terça-feira, 16 de agosto de 2011

Club Dead, de Charlaine Harris

(sinopse em breve)


O terceiro livro desta grande série sobre vampiros. Vampiros? Seres sobrenaturais! Metamorfos, lobisomens, e sabe-se lá que mais haverá afinal neste mundo (porque, se os vampiros existem, porque não existirão todos os outros seres mitológicos?).

Club Dead, de nome Clube de Sangue em Portugal, segue uma fórmula idêntica ao do volume anterior: a aventura de Sookie passa-se numa cidade, fora da pequena vila rural onde vive, dando ao leitor a oportunidade de ter um contacto maior com a sociedade vampírica e de outros seres. Neste livro, temos o prazer de entrar em contacto com os lobisomens, pouco mais do que uns gangsters com a particularidade de se transformarem em lobos aquando a Lua Cheia.

À medida que a série avanço fico mais embrenhado. As personagens que aparecem são cada vez mais interessantes. As velhas personagens tornam-se nossas conhecidas e é impossível deter a curiosidade em saber como será o seu futuro.

Desta vez, Sookie vê-se obrigada a ir ao Mississipi procurar o seu namorado, Bill, desaparecido. E enquanto se envolve demasiado no mundo negro dos seres sobrenaturais, é muito bom saber que a autora promete continuar a renovar a série, não prendendo a sua personagem principal a um namorado para o resto da vida (pessoalmente, gostava muito de ver Sookie envolvida com Alcide, o lobisomem que conhecemos neste livro, ainda que Eric, também vampiro, dê uma paixão renovada).

Várias foram as vezes que me vi a suster a respiração. A acção não pára. Tanto somos agarrados pela sensualidade de uma dança como corremos pela vida. Há surpresas, há coisas esperadas, mas tudo se desenvolve de uma forma bastante real. As personagens são bastante reais e gostemos ou não delas são tão completas como qualquer um de nós. Tenho a noção que continuar com este ritmo numa série que vai com mais de dez livros é complicado, mas até agora tem sido fenomenal. Ler na língua original é um deleite extra.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Preciso de ti, de Luísa Jeremias

Não há nada mais difícil do que revelar um segredo. Violeta Guerra sabia-o, por isso tinha-o guardado a sete chaves, há mais de um ano, com medo de ser julgada, de, ao dizê-lo, torná-lo real. Contudo estava longe de imaginar que, ao abrir as portas do seu coração às suas duas melhores amigas, a sua vida iria sofrer uma tamanha transformação. 

Mas a vida é realmente uma caixa de surpresas. Depois de perder o emprego e de se libertar de uma relação amorosa sem futuro, Violeta, aos 33 anos, está pronta para enfrentar a vida tal como ela é, com as suas alegrias, tristezas, perdas, obstáculos e vitórias. Para isso, conta com a ajuda das suas amigas, Rita, a eterna solteirona, que faz da vida uma festa e não pretende ficar refém do amor, e Inês, casada, mãe de duas filhas, que não se deixa levar nem pela morte nem pela doença que abala a sua família. Amigas que estão sempre presentes, nos bons e nos maus momentos, nas alegrias e na dor, para dar a mão ou puxar por ela quando precisamos de coragem. Juntas estão dispostas a tudo para serem felizes e encontrarem o amor, nas suas mais diferentes formas. 
Preciso de ti é o romance-estreia da jornalista Luísa Jeremias, que, com mestria e um ritmo narrativo empolgante, nos leva numa viagem original ao mundo das mulheres portuguesas, das suas relações de amizade e de amor. Um mundo onde não faltam emoções e sentimentos. Risos e choros. Sonhos e conquistas.
Porque a vida vale sempre a pena e precisamos sempre de alguém ao nosso lado com quem possamos contar.

Este é um livro difícil de opinar... Não porque não saiba o que dizer sobre ele, mas é sem sombra de dúvida um livro dirigido às mulheres. Claro que qualquer homem pode aventurar-se nesta leitura e tentar compreender melhor o sexo oposto. No entanto, da história às personagens, é o pensamento feminino que habita estas páginas e acredito que as mulheres terão bastantes mais probabilidades de se ligar a este livro do que um homem. Por isso, opinar sobre a minha experiência de leitura será trair um pouco a sua visão.


Não é um livro com uma história muito peculiar. É sim um livro sobre a vida. Como todos nós a vivemos. Contado na primeira pessoa, Violeta Guerra é uma jornalista com a sorte de ter duas grandes amigas a seu lado. Cada uma delas têm uma personalidade bastante característica, não deixando de ser as melhores amigas. Cada uma vive os seus problemas do dia-a-dia (aliás, chega a ser um pouco exasperante como capítulo após capítulo surge mais um azar, mais uma surpresa menos agradável, talvez a forma que a autora encontrou de fazer avançar a história) e talvez não seja muito diferente do que nós experimentamos.


Para as mulheres, tenho a certeza que encontrarão neste livro algo que as faça sentir acompanhadas. Como um cúmplice. Personagens femininas com as quais não apenas se identifiquem mas que as façam sentir menos sozinhas. Por não ser uma história com demasiadas peculiaridades, é muito fácil sentirem-se próximas dos acontecimentos, e por cada mulher ser bastante distinta encontrarão alguma característica na qual se identifiquem. 



A juntar a isto, é um livro fácil de ler, com um ritmo bastante fluido. Se lhe apetece ler, apenas ler, não grandes obras, ou histórias muito trabalhadas ou particulares, este é o livro que quer. Muito despretensioso, é uma experiência de escrita sobretudo, sem almejar a um qualquer estatuto na Literatura. A lição é muito simples: precisamos sempre de alguém. Com quem partilhar um segredo. Com quem partilhar a vida. E

O que faltou? Aquilo que, muito pessoalmente, gosto de encontrar no livro: uma introspecção diferente; algo que ligasse o livro todo, sem contar com a simples amizade das três amigas; pela primeira vez, senti falta de uma personagem masculina com que eu pudesse contactar, não apenas o "príncipe encantado" mas sim uma personagem com que pudéssemos também conversar. Daí achar que, por muito boas as intenções, este não é um livro para os homens.


Finalmente, parte da magia do livro é esta: seja estendida na toalha de praia, seja perto da lareira num dia frio de Inverno, este livro é uma leitura para qualquer ocasião. No ponto Luísa! Fico à espera do próximo romance.

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