terça-feira, 30 de junho de 2009

Stardust - O Mistério da Estrela Cadente, de Neil Gaiman


" - E se eu te trouxesse a estrela caída? - inquiriu Tristran, animado. - O que me darias? Um beijo? A tua mão em casamento?
- Tudo o que quisesses - respondeu Victoria, divertida.
- Juras? - perguntou Tristran.
(...)
- Claro - afirmou Victoria, sorrindo."

Victoria Forester era considerada a rapariga mais bonita das Ilhas Britânicas, mas para Tristran ela era a rapariga mais bonita do mundo, e a sua paixão por ela não conhecia limites. Por isso, as palavras que Victoria proferiu naquela noite de Outono em que foram ambos surpreendidos pelo brilho extasiante de uma estrela cadente soaram como música aos seus ouvidos. Afinal, havia um caminho para o coração da sua amada. Tudo o que tinha de fazer era apanhar aquela estrela... e esse era agora o seu único desejo! Só que a estrela de Tristran caiu no País Mágico, no país onde habitam dragões, grifos, basiliscos, hidras, unicórnios, gnomos, enfim, toda a sorte de criaturas extraordinárias e inimagináveis, e lá, as estrelas cadentes são belas raparigas de olhos azuis e cabelos loiros. Uma enorme parede de pedra separa a aldeia de Wall desse mundo fantástico, mas nada poderá demover Tristran, e é justamente quando dá o primeiro passo no País Mágico que tem início a sua fabulosa aventura! Gaiman revela-nos, uma vez mais, o seu inquestionável talento para escrever histórias que nos fazem sonhar e que, através da criação de mundos imaginários, suscitam em nós a capacidade de ver o mundo real. Os leitores podem ainda revisitar o universo de Gaiman através da adaptação cinematográfica desta magnífica narrativa.


Este livro correspondeu totalmente às expectativas. Nem mais, nem menos.
A sinopse, a capa, o que já ouvi do filme e do livro, as opiniões bastante positivas, tudo isso leva-nos a criar um nível de expectativas. Quaisquer que sejam essas expectativas, este livro encaixa-se nelas. É como que inevitável.

Uma coisa garanto: essas expectativas só podem ser muito altas, porque este livro é uma surpresa para qualquer leitor.

Estou encantado. Deliciado. É sem dúvida um belo conto de fadas, mas muito, muito mais fascinante.

Ao princípio, é um livro estranho. Muito ao estilo de Gaiman.
Neil Gaiman tem um dom inato para a Fantasia. É capaz de criar mundos sem medo, alguns deles verdadeiramente estranhos, como no caso de Coraline. Li "Coraline e a Porta Secreta" e aquela obra fantasmagórica e sensação de estranheza ficou gravada na memória. Com este, voltamos a mergulhar num mundo completamente novo, mas desta vez muito vivo, dinâmico, cheio de seres totalmente diferentes, lendas, profecias, lugares infinitos! Por um lado, tenho pena que o País Mágico seja um lugar tão vago, por outro, não podia ser outra coisa!

Sinto-me inspirado depois de ler este livro. Neil Gaiman tem uma imaginação do tamanho do País Mágico. Não tem limites.

A história é como a sinopse bem a diz, Tristran entra nesse país para ir buscar uma estrela para a sua amada... O problema é que lendas e profecias fazem com que o destino de muitos esteja ligado a essa estrela, logo não será o único atrás dela!
Num pequeno livro dá-se uma enorme aventura.
Pessoalmente, preferiria ficar no mundo mágico, porque acho que há por lá muitas personagens e muitas lendas, e muitos lugares, a serem descobertas... Mas, enfim, esta foi apenas uma história, e a boa notícia é que tudo o que a nossa imaginação cria está lá!

Não tenho mesmo nada a dizer... A não ser, talvez, o final, que embora esteja muito bem conseguido, pessoalmente esperava que o autor nos desse uma certa reviravolta, algo como um murro na barriga, o que não aconteceu propriamente.

Recomendado? Não, mais do que isso. Todos deviam pegar neste livro. Principalmente quem gosta de Fantasia, pois este livro é Fantasia pura. Um dos melhores deste ano, sem dúvida, encantador e a transbordar de Fantasia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

333, de Pedro Sena-Lino


Esta é a história de um livro e de todos os seus 333 exemplares impressos. É a história secreta do impacto de um livro na vida de cada um dos seus leitores, e de como um rectângulo de papel pode transformar uma vida.

Quantas aventuras cabem dentro de um livro? Resposta: tantas quantas os seus leitores. 333 é a história das histórias das vidas tocadas por um livro profano que queimava como um livro sagrado. Pedro Sena-Lino leva-nos pela mão até um desses livros que, mais do que ser lido, lê e revela quem o abre.
Rui Zink

Uma cornucópia de histórias através do tempo onde se prova que só o amor é imutável. As palavras do poeta ao serviço de uma grande imaginação fizeram de Pedro Sena-Lino um romancista.
Dulce Maria Cardoso

É um hino. Ao amor. Amor pelo Livro, pela Palavra. Este primeiro romance de Pedro Sena-Lino faz muito mais do que contar uma história.
Marie-Noëlle Ciccia (Universidade de Montpellier

Há vários livros sobre livros, mas este deve ser, sem dúvida, único.

Pela primeira vez, ou pelo menos desde que me lembro, senti uma vontade enorme de pegar no lápis e sublinhar várias expressões do livro. E, de facto, contra o que costumo dizer, sublinhei este livro. Cada vez que o lia, tinha ao meu lado um lápis.
E porquê esta necessidade? Porque há inúmeras passagens nas quais nós, leitores nos identificamos, e também nas quais identificamos os livros que lemos.

Pedro Sena-Lino não é um prosador, é um poeta.
No entanto, conseguiu (minimamente) escrever um romance como deve ser.
A princípio, achei a escrita confusa. Tal como já aconteceu quando li "Máscaras do Destino", de Florbela Espanca, apercebi-me de que não gosto muito de ler prosa poética intensa em romances. Gosto muito de poesia, mas transportá-la para prosa fica demasiado confuso.
Até porque, pessoalmente, adoro prosa poética, quando se tratam de descrições. Não há melhor maneira de descrever paisagens, sensações, sentimentos, do que através de prosa poética.

Pelo que, passadas algumas páginas, fui-me habituando à escrita do autor. Não foi fácil, mas consegui. E, uma vez habituado, nada me impediu de adorar.

No séc. XVI, são impressos exactamente 333 exemplares de um livro especial... Especial porque é único no mundo: tem o dom de marcar de uma forma dolorosa, única, intensa, cortante, a vida de quem o lê. E, portanto, Pedro Sena-Lino apresenta-nos os destinos de todos os 333 exemplares, que tão fortemente marcam o leitor.

Todos os destinos são bastante trágicos. Todos os exemplares têm um fado forte, que acaba sempre na sua morte. Isto poderá ter alguma coisa a ver com o amor, que é a grande mensagem do dito livro. Trata-se de um conjunto de Cartas que reflecte, de uma forma bastante intensa, o amor, a paixão, o que faz com que o leitor fique tão obcecado. Todos os destinos são trágicos por isso. Muitos livros nem são sequer lidos, mas de qualquer maneira acabam por ser destruídos. Suponho que este mundo não estava preparado para o amor puro.

Adorei ler todos os destinos de todos os exemplares. Acho fascinante esmiuçar estas coisas. Este romance não tem um fio condutor (embora à medida que vai avançando uma pequena história se realce até ao fim), trata-se antes de várias curiosidades. Ou seja, os vários destinos. O que é muito engraçado, porque todos nos fazem lembrar milagres, tragédias gregas e shakespearianas, lendas, histórias religiosas ou pagãs.

Sem dúvida um livro que encherá as medidas aos amantes da leitura. Sem dúvida um autor que escreve muito bem e que conseguiu escrever algo único, mas que na minha opinião tem de desenvolver muito mais, caso contrário cai no aborrecimento.

domingo, 21 de junho de 2009

A Máquina de Xadrez, de Robert Löhr


Baseado em factos verídicos, A Máquina de Xadrez é tanto um romance histórico como um thriller empolgante. Os acontecimentos decorrem por volta de 1770, no século das Luzes, quando o barão Wolfgang von Kempelen, aventureiro e livre-pensador, tenta conquistar o favor da imperatriz austríaca Maria Teresa apresentando em Viena um engenhoso invento, um autómato vestido como um turco e pretensamente inteligente, capaz de derrotar os melhores jogadores de xadrez. De facto, no interior da máquina, um verdadeiro prodígio mecânico, esconde-se Tibor, o anão que Kempelen resgatou dos calabouços de Veneza, um exímio jogador de xadrez, que, relutante, se vê forçado a participar naquele embuste. Depressa o Turco se torna famoso por toda a Europa, até que, nas celebrações do casamento de Maria Antonieta e Luís XVI, uma baronesa é encontrada morta em misteriosas circunstâncias. As suspeitas recaem sobre o Turco, suscitando a perseguição eclesiástica e complexas intrigas palacianas. O autor tira partido das suas personagens criando um drama psicológico que se adensa à medida que a intriga se torna mais empolgante. A recriação do tempo histórico é minuciosa e brilhante e tem tudo para captar o interesse do leitor.

Tem tudo para captar o interesse do leitor... E, de facto, capta!

Já não me lembro da última vez que li um livro com este nível de complexidade! Tenho lido obras com excelentes personagens, mas nenhuma deste nível, tenho a certeza.

Este é um thriller histórico que se desenvolve também em função de um drama psicológico, pois as personagens são de facto de um nível de complexidade único. E, mais interessante que tudo isto, é que é baseado em factos verídicos, as personagens são verídicas! Nunca pensei que Kempelen tivesse existido, e é com extrema alegria que já pesquisei umas quantas páginas sobre ele e a sua famosa Máquina de Xadrez.
A sinopse explica muito. A história é, basicamente, a de uma máquina de xadrez, construída para agradar à Imperatriz, mas que representa várias coisas para cada personagem: para o anão, uma prisão; para o criador, o auge; para o ajudante, uma obrigação; para alguns, perigo e maldição. E portanto, o sucesso da máquina de xadrez depende de quem sabe o seu segredo. No entanto, não só a morte misteriosa da baronesa como a luta de cada personagem vai afectar o seu destino.

O que a sinopse não revela é mesmo a complexa teia que se vai desenvolvendo à volta das personagens, numa luta psicológica constante. Elas vêem-se obrigadas a confrontar obrigações com vontades, fé com razão. Esse é, na minha opinião, o grande triunfo do livro.

Li e adorei. Estou bastante impressionado, pois trata-se do primeiro romance do autor e consegue provar que é capaz de muito mais!

Aconselho a todos. Vale mesmo a pena ler, é impressionante e mais do que cativante.

Só tenho a apontar um único ponto negativo... E é o que me faz não dar cinco estrelas ao livro.
De facto, o nível de complexidade das personagens é impressionante, e de um livro que nem parecia tão espectacular quanto isso surgiu uma obra fascinante. Meia estrela.
Porém, uma coisa é certa: no plano geral, este é apenas mais um thriller.

Embora seja único em si, numa vista geral, inserido na Literatura, este é apenas mais um thriller, que não acrescenta muito mais para além de uma história desenvolvida diferente. Por isso mesmo, faltou essa especialidade, essa característica que o teria feito único realmente, para ser uma obra-prima. Está quase! Volto a dizer, está mais do que recomendado, é um livro a ler de certeza!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tom Hanks volta a ser Robert Langdom


http://www.youtube.com/watch?v=ASVeN-58HKk

Antes de mais, é preciso notar uma coisa: Anjos e Demónios é um dos meus livros preferidos de sempre. Não estou, portanto, à espera que o filme me proporcione todo o delírio que a leitura me deu...

No entanto, a minha ânsia em ver o filme, e a esperança que fosse bem melhor do que O Código Da Vinci, não foi em vão.

Estava na sala de cinema a ver o filme e estava totalmente vidrado. Parabéns a todos, esta é uma adaptação digna de se ver e atinge altos escalões!

Quanto aos actores, não tenho nada a dizer. Para mim, são boas escolhas, e não adquirem particular atenção. Até Ewan McGregor, que é um dos meus actores preferidos, não está nem mais nem menos do que se espera.

O enredo é altamente viciante e imparável. Aliás, acho que isso é o único ponto que será menos favorável: a acção é tão rápida, os acontecimentos tão repentinos, que os grandes climax acabam por passar demasiado depressa... Eu, por exemplo, achei que o momento que em conhecemos o inimigo passou demasiado depressa, só quem já leu o livro consegue focar essa cena.

Os efeitos especiais estão estonteantes.
A grande cena perto do fim (envolve uma explosão... *assobio*) é extraordinária. Está brutal!!!
E viajamos por toda a Roma e todo o Vaticano... É espectacular como conseguiram recriar todos os locais! Foi como se os visitasse (e confesso que fiquei com vontade de lá ir).

Está fiel à obra literária... Embora haja várias modificações que alteram, a meu ver, o simbolismo de algumas coisas. No entanto, passa. Tudo o que mudaram consegue passar despercebido.

Resumindo, um filme bem feito, e bem conseguido na minha opinião.

Só que, se já leu o livro, nunca vai gostar tanto do filme como se nunca o tivesse lido... Este é daqueles casos em que estamos perante um excelente entretenimento, mas cuja leitura acaba por condicionar um bocadinho a nossa admiração.
(e mesmo assim, durante o filme sentir um pouco do frenesi que senti com o livro, pelo que para mim não podia estar melhor!!!)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Voo Final, de Ken Follett


Em Junho de 1941 a Dinamarca encontra-se sob a ocupação de Hitler, enquanto a Grã-Bretanha é a única potência europeia em condições de fazer frente ao avanço dos nazis. Mas os aviões que partem em missões de bombardeamento são sistematicamente abatidos pelos esquadrões germânicos, como se de algum modo estes conhecessem os planos de ataque da Royal Air Force. Entretanto os Serviços Secretos Ingleses interceptam um sinal de rádio da Luftwaffe em que é mencionado o nome de código "Freya" e Hermia Mount, uma agente do MI6 é destacada para investigar o que está a beneficiar os alemães e isso leva-a numa missão secreta à Dinamarca... Ao mesmo tempo, na pequena ilha de Sande, o jovem Harald, estudante de física, encontra numa base secreta dos alemães algo cuja descoberta pode ser vital para mudar o curso dos acontecimentos... Um thriller empolgante de enredo complexo e absolutamente absorvente, baseado num caso verídico, pela mão do grande mestre da arte de contar que é o mundialmente famoso Ken Follett.

Fui louco em pensar que Ken Follett conseguia criar uma obra-prima como "Os Pilares da Terra" de novo.
No entanto, este livro prova uma coisa: Ken Follett é um escritor de qualidade. É alguém que se sente bem no meio das páginas, e que facilmente nos atinge e nos obriga a virar as páginas!

É um bom livro. Confesso que esperava mais, mas à medida que a leitura avançou fui-me habituando a este género tão diferente de "Os Pilares da Terra", pelo que foi uma questão de tempo até me viciar totalmente!
Aconselho o livro, isto porque qualquer fã de thrillers ou policiais vai adorar!

É, principalmente, um livro para quem se sente bem a ler algo deste género.

Para quem não sabe, este autor tem imensos livros que se passam durante a 2.ª Guerra Mundial. Portanto, é um escritor que já está muito à vontade dentro dessa época. Ora, "Voo Final" é um livro relativamente recente. Fiquei com bastante vontade de ler mais livros de Follett, pois sente-se que é um perito na 2.ª Grande Guerra!

Por outro lado, o grande ponto negativo neste livro é precisamente esse à-vontade em relação à época em que decorre. Digamos que, uma vez que Follett está tão familiarizado com o tema, acaba por deixar com que o livro perca alguma profundidade; está tão habituado à guerra que acaba por escrever com uma naturalidade que estranha a quem como eu está a ler o primeiro de Ken dentro deste género. Acho que é por isso que esse livro não me agarrou tanto quanto esperava: faltou aquilo que caracterizava "Os Pilares da Terra", já que essa foi sim a primeira excursão do autor à Idade Média. "Voo Final" acaba apenas por ser mais um dentro da 2.ª Guerra Mundial.

No entanto, volto a dizer que gostei muito de lê-lo. Aliás, Ken sabe mesmo agarrar-nos! Tem uma facilidade extraordinária em criar personagens interessantes!
Muitos picos de emoção ao longo da leitura! É especialmente empolgante depois de metade lido, quando os acontecimentos se precipitam, quando as personagens já estão bem definidas e o leitor consegue desligar-se um pouco da sensação de normalidade.
Não diria um enredo complexo. E absorve-nos pontualmente. É mais um livro dentro do tema da Segunda Grande Guerra, aliás é mais um livro no meio da bibliografia do autor.

Mas é sem dúvida uma leitura vinda de alguém que é um mestre na arte da escrita e do conto!!! E irá sem dúvida delirar os fãs dentro do género. E tenho a certeza que quem gosta da 2.ª Guerra Mundial vai adorar também o livro... O meu problema foi só um: esperar algo à medida de "Os Pilares da Terra". Depois de lermos este género de Ken Follett, é uma questão de tempo para nos habituarmos, já que no que toca à Segunda Guerra Mundial Ken escreve com habilidade. Sem ser muito imprevisível, fui recompensado com páginas de uma leitura interessante, uma história sempre empolgante e a escrita de um autor que já considero um mestre de livros sobre a 2.ª Grande Guerra!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Apresentação do livro "333", uma leitura para breve!

Quarta-feira, dia 3 do mês 6 do ano 2009, a Porto Editora apresenta o romance 333, de Pedro Sena-Lino.

Já tenho o livro por ler cá em casa, e aliás creio que o vou já começar! Parece-me bastante rápido e interessante!

O evento tem lugar na Biblioteca Nacional, pelas 18 horas, 33 minutos e 33 segundos…

O lançamento de 333, a história secreta de um livro e de todos os que o leram, vai ser dinamizado de 3 formas distintas:

- o Grupo de Teatro da Nova encena partes da obra;
- a professora universitária Vanda Anastácio dá uma conferência que engloba as temáticas do livro;
- os escritores Rui Zink e Alexandre Nave e as actrizes Laura Soveral e Maria do Céu Guerra lêem excertos da obra.

Portanto, uma apresentação original! =)

Estes microeventos acontecem, entre um cocktail, em 3 espaços contíguos e complementares da Biblioteca Nacional.
A editora conta com a presença de interessados.

O livro parece-me bastante bom! O que é que acham, suscita-vos interesse?


Em 333, a história secreta de um livro e de todos os que o leram, Sena-Lino mantém a abordagem
iniciada há vários anos, através da poesia, a temas como a presença do sobrenatural no humano,
os intercâmbios entre a vida anterior e a futura, os limites entre a morte e a vida, «mas agora
trabalhados em arquitectura narrativa». Para o escritor, este romance constitui uma «obra de
gratidão» a todos os livros que leu.
Porém, a actividade de Pedro Sena-Lino como investigador – estuda, para efeitos de
doutoramento, a produção literária feminina portuguesa nos séculos XVI-XVIII – também está
presente nesta obra: «procurei que fosse uma homenagem às escritoras esquecidas do período».
O autor defende que, por isso, ela «pode interessar aos leitores de romances históricos», mas
salienta que gosta de livros «com várias portas de entrada» e que 333 «tem um registo de microficção
(a história de cada exemplar) com conto (as histórias maiores), unidos na estrutura comum
de romance».
O romance 333, o quarto título que Pedro Sena-Lino publica com a Porto Editora, é, acima de
tudo, e segundo o autor, dedicado «a todos aqueles que querem um livro que os perturbe».

Quem também lê