sábado, 31 de outubro de 2009

Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos

Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA, o historiador e criptanalista português Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra. 6AYHAS1HA8RU Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo. E se a Al-Qaeda tem a bomba atómica? Baseando-se em informações verídicas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra surpreendente como o mestre dos grandes temas contemporâneos. Mais do que um empolgante romance, Fúria Divina é um impressionante guia que nos orienta pelo labirinto do mundo e nos revela os tempos em que vivemos.

Este romance foi revisto por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda.

Bem, acho que será escusado dizer que este não só é o regresso de José Rodrigues dos Santos, como o facto de ter sido revisto por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda chamou a atenção de muitos.

Comprei o livro no seu lançamento no Colombo, e desde já digo que não ouvi nada do que o autor disse, nem dos restantes apresentadores. Estava tanta gente, e o som estava tão mau! Para a próxima, a ver se JRS reserva o Pavilhão Atlântico.

Logo nessa noite comecei a lê-lo.

Acho que é um excelente regresso. Do autor e das personagens.
Não é o seu livro mais ambicioso. Aliás, a nível de tema, acho que os anteriores foram bastante mais "atrevidos", almejavam bastante mais. Não acontece isto aqui! Neste livro, Dos Santos apresenta-nos o fundamentalismo islâmico. É extremamente interessante, e confesso que até fiquei com curiosidade de ler o Alcorão! Não é, ainda assim, um livro que mereça a polémica que outros mereceram.

O seu estilo jornalístico está lá. Este é o tipo de livro que não nos deixa frustados na busca de conhecimento. Lemos sobre o Islão e o fundamentalismo religioso com avidez, sem pararmos de receber todo o tipo de curiosidades, de informações, e dos pontos de vista que pedimos. É uma das coisas que gosto em JRS: não se resume à acção.

E assim chegamos ao enredo. Li "O Sétimo Selo" e DETESTEI a personagem de Tomás Noronha. Não sei transmitir o ódio que esta personagem transmite, a ingenuidade!!!
Este livro é totalmente diferente.
Neste livro encontrei (FINALMENTE) um Noronha maduro, um Noronha que sabe, um Noronha que é professor universitário, um Noronha que já passou por muito. Fiquei obviamente impressionado por ter conseguido reavivar a personagem.

Mas não foi isso que tornou este livro diferente dos outros.
Foi a construção do enredo.
Há algo novo neste romance, em relação a outros do autor. Temos duas histórias paralelas: a de Noronha e a de Ahmed, o rapaz que ao longo da sua vida vai descobrindo os ensinamentos de Alá. Pessoalmente, achei isto um golpe de génio, vindo de JRS. Não só criou duas histórias paralelas e um jogo muito interessante no enredo como criou Ahmed, que é fascinante, como se desviou de páginas intensivas de Noronha, que poderiam chatear o leitor.
Embora o tema não seja melhor do que os anteriores da série, este foi para mim dos melhores livros em termos de enredo! Foram dados alguns passos nesta área, que alguns saberão ser um ponto fraco em JRS.

Continuam a haver gralhas. Continuam a haver situações que raramente poderiam acontecer. Continuam a haver vários pontos que tornam a história pouco credível. Mas há aqueles pontos que parece que dão mais qualidade a este thriller! E é fácil de ler... Pouca descrição, uma escrita bastante corrida. Nada a notar!
Para terminar, tenho a dizer: nunca achei que José Rodrigues dos Santos fosse parecido com Dan Brown. Nunca. Mas "Fúria Divina" tanto poderia ter sido escrito pelo português como pelo inglês. Tenho de reconhecer a grande semelhança entre os dois nesta obra específica!

Para quem não gosta de ler, bem que vai gostar deste livro! Para quem gosta de JRS, este tem de ser lido. Para quem ainda tem preconceitos, pegue num do jornalista, mesmo não sendo este ("A Filha do Capitão" e "O Codex 632" são bons romances!). Eu gostei muito, e já estou à espera do próximo dele.

domingo, 25 de outubro de 2009

As Atribulações de Jacques Bonhomme, de Telmo Marçal

"Não se lê propriamente o livro que têm em mãos, mas mergulha-se nele. Um parágrafo, uma página, e estamos cercados pela sua forma própria de ser, pela visão particular do mundo e da raça humana. Mergulhamos descontraidamente e logo percebemos a insensatez da nossa postura. Esta não é uma obra redentora. Não nos dá a mão e nos acompanha pelos becos escuros, pelo vale da nossa dor, qual guardião que protege a nossa fragilidade. Ao entrarmos na primeira página, descobrimo-nos na jaula da fera encurralada - e depois não podemos voltar atrás." Do prefácio de Luís Filipe Silva

Este prefácio não podia explicar melhor a sensação que este livro nos transmite.

Ainda assim, só lendo perceberão o que se quer dizer.

Trata-se de um conjunto de 12 contos muito únicos, o que torna Telmo Marçal um autor especial num género tão mal explorado em Portugal: a distopia.
São, porém, contos extremamente pessimistas. A sua visão da raça humana, da nossa sociedade, é tão opressiva que não podemos deixar de nos sentir sem saber o que fazer, perante uma perspectiva tão ameaçadora, tão feroz, tão sufocante.

Não posso deixar de aconselhar este livro, porque estamos perante algo especial na literatura nacional. Não encontramos com facilidade um autor que arrisque tanto!
Por outro lado... É um livro MUITO difícil de digerir. Quando digo muito, é mesmo muito. Talvez por ser demasiado pessimista... Talvez por apresentar uma raça humana tão opressiva, tão abafada.

Talvez por nos apercebermos que não há sentimento nestas páginas. Como o Homem não tem qualquer sentimento. Isso é o que torna o livro tão difícil.

Alturas houve em que o achei ligeiramente chato. Quando a fórmula atribulada e violenta já se repetia, conto atrás de conto. E alturas houve em que me via sinceramente impressionado pelo mundo que Marçal me apresentava, tão parecido com o nosso, e no entanto ainda distante.

Para além disso, há que referir: este livro não se desenvolve como qualquer outro. Vou tentar explicar: enquanto que, num livro normal, ser-nos-iam apresentadas personagens e o mundo onde vivem, a sua sociedade, e as suas "atribulações", neste livro estamos perante contos onde percorremos o caminho da personagem, chegamos ao fim e pensamos "É só isto?". Praticamente não temos a descrição de nada, apenas temos o dever de acompanhar os passos do personagem. Pode parecer insuficiente, sem qualquer história, mas a verdade é outra. Temos de ser suficientemente espertos para assimilar o mundo onde a personagem vive. É isso que faz "As Atribulações de Jacques Bonhomme". Não a descrição da sua sociedade, mas as atribulações de cada um nela. Se o que queremos é saber mais sobre o que o rodeia, temos de ser nós a assimilar os pormenores.

Há vários contos que poderiam ter sido, por tantas razões, mais desenvolvidos. Não foi o que aconteceu, mas esta "injecção" já bastou para me sentir suficientemente abismado.

Nunca, mas nunca, daria este livro a quem não é minimamente experiente. "Não é uma obra redentora". Não vale a pena pensarmos que estamos perante uma obra que nos vai ficar assombrados, chocados talvez, porque é totalmente diferente do que esperamos. É demasiadamente limitada, não conseguimos fugir à sua experiência.
Leiam com precaução. Com atenção. E leiam quando se sentirem capazes de tal.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Passatempo "A Melodia do Adeus", de Nicholas Sparks

O primeiro passatempo deste blogue!


O Cantinho do Bookoholic, em colaboração com a Editorial Presença, tem 3 LIVROS "A Melodia do Adeus", de Nicholas Sparks, para oferecer!!
Este é o novo romance de um dos mais amados autores de ficção americana e vai ser lançado cá em Portugal a 3 de Novembro.

Para além deste livro que já gera expectativas, os 3 vencedores terão direito a um saco promocional do livro. E pensam que é só? Nada disso! O primeiro sorteado terá o privilégio de receber a sua cópia autografada pelo autor ;)


Para se candidatarem a este passatempo, temos três perguntas para responderem...

1.ª - Qual o maior romance de Nicholas Sparks? (resposta aceite seja em inglês ou em português)
2.ª - Quem escolheu o nome da personagem Ronnie, em "A Melodia do Adeus"?
3.ª - Quantos livros de Nicholas Sparks já foram adaptados para o cinema?

Enviem as vossas respostas para cantinhodobookoholic@gmail.com, juntamente com primeiro e último nome, morada e código-postal (os dados são pessoais, e por isso nunca serão divulgados. Destinam-se apenas para informar a Editorial Presença dos vencedores do passatempo).
Só são válidas as participações com as três respostas certas!
Só é válida uma participação por pessoa e por residência.
Deverão enviar as suas respostas apenas para o mail disponibilizado acima, até às 23h59 do dia 3 de Novembro. O passatempo encerra a partir das 00h00 de 4 de Novembro (a data foi alterada, dia 3 de Novembro ainda têm a chance de participar!).
Este passatempo destina-se a residentes em Portugal, e não fora.
Ao serem validadas as vossas respostas, deverão receber um email de confirmação com o número de registo!
Os vencedores serão sorteados aleatoriamente por mim, administrador do blogue.
Os 3 vencedores serão divulgados neste blogue e receberão os seus exemplares e o saco a cargo da Editorial Presença, em princípio.

E... toca a participar! Não podia ser mais aliciante!

domingo, 11 de outubro de 2009

Compras!!!

Bem, ultimamente não tenho falado de muitas aquisições... Para além dos livros que as editoras vão enviando, e que vou lendo imediatamente, não tenho comprado nada! É uma tentativa de animar o ritmo de leitura!

Mas, entretanto, este fim-de-semana quebrei a calma que por aqui ia.

Estes três livros foram comprados numa Feira perto do Rossio. No próprio Rossio? Ok, não tenho a certeza, porque não fui eu que os comprei =P É uma excelente oportunidade para ler livros que... De certeza que nunca leria, se não mos comprassem.

Estes dois de António Lobo Antunes foram uma autêntica sorte! Esta edição comemorativa já saiu há uma/duas semanas, mas encontrei-os numa livraria, numerados e autografados!!! Desta edição houve uma tiragem de 2000 livros, e desses apenas 500 estão autografados (eu sou o n.º 42). Ainda encontrarão por aí, se estiverem interessados!

Bem, quanto a este livro não vou comentar. Não se encontra em NENHUMA livraria em Lisboa e arredores. NENHUMA. Fui de propósito à "Casa das Histórias", o museu de Paula Rego, em Cascais. Livra!

Como poderão reparar, eu sou daqueles que vai querer logo livros que implicam percorrer a Baixa inteira à procura de livreiros que os tenham. O problema é só mesmo um: gosto de livros.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Prémio Nobel da Literatura... Enfim...


Já não me ria assim tanto há muito tempo (sarcástico!).

Atenção: não estou a pôr em causa a qualidade, a mestria, o valor da escritora. Aposto que é, de facto, excelente, e que mereceu tudo o que o Prémio Nobel tem a dar!

Mas, sinceramente, perdi um bocado a confiança na Academia Sueca. Começo a achar que o objectivo deles mais é afastarem-se de certos autores do que propriamente colocar o prémio nas mãos de quem merece. Mais uma vez, acredito que Muller mereça inteiramente o prémio. Não é pelo facto de ser desconhecida para a maior parte da comunidade leitora que estou algo aborrecido. É pelo facto de haverem favoritos, de haverem merecedores que esperam há anos, e a Academia despreza-os literalmente, sempre a cortar-lhes as pernas.
Enfim.

domingo, 4 de outubro de 2009

Twitter!

E eu a pensar que nunca iria aderir ao Twitter!

http://twitter.com/PedroBookoholic

Já lá estou! =)

Desde já fica aqui estabelecido: o objectivo do meu Twitter será ir comentando as leituras gradualmente. Estive para abrir um blogue novo para tal, para ir analisando "página a página" um livro, mas acho que o piu-piu me vai satisfazer nesse aspecto!

Portanto, se estiverem ansiosos por saber o que estou a achar de certo livro... Vão twittando ;)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Este ano, "Frei Luís de Sousa" é uma leitura escolar obrigatória.

Bem, a verdade é que é a terceira vez que o leio!

Almeida Garrett é, antes de mais, um dos meus autores preferidos. Depois de Fernando Pessoa e Eça de Queirós, este será o meu escritor nacional favorito! Adoro a sua escrita, adoro os seus enredos, tanto em drama como poesia, e falta-me ler a sua prosa!

Voltando ao livro... Li-o a primeira vez muito novo. Bem, tão novo que à primeira vez não percebi nada!
No dia seguinte voltei a relê-lo, e adorei de facto.

Hoje, passados uns bons anos, pego no livro e apercebo-me que, finalmente, percebo TUDO o que Garrett transmite! Sou capaz de detectar os pormenores históricos, os sentimentos presentes em cada expressão, e o enredo que se desenrola de uma maneira que eu nunca vi na vida!!! Trágico, romântico e cheio de emoção, é o que posso dizer do livro. Que aperto no coração!

Vinte anos depois da Batalha de Alcácer-Quibir, Madalena de Vilhena está casada com Manuel de Coutinho. Ambos têm uma filha, Maria, que é um anjo para todos lá da casa. Mas a vida não é fácil e o destino vai pregar uma partida demasiado grande a esta família! Manuel é perseguido pelos governantes que se instalaram depois de D. Sebastião desaparecer; Madalena vive assombrada pela memória do seu primeiro marido, cujo destino acompanhou o de D. Sebastião... E Maria, a filha, rapariga vivaça, demasiado curiosa e fruto de um casamento pecaminoso, segundo Manuel e Madalena.
Até que surge o Romeiro...

O enredo, mais do que viciante, apresenta-nos um prol de personagens únicas. Uma peça de teatro trágica, a evocar altos níveis literários!
O tipo de escrita é... Bem, muito lírico! Estamos perante um livro do séc. XIX, para muitos é um tipo de escrita algo floreado. Mas Garrett não é tanto assim. Na verdade, achei isso a primeira vez que o li, porque agora que o reli pareceu-me demasiado fácil de ler!

Admiro o autor por carregar o livro de emoção, de uma história bastante bem construída e personagens únicas!

Como não podia deixar de ser, adorei, e acho que é uma leitura obrigatória para quem quer experimentar um verdadeiro e apaixonante clássico.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Cabana, de Wm. Paul Young

A HISTÓRIA DE UMA CONVERSA COM DEUS QUE MUDARÁ A SUA VIDA PARA SEMPRE "A Cabana" é um livro especial que está a mudar a vida de muitas pessoas em todo o mundo e que será lançado em Portugal em Outubro de 2009.

Mack é um pai que adora a sua família. E que um dia perdeu a filha. Desde então que a sua vida se resume a uma Grande Tristeza, a um peso tremendo nos ombros.
Certo dia, Deus convida-o a voltar à cabana onde tudo aconteceu, onde a sua filha teve de sofrer. Embora seja demasiado forte voltar ao local onde tudo se passou, a curiosidade é demasiada. Portanto, decide ir o fim-de-semana até à cabana, onde vai encontrar Deus e onde iniciará um percurso inteiro.

Não sou uma pessoa religiosa. Mas sou filosófico. Gosto deste tipo de reflexões.

Por um lado, isto era o que esperava: uma conversa com Deus. Por outro lado, essa conversa não teve nem o desenvolvimento que esperava ou que me puxasse mais a atenção.

Está bem que este não é um livro religioso. Mas não é o que estamos à espera de um livro filosófico! Pessoalmente, este "livro de fé" aproxima-se mais da religião.
No entanto, não comecem a pensar duas vezes.

Vale a pena descobrir o livro.

Não me marcou. A sério que não me marcou. Acho que este é mais um livro que nos leva a abranger as nossas crenças! Que nos leva a testar até quanto acreditamos e quanto a nossa fé se expande!
Não é um livro que nos faça acreditar em Deus, mas é um livro que nos faz olhar para o que acreditamos.
Neste Deus, nesta visão do que Deus é para nós, do que o Mundo e a Humanidade representa, não vemos uma religião espelhada, mas sim o caminho individual de cada leitor no que é capaz de acreditar!
Porque, quer dizer, se Deus existe, porque há tanta dor no mundo? O livro tenta responder a esta questão-base. Na qualidade de agnóstico, não digo que seja uma resposta definitiva, mas na qualidade de leitor, acho que é para nos contentarmos.

Com estas poucas palavras, acho que exprimi o que o livro quer de nós! Não somos nós que vamos pedir ao livro, mas é o livro que nos vai fazer chegar a algum lado!
Interessante de descobrir. E, já agora, convém comprarem-no, porque este é daqueles livros a reler imensas vezes.

Quem também lê