"Eu era apenas mais uma pessoa no mundo, mas o meu sonho era ser o mundo de uma pessoa."
Charlotte Usher sente-se praticamente invisível na escola, até que um dia fica mesmo. Pior ainda, descobre que está morta... e tudo por causa de um rapaz e de um urso de goma. No entanto, a morte não impede Charlotte de seguir com os seus planos. Bem pelo contrário! Torna-se mais criativa e capaz de fazer qualquer coisa para atingir os seus objectivos: ser popular e conquistar Damen, o rapaz por quem se apaixonou.
Como pessoas, e principalmente na fase da adolescência, creio que todos nós passamos por aquelas fases em que queremos acreditar que temos alguém neste mundo, sejam namorados, sejam melhores amigos. Queremos que a nossa vida se resuma a essa felicidade (e os pais não são para aqui chamados. Nem no livro parecem existir).
Charlotte não tinha amigos e queria um. Charlotte estava apaixonada por Damen e queria tê-lo.
Até que morre engasgada por um urso de goma, e começa uma das histórias mais mirabólicas e divertidas que já li, com verdadeiro humor negro!!!
A sua experiência da morte é deveras curiosa. Ela tem de andar num liceu onde se deve aprender a aceitar a morte, até atingirem o "Além" definitivo. Obviamente que os seus colegas são as maiores aberrações que existem, desde quem morreu por ter engolido uma flauta a quem morreu devido às radiações do telemóvel (verdadeiramente nojento, para os mais sensíveis).
Ainda assim, há um pormenor e uma pessoa que pode ajudá-la a continuar a sua missão de vida, ou seja conquistar Damen... E esta sua determinação afectará tanto o mundo dos vivos como dos mortos!
Isto pode-se assemelhar a um daqueles filmes para adolescentes, com o liceu, os populares, os não-populares, os todos os estilos, o Baile! É mesmo! Mas é mais do que isso, não só devido à improvável experiência da Morte, como também à maneira como o livro se nos apresenta.
Só pela estética do livro, vale a pena tê-lo na estante. A capa está lindíssima, as ilustrações no início de cada capítulo muito típicas, e as pequenas divagações da autora no início de cada capítulo também, que não deixam de ser pequenas lições de moral, são uma grande mais valia para tornar este livro mais do que apenas um livro para adolescentes, mas sim para jovens adultos.
Se virem e folhearem este livro em algum lado, não é só a história que nos vai interessar. Vai ser mesmo a organização que vos vai querer levá-lo para casa.
Do princípio ao fim uma grande lufada de animação (não obstante o tema), aconselho-o especialmente a quem não consegue aceitar a morte, tanto como o seu fim como a continuação da vida sem si. Acho que essa é a grande conclusão deste livro.
Para além das suas personagens tão típicas e a sua história tão atípica, é sem dúvida a escrita descontraída da autora que nos faz querer avançar. O seu estilo satírico agarra qualquer um, puxando tanto pelo nosso imaginário como pelo nosso bom senso!
Não sei que dizer mais... Fiquei com vontade de conhecer o mundo dos mortos, mas creio que isso está destinado para o próximo livro, cujos direitos já foram adquiridos pela Contraponto!
A ler. Definitivamente, a ler!!!




