Após a batalha que reduziu a Ilha dos Sonhos a cinzas,
Kelda assume-se como Sacerdotisa dos Penhascos para salvar o seu povo. Durante a longa viagem que a levará à Terra das Montanhas de Areia, a
jovem guerreira interroga-se se
irá encontrar Halvard, o seu irmão gémeo marcado pelo destino para
concretizar a profecia do Filho do Dragão. Contudo, antes
terá de combater Deimos, o rei do Povo do Fogo, e o terrível feiticeiro Sigarr. Entretanto, o tempo dos povos livres esgota-se. Na Terra das Montanhas de Areia, centenas de navios
de guerra estão prontos para navegar rumo ao Império e à Grande Ilha. Na Ilha Sagrada, os Seres Superiores conspiram para se apoderarem das Lágrimas do Sol e da Lua. Kelda apenas pode
contar com a preciosa ajuda da Observadora Íris, a única que tem a
coragem de contradizer o Conselho. Todavia, para cumprir o plano da feiticeira, deverá fingir que pactua com o inimigo, enquanto a Arte Obscura ameaça dominar-lhe a vontade. Conseguirá Kelda manter a essência
pura, libertar o irmão da influência de Sigarr e desviá-lo do trilho da perdição? Ou já estará o coração de Halvard corrompido pelas trevas? Quando as trompas de guerra soarem, poderá a decisora salvar os Viquingues e
os Aliados? Ou será obrigada a erguer armas contra aqueles que jurou
proteger?
Seguindo a história de Kelda, vimo-la a mudar o rumo do destino de todos no último livro, A Sacerdotisa dos Penhascos, numa reviravolta de eventos absolutamente emocionante. Agora, ela vai parar a terras estranhas, contactar com os Feiticeiros e reencontrar o seu irmão, Halvard. Finalmente, a esperança inflama no seu coração e ela lutará pela recuperação do irmão, onde quer que isso a leve. No entanto... Halvard está cada vez mais obcecado pela profecia. Ele é o Filho do Dragão. Será que o amor que ele próprio nutre pela irmã é suficiente para o curar da loucura?
Um livro muito, muito mais negro e violento do que aquilo a que Sandra Carvalho nos habituou. Impossível ser de outra forma quando nos deparamos com uma personagem tão maquiavélica, insana, como o Filho do Dragão! Talvez seja estranho para alguns leitores pouco acontecer para além da intensa caracterização das personagens (todos os livros até agora têm oferecido sempre bastante trama com enredos diferentes em todos os sentidos), mas é uma "pausa" necessária para construir decentemente esta história. Para além de que, apesar de pouco avançar, não deixam de haver surpresas que nos fazem querer ainda mais saber o que irá acontecer no fim a todas as personagens que amamos e odiamos!
Tão bom quanto o anterior, igualmente emocionante. Diferente da leitura a que estamos habituados, visto que o espaço é completamente diferente: não há Viquingues nem Países Nórdicos, mas sim desertos de areia e um povo a fazer lembrar os árabes, apesar de infelizmente o potencial destes novos cenários mal serem explorados... Talvez numa outra saga, numa outra história. Também não há Montanhas Sagradas nem intervenções de magia caída do céu. Diferente, sim, mas para mim é uma mudança positiva.
Para além da acção mais violenta, quase difícil de encarar (que eu, confesso, aprecio bastante, já que parece vir dar à história novos ares, um fôlego renovado), temos bastantes personagens novas (desde Erebus, um "monstro" com um coração bondoso, e Halvard) e mesmo as antigas não são as mesmas! Falo, claro, de Sigarr, o malvado feiticeiro que conhecemos desde o primeiro livro e que não só se torna absolutamente principal (aliás, é provavelmente a personagem mais interessante que já apareceu em toda a saga) como se revela capaz de fazer abalar as nossas convicções. O que quer que aconteça no próximo livro, o último livro... Sandra Carvalho deixa-nos o mais entusiasmados possível, totalmente prontos para o grande final!
domingo, 28 de setembro de 2014
sábado, 27 de setembro de 2014
A Sacerdotisa dos Penhascos, de Sandra Carvalho
Os Guardiães das
Lágrimas do Sol e da Lua vivem finalmente em plena união. Dos seus
amores nasceram Halvard e Kelda, os gémeos sobre quem pairam profecias
grandiosas e temíveis. Halvard está nas mãos de Sigarr, o Mestre da Arte
Obscura, que espera treiná-lo para ser o Guardião do Conhecimento
Absoluto, e usar o imenso poder deste em seu proveito. Kelda, no topo
da mais alta fraga da Ilha dos Penhascos, entrega o seu corpo dorido e
espírito destroçado à violência da tempestade, enquanto as palavras da
sua melhor amiga Oriana qual maldição : «Hás-de acabar sozinha e
devorada pelo mal como o teu irmão!» Como poderá lutar contra as
forças negras do destino, se todos aqueles que ama lhe viram as costas?
Será capaz de provar que os pais estavam enganados acerca da sua índole
perversa? E resgatar Halvard do jugo dos Feiticeiros, cumprir os
desígnios da Pedra do Tempo e salvar a sua própria alma? Ou está
condenada a ceder ao apelo da Arte Obscura que pulsa no seu sangue e
tomba ao abismo?
Eis-nos na terceira geração de A Saga das Pedras Mágicas, a última geração! Eis que começa a última parte da história e que foi profetizada no primeiro livro de todos, A Última Feiticeira: a profecia do Filho do Dragão, um homem nascido da Rainha do Sol e do Rei da Lua que deterá o Conhecimento Absoluto e será um deus terreno.
Kelda é irmã de Halvard, que está a ser treinado por um Feiticeiro de Magia Obscura para se tornar o Filho do Dragão. Obstinada, ela acredita no bom coração do irmão e que conseguirá contrariar o destino, custe o que custar. Contudo, quem a rodeia não acredita nela e ela ainda não conhece o poder da sua magia... Este é o seu livro, e abençoada seja a sua vinda!
Infelizmente, muitos leitores perdem o entusiasmo pela história chegados à história de Edwina (mãe de Kelda). De facto, das três protagonistas, é a menos cativante. Mas mais infeliz é o facto de esses leitores não chegarem a conhecer aquela que é provavelmente a melho protagonista de todas! Kelda é teimosa, muito poderosa, lutadora, e fará tudo o que for preciso para contrariar a profecia e recuperar o irmão. Ao mesmo tempo, é uma apaixonada, uma eterna sonhadora, que nem sempre pensa antes de agir mas porque aquilo que acredita vem sempre em primeiro lugar. Para além disso, ser a ovelha negra da família e desprezada por todos aqueles que a rodeiam tornam-na ainda mais simpática aos nossos olhos.
Um livro bastante bem construído. Não só a escrita continua apaixonante como sempre, mas também me agradou bastante a forma como a história é desenvolvida, sem grandes devaneios amorosos desnecessários ou mesmo enredos paralelos confusos. A escritora cresceu, assim como as personagens (é aliás muito interessante reparar em como o temperamento de certos protagonistas se vai alterando à medida que os livros avançam, à medida que elas próprias envelhecem). Grande parte do livro dedica-se a envolver-nos na história de Kelda e a construir a sua personagem, até às grandes, enormes reviravoltas do final! Mais uma vez, e como Sandra Carvalho já nos mostrou, o destino acaba sempre por se concretizar... Mas nem sempre da forma que esperamos. E o final deste livro é, sem dúvida, o melhor que já li desta saga! Mais uma vez, Kelda e a sua história revelam-se a melhor coisa que esta série nos oferece. Tenho mesmo muita pena que o melhor tenha ficado para o fim e sejamos "obrigados" a esperar tanto.
Eis-nos na terceira geração de A Saga das Pedras Mágicas, a última geração! Eis que começa a última parte da história e que foi profetizada no primeiro livro de todos, A Última Feiticeira: a profecia do Filho do Dragão, um homem nascido da Rainha do Sol e do Rei da Lua que deterá o Conhecimento Absoluto e será um deus terreno.
Kelda é irmã de Halvard, que está a ser treinado por um Feiticeiro de Magia Obscura para se tornar o Filho do Dragão. Obstinada, ela acredita no bom coração do irmão e que conseguirá contrariar o destino, custe o que custar. Contudo, quem a rodeia não acredita nela e ela ainda não conhece o poder da sua magia... Este é o seu livro, e abençoada seja a sua vinda!
Infelizmente, muitos leitores perdem o entusiasmo pela história chegados à história de Edwina (mãe de Kelda). De facto, das três protagonistas, é a menos cativante. Mas mais infeliz é o facto de esses leitores não chegarem a conhecer aquela que é provavelmente a melho protagonista de todas! Kelda é teimosa, muito poderosa, lutadora, e fará tudo o que for preciso para contrariar a profecia e recuperar o irmão. Ao mesmo tempo, é uma apaixonada, uma eterna sonhadora, que nem sempre pensa antes de agir mas porque aquilo que acredita vem sempre em primeiro lugar. Para além disso, ser a ovelha negra da família e desprezada por todos aqueles que a rodeiam tornam-na ainda mais simpática aos nossos olhos.
Um livro bastante bem construído. Não só a escrita continua apaixonante como sempre, mas também me agradou bastante a forma como a história é desenvolvida, sem grandes devaneios amorosos desnecessários ou mesmo enredos paralelos confusos. A escritora cresceu, assim como as personagens (é aliás muito interessante reparar em como o temperamento de certos protagonistas se vai alterando à medida que os livros avançam, à medida que elas próprias envelhecem). Grande parte do livro dedica-se a envolver-nos na história de Kelda e a construir a sua personagem, até às grandes, enormes reviravoltas do final! Mais uma vez, e como Sandra Carvalho já nos mostrou, o destino acaba sempre por se concretizar... Mas nem sempre da forma que esperamos. E o final deste livro é, sem dúvida, o melhor que já li desta saga! Mais uma vez, Kelda e a sua história revelam-se a melhor coisa que esta série nos oferece. Tenho mesmo muita pena que o melhor tenha ficado para o fim e sejamos "obrigados" a esperar tanto.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Os Três Reinos, de Sandra Carvalho
Neste quinto volume de A
Saga das Pedras Mágicas, as sombras da morte e da guerra alastraram
sobre o Norte do Mundo e Thora, a loba prateada, desespera ao saber do
destino das suas irmãs. Freya encontra-se prisioneira de Aesa, a rainha
feiticeira do povo vândalo, enquanto Edwina, a Guardiã da Lágrima do
Sol, foi mortalmente ferida. Será que desta vez nem Edwin, o Guardião da
Lágrima da Lua, conseguirá resgatar a sua amada? Do Império, a sul,
chegam rumores de que aquele que traz consigo o propósito de lançar
sobre a Terra a escuridão eterna já encarnou o Homem. Que esperança
restará aos defensores do Bem, quando até as pedras mágicas da
feiticeira Aranwen estão agora nas mãos do inimigo? Estará a profecia
dos Três Reinos condenada a perder-se nesta luta caótica sem jamais se
concretizar?
http://sandracarvalho.cjb.net
Com este quinto volume, chegamos ao fim da segunda geração desta saga. Depois de tantas horas dedicadas ao destino das pedras mágicas da feiticeira Aranwen, já começamos a sentir aquela conexão natural com os livros, aquela familiaridade que ganhamos quando embrenhamos numa série.
Continuando o acelerante O Círculo do Medo, Os Três Reinos serve de conclusão à história da geração de Edwina. E pouco mais há para dizer deste livro. O ritmo da história é bastante acelerado, e o início do livro é particularmente emocionante (com o regresso de algumas das personagens mais icónicas). Porém, a história não assume traços tão conflituosos quanto no livro anterior. Em vez disso, assistimos à concretização das profecias e à conclusão (previsível) da história desta geração. Poucos são os obstáculos encontrados pelas personagens neste livro, todos os problemas são resolvidos e mais uma geração ganha alguns anos de paz, até ao dia em que os seus filhos tenham de enfrentar novas ameaças (e a última profecia de todas, a do Filho do Dragão).
Apesar da resolução de todos os problemas parecer relativamente rápida e sobretudo previsível, continuamos a ser presentados com aquilo que, para mim, é o verdadeiro motivo que nos dá fôlego para continuar a ler: a escrita de Sandra Carvalho. É impressionanteo quão cativantes conseguem ser as suas palavras! Cativantes o suficiente para não nos aborrecerem, o suficiente para nos fazer esquecer dos momentos menos convincentes da história (e não são poucos, tanta é a Magia envolvida e as coincidências demasiado oportunas que estão sempre lá para ajudar as personagens, mesmo nos momentos impossíveis de serem remediados).
Gostei em particular do novo vilão (um feiticeiro disfarçado de cristão) e de toda a história ligada a ele (situada no Império, a parte cristã e mais "ocidental" deste mundo). Aliás, esses elementos, que eu diria imprevisíveis, foram acrescentados ao enredo e creio que trarão excitantes desenvolvimentos nos próximos livros!
Mais uma vez, uma leitura que entretém bastante e que nos deixa sempre a querer ler um pouco mais.
http://sandracarvalho.cjb.net
Com este quinto volume, chegamos ao fim da segunda geração desta saga. Depois de tantas horas dedicadas ao destino das pedras mágicas da feiticeira Aranwen, já começamos a sentir aquela conexão natural com os livros, aquela familiaridade que ganhamos quando embrenhamos numa série.
Continuando o acelerante O Círculo do Medo, Os Três Reinos serve de conclusão à história da geração de Edwina. E pouco mais há para dizer deste livro. O ritmo da história é bastante acelerado, e o início do livro é particularmente emocionante (com o regresso de algumas das personagens mais icónicas). Porém, a história não assume traços tão conflituosos quanto no livro anterior. Em vez disso, assistimos à concretização das profecias e à conclusão (previsível) da história desta geração. Poucos são os obstáculos encontrados pelas personagens neste livro, todos os problemas são resolvidos e mais uma geração ganha alguns anos de paz, até ao dia em que os seus filhos tenham de enfrentar novas ameaças (e a última profecia de todas, a do Filho do Dragão).
Apesar da resolução de todos os problemas parecer relativamente rápida e sobretudo previsível, continuamos a ser presentados com aquilo que, para mim, é o verdadeiro motivo que nos dá fôlego para continuar a ler: a escrita de Sandra Carvalho. É impressionanteo quão cativantes conseguem ser as suas palavras! Cativantes o suficiente para não nos aborrecerem, o suficiente para nos fazer esquecer dos momentos menos convincentes da história (e não são poucos, tanta é a Magia envolvida e as coincidências demasiado oportunas que estão sempre lá para ajudar as personagens, mesmo nos momentos impossíveis de serem remediados).
Gostei em particular do novo vilão (um feiticeiro disfarçado de cristão) e de toda a história ligada a ele (situada no Império, a parte cristã e mais "ocidental" deste mundo). Aliás, esses elementos, que eu diria imprevisíveis, foram acrescentados ao enredo e creio que trarão excitantes desenvolvimentos nos próximos livros!
Mais uma vez, uma leitura que entretém bastante e que nos deixa sempre a querer ler um pouco mais.
domingo, 21 de setembro de 2014
O Círculo do Medo, de Sandra Carvalho
A norte reina uma paz
instável nas terras dos Vinquingues que submeteram os Vândalos e Aesa, a
sua rainha, sob apertado cerco; para sul, estabeleceram-se o Império e a
fé cristã, em boa vizinhança com a Ilha dos Sonhos; muito longe, ainda
mais para sul, fica a ilha do maquiavélico Sigarr, onde no último volume
Edwina assistiu ao desaparecimento do seu amado Edwin nas águas
profundas do oceano. Contudo, na sombra, os mestres da Arte Obscura
conspiram: não desistem de se assenhorar das Pedras Mágicas da
feiticeira Aranwen. Julgando Edwin morto, Edwina, a Rainha do Sol,
deposa Ivarr, e todos esperam dela um herdeiro que perpetue a linhagem
dos reis vinquingues. Mas será que mistérios ainda ocultos virão a
alterar o rumo dos acontecimentos? Poderão, como profetizado, as
essências do Sol e da Lua fundirem-se numa só, para darem origem a um
Conhecimento superior, como o de um deus? Serão os nossos heróis
suficientemente fortes e determinados para superarem todas as provas que
o destino lhes impõe.
http://sandracarvalho.cjb.net
Estou sem fôlego! Bravo Sandra, bravo!
Chegados ao quarto volume da saga, a acção intensifica-se, as emoções explodem... Sim, explodem! O Círculo do Medo prende-nos numa espiral de acontecimentos que nos deixam a querer ler mais, mais e mais!
É a continuação de Lágrimas do Sol e da Lua, seguindo a história de Edwina e os seus conflitos entre o dever e o coração. Porém, enquanto o livro anterior deixou o gosto de uma introdução, é neste volume que o verdadeiro desenvolvimento acontece e a leitura se torna mais viciante. Sem dúvida, o meu preferido até agora!
Desde o primeiro livro que o enredo da história se desenvolve quase ao mesmo passo de uma telenovela... O que é tão bom quanto mau, dependendo do leitor e das suas expectativas. Não obstante, é uma solução eficaz para quem, como Sandra Carvalho, se compromete a escrever uma história tão extensa com tantas reviravoltas! Aliás, ao contrário da maior parte das novelas, tudo parece muito bem pensado nesta saga. Nenhum passo, por muito pequeno que seja, é em vão. Desde o primeiro livro que a autora parece escrever a pensar no último, criando uma agradável panóplia de elementos, situações, pormenores, sem qualquer dúvida importantes no desfecho.
Adorei conhecer uma Edwina mais madura. No seu primeiro livro, não é a personagem mais convincente. Já neste, temos finalmente a honra de conhecer uma mulher muito poderosa e confiante dos seus poderes (o que, para mim, a eleva como protagonista, visto que a sua mãe apesar de poderosa raramente confiava plenamente em si). Tudo parece suceder-se a alta velocidade, é até agora o livro mais chocante (quantos acontecimentos inesperados, quanta emoção!) e, como se não bastasse, o fim do livro deixa-nos sedentos de mais (também hábito da escritora)!
Mais uma vez, uma leitura apaixonante e que vivo a cada página. Mas sou obrigado a avisar: se não gosta de Fantasia, não pegue nesta saga. Se não gosta de ler histórias onde a magia resolve tudo, não vale a pena o esforço. Aliás, é impossível não reparar que a magia está sempre lá para ajudar as nossas personagens, quer seja num ferimento impossível de ser curado, quer seja para mostrar o caminho certo. Eu próprio nem sempre tolero esta abordagem, visto que torna a história demasiado inacreditável. Visões e águas milagrosas são caminhos fáceis, e um bom contador de histórias deveria conseguir evitá-los...
Mas a escrita de Sandra Carvalho continua a manter-me agarrado nos momentos menos credíveis. Não nego, não consigo resistir à sua magia.
http://sandracarvalho.cjb.net
Estou sem fôlego! Bravo Sandra, bravo!
Chegados ao quarto volume da saga, a acção intensifica-se, as emoções explodem... Sim, explodem! O Círculo do Medo prende-nos numa espiral de acontecimentos que nos deixam a querer ler mais, mais e mais!
É a continuação de Lágrimas do Sol e da Lua, seguindo a história de Edwina e os seus conflitos entre o dever e o coração. Porém, enquanto o livro anterior deixou o gosto de uma introdução, é neste volume que o verdadeiro desenvolvimento acontece e a leitura se torna mais viciante. Sem dúvida, o meu preferido até agora!
Desde o primeiro livro que o enredo da história se desenvolve quase ao mesmo passo de uma telenovela... O que é tão bom quanto mau, dependendo do leitor e das suas expectativas. Não obstante, é uma solução eficaz para quem, como Sandra Carvalho, se compromete a escrever uma história tão extensa com tantas reviravoltas! Aliás, ao contrário da maior parte das novelas, tudo parece muito bem pensado nesta saga. Nenhum passo, por muito pequeno que seja, é em vão. Desde o primeiro livro que a autora parece escrever a pensar no último, criando uma agradável panóplia de elementos, situações, pormenores, sem qualquer dúvida importantes no desfecho.
Adorei conhecer uma Edwina mais madura. No seu primeiro livro, não é a personagem mais convincente. Já neste, temos finalmente a honra de conhecer uma mulher muito poderosa e confiante dos seus poderes (o que, para mim, a eleva como protagonista, visto que a sua mãe apesar de poderosa raramente confiava plenamente em si). Tudo parece suceder-se a alta velocidade, é até agora o livro mais chocante (quantos acontecimentos inesperados, quanta emoção!) e, como se não bastasse, o fim do livro deixa-nos sedentos de mais (também hábito da escritora)!
Mais uma vez, uma leitura apaixonante e que vivo a cada página. Mas sou obrigado a avisar: se não gosta de Fantasia, não pegue nesta saga. Se não gosta de ler histórias onde a magia resolve tudo, não vale a pena o esforço. Aliás, é impossível não reparar que a magia está sempre lá para ajudar as nossas personagens, quer seja num ferimento impossível de ser curado, quer seja para mostrar o caminho certo. Eu próprio nem sempre tolero esta abordagem, visto que torna a história demasiado inacreditável. Visões e águas milagrosas são caminhos fáceis, e um bom contador de histórias deveria conseguir evitá-los...
Mas a escrita de Sandra Carvalho continua a manter-me agarrado nos momentos menos credíveis. Não nego, não consigo resistir à sua magia.
sábado, 20 de setembro de 2014
Lágrimas do Sol e da Lua, de Sandra Carvalho
Neste terceiro volume de
A Saga das Pedras Mágicas a acção e a magia continuam empolgantes. No
coração da Floresta Sombria, Aesa, rainha do povo vândalo e mestra da
Arte Obscura, engendra um plano para se apoderar das sete pedras mágicas
da Feiticeira Aranwen. Entretanto, na Ilha dos Sonhos, Catelyn e
Throst, o Guerreiro-Lobo, preparam as suas filhas Edwina, Thora e Freya
para assumirem os seus próprios destinos. Edwina, a primogénita, aceita
tornar-se Guardiã da Lágrima do Sol e aguarda o chamamento da Pedra do
Tempo. Do outro lado do mundo, Sigarr, irmão de Aesa, treina Edwin para
servir os seus desígnios. tentando concretizar a profecia que dita que o
filho varão do Rei da Lua e da Rainha do Sol terá o poder de fundir a
Arte Obscura e a Arte Luminosa para atingir o conhecimento absoluto. Mas
será ele capaz de transformar a essência profunda do seu pupilo... ou
ainda haverá esperança de salvar Edwin e libertar a Lágrima da Lua?
Continuando a minha jornada numa das maiores sagas fantásticas da Literatura Portuguesa, avanço para o seu terceiro volume e uma nova geração de personagens. Desta vez, a protagonista é Edwina, filha da protagonista dos dois livros anteriores. Nasceu destinada a tornar-se Guardiã da Lágrima do Sol e combater o Mal. Mas os sentimentos vão-se interpor naquela que é a sua missão de berço quando começa a afeiçoar-se a Edwin, seu primo e servo de um mestre de magia negra...
É impossível não sentir a diferença de protagonistas (a personalidade de Edwina ainda não é tão cativante quanto a da sua mãe), mas de qualquer forma a leitura mantém a mesma paixão, a mesma força para agarrar o leitor!
Se em O Guerreiro Lobo a história já se começa a adivinhar bastante intrincada (a prometer vários livros pela frente), este volume vem apresentar os muitos enredos que nos vão acompanhar praticamente até ao fim da saga! A história de Edwina com Edwin, a Ilha dos Penhascos, o Povo da Terra, o Povo do Fogo, o Reino dos Viquingues, o Reino dos Vândalos, o Império... Por muito que custe a acreditar, cada um destes cenários vai originar uma intriga diferente! E todos eles se vão cruzando, alguns mais discretamente que outros mas, mais uma vez, a premonizar ligações futuras (e talvez essenciais para o culminar de toda a saga!).
Para não variar, Sandra Carvalho constrói a sua história à volta do legado de várias famílias, resultando numa panóplia de irmãos e irmãs, primos e primas, que continuam a baralhar o leitor menos atento. Uma vez que não é fácil apreender todas essas ligações imediatamente (continua a ser um pequeno ponto fraco na narrativa da escritora), recomendo vivamente a desenharem uma árvore genealógica o mais completa possível para ajudar a visualizar todo o elenco da história.
Para alguns, isto pode ser muito confuso. A quantidade de personagens, a quantidade de fios condutores, por muito que se entrecruzem, podem chatear um leitor menos paciente. Para mim é, aliada à escrita de Sandra Carvalho, a mais valia de toda esta saga! Talvez a história nem seja a mais original de todas, ou a mais surpreendente. Talvez não. Mas é delicioso depararmo-nos com uma história tão rica em destinos cruzados, por vezes baseados em pormenores de livros anteriores ou que sabemos que serão fundamentais em livros seguintes! Este exercício de escrita sempre me encantou e Sandra Carvalho sabe o que faz. Espero confirmar com os próximos livros que, de facto, toda a saga foi bem pensada até à última página.
Talvez por se tratar de uma nova geração, e porque esta se estende por três livros, Lágrimas do Sol e da Lua fica na memória como uma introdução. A escrita cativante de Sandra Carvalho continua a fazer deste livro uma leitura à qual vale a pena dedicar o nosso tempo, e a apresentação de novas personagens e novos enredos promete-nos muito suspense e grandes emoções. Contudo, por agora não passa disso, uma promessa. É apenas a primeira parte da história.
Por isso mesmo, acaba por ser o livro menos empolgante, obviamente inferior às emoções de O Guerreiro-Lobo. Mas não é caso para ficar desanimado, porque profetiza desenvolvimentos imperdíveis nos próximos livros! Continua a ser uma leitura que recomendo a quem gosta de Fantasia, a quem gosta de romances, a quem gosta de um Bom livro, de uma Boa leitura, que o cative quase inesperavelmente.
Continuando a minha jornada numa das maiores sagas fantásticas da Literatura Portuguesa, avanço para o seu terceiro volume e uma nova geração de personagens. Desta vez, a protagonista é Edwina, filha da protagonista dos dois livros anteriores. Nasceu destinada a tornar-se Guardiã da Lágrima do Sol e combater o Mal. Mas os sentimentos vão-se interpor naquela que é a sua missão de berço quando começa a afeiçoar-se a Edwin, seu primo e servo de um mestre de magia negra...
É impossível não sentir a diferença de protagonistas (a personalidade de Edwina ainda não é tão cativante quanto a da sua mãe), mas de qualquer forma a leitura mantém a mesma paixão, a mesma força para agarrar o leitor!
Se em O Guerreiro Lobo a história já se começa a adivinhar bastante intrincada (a prometer vários livros pela frente), este volume vem apresentar os muitos enredos que nos vão acompanhar praticamente até ao fim da saga! A história de Edwina com Edwin, a Ilha dos Penhascos, o Povo da Terra, o Povo do Fogo, o Reino dos Viquingues, o Reino dos Vândalos, o Império... Por muito que custe a acreditar, cada um destes cenários vai originar uma intriga diferente! E todos eles se vão cruzando, alguns mais discretamente que outros mas, mais uma vez, a premonizar ligações futuras (e talvez essenciais para o culminar de toda a saga!).
Para não variar, Sandra Carvalho constrói a sua história à volta do legado de várias famílias, resultando numa panóplia de irmãos e irmãs, primos e primas, que continuam a baralhar o leitor menos atento. Uma vez que não é fácil apreender todas essas ligações imediatamente (continua a ser um pequeno ponto fraco na narrativa da escritora), recomendo vivamente a desenharem uma árvore genealógica o mais completa possível para ajudar a visualizar todo o elenco da história.
Para alguns, isto pode ser muito confuso. A quantidade de personagens, a quantidade de fios condutores, por muito que se entrecruzem, podem chatear um leitor menos paciente. Para mim é, aliada à escrita de Sandra Carvalho, a mais valia de toda esta saga! Talvez a história nem seja a mais original de todas, ou a mais surpreendente. Talvez não. Mas é delicioso depararmo-nos com uma história tão rica em destinos cruzados, por vezes baseados em pormenores de livros anteriores ou que sabemos que serão fundamentais em livros seguintes! Este exercício de escrita sempre me encantou e Sandra Carvalho sabe o que faz. Espero confirmar com os próximos livros que, de facto, toda a saga foi bem pensada até à última página.
Talvez por se tratar de uma nova geração, e porque esta se estende por três livros, Lágrimas do Sol e da Lua fica na memória como uma introdução. A escrita cativante de Sandra Carvalho continua a fazer deste livro uma leitura à qual vale a pena dedicar o nosso tempo, e a apresentação de novas personagens e novos enredos promete-nos muito suspense e grandes emoções. Contudo, por agora não passa disso, uma promessa. É apenas a primeira parte da história.
Por isso mesmo, acaba por ser o livro menos empolgante, obviamente inferior às emoções de O Guerreiro-Lobo. Mas não é caso para ficar desanimado, porque profetiza desenvolvimentos imperdíveis nos próximos livros! Continua a ser uma leitura que recomendo a quem gosta de Fantasia, a quem gosta de romances, a quem gosta de um Bom livro, de uma Boa leitura, que o cative quase inesperavelmente.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
O Caminho para a Libertação, de Dalai Lama
Com um título bastante inspirador (falo por mim, não me importava de me sentir um pouco menos perdido), o que fui encontrar nestas páginas foi quase que um guia bíblico, e não uma palestra do Osho. Aliás, parece ser precisamente um resumo dos ensinamentos do budismo tibetano, poupando-nos de ler a "bíblia" original.
Descobri que, apesar das suas diferenças filosóficas, é uma religião tão exigente quanto todas as outras. Aliás, chego à triste conclusão que qualquer religião, qualquer uma, tem as suas imposições e é à vista de outras perspectivas mais fechada do que possa parecer à primeira vista. O Budismo Tibetano não é excepção. Para quem procura uma filosofia de vida mais aberta, não acho que este caminho seja o melhor.
O problema do livro não é problema nenhum: é um problema do leitor. Um problema meu. Eu queria encontrar um livro que me mostrasse a beleza da filosofia budista, não um que me fizesse ver que o budismo é, tal como o Cristianismo ou o Islamismo, uma religião.
Acho que é um erro em que eu e muitos outros caímos. Gostamos de ver o Budismo como uma religião alternativa, uma espécie de estilo de vida mais filosófica que religiosa. E ao avançar as páginas de "O Caminho da Libertação", não consegui deixar de notar que Dalai Lama fala do budismo tibetano num tom parecido com o de uma Bíblia ou uma Cora. E isso, confesso, não é para mim. Várias vezes me senti terrivelmente aborrecido porque eu não sou uma pessoa religiosa e não tiro muito prazer em leituras desse calibre.
Também tenho de notar que várias vezes Dalai-Lama "puxa a brasa à sua sardinha" com as muitas referências à dependência do Tibete e ao envolvimento da China na política e religião. E por muito mau que o regime chinês seja para o Tibete, este tipo de promoção, qualquer tipo de promoção, pelo que percebi pelo livro, vai contra os próprios ensinamentos budistas. Torna-se de vez em quando enfadonho ler essa publicidade toda.
No geral, suponho que um bom livro para quem é budista ou estuda o assunto. Para quem quer é apenas curioso ou para quem quer um livro inspirador para acordar de manhã, recomendaria outros.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Rio Equilibrium, de Ricardo Tomaz Alves
Há muito que o
equilíbrio natural do universo foi afectado. Vida e Ethrom, anjo e
demónio extraditados das origens, decidem por isso criar um ser que
restaure o que foi destruído e reequilibre a natureza. É assim que é
concebido Rio Equilibrium, um híbrido que possui o que de melhor e pior
os criadores lhe transmitiram, lutando contra a própria harmonia.
Trata-se de uma luta não só pessoal mas altruísta que trará uma nova
esperança ao universo e a todos os seres que o habitam. Para ultrapassar
os obstáculos, Rio contará com o auxílio de fortes personalidades que
demonstrarão o valor e a importância da amizade. Esta é uma batalha que
dará uma nova força à expressão “épico”, com batalhas titanescas e os
seres mais bizarros, uns conhecidos do público, outros nem tanto. E isto
é apenas o início…
Religião... Deus, Diabo, anjos, demónios... Pergunto-me, alguém não fica imediatamente entusiasmado com uma história que envolva tudo isso? Não só são elementos esplendorosos, que imediatamente nos captam o olhar e a atenção, como podem ser a premissa de mil e uma histórias diferentes e igualmente empolgantes.
Infelizmente, nada disso aconteceu neste livro.
Rio Equilibrium é um ser criado a partir das essências de um anjo e de um demónio, destinado a restaurar o equilíbrio perdido do Mundo. Perseguido pelos quatro Mestres do Inferno, receberá uma educação intensa em artes marciais e viaja pelo mundo inteiro lutando contra os seus inimigos e tentando restabelecer a paz. Uma história mal aproveitada... Que aliás pergunto-me se alguma vez foi uma história de se aproveitar.
Onde está o conflito emocional de Rio Equilibrium? Não há lutas de vontades ou motivações, aliás não há quase nenhuma reflexão interessante ao longo da leitura. Tudo nesta obra é abordado da forma mais superficial possível!
As cenas desenrolam-se umas atrás das outras, sem espaço para o leitor se envolver, quer seja com o enredo quer seja com as personagens. Há uma notória falta de estrutura, e o autor perde o seu fio condutor no que parece ser uma ânsia de escrever mais, sem dar um sentido e uma direcção que o leitor possa entender. Tudo se sucede rapidamente, as personagens são introduzidas e não há ligações, não há emoções entre elas. É suposto existirem, mas é impossível senti-lo ao longo da leitura de tal forma são atirados para a história!
Os clichés são imensos. Todo o percurso das personagens é um imenso cliché, e infelizmente nem isso é bem feito. É quase insofrível ver página após página o autor seguir constantemente os passos mais expectáveis, os resultados mais óbvios, as relações mais típicas, confirmando a banalidade do livro.
O autor parece sofrer de uma certa ânsia em escrever mais, e escrever muito, mas a maior parte das vezes é mais importante debruçarmo-nos seriamente numa única cena e estudá-la, reflectir sobre ela, aprofundá-la.
Que se passou com este livro? Ricardo Tomaz Alvez parece ser uma pessoa fascinante: um escritor existencialista, músico, e co-fundador de uma editora musical. E certamente todas as suas influências e gostos seriam um bom ponto de partida para explorar a escrita. Mas há ainda uma falta de preparação muito grande (e que deveria ter sido apontada pelo editor antes mesmo do livro ser lançado, creio eu).
O fim promete uma continuação. Mas o que eu sinto é uma falta de leitura, a frustração de não ter lido aquilo que deveria ter lido. Estas tantas páginas não sabem a mais do que um rascunho, um rascunho preliminar de algo que precisa de ser mais pensado, de mais corta e cola, de mais profundidade. A escrita não deve ser um exercício tomado de ânimo leve, e creio que o autor precisa de treinar muito mais.
Religião... Deus, Diabo, anjos, demónios... Pergunto-me, alguém não fica imediatamente entusiasmado com uma história que envolva tudo isso? Não só são elementos esplendorosos, que imediatamente nos captam o olhar e a atenção, como podem ser a premissa de mil e uma histórias diferentes e igualmente empolgantes.
Infelizmente, nada disso aconteceu neste livro.
Rio Equilibrium é um ser criado a partir das essências de um anjo e de um demónio, destinado a restaurar o equilíbrio perdido do Mundo. Perseguido pelos quatro Mestres do Inferno, receberá uma educação intensa em artes marciais e viaja pelo mundo inteiro lutando contra os seus inimigos e tentando restabelecer a paz. Uma história mal aproveitada... Que aliás pergunto-me se alguma vez foi uma história de se aproveitar.
Onde está o conflito emocional de Rio Equilibrium? Não há lutas de vontades ou motivações, aliás não há quase nenhuma reflexão interessante ao longo da leitura. Tudo nesta obra é abordado da forma mais superficial possível!
As cenas desenrolam-se umas atrás das outras, sem espaço para o leitor se envolver, quer seja com o enredo quer seja com as personagens. Há uma notória falta de estrutura, e o autor perde o seu fio condutor no que parece ser uma ânsia de escrever mais, sem dar um sentido e uma direcção que o leitor possa entender. Tudo se sucede rapidamente, as personagens são introduzidas e não há ligações, não há emoções entre elas. É suposto existirem, mas é impossível senti-lo ao longo da leitura de tal forma são atirados para a história!
Os clichés são imensos. Todo o percurso das personagens é um imenso cliché, e infelizmente nem isso é bem feito. É quase insofrível ver página após página o autor seguir constantemente os passos mais expectáveis, os resultados mais óbvios, as relações mais típicas, confirmando a banalidade do livro.
O autor parece sofrer de uma certa ânsia em escrever mais, e escrever muito, mas a maior parte das vezes é mais importante debruçarmo-nos seriamente numa única cena e estudá-la, reflectir sobre ela, aprofundá-la.
Que se passou com este livro? Ricardo Tomaz Alvez parece ser uma pessoa fascinante: um escritor existencialista, músico, e co-fundador de uma editora musical. E certamente todas as suas influências e gostos seriam um bom ponto de partida para explorar a escrita. Mas há ainda uma falta de preparação muito grande (e que deveria ter sido apontada pelo editor antes mesmo do livro ser lançado, creio eu).
O fim promete uma continuação. Mas o que eu sinto é uma falta de leitura, a frustração de não ter lido aquilo que deveria ter lido. Estas tantas páginas não sabem a mais do que um rascunho, um rascunho preliminar de algo que precisa de ser mais pensado, de mais corta e cola, de mais profundidade. A escrita não deve ser um exercício tomado de ânimo leve, e creio que o autor precisa de treinar muito mais.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
The Tragedy of Fidel Castro, de João Cerqueira
When God receives a request from Fátima to help prevent a war between
Fidel Castro and JFK, he asks his son, Jesus, to return to Earth and
diffuse the conflict. On his island, Fidel Castro faces protests on the
streets and realizes that he is about to be overthrown. Alone,
surrounded, and aware that the end is fast approaching, he plays his
last card. Meanwhile, Christ arrives on Earth and teams up with Fátima,
who is convinced she can create a miracle to avoid the final battle
between JFK and Fidel Castro and save the world as we know it. At the
end, something really extraordinary happens!
Humorous, rich with metaphor, and refreshingly imaginative, The Tragedy of Fidel Castro was chosen as the book-of-the-month and book-of-the-year by Os Meus Livros magazine.
"The Tragedy of Fidel Castro is a magic realism hybrid of sacrificial lambs and revolution, capitalistic decadence, and celestial consequence in a dimension where the cogs of time have jammed!"
- Mark Spitzer - Toad Suck Review Editor, Professor of Writing at the University of Central Arkansas
"Brilliant satire, playfully serious... do not waste even a single paragraph"
- Rita Bonet, Os Meus Livros
Não estou nada habituado ao género de História Alternativa.
Sou um fã de Romances Históricos, desses livros que têm o dom de nos transportar no tempo e no espaço e de dar uma cara, uma personalidade, aos nomes que ficaram marcados nos nossos Anais. Mais ainda, quando procuro um romance histórico não só procuro boa escrita mas também uma boa base histórica, um livro que seja fiel aos acontecimentos passados, que me ensine. Gosto de conhecer, gosto de "estudar" um pouco de tudo, e um romance assim é um excelente meio para explorar com alguma profundidade a História do Mundo.
E portanto, um livro de História Alternativa, que pega em algumas personagens ou eventos históricos e distorce a realidade... Não é a minha "praia", como se diz popularmente. É, contudo, um excelente exercício de escrita, que bem feito pode trazer à tona escritores com uma imaginação prodigiosa e uma visão do mundo bastante interessante. É o caso de João Cerqueira, que com esta obra prova não só ser um escritor de uma voz muito única mas também um pensador perspicaz.
História Alternativa não é, infelizmente, um género muito publicitado em Portugal. Mas João Cerqueira, com A Tragédia de Fidel Castro, vai mais longe e consegue conquistar terras além-mar! Só por isso, e porque nem sempre a Literatura Portuguesa tem essa honra, devemos atentar na obra.
Deus, Cristo, Fátima, Fidel Castro e Kennedy. Personagens icónicas num conto mirabolante e que se atreve a tocar o ridículo. Mas não é o ridículo de pouco valor. É o ridículo satírico, o ridículo humano. Cerqueira reinventa os ícones da História, ridiculariza-os, apenas para os tornar mais humanos.
Fidel é um homem atormentadíssimo e ocasionalmente travesti, Cuba invade os Estados Unidos e Kennedy usa uma espada. Pode parecer bastante bizarro, e talvez o seja, mas uma vez mergulhados neste imaginário não são estas as imagens que ficam marcadas na nossa cabeça, mas sim as reflexões que delas retiramos. É um livro de uma qualidade literária intensa, um olhar profundo, perspicaz, lúcido (apesar dos aparentes desvarios), inteligentíssimo sobre as nossas sociedades, os ideais políticos, religião, e as motivações que nos guiam.
A sátira política e religiosa mais inteligente que eu já li.
O título e a sinopse são um pouco enganadores, já que sugerem um livro com um enredo mais viciante (e quiçá mais fantasioso. É um livro surreal sim, mas não fantástico). Não esperem isso. É um livro intelectual. Mas uito agradável de se ler. Desiludam-se aqueles que procuram uma leitura compulsiva, daquelas que nos obrigam a ficar acordados noite fora. Dificilmente o será. Mas garanto que cada página é uma excelente degustação!
E aliada à história, a escrita de João Cerqueira destaca-se como uma forte candidata ao lugar de uma das escritas mais reconhecíveis de sempre. Cerqueira perde-se nos pormenores, quase que dissecando cientificamente tudo o que se propõe a descrever, seja um objecto seja um sentimento. Pode dar-se ao trabalho de encontrar o medo dentro de uma gota de suor, ou acompanhar os mecanismos de um relógio de parede enquanto o tempo passa, dando a impressão que se perde em abstracções. Parece demasiado detalhado, até escusado, mas acreditem que não o é, de todo! É na verdade uma escrita observadora, que conjuga o prazer da leitura (que qualquer pessoa procura, seja qual for a expectativa em relação ao livro) à inteletualidade da obra, com muito sucesso. Nunca a leitura se torna cansativa. Mais uma vez, muito único.
Recomendo vivamente.
Humorous, rich with metaphor, and refreshingly imaginative, The Tragedy of Fidel Castro was chosen as the book-of-the-month and book-of-the-year by Os Meus Livros magazine.
"The Tragedy of Fidel Castro is a magic realism hybrid of sacrificial lambs and revolution, capitalistic decadence, and celestial consequence in a dimension where the cogs of time have jammed!"
- Mark Spitzer - Toad Suck Review Editor, Professor of Writing at the University of Central Arkansas
"Brilliant satire, playfully serious... do not waste even a single paragraph"
- Rita Bonet, Os Meus Livros
Não estou nada habituado ao género de História Alternativa.
Sou um fã de Romances Históricos, desses livros que têm o dom de nos transportar no tempo e no espaço e de dar uma cara, uma personalidade, aos nomes que ficaram marcados nos nossos Anais. Mais ainda, quando procuro um romance histórico não só procuro boa escrita mas também uma boa base histórica, um livro que seja fiel aos acontecimentos passados, que me ensine. Gosto de conhecer, gosto de "estudar" um pouco de tudo, e um romance assim é um excelente meio para explorar com alguma profundidade a História do Mundo.
E portanto, um livro de História Alternativa, que pega em algumas personagens ou eventos históricos e distorce a realidade... Não é a minha "praia", como se diz popularmente. É, contudo, um excelente exercício de escrita, que bem feito pode trazer à tona escritores com uma imaginação prodigiosa e uma visão do mundo bastante interessante. É o caso de João Cerqueira, que com esta obra prova não só ser um escritor de uma voz muito única mas também um pensador perspicaz.
História Alternativa não é, infelizmente, um género muito publicitado em Portugal. Mas João Cerqueira, com A Tragédia de Fidel Castro, vai mais longe e consegue conquistar terras além-mar! Só por isso, e porque nem sempre a Literatura Portuguesa tem essa honra, devemos atentar na obra.
Deus, Cristo, Fátima, Fidel Castro e Kennedy. Personagens icónicas num conto mirabolante e que se atreve a tocar o ridículo. Mas não é o ridículo de pouco valor. É o ridículo satírico, o ridículo humano. Cerqueira reinventa os ícones da História, ridiculariza-os, apenas para os tornar mais humanos.
Fidel é um homem atormentadíssimo e ocasionalmente travesti, Cuba invade os Estados Unidos e Kennedy usa uma espada. Pode parecer bastante bizarro, e talvez o seja, mas uma vez mergulhados neste imaginário não são estas as imagens que ficam marcadas na nossa cabeça, mas sim as reflexões que delas retiramos. É um livro de uma qualidade literária intensa, um olhar profundo, perspicaz, lúcido (apesar dos aparentes desvarios), inteligentíssimo sobre as nossas sociedades, os ideais políticos, religião, e as motivações que nos guiam.
A sátira política e religiosa mais inteligente que eu já li.
O título e a sinopse são um pouco enganadores, já que sugerem um livro com um enredo mais viciante (e quiçá mais fantasioso. É um livro surreal sim, mas não fantástico). Não esperem isso. É um livro intelectual. Mas uito agradável de se ler. Desiludam-se aqueles que procuram uma leitura compulsiva, daquelas que nos obrigam a ficar acordados noite fora. Dificilmente o será. Mas garanto que cada página é uma excelente degustação!
E aliada à história, a escrita de João Cerqueira destaca-se como uma forte candidata ao lugar de uma das escritas mais reconhecíveis de sempre. Cerqueira perde-se nos pormenores, quase que dissecando cientificamente tudo o que se propõe a descrever, seja um objecto seja um sentimento. Pode dar-se ao trabalho de encontrar o medo dentro de uma gota de suor, ou acompanhar os mecanismos de um relógio de parede enquanto o tempo passa, dando a impressão que se perde em abstracções. Parece demasiado detalhado, até escusado, mas acreditem que não o é, de todo! É na verdade uma escrita observadora, que conjuga o prazer da leitura (que qualquer pessoa procura, seja qual for a expectativa em relação ao livro) à inteletualidade da obra, com muito sucesso. Nunca a leitura se torna cansativa. Mais uma vez, muito único.
Recomendo vivamente.
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