sábado, 14 de novembro de 2009

Ghostgirl - A Rapariga Invisível, de Tonya Hurley

Quando a popularidade é uma questão de vida ou morte

"Eu era apenas mais uma pessoa no mundo, mas o meu sonho era ser o mundo de uma pessoa."

Charlotte Usher sente-se praticamente invisível na escola, até que um dia fica mesmo. Pior ainda, descobre que está morta... e tudo por causa de um rapaz e de um urso de goma. No entanto, a morte não impede Charlotte de seguir com os seus planos. Bem pelo contrário! Torna-se mais criativa e capaz de fazer qualquer coisa para atingir os seus objectivos: ser popular e conquistar Damen, o rapaz por quem se apaixonou.


Como pessoas, e principalmente na fase da adolescência, creio que todos nós passamos por aquelas fases em que queremos acreditar que temos alguém neste mundo, sejam namorados, sejam melhores amigos. Queremos que a nossa vida se resuma a essa felicidade (e os pais não são para aqui chamados. Nem no livro parecem existir).

Charlotte não tinha amigos e queria um. Charlotte estava apaixonada por Damen e queria tê-lo.
Até que morre engasgada por um urso de goma, e começa uma das histórias mais mirabólicas e divertidas que já li, com verdadeiro humor negro!!!

A sua experiência da morte é deveras curiosa. Ela tem de andar num liceu onde se deve aprender a aceitar a morte, até atingirem o "Além" definitivo. Obviamente que os seus colegas são as maiores aberrações que existem, desde quem morreu por ter engolido uma flauta a quem morreu devido às radiações do telemóvel (verdadeiramente nojento, para os mais sensíveis).
Ainda assim, há um pormenor e uma pessoa que pode ajudá-la a continuar a sua missão de vida, ou seja conquistar Damen... E esta sua determinação afectará tanto o mundo dos vivos como dos mortos!

Isto pode-se assemelhar a um daqueles filmes para adolescentes, com o liceu, os populares, os não-populares, os todos os estilos, o Baile! É mesmo! Mas é mais do que isso, não só devido à improvável experiência da Morte, como também à maneira como o livro se nos apresenta.

Só pela estética do livro, vale a pena tê-lo na estante. A capa está lindíssima, as ilustrações no início de cada capítulo muito típicas, e as pequenas divagações da autora no início de cada capítulo também, que não deixam de ser pequenas lições de moral, são uma grande mais valia para tornar este livro mais do que apenas um livro para adolescentes, mas sim para jovens adultos.
Se virem e folhearem este livro em algum lado, não é só a história que nos vai interessar. Vai ser mesmo a organização que vos vai querer levá-lo para casa.

Do princípio ao fim uma grande lufada de animação (não obstante o tema), aconselho-o especialmente a quem não consegue aceitar a morte, tanto como o seu fim como a continuação da vida sem si. Acho que essa é a grande conclusão deste livro.

Para além das suas personagens tão típicas e a sua história tão atípica, é sem dúvida a escrita descontraída da autora que nos faz querer avançar. O seu estilo satírico agarra qualquer um, puxando tanto pelo nosso imaginário como pelo nosso bom senso!
Não sei que dizer mais... Fiquei com vontade de conhecer o mundo dos mortos, mas creio que isso está destinado para o próximo livro, cujos direitos já foram adquiridos pela Contraponto!
A ler. Definitivamente, a ler!!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Homem Pintado, de Peter V. Brett

Por vezes há boas razões para recear a escuridão...

Num mundo povoado por demónios que dominam a noite, forçando os seres humanos a esconderem-se atrás de guardas mágicas à espera que o sol nasça, o jovem Arlen assiste ao massacre da sua família por causa da cobardia do pai. A partir desse momento tudo muda e Arlen parte numa viagem de descoberta que o levará a percorrer o mundo e a conhecer Leesha e Rojet. Os três são a última esperança da humanidade na luta contra os demónios. Só que por vezes os demónios mais difíceis de vencer são os que trazemos dentro de nós.

Para aqueles que procuram o novo grande nome da fantasia a espera terminou. Ele é Peter V. Brett. Comparável a muitos mas diferente de todos, oferece-nos uma história brilhante que nos prende da primeira à última página. Dizer que é uma obra magistral é pouco para descrever a história épica da luta de Arlen, Leesha e Rojet para salvar uma humanidade condenada a viver num medo permanente da noite e dos demónios que ela encerra.

É, de facto, um autor que pode ser considerado a muitos... Mas, como em tudo, somos inspirados por antecessores. Ainda assim, Brett criou um mundo único, e que me fascinou da primeira à última página.

O livro começou por me impressionar bastante, na medida de que não é nem tão assustador, nem tão sério quanto parece! Demónios, Noite, um homem tatuado... Tem tudo um ar muito negro, certo? Mas o livro não é assim. É, sim, um livro de Fantasia, e é isso que tem. Fantasia. Magia.
Talvez não seja tão "negro" quanto aparenta por relatar a história das três personagens (Arlen, Leesha e Rojet) enquanto jovens. Todos de diferentes paragens, vêm as suas vidas mudadas de um momento para o outro, conduzindo-os a um destino que os vai unir e com o mesmo compromisso: lutar contra os demónios, seres imortais e que despertam os maiores medos e fraquezas nos humanos.

Li este livro em dois dias, e não porque fosse pequeno! Para além de que estou cheio de tempo, achei-o mesmo muito muito cativante. Acho a ideia dos Demónios da Noite impressionante, e facilmente simpatizamos com as personagens, levando-nos a querer continuar a sua jornada!
Para além disso, o autor escreve com alguma correnteza, nunca se perdendo em descrições, avançando na história e revelando-nos um pouco deste mundo por si criado. Embora a batalha contra os demónios seja o principal, creio que ficou muito por contar em relação à história do Mundo, alheia ao domínio dos nuclitas (como se chamam os demónios, que todas as noites se erguem do solo...).

E assim começa uma excelente jornada, e mais uma grande obra na Literatura Fantástica! Com as últimas palavras Brett aguça-nos o apetite para o próximo livro, tendo com este primeiro livro feito o favor de nos dar a conhecer as suas personagens, desde o início.

domingo, 8 de novembro de 2009

A Nona Vida de Louis Drax, de Liz Jensen

«Estranho e maravilhoso. Um romance psicológico perturbante sobre a transgressão e os mistérios do subconsciente.» People

Louis Drax é um miúdo de nove anos, precoce, inteligente, problemático e muito dado a acidentes. Sofreu pelo menos um episódio maior, acidente ou doença, em cada ano da sua curta vida, mas sobrevive sempre como o gato que cai sobre as quatro patas. Durante o piquenique familiar por altura do seu nono aniversário, cumpre-se a maldição que parece assombrá-lo, cai do alto de uma falésia e afoga-se num rio permanecendo num coma profundo de onde poderá não regressar. Tão dramático e dúbio acontecimento implica também o misterioso desaparecimento do pai de Louis, Pierre Drax. Louis acaba por ficar ao cuidado de Pascal Dannachet, um neurologista que acredita em coisas que os outros médicos não acreditam. Em simultâneo, desenrola-se uma investigação policial para tentar encontrar o principal "suspeito" do que poderá ter sido um crime, o desaparecido pai. Esta história brilhante e impecavelmente arquitectada, cheia de um irreverente humor negro e intensamente empolgante, é contada a duas vozes: a do próprio Louis, dentro do seu inacessível subconsciente, e a do neurologista, que não consegue resistir à sedução de Natalie Drax, a sofredora e vitimizada mãe de Louis.

As expectativas para este livro eram elevadíssimas. Porquê? Porque este ano tenho experimentado algumas pérolas de "humor negro", e esta história é, acima de tudo, um choque. Até o título dá que pensar, não é?

Não posso dizer que tenha correspondido às expectativas... Aliás, não achei que este fosse um romance cheio de humor negro, mas sim um romance mais perturbante sobre os mistérios da inconsciência. A história não é NADA do que estava à espera, e por um lado não foi bom.

Antes de mais, a deliciosa escrita de Liz Jensen! Pessoalmente, acho que este não é um bom livro, mas sim uma excelente escritora! Se há coisa maravilhosa neste romance é a escrita da autora, que nos agarra magistralmente. São palavras deliciosas que percorremos com um enorme prazer, e confesso que fiquei curioso em conhecer outros livros de Jensen...

O facto de este ser um livro contado a duas vozes foi a menos-valia. Porque, se a narração de Louis Drax é viciante, é extraordinária, quase genial, a narração de Dannachet chega a ser arrastada, obsessiva, chata.
Louis é uma criança, mas mesmo em coma é das mais espertas que existem. E quando fala, sentimos que estamos perante uma percepção genial do mundo e de quem o rodeia! É uma personagem fascinante a todos os níveis, não só pela inteligência, não só pela sua má fortuna, mas talvez também por ser a personagem que está directamente envolvida nesse mundo subconsciente, e por isso nos apresenta divagações francamente inventivas, difíceis de parar de ler.
Já Dannachet envereda por divagações chatas, obsessivas. A maneira como o vi envolver-se no caso de Louis Drax foi-me, confesso, um bocado cansativo. A certa altura fartei de todo o seu palavreado, do seu "nem anda nem desanda", e estive mortinho por voltar a enterrar-me na inconsciência de Louis. Infelizmente, foi esta segunda voz que me desmanchou muito, muito mesmo do que poderia ter achado deste livro.

Ainda assim, o que começa por ser um mistério aparentemente sem resolução, acaba por ser um verdadeiro "twist". Eu já estava à espera: não fiquei totalmente surpreendido. Mas admirei a capacidade da autora criar um enredo verdadeiramente cativante, e uma conclusão que deixará qualquer leitor agarrado ao livro, agarrado à verdade que subitamente nos deixa tão admirados. Muito bem.

Sem ser um livro que considere "único" ou "extraordinário", e sendo ainda mais "terra-à-terra" do que estava à espera, sei que muita gente vai querer lê-lo, e não sem razão. Não é essencial, não o leria já amanhã, mas mais cedo ou mais tarde acabará por chamar a atenção do leitor. E é, de facto, um tempo que não dou por perdido.

A Mecânica do Coração, de Mathias Malzieu

Edimburgo, 1874. Jack nasce no dia mais frio do mundo, com o coração… congelado. A Dr.ª Madeleine, a parteira (segundo alguns, uma bruxa) que o trouxe ao mundo, consegue salvar-lhe a vida instalando um mecanismo - um relógio de madeira - no seu peito, para ajudar a que o coração funcione. A prótese funciona e Jack sobrevive, mas com uma contrapartida: terá sempre de se proteger das sobrecargas emocionais. Nada de raiva e, sobretudo, nada de amor. A Dr.ª Madeleine, que o adopta e zela pelo seu mecanismo, avisa: «O amor é perigoso para o teu coraçãozinho.» Mas não há mecânica capaz de fazer frente à vida e, um dia, uma pequena cantora de rua arrebata o coração - o mecânico e o verdadeiro - de Jack. Disposto a tudo para a conquistar, Jack parte numa peregrinação sentimental até à Andaluzia, a terra natal da sua amada, onde encontrará as delícias do amor… e a sua crueldade. Um conto de fadas para adultos, ao estilo de Tim Burton ou Lewis Carroll.

Parti para a leitura deste livro com as expectativas mais do que elevadas: este ano li "A Loja dos Suicídios" e adorei, e era esse género de livro que esperava encontrar. Claro que o tema é totalmente diferente, mas o tipo de escrita, o estilo da história, em tudo surreal.

E creio que acertei.

Comecei a ler este livro e de logo fiquei impressionado com as personagens directas e belíssimas que nos são apresentadas! Para além do rapaz com o coração-relógio, temos a sua mãe adoptiva, uma parteira bruxa e que não se pode gabar muito da vida, um bêbado sem-abrigo com uma coluna de metal, duas prostitutas humildes, uma cantora com visão fraca...

Enfim, personagens apenas existentes numa lindíssima Edimburgo de 1874 (as descrições são tão belas, tão poéticas, que o que me deu mais pena foi não ter percorrido esta cidade).

É uma história em tudo surreal, em tudo encantadora. E não é um amor normal... Acho que a relação que se desenvolve entre Jack e a pequena cantora não é um conto de fadas, mas algo bastante sólido e específico. Não pode ser um amor normal, quando o rapaz pode morrer, literalmente, por amor...

A escrita de Malzieu é encantadora. Desde o início que sabemos que este conto nos vai iluminar, nos vai fazer suspirar um bocadinho. Escreve com tanta naturalidade... E a sua imaginação é única. A premissa do livro é magnífica e o seu desenvolvimento não me desiludiu de todo. Aliás, acho que tem o tamanho certo. Mais do que um livro para dar prazer, emociona-nos pelo sonho que é. E, como não podia deixar de ser, encontrei na improbabilidade das personagens, na surrealidade do enredo, pequenas lições de vida que nos deixam abismados, a reflectir...

Para concluir... Quando acabei este livro, não consegui pegar imediatamente noutro. Precisei de suspirar um pouco mais para além da última página. Um livro belíssimo, que como Le Soir bem disse, faz-nos querer comprar dezenas de exemplares para oferecer! Para reler.


sábado, 7 de novembro de 2009

Vencedores do passatempo "A Melodia do Adeus"

Antes de mais, obrigado às 95 participações que recebi! Dessas inscrições, 64 responderam correctamente às questões:

1.ª - Qual o maior romance de Nicholas Sparks? (resposta aceite seja em inglês ou em português)

R: "A Melodia do Adeus", ou "The Last Song".

2.ª - Quem escolheu o nome da personagem Ronnie, em "A Melodia do Adeus"?

R: Miley Cyrus.

3.ª - Quantos livros de Nicholas Sparks já foram adaptados para o cinema?

R: Quatro (4).

Posso finalmente divulgar os vencedores deste passatempo:

1.º - 10 - Cláudia Cruz (livro autografado + saco promocional)
2.º - 41 - Ana Rita Lopes (livro + saco promocional)
3-º - 63 - Helena Pereira (livro + saco promocional)

Parabéns às vencedoras! Estejam atentas às caixas de entrada, pois em breve entrarei em contacto convosco.

Mais uma vez, obrigado a todos os participantes, e até um passatempo futuro!

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