, nas suas mais diferentes formas.

Luísa Jeremias nasceu em Lisboa, formou-se em Comunicação Social, na Universidade Nova de Lisboa, e tornou-se jornalista. Começou a trabalhar, em 1992, no jornal Diário de Notícias, passando depois por A Capital e 24horas. Em 2003 estreou-se nas revistas, como directora da TV 7 Dias e, mais tarde, Nova Gente e Focus. É directora das revistas TV Guia e Flash!. Pelo caminho, fez incursões em guião e documentário para as antigas produtoras NBP e Multicena e é co-autora do livro Noites de Lisboa.

 Aconselho sem reservas este livro de uma pessoa capaz de encantar com a sua escrita e que certamente nos oferece uma dose ideal de romance, emoção e descontracção.

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