"Uma grande ideia, uma história divertida... Saiam e comprem este livro."
USA Today
Centenas de milhares de pessoas em todo o mundo leram – e releram - a história irreverente, iconoclasta e divinamente divertida da infância de Jesus Cristo, segundo o testemunho do seu amigo de infância, Levi bar Alphaeus (também conhecido por Biff). Agora, também tu poderás descobrir o que realmente aconteceu entre a manjedoura e o Sermão do Monte. Numa nova nota final, expressamente concebida para esta edição, Christopher Moore responde às questões mais colocadas pelos leitores acerca do livro e de si, desde a primeira publicação de Cordeiro. Fresco, divertido, pungente e sábio, Cordeiro tem sido alvo de regozijo para os leitores de todo o mundo.
"Histérica, sensual e profundamente comovente... Tiro-lhe o chapéu, Sr. Moore."
Gregory Maguire, autor de Wicked e Son of a Witch
Leiam bem as duas críticas que se encontram na contracapa do livro, de USA Today e de Gregory Maguire.
Faço minhas as suas palavras.
Li "Guia Prático para Cuidar de Demónios" e gostei muito. Li "O Bobo" e gostei mesmo bastante. Mas agora que li "Cordeiro", não só adorei o livro como Christopher Moore se torna, sem rodeios, um dos meus autores preferidos!!!
Sim, SAIAM DE CASA, COMPREM JÁ ESTE LIVRO! Disse-o uma vez e volto a dizer, e continuo a dizer até que o comprem!
A premissa da história não revela tudo o que o enredo vai englobar.
Como podem verificar, há uma lacuna na Bíblia. Essa lacuna dura perto de 20 anos, e corresponde à infância de Jesus Cristo. Mais ou menos quando ele era adolescente, essa fase do ser humano em que as hormonas andam aos pulos e somos capazes de confundir realidade com sonhos. Pois bem, Moore toma a liberdade de recriar esses anos que a Bíblia não revela, apresentado Biff, o melhor amigo de Jesus Cristo.
Jesua (nome original de Jesus) não é mais do que uma criança. Brinca, passa por algumas aventuras na sua terra, e tem o poder dos milagres. Eles já o levaram a meter-se em grandes sarilhos, mas quando temos tal dom, porque não utilizá-lo? E, a seu lado, tem Biff, seu companheiro, que o seguirá para todo o lado.
Um dia, Jesua reflecte no poder que lhe foi dado, e teme por uma coisa: não sabe como ser o Messias.
Agora, quero parar por aqui para dizer que, para mim, esta é a grande premissa do livro, e o seu grande objectivo. Jesus era uma simples criança, mesmo sendo filha de Deus, e ninguém lhe podia ensinar como ser o Messias. Isso apavorava-o. Parabéns a Moore por ter explorado tão bem esta questão, bastante filosófica.
E, para resolver isso, decide ir ao encontro dos Três Reis Magos que o visitaram em criança. Isso vai levar Biff e ele a uma viagem pela Ásia, em busca de respostas, de emoções, das verdades sobre o mundo e sobre as pessoas. À descoberta de ensinamentos.
O livro não é perfeito. Por todas as razões que podem imaginar.
Mas é a melhor leitura que podem ter, por todas as razões que podem imaginar.
Fiquei mais do que surpreendido por verificar que Moore se esmerou em tornar este não "mais um". Nota-se pesquisa, nota-se dedicação. E não se trata apenas de uma sátira, não é nada disso. Ao longo da leitura, somos regalados com autênticas pérolas filosóficas. Moore surpreende-nos com uma escrita maravilhosa, que nos leva a ler mais e mais e mais, sem desejarmos que realmente acabe. E, por se revelar um escritor de primeira qualidade, tiro-lhe o chapéu. Quis-me perder nas suas palavras.
Há, contudo, uma série de liberdades que tornam o livro... Quase épico, mas nunca épico. Os Três Reis Magos: Moore aventura-se um bocado ao apresentar estas personagens, e por muito sábias que possam ser, têm uma carga bastante, demasiado, fantástica, para o gosto do livro. Baltasar é um mágico; Gaspar um budista que me soube a demasiado moderno; Melchior um gajo que se enfia dentro do bolso do casaco. Enfim, demasiada magia para tornar o livro verdadeiramente original.
No entanto, os três dão muito que falar, tanto sobre o que têm a ensinar como quem realmente são e o que querem.
Já as personagens de Jesua, Biff e Madá são outra coisa. Jesua já expliquei, a sua demanda é deveras interessante; Biff não é uma personagem-tipo, é mesmo alguém que é um privilégio seguir; Madá, ou Maria Madalena, parte-nos o coração por várias razões.
Este é, portanto, um livro mais do que bem escrito; mais do que uma boa ideia; é um livro a não perder!
Infelizmente, não posso esconder que tem muitas falhas, mas que se adequam ao estilo de Moore. Para além de tomar demasiadas liberdades ao escrever a história (o que tira um pouco o quão grandioso o livro podia ser - e acreditem, para criar a história que queria Moore não se importou de alterar algumas coisas, de inventar a torto e a direito).
Gostaria que não tivesse medo de escrever. Começa muito lentamente. É uma grande viagem este livro. Uma grande viagem da qual eu já tenho saudades. É incrível como vivemos a caminhada, e quando Jesua tem 33 anos e está em Jerusalém lembramo-nos de Ásia com nostalgia. Ainda assim, a partir de um certo momento, o livro começa a avançar com enorme velocidade. Quando encontramos o último Rei Mago, tudo começa a passar com maior rapidez, e parece que Moore começa a "despachar" um bocado a história.
Finalmente, o Calvário. Se há coisa que este livro nos oferece são personagens pelas quais nos vamos apaixonar. E o final da história de Jesua consegue ser surpreendente, de uma maneira que nós não imaginamos. Sim, todos sabemos da Cruz e da Ressureição. Mas, mais uma vez, Moore recria o final de acordo com o seu próprio livro. E é de facto empolgante. E comovente. Tão comovente! Não imaginam o que acontece, não imaginam!
Talvez muito imaginem este livro como uma conspiração. Escrito por alguém ateu, talvez não-crente. Não é bem assim. Eu, que não acredito particularmente em Jesus como Filho de Deus, senti-me movido pelo livro, e curioso com a história bíblica. A sério, este livro acaba por fazer o contrário do esperado: puxa-nos para encontrar a fé cristã.
Nunca me apeteceu tanto ser amigo de Jesus. Estabelecemos uma relação com todas as personagens, é inevitável. E, por isso mesmo, nunca me senti tão interessado em conhecer mais sobre a vida de Jesus, sobre o Novo Testamento. Tenho quase a certeza que, para quem é cristão, católico, religioso, vai-se sentir bastante ligado ao livro. Vai fortalecer, em parte, essa fé.
Nada perfeito. Mas fantástico. Um dos livros que mais me agarrou.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Novidades Porto Editora /Albatroz
Seis braços enterrados. Seis crianças desaparecidas. Um serial killer brilhante e monstruoso, que instiga outros a matar por si.
O criminologista Goran Gavila e a sua equipa de investigação são chamados a intervir, procurando descobrir um assassino que parece pô-los constantemente à prova.
Mila Vasquez, investigadora especializada em encontrar pessoas desaparecidas, entra em cena e junta-se à caça do homicida. Mas cada passo que dá é, na verdade, controlado por uma mente genial e implacável. Tudo se passa como um diabólico jogo de dominó, como se o Mal trouxesse consigo uma mensagem…
O criminologista Goran Gavila e a sua equipa de investigação são chamados a intervir, procurando descobrir um assassino que parece pô-los constantemente à prova.
Mila Vasquez, investigadora especializada em encontrar pessoas desaparecidas, entra em cena e junta-se à caça do homicida. Mas cada passo que dá é, na verdade, controlado por uma mente genial e implacável. Tudo se passa como um diabólico jogo de dominó, como se o Mal trouxesse consigo uma mensagem…
Sopro do Mal apresenta um novo tipo de assassino em série: o subliminar, aquele que instiga outros a matar por ele (daí o título original: Il Suggeritori – o “sugeridor”), explorando os desejos inconfessáveis de cada um. Por isso, Carrisi afirma que todos somos potenciais serial killers.
O livro é publicado pela Porto Editora a 2 de Junho.
Um dos aspectos que mais inquietava os cientistas – actualmente muito menos cépticos –, e que ainda deixará na dúvida os mais incrédulos, era o facto de estes não encontrarem explicação para as inúmeras experiências de cura de cancro, sida ou paralisia cerebral,Que fenómeno seria?
Ao ler A Reconexão deve estar-se preparado para colocar em causa tudo o que se leu sobre medicina convencional. As novas frequências de cura descritas pelo Dr. Pearl transcendem qualquer “técnica” e elevam-nos a níveis muito além dos acessíveis por todos.
Este livro conta a viagem do Dr. Pearl, desde a descoberta dos poderes extraordinários de cura à merecida reputação que adquiriu por ser o precursor deste processo. E o mais importante de tudo: A Reconexão revela as técnicas, para que o leitor também as possa dominar.
Hank Wesselman, autor de Awakening To The Spirit World
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Long live Robin Hood!
Há... Cerca de dois anos, li um livro que acabou por se tornar um dos meus preferidos: Ivanhoe. Lendas e cavaleiros, damas e torneios, tudo se reúne neste romance medieval. Aliás, tenho imensa pena de que as obras de Sir Walter Scott não estejam traduzidas (apenas uns 3 ou 4 livros!!!). Este é um mestre no que toca a escrever Romances Históricos.
Nesse livro, encontrei várias personagens lendárias, entre elas Ricardo Coração de Leão e Robin Hood.
Robin Hood é um dos maiores heróis britânicos, e uma lenda. Ninguém sabe a sua verdadeira identidade, se sequer existiu. Bem, que existiu temos uma pequena noção. Em registos de tribunais desde 1300, há a referência a esse nome. Há até uma campa com um nome quase idêntico ao seu... Especulações? A verdade é que não se sabe quem foi ou o que foi Robin Hood. Pode muito bem ter sido um gangue medieval.
Fui ver Robin Hood este fim-de-semana, e saí bem impressionado da sala de cinema.
A apresentação faz lembrar o rasca, secante e desapontante Rei Artur. Eu não gostei mesmo nada desse filme, e o aspecto deste Robin Hood não parecia afastar-se muito... Mas a verdade é que o realizador de Gladiador, embora não nos tenha trazido de novo uma experiência épica de grandes proporções, reconta uma das maiores lendas inglesas num tom realista, sem estragar o mito que Robin dos Bosques foi e conservando plenamente o seu espírito.
Todas excelentes interpretações. Desde à mãe do rei João (rei que tem um percurso muito, muito interessante neste filme) até ao Frei Tuck, passando pelos compinchas de Robin e ele próprio, senti-me bastante acolhido.
O filme conta o princípio da lenda. Quem era a personagem, como se tornou um fora-de-lei. Aliás, fora alguns pormenores em princípio essenciais à história da lenda, é no fim que temos um segundo e ainda maior turn-point e clímax. Pessoalmente, o fim foi a melhor parte do filme, pois marca o princípio do verdadeiro Robin Hood. Felizmente, o realizador não se aventurou muito na história, mantendo o essencial lá.
O pior no filme foi apenas uma personagem: a Marion, amada de Robin. Interpretada por Cate Blanchett, foi alvo de clichés e de uma caracterização nova à personagem romanesca, mas já vulgar no mundo do cinema.
Vale a pena. Merece um aplauso. Não é só um filme de guerra (graças a Deus!!!), mas deliramos ao sentir as setas cortarem o ar, caindo por cima dos guerreiros (seria uma boa cena para 3D); somos puxados pelas personagens, cada uma plena. Dinheiro muito bem gasto.
Nesse livro, encontrei várias personagens lendárias, entre elas Ricardo Coração de Leão e Robin Hood.
Robin Hood é um dos maiores heróis britânicos, e uma lenda. Ninguém sabe a sua verdadeira identidade, se sequer existiu. Bem, que existiu temos uma pequena noção. Em registos de tribunais desde 1300, há a referência a esse nome. Há até uma campa com um nome quase idêntico ao seu... Especulações? A verdade é que não se sabe quem foi ou o que foi Robin Hood. Pode muito bem ter sido um gangue medieval.
Fui ver Robin Hood este fim-de-semana, e saí bem impressionado da sala de cinema.
A apresentação faz lembrar o rasca, secante e desapontante Rei Artur. Eu não gostei mesmo nada desse filme, e o aspecto deste Robin Hood não parecia afastar-se muito... Mas a verdade é que o realizador de Gladiador, embora não nos tenha trazido de novo uma experiência épica de grandes proporções, reconta uma das maiores lendas inglesas num tom realista, sem estragar o mito que Robin dos Bosques foi e conservando plenamente o seu espírito.
Todas excelentes interpretações. Desde à mãe do rei João (rei que tem um percurso muito, muito interessante neste filme) até ao Frei Tuck, passando pelos compinchas de Robin e ele próprio, senti-me bastante acolhido.
O filme conta o princípio da lenda. Quem era a personagem, como se tornou um fora-de-lei. Aliás, fora alguns pormenores em princípio essenciais à história da lenda, é no fim que temos um segundo e ainda maior turn-point e clímax. Pessoalmente, o fim foi a melhor parte do filme, pois marca o princípio do verdadeiro Robin Hood. Felizmente, o realizador não se aventurou muito na história, mantendo o essencial lá.
O pior no filme foi apenas uma personagem: a Marion, amada de Robin. Interpretada por Cate Blanchett, foi alvo de clichés e de uma caracterização nova à personagem romanesca, mas já vulgar no mundo do cinema.
Vale a pena. Merece um aplauso. Não é só um filme de guerra (graças a Deus!!!), mas deliramos ao sentir as setas cortarem o ar, caindo por cima dos guerreiros (seria uma boa cena para 3D); somos puxados pelas personagens, cada uma plena. Dinheiro muito bem gasto.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Eric Frattini, autor de "O Labirinto de Água", de visita a Portugal
O Labirinto de Água foi lançado há pouco tempo pela Porto Editora e já recebeu por nós, portugueses, bastantes boas críticas.
«E se Judas traiu Jesus a seu pedido?
E se Pedro não estivesse destinado a ser chefe da Igreja?
E se a Igreja que Jesus Cristo queria criar não tivesse um papa?
Quando a jovem arqueóloga Afdera Brooks acode ao leito de morte da sua avó, uma excêntrica milionária, coleccionadora de obras de arte, recebe como legado as pistas para chegar a uma caixa de segurança de um banco americano onde está guardado um antiquíssimo manuscrito.
Afdera empreende uma viagem por meio mundo para desentranhar o conteúdo desse misterioso documento que culminará em Veneza, o labirinto de água.
A partir do Vaticano, o maléfico cardeal Lienart fará o impossível para que a verdade que se esconde no maltratado pergaminho nunca conheça a luz do dia.»
Pessoalmente, esta sinopse desperta uma curiosidade tremenda!
Vamos ter, pois, a oportunidade de conhecer em pessoa o seu autor.
Amanhã, dia 25 de Maio, às 19h00, na Livraria Bulhosa de Oeiras, vamos poder ouvir Frattini apresentar este seu romance, numa apresentação a cargo do escritor Luís Miguel Rocha.
Pode ser que Frattini dê uns autógrafos no fim da sessão, pelo que nada como aproveitar ;)
Embora seja também professor universitário e escritor, Eric Frattini correu o mundo como jornalista. Viveu na Polinésia, no Paraguai, no Líbano, no Chipre e em Israel. Foi correspondente no Médio Oriente dos reputados Canal Plus e Cadena Ser, foi director e guionista de documentários de investigação para as principais cadeias de televisão espanholas, como a TVE, a Tele 5, a Antena 3. Actualmente, está no canal Cuatro e na Rádio Nacional de Espanha.
É autor de mais de vinte livros, publicados em quinze países, e entre os quais se destacam: Osama Bin Laden, La Espada de Ala (2001); Mafia S.S. 100 Años de Cosa Nostra (2002); A Santa Aliança, Cinco Séculos de Espionagem no Vaticano
Uma das grandes interrogações que resultam da leitura de O Labirinto de Água, livro que explora as fragilidades e as políticas mais obscuras da Igreja Católica, tem a ver com uma possível manipulação, por parte da própria Igreja, da visão que temos do Cristianismo.
Publicada há um mês, a obra incide num dos temas mais polémicos da história da Igreja: a descoberta do Evangelho de Judas.
Para mais informações, vá ao site oficial do autor, aqui.
«E se Judas traiu Jesus a seu pedido?
E se Pedro não estivesse destinado a ser chefe da Igreja?
E se a Igreja que Jesus Cristo queria criar não tivesse um papa?
Quando a jovem arqueóloga Afdera Brooks acode ao leito de morte da sua avó, uma excêntrica milionária, coleccionadora de obras de arte, recebe como legado as pistas para chegar a uma caixa de segurança de um banco americano onde está guardado um antiquíssimo manuscrito.
Afdera empreende uma viagem por meio mundo para desentranhar o conteúdo desse misterioso documento que culminará em Veneza, o labirinto de água.
A partir do Vaticano, o maléfico cardeal Lienart fará o impossível para que a verdade que se esconde no maltratado pergaminho nunca conheça a luz do dia.»
Pessoalmente, esta sinopse desperta uma curiosidade tremenda!
Vamos ter, pois, a oportunidade de conhecer em pessoa o seu autor.
Amanhã, dia 25 de Maio, às 19h00, na Livraria Bulhosa de Oeiras, vamos poder ouvir Frattini apresentar este seu romance, numa apresentação a cargo do escritor Luís Miguel Rocha.
Pode ser que Frattini dê uns autógrafos no fim da sessão, pelo que nada como aproveitar ;)
Embora seja também professor universitário e escritor, Eric Frattini correu o mundo como jornalista. Viveu na Polinésia, no Paraguai, no Líbano, no Chipre e em Israel. Foi correspondente no Médio Oriente dos reputados Canal Plus e Cadena Ser, foi director e guionista de documentários de investigação para as principais cadeias de televisão espanholas, como a TVE, a Tele 5, a Antena 3. Actualmente, está no canal Cuatro e na Rádio Nacional de Espanha.
É autor de mais de vinte livros, publicados em quinze países, e entre os quais se destacam: Osama Bin Laden, La Espada de Ala (2001); Mafia S.S. 100 Años de Cosa Nostra (2002); A Santa Aliança, Cinco Séculos de Espionagem no Vaticano
Uma das grandes interrogações que resultam da leitura de O Labirinto de Água, livro que explora as fragilidades e as políticas mais obscuras da Igreja Católica, tem a ver com uma possível manipulação, por parte da própria Igreja, da visão que temos do Cristianismo.
Publicada há um mês, a obra incide num dos temas mais polémicos da história da Igreja: a descoberta do Evangelho de Judas.
Para mais informações, vá ao site oficial do autor, aqui.
sábado, 22 de maio de 2010
The Catcher in the Rye, de J. D. Salinger
Duro foi o período em que não me apeteceu ler nada. Em que nem comprar livros me empolgava. E talvez devesse prolongar essa temporada. Talvez seja natural haver esse interregno. Quem sabe, ficaria anos sem ler tanto quanto já li. Quem sabe, talvez deixasse de vez de comprar livros. E um dia, assim do nada, voltaria.
A verdade é que esse ideal não encaixa na minha cabeça. Quando são bookaholics como eu, têm dificuldade em aceitar que existe esse espaço nas nossas vidas em que pomos os livros de lado. Tentamos sempre não o fazer.
Ao tentar decidir-me entre Servidão Humana ou The Catcher in the Rye, acabei por escolher o último. Porquê? Porque tenho 17 anos, e tinha medo de não ler o livro antes de acrescentar mais um ano de vida.
E assim comecei a ler a obra que me fez ter vontade de ler de novo. Sem se ter tornado num marco pessoal, foi uma experiência que, tenho a certeza, vou repetir sempre que me sentir mais sozinho, ou sempre que decidir que é tempo de alguma mudança.
Não aconselho ninguém a ler este livro sem antes saber o que lhe espera! Há certos livros que convém nem sequer ler as contracapas, para não estragar o suspense. Este é precisamente o contrário. Convém ler, antes de começar, um apanhado do que se vai falar. De quem vai falar. Eu só comecei a apreciar verdadeiramente o livro depois de ter uma noção do que seria apresentado.
Holden Caulfield é um adolescente de 16 anos. É ele próprio a contar a sua aventura de 3 dias em Nova Iorque.
Foi expulso da escola, não dá para aquilo. E tem as suas razões, que descobriremos ao longo do livro. As aulas acabam a uma Quarta-feira. Mas, já que foi expulso, porque não sair uns dias mais cedo? Mas não pode ir já para casa, melhor será adiar a notícia aos pais (embora já seja a centésimo vez que é expulso).
O que faz até que chegue Quarta-feira? Vagueia pela cidade de Nova Iorque.
E assim é o livro. Um imenso divagar pela cidade, pelos pensamentos de Holden, de um adolescente. Não tem uma história concreta para além disso.
Por isso mesmo, convém ir para a leitura com este plano geral em mente.
Pensava que ia encontrar uma mente perversa. Uma mente disturbada. Até pensei que este era um livro sobre um assassino!
Mas não. É o mais normal possível. É um rapaz normal, tão normal quanto um adolescente pode ser.
Confesso que este livro não foi, de imediato, uma leitura que me surpreendesse. Antes de mais, a escrita que Salinger utiliza é quase que pobre. Um vocabulário extremamente pobre, palavreado repetitivo e sem grande estrutura... Resumindo, demasiada linguagem à gajo de 16 anos.
No entanto, há uma certa nostalgia que me fez querer pegar no livro. É, a maior parte do tempo, muito deprimente. Holden cruza-se com pessoas bastante duvidosas em Nova Iorque, atravessa as ruas como um vagabundo, embebeda-se, há toda uma atmosfera deprimente à medida que avança.
O que realmente me fascina na adolescência é que é a única vez na vida em que os nossos idealismos parecem encaixar na realidade. Em criança, temos sonhos, não queremos saber da realidade para nada. Em adultos, o que temos é a realidade e há pouco espaço para mais. Mas, quando adolescentes, tudo é possível. Todo o idealismo que a nossa mente cria encaixa numa realidade que estamos a formar! Holden é essa pessoa. É uma pessoa muito crítica, que não gosta das pessoas, e que no meio da sua confusão de hormonas procura uma espécie de "revolução". Ele tem ideais. Ele acredita em certas coisas. E é como se o mundo não o deixasse acreditar nisso.
Esse é o espírito adolescente, e é isso que o livro nos vem transmitir. A procura de uma identidade própria, quando tentamos unir as nossas crenças à realidade a que somos sujeitos. Onde pertencemos. Onde queremos estar. O que queremos fazer.
Não é um livro muito maduro, devo dizer. Um adulto escreveria sobre o mesmo tema de uma maneira bastante mais forte e atractiva. Mas, ainda assim, precisamos desta visão de dentro.
De realçar as suposições sexuais ao longo do livro. Como não podia deixar de ser.
Sem que me tivesse marcado notoriamente, vi-me quase todos os dias, depois das aulas, sentado no bar da escola a ler o livro. Este é, de longe, o melhor livro que um adolescente pode ler, pois para além da personagem principal ser da sua idade, é só ele. Não se trata de um grupo de amigos, ou as suas fantásticas aventuras. Nada disso. É uma personagem no meio do palco, directamente a falar connosco. É isso que nós queremos, é isso que nos faz sentir aquela empatia pelo livro!
Talvez seja uma experiência muito pessoal. Eu fui-me deixando levar aos poucos e poucos. Importa que saibamos o que nos espera. Gostei imenso de ler o livro, e como já disse Holden fez-me sentir acompanhado. É difícil dizer o que senti com esta obra. Sem que se tivesse tornado num marco a nível pessoal, foi uma leitura que me cativou.
Somos capazes de abandonar tudo para continuar a ler, e somos capazes de ficar sem respiração quando vemos os passos dele. Como cheguei a dizer, Holden poderia ter escrito um blogue. Soube mesmo bem.
A verdade é que esse ideal não encaixa na minha cabeça. Quando são bookaholics como eu, têm dificuldade em aceitar que existe esse espaço nas nossas vidas em que pomos os livros de lado. Tentamos sempre não o fazer.
Ao tentar decidir-me entre Servidão Humana ou The Catcher in the Rye, acabei por escolher o último. Porquê? Porque tenho 17 anos, e tinha medo de não ler o livro antes de acrescentar mais um ano de vida.
E assim comecei a ler a obra que me fez ter vontade de ler de novo. Sem se ter tornado num marco pessoal, foi uma experiência que, tenho a certeza, vou repetir sempre que me sentir mais sozinho, ou sempre que decidir que é tempo de alguma mudança.
Não aconselho ninguém a ler este livro sem antes saber o que lhe espera! Há certos livros que convém nem sequer ler as contracapas, para não estragar o suspense. Este é precisamente o contrário. Convém ler, antes de começar, um apanhado do que se vai falar. De quem vai falar. Eu só comecei a apreciar verdadeiramente o livro depois de ter uma noção do que seria apresentado.
Holden Caulfield é um adolescente de 16 anos. É ele próprio a contar a sua aventura de 3 dias em Nova Iorque.
Foi expulso da escola, não dá para aquilo. E tem as suas razões, que descobriremos ao longo do livro. As aulas acabam a uma Quarta-feira. Mas, já que foi expulso, porque não sair uns dias mais cedo? Mas não pode ir já para casa, melhor será adiar a notícia aos pais (embora já seja a centésimo vez que é expulso).
O que faz até que chegue Quarta-feira? Vagueia pela cidade de Nova Iorque.
E assim é o livro. Um imenso divagar pela cidade, pelos pensamentos de Holden, de um adolescente. Não tem uma história concreta para além disso.
Por isso mesmo, convém ir para a leitura com este plano geral em mente.
Pensava que ia encontrar uma mente perversa. Uma mente disturbada. Até pensei que este era um livro sobre um assassino!
Mas não. É o mais normal possível. É um rapaz normal, tão normal quanto um adolescente pode ser.
Confesso que este livro não foi, de imediato, uma leitura que me surpreendesse. Antes de mais, a escrita que Salinger utiliza é quase que pobre. Um vocabulário extremamente pobre, palavreado repetitivo e sem grande estrutura... Resumindo, demasiada linguagem à gajo de 16 anos.
No entanto, há uma certa nostalgia que me fez querer pegar no livro. É, a maior parte do tempo, muito deprimente. Holden cruza-se com pessoas bastante duvidosas em Nova Iorque, atravessa as ruas como um vagabundo, embebeda-se, há toda uma atmosfera deprimente à medida que avança.
O que realmente me fascina na adolescência é que é a única vez na vida em que os nossos idealismos parecem encaixar na realidade. Em criança, temos sonhos, não queremos saber da realidade para nada. Em adultos, o que temos é a realidade e há pouco espaço para mais. Mas, quando adolescentes, tudo é possível. Todo o idealismo que a nossa mente cria encaixa numa realidade que estamos a formar! Holden é essa pessoa. É uma pessoa muito crítica, que não gosta das pessoas, e que no meio da sua confusão de hormonas procura uma espécie de "revolução". Ele tem ideais. Ele acredita em certas coisas. E é como se o mundo não o deixasse acreditar nisso.
Esse é o espírito adolescente, e é isso que o livro nos vem transmitir. A procura de uma identidade própria, quando tentamos unir as nossas crenças à realidade a que somos sujeitos. Onde pertencemos. Onde queremos estar. O que queremos fazer.
Não é um livro muito maduro, devo dizer. Um adulto escreveria sobre o mesmo tema de uma maneira bastante mais forte e atractiva. Mas, ainda assim, precisamos desta visão de dentro.
De realçar as suposições sexuais ao longo do livro. Como não podia deixar de ser.
Sem que me tivesse marcado notoriamente, vi-me quase todos os dias, depois das aulas, sentado no bar da escola a ler o livro. Este é, de longe, o melhor livro que um adolescente pode ler, pois para além da personagem principal ser da sua idade, é só ele. Não se trata de um grupo de amigos, ou as suas fantásticas aventuras. Nada disso. É uma personagem no meio do palco, directamente a falar connosco. É isso que nós queremos, é isso que nos faz sentir aquela empatia pelo livro!
Talvez seja uma experiência muito pessoal. Eu fui-me deixando levar aos poucos e poucos. Importa que saibamos o que nos espera. Gostei imenso de ler o livro, e como já disse Holden fez-me sentir acompanhado. É difícil dizer o que senti com esta obra. Sem que se tivesse tornado num marco a nível pessoal, foi uma leitura que me cativou.
Somos capazes de abandonar tudo para continuar a ler, e somos capazes de ficar sem respiração quando vemos os passos dele. Como cheguei a dizer, Holden poderia ter escrito um blogue. Soube mesmo bem.
sábado, 15 de maio de 2010
O Jardim dos Segredos, de Kate Morton
Uma criança perdida. Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial uma criança é encontrada só, num barco que se dirigia à Austrália. A mulher misteriosa que prometera tomar conta dela tinha desaparecido sem deixar rasto.
Um terrível segredo. No seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst, em tempos propriedade da aristocrática família Mountrachet.
Uma herança misteriosa. Com o falecimento de Nell, a neta Cassandra recebe uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a sua família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.
Estou tão perto. Sei disso. É o meu passado, quem sou, e estou prestes a descobrir.
Tenho pena de não ter lido o livro numa altura mais apropriada. Tê-lo-ia apreciado bem mais, certamente.
Kate Morton tem um dom inato para contar histórias. Se não é inato, tem-no de qualquer maneira.
O livro tem três partes: dois passados e um presente. Temos Nell, uma mulher que descobre que os seus pais são adoptivos, tendo-a encontrado abandonada com destino à Austrália. Essa revelação vai praticamente destruir-lhe a vida e afastá-la de todos. Até se decidir, finalmente, ir ao encontro da sua identidade, desvendar o grande segredo que é a sua vida. Isto em 1975.
Temos, depois, Cassandra, a neta de Nell. É ela que vai continuar a demanda da avó, que entretanto não pôde terminar a sua jornada (porquê? É um dos segredos do livro). O presente.
Finalmente, a história da família Mountrachet e de Eliza Makepeace. O seu envolvimento começa quando a primeira pista de todas é um livro de contos de fadas de Eliza Makepeace, que Nell trazia consigo, numa mala de viagem (único pertencente quando a encontraram), mas vamos ver ao longo do livro que tudo tem um sentido, e que estas personagens são o grande cerne de todos os segredos. Isto nos anos à volta de 1900.
O livro vai, então, mudando entre cada tempo. Um capítulo 2005, o próximo 1900, o outro 1975, e de novo 2005, e se calhar depois vai para 1975, e só depois para 1900... Parece confuso. Não que qualquer leitor não consiga seguir a história, mas à partida parece que custa a entrar neste esquema, saltando constantemente no tempo. Mas essa é uma das razões pela qual Morton tem um dom: não é confuso. Pelo contrário, essa estrutura só nos ajuda a querer continuar a ler, e a seguir logicamente o puzzle que a autora vai construindo, até ligar todos os elos que ficaram perdidos no tempo (não acho que Cassandra pudesse ser suficientemente bem sucedida em descobrir toda a verdade, como dá a entender, com as informações que tinha em mão, mas somos levados a crer que sim. Pelo menos o leitor sabe que no fim fica tudo bem esclarecido).
Esta autora é capaz de nos convencer de qualquer coisa. Quando Nell descobre que os pais não são seus pais biológicos, muda radicalmente de vida, ao ponto de deixar de falar com a família. Achei isso quase que parvo. Ainda assim, Morton consegue convencer-nos de que não haveria outra maneira de reagir...
Os segredos do passado formam um puzzle que o presente tem de desvendar, para que possa saber quem realmente é. Ao longo do livro somos confrontados com pequenas reviravoltas e pequenas revelações, e é quase impossível não prever aquele que é, acima de todos, o grande segredo da família Mountrachet e o que determina a identidade de Nell. Eu rapidamente percebi. Mas ao longo do livro ficamos boquiabertos com certos acontecimentos, e nem todo o final é previsível. Vi-me assombrado com o destino de Eliza Makepeace, de tal modo que pensei que iria chorar.
A par com uma história bastante bem construída, e que até se pode considerar bastante simples (dada a familiaridade e o pequeno círculo de mistérios, não estamos a falar de um segredo que condicione a humanidade, mas sim do segredo de uma família!), está uma escrita maravilhosa. Todas as descrições são sentidas. Nota-se que Morton tem gosto em escrever, e isso passa sempre para o leitor.
Acima de tudo, é um livro que dá gosto ler, e de facto tenho pena de o ter lido numa altura em que estava pouco inspirado.
Um terrível segredo. No seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst, em tempos propriedade da aristocrática família Mountrachet.
Uma herança misteriosa. Com o falecimento de Nell, a neta Cassandra recebe uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a sua família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.
Estou tão perto. Sei disso. É o meu passado, quem sou, e estou prestes a descobrir.
Tenho pena de não ter lido o livro numa altura mais apropriada. Tê-lo-ia apreciado bem mais, certamente.
Kate Morton tem um dom inato para contar histórias. Se não é inato, tem-no de qualquer maneira.
O livro tem três partes: dois passados e um presente. Temos Nell, uma mulher que descobre que os seus pais são adoptivos, tendo-a encontrado abandonada com destino à Austrália. Essa revelação vai praticamente destruir-lhe a vida e afastá-la de todos. Até se decidir, finalmente, ir ao encontro da sua identidade, desvendar o grande segredo que é a sua vida. Isto em 1975.
Temos, depois, Cassandra, a neta de Nell. É ela que vai continuar a demanda da avó, que entretanto não pôde terminar a sua jornada (porquê? É um dos segredos do livro). O presente.
Finalmente, a história da família Mountrachet e de Eliza Makepeace. O seu envolvimento começa quando a primeira pista de todas é um livro de contos de fadas de Eliza Makepeace, que Nell trazia consigo, numa mala de viagem (único pertencente quando a encontraram), mas vamos ver ao longo do livro que tudo tem um sentido, e que estas personagens são o grande cerne de todos os segredos. Isto nos anos à volta de 1900.
O livro vai, então, mudando entre cada tempo. Um capítulo 2005, o próximo 1900, o outro 1975, e de novo 2005, e se calhar depois vai para 1975, e só depois para 1900... Parece confuso. Não que qualquer leitor não consiga seguir a história, mas à partida parece que custa a entrar neste esquema, saltando constantemente no tempo. Mas essa é uma das razões pela qual Morton tem um dom: não é confuso. Pelo contrário, essa estrutura só nos ajuda a querer continuar a ler, e a seguir logicamente o puzzle que a autora vai construindo, até ligar todos os elos que ficaram perdidos no tempo (não acho que Cassandra pudesse ser suficientemente bem sucedida em descobrir toda a verdade, como dá a entender, com as informações que tinha em mão, mas somos levados a crer que sim. Pelo menos o leitor sabe que no fim fica tudo bem esclarecido).
Esta autora é capaz de nos convencer de qualquer coisa. Quando Nell descobre que os pais não são seus pais biológicos, muda radicalmente de vida, ao ponto de deixar de falar com a família. Achei isso quase que parvo. Ainda assim, Morton consegue convencer-nos de que não haveria outra maneira de reagir...
Os segredos do passado formam um puzzle que o presente tem de desvendar, para que possa saber quem realmente é. Ao longo do livro somos confrontados com pequenas reviravoltas e pequenas revelações, e é quase impossível não prever aquele que é, acima de todos, o grande segredo da família Mountrachet e o que determina a identidade de Nell. Eu rapidamente percebi. Mas ao longo do livro ficamos boquiabertos com certos acontecimentos, e nem todo o final é previsível. Vi-me assombrado com o destino de Eliza Makepeace, de tal modo que pensei que iria chorar.
A par com uma história bastante bem construída, e que até se pode considerar bastante simples (dada a familiaridade e o pequeno círculo de mistérios, não estamos a falar de um segredo que condicione a humanidade, mas sim do segredo de uma família!), está uma escrita maravilhosa. Todas as descrições são sentidas. Nota-se que Morton tem gosto em escrever, e isso passa sempre para o leitor.
Acima de tudo, é um livro que dá gosto ler, e de facto tenho pena de o ter lido numa altura em que estava pouco inspirado.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O Rapaz do Pijama às Riscas, de John Boyne
As barreiras podem dividir-nos mas a esperança vai unir-nos.Bruno, de nove anos, nada sabe sobre a Solução Final e o Holocausto. Ele não tem consciência das terríveis crueldades que são infligidas pelo seu país a vários milhões de pessoas de outros países da Europa. Tudo o que ele sabe é que teve de se mudar de uma confortável mansão em Berlim para uma casa numa zona desértica, onde não há nada para fazer nem ninguém com quem brincar. Isto até ele conhecer Shmuel, um rapaz que vive do outro lado da vedação de arame que delimita a sua casa e que estranhamente, tal como todas as outras pessoas daquele lado, usa o que parece ser um pijama às riscas.
A amizade com Shmuel vai levar Bruno da doce inocência à brutal revelação. E ao descobrir aquilo de que, involuntariamente, também ele faz parte, Bruno vai, inevitavelmente, ver-se enredado nesse monstruoso processo.
"Uma pequena maravilha de livro... Um momento histórico único que não pode ser contado muitas vezes."
Guardian
"Uma extraordinária história sobre a amizade e os horrores da guerra... Isto é talento literário inato no seu melhor."
Irish Independent
"Uma coisa é certa: este livro não trará noites tranquilas."
Observer
Antes de mais, a contracapa não elucida totalmente o que vamos encontrar neste livro.
Bruno nunca chega a aperceber-se de uma "brutal revelação". Bruno é a inocência (doce ou amarga). E esse é o maior encanto deste conto.
Já escrevo esta opinião bastante tempo depois de ter lido o livro. Mas continuo a considerá-lo uma das obras mais bem escritas e mais bem imaginadas que pude ler.
Bruno é um rapazito alemão. E vive no meio do Nazismo, ele é Nazi teoricamente. Mas não sabe o que é o Nazismo. Não sabe o que é um judeu, nem sabe quem é o Fúria, nem sabe porque raio ele e a família tiveram de ser mudar para Acho-Vil. São dezenas de perguntas que pairam na cabeça deste rapaz, mas a sua inocência vai impedi-lo de ter respostas claras.
Emocionei-me mesmo muito enquanto lia a visão de Bruno do mundo à sua volta. Neste livro, nunca há uma verdadeira referência a todos os detalhes que fizeram parte do Holocausto. E, no entanto, está tudo lá. Tudo. Mas os olhos de Bruno vêem outra coisa, ou simplesmente não percebem o que é aquilo, e é isso que mais nos encanta no livro. O leitor sabe sempre, sempre, o que está à frente de Bruno. Mas o rapaz, como se fosse ele a contar a história, não. São como pequenas analogias (não no melhor termo da palavra). E custa-nos a saber se queremos que Bruno saiba onde vive ou se queremos que continue nessa ilusão.
E conhece Shmuel, o rapaz do pijama às riscas. Shmuel sabe bem onde vive, sabe que nada ali é certo e bom. Mas, ainda assim, é arrastado por Bruno para uma fantasia, permitindo assim viver os seus melhores dias.
Antes de ler o livro, pensei que estava perante uma longa conversa entre duas crianças, e que esta teria grandes reflexões, por muito simples que fossem. O que não aconteceu propriamente. Os dois encontram-se na cerca, cada um do seu lado, mas não são mais do que conversas normais de crianças. A reflexão deste livro pousa nas entre-linhas. É na inocência de Bruno que devemos procurar essa mensagem.
O que de facto gostei no livro é que não são as palavras que lá estão escritas que devemos ler, mas sim o que está entre elas. É a nossa percepção da realidade que se confronta com a percepção fantástica de Bruno. São nas entre-linhas, naquilo que não está escrito mas que nós sabemos exactamente o que é, que pousa a maior reflexão e emoção.
Posto isto, digo: este é um livro para adultos. Deve ser um adulto a ler o livro, pois este sabe a verdade por detrás dos olhos da criança.
John Boyne teve um dom ao escrever este livro. Não tem uma escrita que se destaque, pois como disse o que realmente importa no livro é o que Bruno vê mas o que apenas nós conseguimos descodificar. O Holocausto. O campo de concentração. Os judeus. A violência.
E o final. Depois de um livro com tão bela visão, e no entanto com uma tão horrível verdade, vem o final, inesperado, abrupto, que vai deixar qualquer leitor à beira das lágrimas. Só já perto do fim começamos a ter uma ideia do que vai acontecer, e mesmo assim quando acontece não podemos adivinhar de que maneira. Apenas sabemos que é aquilo que vai acontecer.
Poucos livros conseguem ser tão comoventes como este. É mesmo algo único, original (tendo em conta a quantidade de livros que há por aí sobre o Holocausto), e por isso mesmo não posso deixar de dizer: têm de ler este livro.
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