Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA, o historiador e criptanalista português Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra. 6AYHAS1HA8RU Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo. E se a Al-Qaeda tem a bomba atómica? Baseando-se em informações verídicas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra surpreendente como o mestre dos grandes temas contemporâneos. Mais do que um empolgante romance, Fúria Divina é um impressionante guia que nos orienta pelo labirinto do mundo e nos revela os tempos em que vivemos.Este romance foi revisto por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda.
Bem, acho que será escusado dizer que este não só é o regresso de José Rodrigues dos Santos, como o facto de ter sido revisto por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda chamou a atenção de muitos.
Comprei o livro no seu lançamento no Colombo, e desde já digo que não ouvi nada do que o autor disse, nem dos restantes apresentadores. Estava tanta gente, e o som estava tão mau! Para a próxima, a ver se JRS reserva o Pavilhão Atlântico.
Logo nessa noite comecei a lê-lo.
Acho que é um excelente regresso. Do autor e das personagens.
Não é o seu livro mais ambicioso. Aliás, a nível de tema, acho que os anteriores foram bastante mais "atrevidos", almejavam bastante mais. Não acontece isto aqui! Neste livro, Dos Santos apresenta-nos o fundamentalismo islâmico. É extremamente interessante, e confesso que até fiquei com curiosidade de ler o Alcorão! Não é, ainda assim, um livro que mereça a polémica que outros mereceram.
O seu estilo jornalístico está lá. Este é o tipo de livro que não nos deixa frustados na busca de conhecimento. Lemos sobre o Islão e o fundamentalismo religioso com avidez, sem pararmos de receber todo o tipo de curiosidades, de informações, e dos pontos de vista que pedimos. É uma das coisas que gosto em JRS: não se resume à acção.
E assim chegamos ao enredo. Li "O Sétimo Selo" e DETESTEI a personagem de Tomás Noronha. Não sei transmitir o ódio que esta personagem transmite, a ingenuidade!!!
Este livro é totalmente diferente.
Neste livro encontrei (FINALMENTE) um Noronha maduro, um Noronha que sabe, um Noronha que é professor universitário, um Noronha que já passou por muito. Fiquei obviamente impressionado por ter conseguido reavivar a personagem.
Mas não foi isso que tornou este livro diferente dos outros.
Foi a construção do enredo.
Há algo novo neste romance, em relação a outros do autor. Temos duas histórias paralelas: a de Noronha e a de Ahmed, o rapaz que ao longo da sua vida vai descobrindo os ensinamentos de Alá. Pessoalmente, achei isto um golpe de génio, vindo de JRS. Não só criou duas histórias paralelas e um jogo muito interessante no enredo como criou Ahmed, que é fascinante, como se desviou de páginas intensivas de Noronha, que poderiam chatear o leitor.
Embora o tema não seja melhor do que os anteriores da série, este foi para mim dos melhores livros em termos de enredo! Foram dados alguns passos nesta área, que alguns saberão ser um ponto fraco em JRS.
Continuam a haver gralhas. Continuam a haver situações que raramente poderiam acontecer. Continuam a haver vários pontos que tornam a história pouco credível. Mas há aqueles pontos que parece que dão mais qualidade a este thriller! E é fácil de ler... Pouca descrição, uma escrita bastante corrida. Nada a notar!
Para terminar, tenho a dizer: nunca achei que José Rodrigues dos Santos fosse parecido com Dan Brown. Nunca. Mas "Fúria Divina" tanto poderia ter sido escrito pelo português como pelo inglês. Tenho de reconhecer a grande semelhança entre os dois nesta obra específica!
Para quem não gosta de ler, bem que vai gostar deste livro! Para quem gosta de JRS, este tem de ser lido. Para quem ainda tem preconceitos, pegue num do jornalista, mesmo não sendo este ("A Filha do Capitão" e "O Codex 632" são bons romances!). Eu gostei muito, e já estou à espera do próximo dele.














