É dia de Ano Novo de 110 a.C. e assiste-se à tomada de posse dos novos
cônsules, ineptos representantes da aristocracia. Mas no meio da
multidão encontram-se dois homens cuja coragem e poder de visão irão
mudar por completo a República Romana, que se debate com problemas como a
expansão territorial e o ressentimento crescente dos não-cidadãos.
Um destes homens é Mário, impossibilitado pelas suas origens humildes de
tornar-se o Primeiro Homem de Roma, aquele que, pela sua excelência, se
eleva acima dos seus semelhantes. O outro é Sila, um belo e depravado
membro da aristocracia, a quem a penúria impede de subir a Via da Honra,
direito que lhe pertence devido às suas origens. Juntos pela guerra em
terras distantes, combatem os seus inimigos romanos e os inimigos de
Roma, pois ser o Primeiro Homem de Roma implica a mestria tanto política como militar.
A história da Roma Antiga é o tema romanceado que ao longo de seis
volumes nos é apresentado por Colleen McCullough. Fruto de um
excepcional trabalho de pesquisa, todo o ambiente histórico, quer se
trate da forma de organização política, económica ou social, ou de
simples estratégias de poder, é retratado com o rigor e o talento que
caracteriza uma grande autora.
Wow.
Wow.
Ok, agora já posso continuar.
Acabei mesmo agora de ler
Coroa de Erva e não consigo deixar de sentir que demorei anos. Aliás, quando reflicto sobre todos os acontecimentos do livro, questiono-me quantos livros realmente li, se um ou dez.
Colleen volta a fazer um trabalho extraordinário. Aliás, um trabalho muito, muito melhor do que o do primeiro volume.
Agora que a escritora não se tem de preocupar em introduzir-nos a este mundo romano e às suas regras e a tudo aquilo que, se fôssemos romanos, daríamos como garantido e como pilares da sociedade, pode finalmente dedicar-se a desenvolver as suas personagens no tom certo.
Mais uma vez, o livro abrange anos de história Romana. Os acontecimentos que ocorrem neste livro são tantos que dá mesmo a impressão que lemos mais do que um livro! Fico boquiaberto ao reflectir em tudo o que Colleen nos conta!
Há muito tempo que não ficava acordado a ler pela noite fora. Há muito tempo que não resistia a andar com o livro no meio da rua. É mesmo demasiado cativante para ser posto de parte. Colleen tem uma escrita belíssima e dificilmente não queremos saber o que vem a seguir. As coisas que ocorrem são tantas, e são sucedidas por tão novos e cativantes tramas, que é impossível não querer avançar algumas páginas e descobrir o que vai acontecer.
Por outro lado, é um livro muito mais sério e triste do que o primeiro. Havia uma certa alegria, um sentimento de esperança e vitória, na leitura de
O Primeiro Homem de Roma. Este segundo volume, contudo, é tudo menos vitorioso. Há personagens que amámos no primeiro livro que neste se tornam cruelmente implacáveis. Aqueles que nós aprendemos a amar neste livro acabam por morrer, deixando-nos com o coração pesado. Não há uma vitória romana, mas sim uma confusão de acontecimentos que apenas reforça a ideia do quão decadente a República se tornou. É um livro que, para quem consegue estabelecer um bom contacto com as suas personagens, se pode tornar muito deprimente.
Altamente recomendado. Mais do que altamente recomendado. Seja ou não amante da História Romana, não vejo como alguém não pode apreciar esta obra tão intensa. Uma obra para viver, literalmente, que nos transporta para aqueles anos tão conturbados.
Avanço imediatamente para o terceiro volume,
Os Favoritos da Fortuna, onde espero encontrar a personagem que nos é introduzida neste segundo volume e que promete ser o novo protagonista da série: Júlio César.