O presente volume constitui a segunda parte do monumental romance As Brumas de Avalon. Significativo da sua qualidade
e simultânea popularidade, é o facto de alguns paises já se terem
atingido a vigésima edição desta obra tão favoravelmente acolhida pela
crítica mundial.
«Lemos o primeiro livro, A Senhora da Magia. Esperamos pelos restantes
para preencher a nossa avidez de mistério e de saudade daquela sabedoria
inicial, que fomos perdendo na assimilação de culturas, quando éramos
um com a terra.»
João Mattos e Silva, Letras & Letras, Mai. 88
«Uma perspectiva alucinante e vertiginosa, de uma época onde tudo era possível através dos poderes das mulheres.»Mulheres, Fev. 88
«O ponto de vista das mulheres, sobre este ciclo de lendas, é, de
facto, original e cativante. A prová-lo está o enorme sucesso editorial
que a obra de Bradley suscita em toda a parte.»A Capital, 26 Nov. 87
«Uma fascinante visão do mágico, do místico, do fantástico de eras perdidas do mito.»
D. S. Bruno, Semanário, 22 Dez. 87
«... um livro a reter como um retrato relativamente fiel de
uma tradição, onde o fio da lenda (haverá coisas tão agradavelmente
reais como as lendas arturianas?) é contado a partir de outra
perspectiva, de outro olhar sobre o destino da História e do sentido de
Avalon.»
Francisco José Veigas, Expresso, 5 Mar. 88
Eis que chegamos ao fim do famoso clássico sobre a lenda do Rei Artur. A fama de As Brumas de Avalon é brutal, não só na forma como esta versão se tornou tão popular mas também no seu impacto na Literatura.
Inúmeros, inúmeros livros foram e são altamente influenciados por Marion Zimmer Bradley ter explorado tanto a tradição celta, o paganismo, o misticismo e a perspectiva feminina e feminista na acção.
Depois de ter lido As Brumas de Avalon, posso dizer que gostei de ter ficado a conhecê-las. Entreteve-me, como acho que deveria. Mas não creio que Bradley esteja livre de falhas na sua perspectiva, sobretudo na forma como encara este suposto feminismo (que para mim pouco de feminista tem) e como explora este culto místico ao acompanhá-lo com fortes ataques à tradição cristã (que para mim se aproxima do fanatismo). Aliás, apesar da interessante e original ideia, não me entusiasmou tanto quanto estava à espera. Será que é mesmo preciso ser-se mulher para nos apaixonarmos por Marion?
Nunca, em todas as páginas desta obra, a autora deixou de ser fiel à sua premissa: contar a história de Artur numa perspectiva feminina. Louvo-a imenso por isso. Por vezes teve de pôr de parte acontecimentos importantes como batalhas ou aventuras pessoais do próprio Artur e dos seus cavaleiros, mas nem por isso se desviou do seu intento. As Brumas de Avalon são uma obra única no panorama literário sobretudo por isso. O seu impacto era previsível e inegável, certamente uma abordagem única quando foi lançado.
Gostei muito de voltar a pegar numa obra sobre o Rei Artur, cuja vida habita desde sempre na minha imaginação. Bradley ofereceu-me uma leitura que entreteve e me deu a conhecer novas personagens. Desde sempre conheço Morgaine, Guinevere, Lancelot ou Artur, mas a cada nova versão elas são alteradas, tornando-se novas pessoas, possíveis de serem redescobertas. E esta versão sem dúvida traz novas luzes, sobretudo no que toca aos sentimentos que nutrem entre si (alguma vez alguém explorou Lancelot como homossexual? A exploração sexual das personagens nesta obra está muito interessante).
Não foi a minha interpretação preferida. Não achei que tivesse sido a mais completa sobre a história, de todo (apesar de, mais uma vez refiro, ter sido a mais completa de acordo com o que seria de esperar de uma perspectiva das mulheres). Foi completa dentro daquilo a que se propôs, mas nem sempre me senti totalmente satisfeito. Entreteve, sim, mas não me manteve agarrado a cada página, não me fez vibrar como outros já o fizeram (sobretudo a versão de Bernard Cornwell).
Mas gostei. Sobretudo, gostei de ter finalmente conhecido o místico mundo de Avalon, que nunca foi tão bem explorado quanto aqui.
Quanto ao final, a este último livro, dirijo-me a Marion: mais valia teres ficado quieta. Apesar de algumas surpresas que me agradaram esperava muito melhor na conclusão.
Mais uma vez, são inúmeros os acontecimentos mais do que importantes que não assistimos (sobretudo os que envolvem Mordred e o seu contacto com Artur - só porque Mordred não é mulher) e isso torna-se especialmente frustrante nesta última parte. É certo que foi uma opção inevitável para manter a perspectiva puramente feminina, mas não deixa de ser aborrecido porque o final da lenda de Artur está demasiado ligado à sua relação com Mordred, uma relação muito mal explorada por Marion.
A magia regressa, para meu pesar porque acho a magia de Bradley demasiado fictícia e irreal para se tornar minimamente empolgante. A magia nestes livros, sobretudo a realizada por Morgaine, são como milagres dos Deuses que nunca são explicados, nem são suposto sê-lo para manter a sua aura de misticismo, o que quebra completamente o ritmo da história. Este último livro tem uma falha enorme na sua credibilidade.
E ainda Marion se queixa do cristianismo...
Apenas uma personagem realiza magia que recorre a rituais concretos, uma única vez ao longo destes quatro livros a escritora dedica-se a desenvolver como é que um ritual de magia e adivinhação funciona, o que sem dúvida dá credibilidade ao acto. Mas adivinhem só: esta personagem é completamente ignorante nas artes de Avalon, pelo que a sua magia (que se apresenta mais credível e real do que qualquer outra e não se baseia em fenómenos inexplicáveis feitos do nada por vontade e graça da Deusa), não é considerada verdadeira. É frustrante.
Também mais uma vez, voltamos a encontrar mulheres que apesar de poderosas resignam-se completamente a um destino que acreditam estar escrito pelos Deuses... Este último livro é um enorme retrocesso até ao primeiro livro, para actos de magia milagrosos e mulheres completamente submissas ao culto. Isto é ser feminista? Porque havemos de torcer por mulheres que fazem aquilo que os Deuses dizem para fazer, sem sequer questionarem, onde está a vontade própria? Creio sinceramente que Marion Zimmer Bradley possui umas noções muito erradas do que é ser feminista...
A resolução pareceu-me relativamente abrupta, sobretudo no que toca ao destino de Artur. Mais uma vez, são os danos de uma perspectiva feminina que fazem com quem assim o seja... Mas fiquei sobretudo desiludido por ter sido um final muito, muito pouco memorável numa obra que fala de misticismo, que fala de Avalon. Esperava algo completamente diferente. Para uma obra tão mágica, tão misteriosa, espera-se que o clímax seja memorável, que faça parte do resto da obra. Pois enganamo-nos, pois é como se a escritora se tivesse esquecido que Avalon existe sequer. Acho que se exigia algo completamente diferente. Fico surpreendido em notar como, com o tempo, a própria autora se afastou de Avalon e perde-se, tornando o que era suposto ser um romance de fantasia histórico para outra coisa... As Brumas de Avalon fica na memória nunca como um livro sobre a lenda do Rei Artur, mas sim sobre o culto pagão da Deusa.
Infelizmente, este último livro não fecha, a meu ver, o livro da melhor forma.
A mensagem final é contudo alegre e esperançosa, pelo que "tem concluído o seu trabalho". Como um todo, a obra vale a pena conhecer, apesar de não me parecer de todo obrigatória. É uma obra única pela abordagem ao misticismo, à espiritualidade e às mulheres na história e na Literatura, mas achei recheada de falsas noções de feminismo (de um pouco de tudo na verdade) e descrições irrealistas de magia.
Será que, de facto, é preciso ser mulher para entrar neste universo? Talvez. Nunca o poderei confirmar por mim próprio, a menos que o faça noutra vida...
domingo, 11 de outubro de 2015
sábado, 10 de outubro de 2015
A Senhora de Avalon, de Marion Zimmer Bradley
Depois de As Brumas de Avalon e de A Casa da Floresta,
Marion Zimmer Bradley regressa agora com esta nova saga da ilha
mágica, contada por três gerações de sacerdotisas que, nos primeiros
quinhentos anos da era cristã, protegem o seu reino encantado da
avidez do Império Romano.
A primeira, Caillean, esconde Avalon dos legionários, envolvendo-a sabiamente numa nuvem de brumas intransponíveis; a segunda, Dierna, promove de forma astuta a união de uma das suas noviças com um general romano, transformando-o num potencial imperador bretão que assegurará a preservação do solo sagrado; a terceira, Viviane, guardiã do Cálice Sagrado, partirá da casa dos pais adoptivos na ilha de Mona aos 14 anos para se encontrar com a verdadeira mãe, a senhora de Avalon, e preparar o caminho para o nascimento do rei Artur.
Rico na descrição de ambientes e na construção de personagens, este romance - onde não faltam guerra, e traições, amores e ódios, profecias e maldições - tem a mesma grandiosidade mítica e épica que caracteriza as outras obras da autora, evocando com igual dinamismo, os mitos, a magia e a história da Inglaterra lendária.
Cá estamos novamente, teimosamente, a explorar Avalon e uma saga que tem tido muita dificuldade em encantar-me. As Brumas de Avalon foi interessante, apesar de extremamente sobrevalorizado na minha opinião; A Casa da Floresta foi por sua vez uma leitura emocionante e Os Corvos de Avalon apesar de ser uma obra literária fraquita deu para ler com alguma satisfação.
Quanto a este A Senhora de Avalon... Bem, é caso para me voltar a perguntar "Porque é que insisto em ler isto?".
A obra divide-se em três contos: um que precede imediatamente A Casa da Floresta, outro que antecede imediatamente As Brumas de Avalon, e ainda um temporalmente situado entre os outros dois. Cailean, Viviane e Teleri, sacerdotisas de Avalon e fundamentais na construção do destino que culminará no nascimento do Rei Artur.
Acredito que este livro seja uma pequena maravilha para os fãs de Marion Zimmer Bradley. Apesar de para mim me parecer inacreditável que um fã possa apreciar uma obra que destrói grande parte do misticismo característico de Avalon. Mas, é um facto, quando somos fãs de uma série adoramos esmiuçar todos os pormenores desse universo fictício, e é isso que este livro faz. Aliás, é para mim a única coisa que faz: encher a barriga dos fãs.
A maior parte das personagens já são nossas conhecidas dos outros livros. O que lemos aqui é o desenvolvimento das suas histórias, aliás a exploração, aliás a sobrexploração. Tenho mesmo muita pena, pois livros como A Casa da Floresta têm um final completo mas que nos deixa a reflectir no futuro das personagens, dando asas à nossa imginação, enquanto A Senhora de Avalon nos mostra esse futuro e destrói a nossa própria magia. Algumas vezes, compensa deixar as coisas entregues à imaginação.
As três histórias assentam na ideia de reencarnação e de que, através dos tempos, os espíritos ligados entre si se reencontram na sua vida terrena. Ou seja, cada conto é apenas uma repetição do anterior. As variações, apesar de existirem, pouco se reflectem na história geral. A melhor história, na minha opinião, foi precisamente a que apresentava personagens nunca antes mencionadas e com um triângulo amoroso muito interessante onde a vontade humana (coisa que Marion Zimmer Bradley irritantemente insiste em desprezar para as suas personagens, coitadas) entrava em conflito com o destino dos seus próprios espíritos. Os restantes contos foram um belo exercício de ludíbrio dos fãs.
É um livro muito repetitivo e dispensável. É uma pena, porque algumas das personagens destes contos são das mais intrigantes (e das minhas preferidas). Mas lá está, desmistifica-as, dispersa desnecessariamente a sua história, destrói o mito e personalidade agradável que se construiu à sua volta. Mais do que triste por não ter gostado do livro, deixou-me desanimado por se ter revelado o que é.
Terá sido a necessidade de continuar a série de Avalon assim tão grande? Continuar histórias que não precisavam, nem pediam, continuação?
Pergunto-me quanto deste livro aconteceu por vontade de Marion e não por vontade dos fãs e das próprias editoras (infelizmente é a realidade).
Uma péssima forma de chegar quase ao fim da minha jornada pelo mundo de Avalon. O que me safa as expectativas é saber que o próximo livro, A Sacerdotisa de Avalon, passa-se precisamente na época do conto que eu mais gostei, com personagens completamente diferentes das que já conheço.
A primeira, Caillean, esconde Avalon dos legionários, envolvendo-a sabiamente numa nuvem de brumas intransponíveis; a segunda, Dierna, promove de forma astuta a união de uma das suas noviças com um general romano, transformando-o num potencial imperador bretão que assegurará a preservação do solo sagrado; a terceira, Viviane, guardiã do Cálice Sagrado, partirá da casa dos pais adoptivos na ilha de Mona aos 14 anos para se encontrar com a verdadeira mãe, a senhora de Avalon, e preparar o caminho para o nascimento do rei Artur.
Rico na descrição de ambientes e na construção de personagens, este romance - onde não faltam guerra, e traições, amores e ódios, profecias e maldições - tem a mesma grandiosidade mítica e épica que caracteriza as outras obras da autora, evocando com igual dinamismo, os mitos, a magia e a história da Inglaterra lendária.
Cá estamos novamente, teimosamente, a explorar Avalon e uma saga que tem tido muita dificuldade em encantar-me. As Brumas de Avalon foi interessante, apesar de extremamente sobrevalorizado na minha opinião; A Casa da Floresta foi por sua vez uma leitura emocionante e Os Corvos de Avalon apesar de ser uma obra literária fraquita deu para ler com alguma satisfação.
Quanto a este A Senhora de Avalon... Bem, é caso para me voltar a perguntar "Porque é que insisto em ler isto?".
A obra divide-se em três contos: um que precede imediatamente A Casa da Floresta, outro que antecede imediatamente As Brumas de Avalon, e ainda um temporalmente situado entre os outros dois. Cailean, Viviane e Teleri, sacerdotisas de Avalon e fundamentais na construção do destino que culminará no nascimento do Rei Artur.
Acredito que este livro seja uma pequena maravilha para os fãs de Marion Zimmer Bradley. Apesar de para mim me parecer inacreditável que um fã possa apreciar uma obra que destrói grande parte do misticismo característico de Avalon. Mas, é um facto, quando somos fãs de uma série adoramos esmiuçar todos os pormenores desse universo fictício, e é isso que este livro faz. Aliás, é para mim a única coisa que faz: encher a barriga dos fãs.
A maior parte das personagens já são nossas conhecidas dos outros livros. O que lemos aqui é o desenvolvimento das suas histórias, aliás a exploração, aliás a sobrexploração. Tenho mesmo muita pena, pois livros como A Casa da Floresta têm um final completo mas que nos deixa a reflectir no futuro das personagens, dando asas à nossa imginação, enquanto A Senhora de Avalon nos mostra esse futuro e destrói a nossa própria magia. Algumas vezes, compensa deixar as coisas entregues à imaginação.
As três histórias assentam na ideia de reencarnação e de que, através dos tempos, os espíritos ligados entre si se reencontram na sua vida terrena. Ou seja, cada conto é apenas uma repetição do anterior. As variações, apesar de existirem, pouco se reflectem na história geral. A melhor história, na minha opinião, foi precisamente a que apresentava personagens nunca antes mencionadas e com um triângulo amoroso muito interessante onde a vontade humana (coisa que Marion Zimmer Bradley irritantemente insiste em desprezar para as suas personagens, coitadas) entrava em conflito com o destino dos seus próprios espíritos. Os restantes contos foram um belo exercício de ludíbrio dos fãs.
É um livro muito repetitivo e dispensável. É uma pena, porque algumas das personagens destes contos são das mais intrigantes (e das minhas preferidas). Mas lá está, desmistifica-as, dispersa desnecessariamente a sua história, destrói o mito e personalidade agradável que se construiu à sua volta. Mais do que triste por não ter gostado do livro, deixou-me desanimado por se ter revelado o que é.
Terá sido a necessidade de continuar a série de Avalon assim tão grande? Continuar histórias que não precisavam, nem pediam, continuação?
Pergunto-me quanto deste livro aconteceu por vontade de Marion e não por vontade dos fãs e das próprias editoras (infelizmente é a realidade).
Uma péssima forma de chegar quase ao fim da minha jornada pelo mundo de Avalon. O que me safa as expectativas é saber que o próximo livro, A Sacerdotisa de Avalon, passa-se precisamente na época do conto que eu mais gostei, com personagens completamente diferentes das que já conheço.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Os Corvos de Avalon, de Diana L. Paxson
No centro de Os Corvos de Avalon está a conquista romana da
Bretanha e a rebelião conduzida pela Rainha Boudica, a guerreira celta, e
por Lhiannon, a sua jovem mentora na ilha dos Druidas.
Quando o exército do Império conquistou o reino Iceno, no século I D.C., Lihannon enfrentou-o enquanto Boudica acabou por se casar com Prasutagus, o Rei Supremo dos Icenos que governou como rei cliente de Roma. Boudica e Prasutagus viveram felizes até à morte deste, um acontecimento que mudou para sempre a vida daquela que se viria a tornar a Rainha Guerreira. Com a morte a morte do marido, as terras Icenas foram definitivamente anexada ao Império, tendo Boudica sido brutalizada e as filhas violadas.
Cheia de raiva e espírito de vingança, Boudica apela às tribos britãs e conduz o seu povo na resistência contra os exércitos ocupantes de Roma. Apesar do insucesso da rebelião, Lhiannon sobrevive e torna-se guardiã das tradições druidas na nova Bretanha Romana, como alta sacerdotisa da Casa da Floresta.
Repleto de notáveis personagens femininas, que sempre habitaram a mítica ilha de Avalon, esta tão aguardada obra, que antecede A Casa da Floresta, é um portentoso épico que expande a saga lendária que encantou milhões de leitores por todo o mundo.
Depois de uma leitura tão cativante quanto A Casa da Floresta, decidi ler a sua prequela. As expectativas eram altas, mas controladas: este livro não foi escrito por Marion Zimmer Bradley, mas sim por Diana L. Paxson (apesar de se basear no imaginário de Bradley). Sabia que devia esperar um estilo mais genérico, não tão idiossincrásico quanto o de Bradley. Contudo, Paxson provou ser ajudar bastante a tornar a escrita de Bradley menos onírica e a melhorar a reconstrução histórica, aumentando o entretenimento da leitura. Estava por isso bastante curioso (e, depois de ter expressado tantas vezes o meu desagrado por Marion Zimmer Bradley, é óbvio que estava à espera que Diana me agradasse um pouco mais).
De facto, "entretenimento" é a palavra que melhor se adequa para descrever o livro. Bastante fácil de ler, com uma história simples e que apesar da extensão do livro se desenrola com bastante tranquilidade, sem desprezar alguma contextualização histórica. O livro histórico perfeito para agradar ao leitor mais comum.
Porque, infelizmente, nem posso dizer que tenha ficado satisfeito por conhecer a vida de Boudica. A maior parte do livro concentra-se na sua vida antes de se tornar uma guerreira (como aprendiza em Avalon, e esposa), e essa vida é muito pouco entusiasmante. A exaltação das suas batalhas, a perseguição aos Romanos, ocupa umas meras páginas considerando a extensão do livro. Se querem saber coisas sobre esta Rainha Guerreira, aprenderão mais lendo a sua página da Wikipedia.
Mesmo Lhiannon, outra protagonista, sacerdotisa de Avalon, apesar da vida preenchida pela guerra, pouco passa dessa correria de batalha em batalha. Mais uma vez, um livro sem passos criativos, sem sobressaltos no enredo... Sem emoções fortes.
Quando o exército do Império conquistou o reino Iceno, no século I D.C., Lihannon enfrentou-o enquanto Boudica acabou por se casar com Prasutagus, o Rei Supremo dos Icenos que governou como rei cliente de Roma. Boudica e Prasutagus viveram felizes até à morte deste, um acontecimento que mudou para sempre a vida daquela que se viria a tornar a Rainha Guerreira. Com a morte a morte do marido, as terras Icenas foram definitivamente anexada ao Império, tendo Boudica sido brutalizada e as filhas violadas.
Cheia de raiva e espírito de vingança, Boudica apela às tribos britãs e conduz o seu povo na resistência contra os exércitos ocupantes de Roma. Apesar do insucesso da rebelião, Lhiannon sobrevive e torna-se guardiã das tradições druidas na nova Bretanha Romana, como alta sacerdotisa da Casa da Floresta.
Repleto de notáveis personagens femininas, que sempre habitaram a mítica ilha de Avalon, esta tão aguardada obra, que antecede A Casa da Floresta, é um portentoso épico que expande a saga lendária que encantou milhões de leitores por todo o mundo.
Depois de uma leitura tão cativante quanto A Casa da Floresta, decidi ler a sua prequela. As expectativas eram altas, mas controladas: este livro não foi escrito por Marion Zimmer Bradley, mas sim por Diana L. Paxson (apesar de se basear no imaginário de Bradley). Sabia que devia esperar um estilo mais genérico, não tão idiossincrásico quanto o de Bradley. Contudo, Paxson provou ser ajudar bastante a tornar a escrita de Bradley menos onírica e a melhorar a reconstrução histórica, aumentando o entretenimento da leitura. Estava por isso bastante curioso (e, depois de ter expressado tantas vezes o meu desagrado por Marion Zimmer Bradley, é óbvio que estava à espera que Diana me agradasse um pouco mais).
De facto, "entretenimento" é a palavra que melhor se adequa para descrever o livro. Bastante fácil de ler, com uma história simples e que apesar da extensão do livro se desenrola com bastante tranquilidade, sem desprezar alguma contextualização histórica. O livro histórico perfeito para agradar ao leitor mais comum.
Apesar disso, é um livro de muito pouca imaginação. A sua simplicidade revela-se na forma como pouco explora o enredo, sem criar grandes sobressaltos ou complexos, sem muita criatividade nos seus caminhos. As personagens, apesar de interessantes de seguir (sobretudo Boudica, porque há qualquer coisa de fascinante em mulheres na literatura com um lado guerreiro, rebelde), não são exemplos de personalidades motivadas. É um livro extenso mas a história acaba por ser bastante simples, nunca passando muito de um toma-lá-dá-cá entre os Romanos e Bretões (mais um toma-lá-toma-lá, já que aos Bretões coitados calhou uns Romanos bastante fortes).
Pior do que uma história sem desenvolvimentos que valham a pena apontar, sem emoções fortes, limita-se à reconstituição histórica mais básica. Falta pormenor, sobretudo exploração tanto a nível de enredo como a nível de personagens e de conhecimento. Faltou criatividade a todos os níveis: na História, na estória e nas pessoas que fazem parte delas
Paxson e Bradley juntas são o melhor dos dois mundos. Foi isso que A Casa da Floresta me mostrou, se de facto Paxson teve influência no livro. Sozinhas caem no seu pior.
Os Corvos de Avalon compromete-se a contar a história de Lhiannon e Ardanos, já sugerida em A Casa da Floresta, e de Boudica, que não só marcou esta época na História da Bretanha como foi bastantes vezes referenciada em As Brumas de Avalon. Limita-se assim a colmatar a inexistência de uma história tantas vezes referenciada ao longo dos livros e que ficou por contar, e fá-lo da forma mais simples possível. Sem pretensões, é certo, o que é agradável, mas neste caso talvez o pretensiosismo tivesse feito a autora dar-se ao trabalho de criar uma obra digna desse nome. Porque é isso mesmo que eu senti: uma leitura que não dá muito trabalho ler, um livro que não deu trabalho algum a escrever.
Mas, apesar de tudo, é certo que foi o livro mais fácil de ler de toda a saga de Avalon e por isso mesmo entretém (porque nem sempre um livro precisa de ser um clássico literário escrito por um génio para se apreciar).
Vale a pena ler por aqueles que são fãs da saga precisamente por falar de personagens conhecidas; para quem não o é... Gostaria de dizer que é a obra certa para conhecer mais sobre a História do Mundo e sobre a lendária Boudica, mas não é. Espero que hajam por aí romances mais dignos que tal tarefa. Mas se procuram uma leitura muito simples, que entretém, não dá muitas dores de cabeça e que de forma muito (demasiado) superficial aborda a História do Mundo, experimentem suponho.
Pior do que uma história sem desenvolvimentos que valham a pena apontar, sem emoções fortes, limita-se à reconstituição histórica mais básica. Falta pormenor, sobretudo exploração tanto a nível de enredo como a nível de personagens e de conhecimento. Faltou criatividade a todos os níveis: na História, na estória e nas pessoas que fazem parte delas
Paxson e Bradley juntas são o melhor dos dois mundos. Foi isso que A Casa da Floresta me mostrou, se de facto Paxson teve influência no livro. Sozinhas caem no seu pior.
Os Corvos de Avalon compromete-se a contar a história de Lhiannon e Ardanos, já sugerida em A Casa da Floresta, e de Boudica, que não só marcou esta época na História da Bretanha como foi bastantes vezes referenciada em As Brumas de Avalon. Limita-se assim a colmatar a inexistência de uma história tantas vezes referenciada ao longo dos livros e que ficou por contar, e fá-lo da forma mais simples possível. Sem pretensões, é certo, o que é agradável, mas neste caso talvez o pretensiosismo tivesse feito a autora dar-se ao trabalho de criar uma obra digna desse nome. Porque é isso mesmo que eu senti: uma leitura que não dá muito trabalho ler, um livro que não deu trabalho algum a escrever.
Mas, apesar de tudo, é certo que foi o livro mais fácil de ler de toda a saga de Avalon e por isso mesmo entretém (porque nem sempre um livro precisa de ser um clássico literário escrito por um génio para se apreciar).
Vale a pena ler por aqueles que são fãs da saga precisamente por falar de personagens conhecidas; para quem não o é... Gostaria de dizer que é a obra certa para conhecer mais sobre a História do Mundo e sobre a lendária Boudica, mas não é. Espero que hajam por aí romances mais dignos que tal tarefa. Mas se procuram uma leitura muito simples, que entretém, não dá muitas dores de cabeça e que de forma muito (demasiado) superficial aborda a História do Mundo, experimentem suponho.
Porque, infelizmente, nem posso dizer que tenha ficado satisfeito por conhecer a vida de Boudica. A maior parte do livro concentra-se na sua vida antes de se tornar uma guerreira (como aprendiza em Avalon, e esposa), e essa vida é muito pouco entusiasmante. A exaltação das suas batalhas, a perseguição aos Romanos, ocupa umas meras páginas considerando a extensão do livro. Se querem saber coisas sobre esta Rainha Guerreira, aprenderão mais lendo a sua página da Wikipedia.
Mesmo Lhiannon, outra protagonista, sacerdotisa de Avalon, apesar da vida preenchida pela guerra, pouco passa dessa correria de batalha em batalha. Mais uma vez, um livro sem passos criativos, sem sobressaltos no enredo... Sem emoções fortes.
Entretém bastante mais como romance histórico do que Marion alguma vez conseguiu. Isso, para mim, é certo, apesar de a exploração histórica ser bastante fraca (mas também não acho que a de Marion tenha sido melhor). A escrita é porém bastante mais genérica, pelo que não fiquei sequer com curiosidade de conhecer outras obras de Diana.
A escrita de Marion é mística, quase tão difusa como as suas brumas, e mesmo que eu não goste de ler isso não deixo de apreciar a sua unicidade e diferença. É o que caracteriza a fantasia de Marion, e isso é muito difícil de reproduzir. Pelo menos não o foi aqui.
A escrita de Marion é mística, quase tão difusa como as suas brumas, e mesmo que eu não goste de ler isso não deixo de apreciar a sua unicidade e diferença. É o que caracteriza a fantasia de Marion, e isso é muito difícil de reproduzir. Pelo menos não o foi aqui.
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