terça-feira, 31 de março de 2015

The Science of Interstellar, by Kip Thorne

If you're into cinema, you've probably heard of Interstellar. If you're also a science geek, you've probably realised the movie is perhaps the most scientifically accurate science fiction work out there.

About the movie, I can later post how I really liked it, despite considering Nolan not as artsy as everyone claims. Yet, he has done a really good, emotional piece (not only for its action pace, but also for its human approach). For now, I will try to keep my mind on the book.

If you saw Interstellar, you've also realised that it goes so deep into Physics that some details seemed really.... "reachy". Theoretical Physics is a huge, huge field with not a lot of definitive answers, simply because we're too small for such a big complex Universe. Interstellar goes a step forward, trying to create a fictional, futuristic story completely based on proved universal science. In fact, that was the goal for Kip Thorne, scientific advisor and one of the screenwriters: wormholes, black holes, planets, life, gravity, bulk and brane and lots of other concepts (most of them you've probably never heard of) are explored and are as faithful to what physicists know nowadays as they can be. The Science of Interstellar tries to explain in detail these events, showing how everything we see in the movie is possible.

When I first heard about the book, I was both curious and suspicious. I am a fan of Theoretical Physics, so a book about the Universe that explores the latest, most advanced, theories sounds amazing. However, I was not impressed by it as a guide for Interstellar. What kind of movie requires further reading to be understood, to be justified? If it needs a support besides itself, it is not a good work.

Fortunately, this works as a popular science book. Even if you have never seen the movie, you will enjoy reading about the whole great Universe we live in and about today's top knowledge about it (watch out for the major spoilers though). And even if you've seen the movie, you don't really need this book to understand the science behind it. It's more of an extra for the die-hard, geeky fans.

It gets really complicated, since it explores the deepest, most complex theories physicists have ever come up with till today. It's not easy to follow by someone who has never studied more than the basics. However, it is so beautifully written that even the most difficult theories are quite understandable. Even better: it never gets boring. Throughout these pages, I've never felt tired. Not even Stephen Hawking was able to make his most complicated theories into such an entertaining reading!

To be quite honest, I don't really have anything bad to say about the book. It is a much needed compendium of the most advanced knowledge in Theoretical Physics for those who, like me, are not in that field. It's time to leave the all-time classics in the shelf and read something that is highly updated!

Oh wait... I forgot: this is a book about the science of the movie Interstellar! Well, about that... Don't wait for the answers you want. It's too disappointing. I don't want to give away any spoilers for those who haven't seen the film, but the most complex concepts the movie shows (basically the last thirty minutes) are worth two pages in the book. It is very, very disappointing how the real questions the movie raises, the physics that actually made some controversy for being so apparently fictional, are not explained in a decent way. All those flaws and the storyline Nolan decides to follow are nothing but artistic choices. If so, why would you write a book that claims to explain the science behind the movie?

Anyway, like I said previously, if you forget that this book is about the movie, and focus on the promotion of updated science, it is amazing.

I'm ashamed I didn't know Kip Thorne sooner. He has worked with the greatest personalities in Physics, including Carl Sagan and Stephen Hawking, and is an outstanding writer! When it comes to science promotion, The Science of Interstellar is as good as anything the most popular Hawking has written (to be honest, I enjoyed it even more). I feel completely fullfiled.


quinta-feira, 5 de março de 2015

O Filho de Thor, de Juliet Marillier

Depois do sucesso obtido com a trilogia Sevenwaters, a Bertrand apresenta a nova série de Juliet Marillier A Saga das Ilhas Brilhantes, com o primeiro volume intitulado O Filho de ThorEyvind sempre quis ser um dos maiores guerreiros viquingues – um Pele-de-Lobo – e lutar pelo seu chefe em nome do deus Pai da Guerra, Thor. Não concebe outro futuro mais glorioso. Mas o seu amigo Somerled, um rapaz estranho e solitário, tem outros planos para o futuro. Um juramento de sangue feito na infância força estes dois homens a uma vida de lealdade mútua.
A um mundo de distância, Nessa, sobrinha do Rei dos Folk, começa a aprender os mistérios da sua fé. Nem a jovem sacerdotisa nem o seu povo imaginam o que lhes reserva o futuro.

 Eyvind e Somerled parecem destinados a seguir caminhos diferentes. Um torna-se um feroz servidor de Thor e o outro um cortesão erudito. Uma viagem chefiada pelo respeitado irmão de Somerled, Ulf, junta de novo os dois amigos, que acompanham um grupo de colonos que se vai instalar numas ilhas maravilhosas do outro lado do mar. Quando um facto trágico acontece a bordo de um dos navios, Eyvind começa a suspeitar de que talvez não tenha sido um acidente...

Li a famosa trilogia Sevenwaters há vários anos, demasiados anos para na verdade me lembrar dos pormenores da saga.
É o que acontece com o tempo: é muito difícil lembrar algumas histórias, mesmo aquelas que gostámos tanto. As leituras vão-se acumulando, sobretudo para alguém que lê tanto como eu, e as velhas histórias vão dando lugar a outras. Contudo, o que nunca desaparece é a emoção que a leitura planta em nós. Essa fica para sempre no coração. E é com muita saudade que guardo de Sevenwaters a paixão da leitura, o nervosismo que me assaltou em cada um dos livros. Bolas, como Marillier nos consegue enlouquecer de ansiedade!
Se ainda não lerem o livro A Filha da Floresta, façam-no. Não é um conselho, é mesmo uma ordem! Bastou-me ler uma trilogia para considerar Juliet Marillier uma das escritoras mais entusiasmantes que conheço.

Esta Saga das Ilhas Brilhantes esperou nas minhas estantes muito, muito tempo até conseguir pegar nela. Não foi por falta de vontade: voltar a pegar em Marillier foi sempre um grande desejo. Ainda hoje estou apaixonado por Sevenwaters.
As expectativas eram altas, muito altas. Mas em vez da paixão que queria encontrar, perdura desta vez um certo sabor a desilusão.

O Filho de Thor é um conto nórdico, de Vikings e Pictos. Conta a história de Eyvind, um guerreiro norueguês, do seu melhor amigo Somerled e de Nessa, sacerdotisa das Ilhas Brilhantes. Eyvind é um guerreiro exímio, um verdadeiro filho de um deus, de mentalidade simples; Somerled é muito inteligente, astuto, com planos grandiosos que pretende concretizar a qualquer custo; Nessa é uma princesa, conhecedora de mistérios antigos, e habitante dessas ilhas belas e recheadas de magia. Começamos por conhecer os dois amigos e perceber a profunda amizade que os une, até os noruegueses chegarem às Ilhas Brilhantes e os acontecimentos se precipitarem, mudando a vida de todos para sempre.


Com Eyvind e Somerled, Marillier tentou escrever personagens um pouco mais exigentes. Os valores da amizade, da lealdade, os juramentos, são bastante discutidos e a autora tentou criar conflitos profundos à volta disso. De certa forma conseguiu-o, o que tornou o livro minimamente interessante.
Mas, infelizmente, a história é demasiado previsível. Desde o início do livro que se torna bastante evidente, nada do que acontece é uma surpresa. O único elemento inesperado (um certo objecto mágico) é na verdade uma peça da trama que aparece do nada no fim do livro, que oferece quase nenhum desafio para ser obtido e facilita muito a vida dos protagonistas. Em geral, apesar de nunca ter posto de lado o livro, senti-me aborrecido por tudo isto.
Não é a leitura compulsiva que estava à espera e incomoda-me bastante quando a magia é desculpa para soluções fáceis. Fora alguns danos colaterais, a resolução fácil dos problemas foi desapontante.

No entanto, a construção do enredo de Marillier está lá: a forma como ela apresenta as personagens, sobretudo a forma como ela desenvolve a inquietação do final. Grande parte do conflito final da história baseia-se numa luta contra o tempo, e é por isso que os livros de Marillier se tornam tão entusiasmantes, tão difíceis de largar ou de conter o nervosismo. Apesar de tudo, encontramos isso neste livro. Só tenho pena que a história em si não me tenha surpreendido tanto.

Juliet Marillier continua a ser uma escritora exímia, com uma capacidade extraordinária de contar histórias. Ela sabe tecer a narrativa, sabe a fórmula de agarrar o leitor, oh se sabe. Mas esta história em particular não resultou para mim. Demasiado previsível, e no fim pouco exigente. Não deixarei de ler o próximo volume, Máscara de Raposa, mas sinto-me mais desencorajado a ler outros livros dela. Prefiro reler Sevenwaters.



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