sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O Carteiro de Pablo Neruda, de Antonio Skármeta
Antes de mais, quero agradecer a todos os participantes no passatempo de Natal. Aviso, contudo, que ainda demorarei a anunciar o vencedor.
Não está esquecido!
Avançando então para a nossa crítica...
A vida na Ilha Negra é demasiado aborrecida para Mario, um jovem pescador que procura uma forma de subsistir sem ter de se dedicar à pesca, como a maior parte dos habitantes da ilha. Mario decide abandonar o seu ofício para se converter no carteiro da ilha, onde só Pablo Neruda recebe correio. Mario e o poeta entabulam uma singular relação. Mario aprende com Neruda o que é uma metáfora e pede-lhe ajuda e conselhos para conquistar a jovem Beatriz. Entretanto, Salvador Allende ganha as eleições e as mudanças políticas sucedem-se vertiginosamente no país até acabarem por afectar gravemente as vidas dos habitantes da Ilha Negra.
Antonio Skarmeta nasceu em Antofagasta (Chile) em 1940. Escritor, argumentista, tradutor, director de cinema e de teatro e professor de Literatura, é um dos mais relevantes autores latino-americanos actuais. Além de O Carteiro de Pablo Neruda (1985), obra publicada em 30 línguas e adaptada com grande êxito internacional ao cinema, destacam-se da sua produção literária os romances Soñe que la nieve ardía, No pasó nada, La Insurrección, A Boda do Poeta, A Rapariga do Trombone e A Dança da Vitória.
Pois bem, estava o Pedro na biblioteca, com pouco menos de três horas disponíveis. O que decide? Pegar num livro. Mas não num livro qualquer! É preciso pegar num livro que se leia em três horas.
Pedro pega, então, em "O Carteiro de Pablo Neruda", que aliás já pegou inúmeras vezes mas que nunca chegou ao fim.
As conclusões são as seguintes: adorei o livro e por muito pequeno que seja vale a pena gastar todo o tempo do mundo a saboreá-lo.
Mario Jiménez é um jovem algo irreverente, ainda que não o saiba; é um jovem apaixonado, ainda que não o saiba. É um jovem que vive numa vila de pescadores praticamente isolada, ao qual não é dada a oportunidade de explorar uma paixão pela vida, pelo mundo e pelas palavras que ele tem naturalmente mas que não sabe. Até concorrer ao lugar de carteiro da ilha onde essa vila se localiza e conhecer Neruda, um poeta.
Ao mesmo tempo, conhece Beatriz, que acredita ele ser o amor da sua vida. E vai dedicar-se a conquistá-la...
E, como se não bastasse, Mario, Beatriz e Neruda vivem num tempo conturbado, de mudanças políticas, que acabarão por afectar negativamente as suas vidas.
Algo faz deste livro uma grande obra. Talvez a história única, talvez a encantadora escrita de Skarmeta. Só tenho coisas boas a dizer do livro, a não ser a minha grande pena de não ser maior (não que me sinta desiludido, mas este era mesmo daqueles que eu queria que fosse maior...).
É belo. Embora a troca de ideias entre Mario e Neruda seja pouco mais do que essa descoberta das metáforas, não deixa de ser um livro belo e poético ao longo das páginas. Achei a escrita de Skarmeta absolutamente encantadora, envolvente. Não é, de todo, o tipo de livro para ler em duas ou três horas. É um livro para ler, com todo o gosto.
Convém desde já dizer que não fiquei desiludido com o tamanho do livro porque sabia o que esperar. Nunca irei para a leitura de um livro de pouco menos de 200 páginas à espera de algo maior do que o que aparenta ser, caso contrário vou mesmo pensar que foi insuficiente. Embora seja para ser lido com gosto, é preciso saber que é um livro pequeno e, a partir daí, aproveitá-lo. Na minha experiência, foi possível a muitos níveis.
A história tem tanto que seríamos capazes de falar mais do que o próprio livro. Mario e Neruda começam uma relação de uma maneira curiosa, sem pressas na verdade, mas desde logo tocante. Não é, contudo, a história principal. É apenas uma das histórias do livro. Porque Mario também luta por Beatriz, cuja mãe o despreza. É um livro sobre uma história de amor, sobretudo. E, finalmente, como se já tivéssemos lido uma bíblia inteira, espera-nos ainda uma história sobre política, sobre como por vezes o amor não controla o destino do mundo e as intrigas políticas. Fiquei agradavelmente admirado com esta parte do livro, porque nada previa a sua importância ou o destaque que tem. Ainda que de poucas páginas, o livro soube-me a mil, tanta é a relevância das coisas.
Não deixa de ser verdade, contudo, que é um livro pequeno. Só tinha a ganhar se fosse bem mais longo: se Mario e Neruda tivessem perdido mais tempo a conhecer-se; se o romance entre Mario e Beatriz tivesse demorado mais tempo (principalmente a oposição da mãe de Beatriz à união); se as intrigas e confrontos políticos fossem mais desenvolvidos, assim como muitas das descrições. Não que sinta a falta de todas essas coisas, o que eu queria mesmo era continuar a ler, continuar a apreciar uma história com estes potenciais todos e esta escrita tão poética e envolvente. Queremos que tudo dure mais, que nos leve ao êxtase de emoções.
Por outro lado, hoje lembro-me do livro e parece mesmo grande. Parece que, de alguma forma, o romance de Mario e Beatriz foi tão forte quanto o pretendido; parece que a história política do livro está tão bem explorada como imagino. Suponho que isso só pode ser bom. É um livro que, depois de várias tentativas de atingir a sua emoção, finalmente ocupa um lugar especial na minha estante. A ler, a relembrar, "O Carteiro de Pablo Neruda" (ainda que breve) tem tudo.
Não está esquecido!
Avançando então para a nossa crítica...
A vida na Ilha Negra é demasiado aborrecida para Mario, um jovem pescador que procura uma forma de subsistir sem ter de se dedicar à pesca, como a maior parte dos habitantes da ilha. Mario decide abandonar o seu ofício para se converter no carteiro da ilha, onde só Pablo Neruda recebe correio. Mario e o poeta entabulam uma singular relação. Mario aprende com Neruda o que é uma metáfora e pede-lhe ajuda e conselhos para conquistar a jovem Beatriz. Entretanto, Salvador Allende ganha as eleições e as mudanças políticas sucedem-se vertiginosamente no país até acabarem por afectar gravemente as vidas dos habitantes da Ilha Negra.
Antonio Skarmeta nasceu em Antofagasta (Chile) em 1940. Escritor, argumentista, tradutor, director de cinema e de teatro e professor de Literatura, é um dos mais relevantes autores latino-americanos actuais. Além de O Carteiro de Pablo Neruda (1985), obra publicada em 30 línguas e adaptada com grande êxito internacional ao cinema, destacam-se da sua produção literária os romances Soñe que la nieve ardía, No pasó nada, La Insurrección, A Boda do Poeta, A Rapariga do Trombone e A Dança da Vitória.
Pois bem, estava o Pedro na biblioteca, com pouco menos de três horas disponíveis. O que decide? Pegar num livro. Mas não num livro qualquer! É preciso pegar num livro que se leia em três horas.
Pedro pega, então, em "O Carteiro de Pablo Neruda", que aliás já pegou inúmeras vezes mas que nunca chegou ao fim.
As conclusões são as seguintes: adorei o livro e por muito pequeno que seja vale a pena gastar todo o tempo do mundo a saboreá-lo.
Mario Jiménez é um jovem algo irreverente, ainda que não o saiba; é um jovem apaixonado, ainda que não o saiba. É um jovem que vive numa vila de pescadores praticamente isolada, ao qual não é dada a oportunidade de explorar uma paixão pela vida, pelo mundo e pelas palavras que ele tem naturalmente mas que não sabe. Até concorrer ao lugar de carteiro da ilha onde essa vila se localiza e conhecer Neruda, um poeta.
Ao mesmo tempo, conhece Beatriz, que acredita ele ser o amor da sua vida. E vai dedicar-se a conquistá-la...
E, como se não bastasse, Mario, Beatriz e Neruda vivem num tempo conturbado, de mudanças políticas, que acabarão por afectar negativamente as suas vidas.
Algo faz deste livro uma grande obra. Talvez a história única, talvez a encantadora escrita de Skarmeta. Só tenho coisas boas a dizer do livro, a não ser a minha grande pena de não ser maior (não que me sinta desiludido, mas este era mesmo daqueles que eu queria que fosse maior...).
É belo. Embora a troca de ideias entre Mario e Neruda seja pouco mais do que essa descoberta das metáforas, não deixa de ser um livro belo e poético ao longo das páginas. Achei a escrita de Skarmeta absolutamente encantadora, envolvente. Não é, de todo, o tipo de livro para ler em duas ou três horas. É um livro para ler, com todo o gosto.
Convém desde já dizer que não fiquei desiludido com o tamanho do livro porque sabia o que esperar. Nunca irei para a leitura de um livro de pouco menos de 200 páginas à espera de algo maior do que o que aparenta ser, caso contrário vou mesmo pensar que foi insuficiente. Embora seja para ser lido com gosto, é preciso saber que é um livro pequeno e, a partir daí, aproveitá-lo. Na minha experiência, foi possível a muitos níveis.
A história tem tanto que seríamos capazes de falar mais do que o próprio livro. Mario e Neruda começam uma relação de uma maneira curiosa, sem pressas na verdade, mas desde logo tocante. Não é, contudo, a história principal. É apenas uma das histórias do livro. Porque Mario também luta por Beatriz, cuja mãe o despreza. É um livro sobre uma história de amor, sobretudo. E, finalmente, como se já tivéssemos lido uma bíblia inteira, espera-nos ainda uma história sobre política, sobre como por vezes o amor não controla o destino do mundo e as intrigas políticas. Fiquei agradavelmente admirado com esta parte do livro, porque nada previa a sua importância ou o destaque que tem. Ainda que de poucas páginas, o livro soube-me a mil, tanta é a relevância das coisas.
Não deixa de ser verdade, contudo, que é um livro pequeno. Só tinha a ganhar se fosse bem mais longo: se Mario e Neruda tivessem perdido mais tempo a conhecer-se; se o romance entre Mario e Beatriz tivesse demorado mais tempo (principalmente a oposição da mãe de Beatriz à união); se as intrigas e confrontos políticos fossem mais desenvolvidos, assim como muitas das descrições. Não que sinta a falta de todas essas coisas, o que eu queria mesmo era continuar a ler, continuar a apreciar uma história com estes potenciais todos e esta escrita tão poética e envolvente. Queremos que tudo dure mais, que nos leve ao êxtase de emoções.
Por outro lado, hoje lembro-me do livro e parece mesmo grande. Parece que, de alguma forma, o romance de Mario e Beatriz foi tão forte quanto o pretendido; parece que a história política do livro está tão bem explorada como imagino. Suponho que isso só pode ser bom. É um livro que, depois de várias tentativas de atingir a sua emoção, finalmente ocupa um lugar especial na minha estante. A ler, a relembrar, "O Carteiro de Pablo Neruda" (ainda que breve) tem tudo.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Passatempo de Natal - Loucura Azul
Bem, com o Natal a aproximar-se, que melhor presente senão um livro novo?
Gentilmente cedido pelo próprio autor, "Loucura Azul" é o novo romance de Paulo Alexandre e Castro.
O que podem ter em comum um jovem pintor, um agente secreto da ex-URSS, uma professora universitária e dois agentes do SIS? A resposta a esta e outras questões reside na fantástica vida azul de Maurizio.
Maurizio Biancusi é um jovem pintor que volta à faculdade. Conhece Sylviane Rochas professora universitária dada a práticas pouco convencionais. Envolvem-se apaixonadamente, levando Maurizio a viver uma nova e intensa vida.
Tudo se complica quando conhecem Vlamidir Gordchenko, um suposto escritor russo, que os levará em desespero a cometer um crime. Ao mesmo tempo, Maurizio e Sylviane são seguidos por dois agentes do SIS, Beno e Guido, que desconfiam da troca de mensagens operada nas obras de arte de Maurizio. São eles que o vão acompanhar sempre, mesmo quando Maurizio constata que afinal Sylviane nunca existiu…
Paixão, sedução, assassínio e mistério são alguns dos ingredientes que fazem de Loucura Azul um livro original, apaixonante e intenso.
Aqui vai uma oportunidade de conhecerem a obra, o escritor, e de ter mais um livro na estante!
Melhor ainda é o facto do livro estar autografado pelo autor, com uma generosa dedicatória!
Para se habilitar a ganhar este exemplar, basta responder a três fáceis questões:
1) Em que ano nasceu o autor?
2) Qual o seu primeiro romance?
3) Qual o significado de "SIS" (à qual pertencem Beno e Guido)?
Enviem as respostas para cantinhodobookoholic@gmail.com até ao dia 19 de Dezembro, inclusive. Não serão aceites quaisquer respostas dadas depois das 00h00 do dia 20 de Dezembro.
Ao enviarem as respostas forneçam o nome (primeiro e último) e morada!
Só se aceita uma participação por pessoa e morada. Só se aceitam participações de residentes em Portugal.
O vencedor será sorteado do total de participações com todas as respostas certas.
Boa sorte!
Gentilmente cedido pelo próprio autor, "Loucura Azul" é o novo romance de Paulo Alexandre e Castro.
O que podem ter em comum um jovem pintor, um agente secreto da ex-URSS, uma professora universitária e dois agentes do SIS? A resposta a esta e outras questões reside na fantástica vida azul de Maurizio.
Maurizio Biancusi é um jovem pintor que volta à faculdade. Conhece Sylviane Rochas professora universitária dada a práticas pouco convencionais. Envolvem-se apaixonadamente, levando Maurizio a viver uma nova e intensa vida.
Tudo se complica quando conhecem Vlamidir Gordchenko, um suposto escritor russo, que os levará em desespero a cometer um crime. Ao mesmo tempo, Maurizio e Sylviane são seguidos por dois agentes do SIS, Beno e Guido, que desconfiam da troca de mensagens operada nas obras de arte de Maurizio. São eles que o vão acompanhar sempre, mesmo quando Maurizio constata que afinal Sylviane nunca existiu…
Paixão, sedução, assassínio e mistério são alguns dos ingredientes que fazem de Loucura Azul um livro original, apaixonante e intenso.
Aqui vai uma oportunidade de conhecerem a obra, o escritor, e de ter mais um livro na estante!
Melhor ainda é o facto do livro estar autografado pelo autor, com uma generosa dedicatória!
Para se habilitar a ganhar este exemplar, basta responder a três fáceis questões:
1) Em que ano nasceu o autor?
2) Qual o seu primeiro romance?
3) Qual o significado de "SIS" (à qual pertencem Beno e Guido)?
Enviem as respostas para cantinhodobookoholic@gmail.com até ao dia 19 de Dezembro, inclusive. Não serão aceites quaisquer respostas dadas depois das 00h00 do dia 20 de Dezembro.
Ao enviarem as respostas forneçam o nome (primeiro e último) e morada!
Só se aceita uma participação por pessoa e morada. Só se aceitam participações de residentes em Portugal.
O vencedor será sorteado do total de participações com todas as respostas certas.
Boa sorte!
sábado, 4 de dezembro de 2010
Lua Azul, de Alyson Noel
Terminado o primeiro livro da série "Imortais", avancei imediatamente para o segundo. Estava ansioso por continuar a seguir as suas personagens e curioso para ver que história iria aparecer.
"Os Imortais" é uma série que tem uma imagem pouco original mas que consegue ser dos livros mais cativantes que por aí andam. Apaixonante, nunca aborrecido, bem escrito mas sem a pretensão de ter de ser realista, tem vindo a tornar-se um dos meus livros preferidos em Fantasia Urbana. Aliás, acho que é a primeira vez que a Fantasia Urbana consegue chamar-me tanto a atenção e cativar-me ao longo de um livro inteiro.
Não vou adiantar pormenores do enredo, pois haverá certamente quem ainda não leu o primeiro livro.
Geralmente, uma saga destas implica que o primeiro livro deixe algumas perguntas no ar, ou algumas personagens a ser exploradas no futuro. Não senti isso quando acabei de ler "Eternidade". Tudo podia ter ficado por ali. Pelo que "Lua Azul" revela-se mais o que nós chamamos de "sequela", com uma história diferente e a possibilidade de explorar todos os elementos mais para além do que se pediria. As personagens são as mesmas, mas o que remonta na história ao primeiro livro não depende deste ou o que quer que seja. Quase como se fosse uma história independente dentro de uma série, salvo claro certos pormenores.
Devido aos acontecimentos que se desenrolam nesta sequela, desaparecem aquelas tantas divagações de adolescentes que são tão frequentes no primeiro livro. Confrontada com um novo inimigo, Ever tem de ir mais além do que pensava e sacrificar muita coisa para salvar todos os que ama... E isso leva-a a explorar Summerland, a procurar a ajuda de Ava a médium, e a lutar sozinha e abandonada.
A história torna-se verdadeiramente empolgante. Nunca deixa de ser ligeiramente previsível, mas à medida que avançamos nasce esta dúvida, um receio do que poderá acontecer, fazendo-nos vibrar até ao final! Tem uma história bastante bonita, e ao contrário do que aconteceu no primeiro não achei que o Amor tivesse um papel tão piegas. Pelo contrário, favoreceu bastante a história e deu-lhe o toque fantástico que nos faz vibrar. É impressionante como somos capazes de odiar e amar as personagens. Não quero com isto dizer que seja um grande livro, mas uma vez interessados na série somos capazes de ser um pouco arrebatados.
Ultrapassados aqueles clichés que se fizeram sentir no primeiro livro, neste o mais desapontante é toda aquela fantasia em demasia, que acaba por saber a falta de plausibilidade. Summerland e todos aqueles processos mágicos assentam em teorias fracas, e quando pensamos que encontrámos alguma suficientemente forte para caracterizar essa terra mística e essa magia aparece um raio de luz qualquer que nos desilude. Conclui-se que, ainda que sejam elementos bastante interessantes na história, são tão controlados pela própria escritora que não há qualquer hipótese de conseguirmos imaginar uma dimensão assim. Eu sou, para além de leitor, homem de Ciências, e senti-me verdadeiramente estúpido quando vi que a autora utilizou o ADN para explicar uma certa maldição. Neste caso sim mais valia ter ficado pela magia pura.
Acabamos a leitura sem fôlego e com imensa vontade de continuar. Mesmo não sendo um livro "de outro mundo", é uma excelente leitura para quem já gostou das personagens que encontrou em "Eternidade". É também, acho eu, um bom salto na sua qualidade, com uma escrita igualmente cativante mas uma história mais atrevida, um vilão mais atractivo e um final incrível, alguns dirão trágico. Estou ansioso por saber como a história vai continuar, ansioso por saber se consigo manter este nível de interesse.
"Os Imortais" é uma série que tem uma imagem pouco original mas que consegue ser dos livros mais cativantes que por aí andam. Apaixonante, nunca aborrecido, bem escrito mas sem a pretensão de ter de ser realista, tem vindo a tornar-se um dos meus livros preferidos em Fantasia Urbana. Aliás, acho que é a primeira vez que a Fantasia Urbana consegue chamar-me tanto a atenção e cativar-me ao longo de um livro inteiro.
Não vou adiantar pormenores do enredo, pois haverá certamente quem ainda não leu o primeiro livro.
Geralmente, uma saga destas implica que o primeiro livro deixe algumas perguntas no ar, ou algumas personagens a ser exploradas no futuro. Não senti isso quando acabei de ler "Eternidade". Tudo podia ter ficado por ali. Pelo que "Lua Azul" revela-se mais o que nós chamamos de "sequela", com uma história diferente e a possibilidade de explorar todos os elementos mais para além do que se pediria. As personagens são as mesmas, mas o que remonta na história ao primeiro livro não depende deste ou o que quer que seja. Quase como se fosse uma história independente dentro de uma série, salvo claro certos pormenores.
Devido aos acontecimentos que se desenrolam nesta sequela, desaparecem aquelas tantas divagações de adolescentes que são tão frequentes no primeiro livro. Confrontada com um novo inimigo, Ever tem de ir mais além do que pensava e sacrificar muita coisa para salvar todos os que ama... E isso leva-a a explorar Summerland, a procurar a ajuda de Ava a médium, e a lutar sozinha e abandonada.
A história torna-se verdadeiramente empolgante. Nunca deixa de ser ligeiramente previsível, mas à medida que avançamos nasce esta dúvida, um receio do que poderá acontecer, fazendo-nos vibrar até ao final! Tem uma história bastante bonita, e ao contrário do que aconteceu no primeiro não achei que o Amor tivesse um papel tão piegas. Pelo contrário, favoreceu bastante a história e deu-lhe o toque fantástico que nos faz vibrar. É impressionante como somos capazes de odiar e amar as personagens. Não quero com isto dizer que seja um grande livro, mas uma vez interessados na série somos capazes de ser um pouco arrebatados.
Ultrapassados aqueles clichés que se fizeram sentir no primeiro livro, neste o mais desapontante é toda aquela fantasia em demasia, que acaba por saber a falta de plausibilidade. Summerland e todos aqueles processos mágicos assentam em teorias fracas, e quando pensamos que encontrámos alguma suficientemente forte para caracterizar essa terra mística e essa magia aparece um raio de luz qualquer que nos desilude. Conclui-se que, ainda que sejam elementos bastante interessantes na história, são tão controlados pela própria escritora que não há qualquer hipótese de conseguirmos imaginar uma dimensão assim. Eu sou, para além de leitor, homem de Ciências, e senti-me verdadeiramente estúpido quando vi que a autora utilizou o ADN para explicar uma certa maldição. Neste caso sim mais valia ter ficado pela magia pura.
Acabamos a leitura sem fôlego e com imensa vontade de continuar. Mesmo não sendo um livro "de outro mundo", é uma excelente leitura para quem já gostou das personagens que encontrou em "Eternidade". É também, acho eu, um bom salto na sua qualidade, com uma escrita igualmente cativante mas uma história mais atrevida, um vilão mais atractivo e um final incrível, alguns dirão trágico. Estou ansioso por saber como a história vai continuar, ansioso por saber se consigo manter este nível de interesse.
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