sábado, 28 de junho de 2008

A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak

Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem um dia-a-dia penoso, sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte, narradora omnipresente e omnisciente, cansada de recolher almas, observa com compaixão e fascínio a estranha natureza dos humanos. Através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista de olhos de prata, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, cujo herói era o atleta negro Jesse Owens, e de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann e que escreveu e ilustrou livros, para oferecer à rapariga que roubava livros, sobre as páginas de Mein Kampf recuperadas com tinta branca, ou ainda a história da mulher que convidou Liesel a frequentar a sua biblioteca, enquanto os nazis queimavam livros proibidos em grandes fogueiras. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.


De facto, lê-se com deslumbramento e emoção. Para quem gosta de livros, vai ser uma delícia.

Este livro foi classificado como "juvenil". Não posso discordar, pois notoriamente o estilo de escrita, desde a primeira página, remonta a esta faixa etária. Mas não admira que esta obra tenha encantado muitas mais pessoas, pois é realmente de uma beleza inclassificável.

Belo... Que palavra mais estranha, uma vez que o livro decorre durante a Segunda Guerra Mundial, talvez a página mais negra da História Mundial. A verdade é que este livro é um excelente documento sobre essa guerra e a crise que atravessou a Alemanha durante essa altura, o medo, o terror dos ataques, mas também um belo hino à felicidade, à beleza das coisas, à tristeza, à perda e à dor.

Adorei o livro. Li-o pela noite dentro e não parei até acabar. Pois é belo, como já disse, mas ao mesmo tempo triste, doloroso, emotivo, deslumbrante, com perda, sofrimento, fascínio. Além disso, a escrita é simplesmente fenomenal: pura poesia! Prosa poética! Fiquei encantado com as palavras e descrições do autor, que são sinceramente poesia.

Este livro prima, realmente, pela originalidade e pela poesia. É original, pois mistura uma série de factos e ficções, e as personagens são magníficas e muito bem exploradas. Confesso que fiquei mais curioso com a Morte, a narradora, pois muito subtilmente o autor a explora e a caracteriza. Fantástico. De grande fôlego e brilhante!

A história é belíssima. E ao longo do livro assistimos a tanta coisa que ganhamos um ritmo que nos faz querer ler mais, e mais, e cada vez mais fascinados com o simbolismo que a obra envolve. Além disso, temos a oportunidade de aprender algum alemão! =D
Não deixei de ler o livro com alguma emoção, é impossível não nos admirarmos com as coisas que se desenrolam. Pois mais absorvente do que as próprias personagens só mesmo a sua interligação e com tudo o que acontece. Uma leitura impossível de interromper, sem dúvida alguma.

Leiam. Se gostam de livros, este é o ideal. Um óptimo livro sobre a Segunda Guerra Mundial na Alemanha. Um hino aos livros e às crianças, à coragem, ao medo, e ao belo, à amizade, à perda. Super original e extremamente poético. Subtilmente escrito. Adorei e fiquei simplesmente encantado.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Já vos disse que sou louco pela Anatomia de Grey?

Pois é...

E enquanto passeava pela livraria cá da zona, encontrei esta preciosidade...



=O

Um livro da Anatomia de Grey! As conversas escutadas no Emerald City Bar, o bar onde as personagens desta série desabafam as suas vidas.
Até me podem dizer (e concordo!) que o livro não se compara à série. Claro, definitivamente, a imagem, a música, os diálogos, são coisas que é difícil transportar para o livro (além de que a série é que veio primeiro, dah). Mas mesmo assim, mal achar oportunidade compro este livro. Falou um grande fã.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Expiação, de Ian McEwan


Expiação, de McEwan, [é] o romance de todos os romances.
HELENA VASCONCELOS, in
Os Meus Livros


[Expiação é um] livro notável. Leiam-no: em primeiro ou em segundo grau, como história de amor ou como história da expiação do romance, ou ambas, tanto faz. No fundo, tudo o que é preciso saber é que, se uma pessoa tem a pouco sorte de saber alguma coisa, deve escondê-lo tanto quanto possa. Para não ter de andar a pedir desculpa. Leiam-no.

TEREZA COELHO, in
Público


Expiação é uma história sobre a culpa, o amor e o perdão. A escrita de Ian McEwan eleva-se a uma dimensão magistral, capaz de captar sentimentos fortes com uma sensibilidade fora do comum. Uma obra comovente, terrível e profunda.

PAULA MACEDO, in
A Capital


Expiação é um romance completo, para o qual faltam adjectivos: complexo, inteligente, culto, apaixonante.

JOSÉ PRATA, in
Os Meus Livros


LEIA O LIVRO, VEJA O FILME.


É caso para dizer: leia o livro!
Lindo, lindo.

Complexo. Comovente. Muito maduro.
Não é só uma história de amor, e quando acabamos o livro apercebemo-nos da maturidade da história. Ao longo da leitura vemos a sua complexidade, uma beleza.

De destacar a excelente descrição.

A verdade é que, quando estava na última parte do livro... Voltei atrás e comecei a ler tudo de novo! Foi por isso que demorei tanto! Porque comecei a ler o livro numa altura de exames, e embora gostasse dele parecia que estava a ler inconscientemente, demasiado levianamente, portanto decidi começar tudo de novo. A segunda leitura foi muito mais atenta e foi quando me apercebi da complexidade da história.

É uma leitura que embala e que nos deixa agarrados, não largamos o livro! Não é nada difícil de ler, acessível.
Comovente como é, não deixa de criar uma mistura de sentimentos, contraditórios ou não, que tornam a obra tão profunda!

Sem grandes pontos negativos a apontar, só vos aconselho uma coisa: não tenham expectativas. Sem expectativas apreciarão muito mais a obra. Eu gostei imenso do livro, mas se eu não tivesse criado expectativas com trailers, principalmente, teria sido muito mais encantador. Mesmo assim, cheguei ao fim com vontade de parar e... Ficar a reflectir, a digerir um pouco, pensar.
Fiquei comovido e nunca irei esquecer o livro: aquele amor, tão perfeito; a guerra, de um choque tremendo; a maneira como as várias personagens se desenvolvem e como pensam, e a maneira como as diferentes mentes chocam; a expiação; um final que não podia ser mais indicado, e que dá à obra uma maturidade que o distingue de outros livros românticos.

"The truth can only be imagine". Nem mais nem menos. O próximo passo é ver o filme, que segundo consta é fiel ao livro!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

George R. R. Martin em Portugal

O criador dos Sete Reinos vai estar em Portugal!



George R. R. Martin, o maior escritor de fantasia da actualidade, vai estar em Portugal. Apesar de uma agenda cheia até 2010, a Saída de Emergência, com o apoio da Épica, conseguiu garantir a sua visita ao nosso país.

Autor de uma das mais revolucionárias séries de fantasia épica de todos os tempos, As Crónicas de Gelo e Fogo, Martin é um nome incontornável do fantástico e é completamente impossível ter uma conversa sobre o género sem o seu nome vir à baila.

Os eventos a que poderá assistir já têm dia, hora e local:

Dia 1 de Julho, às 18.30h, no Restaurante do piso 7 do El Corte Inglés:


• Pré-lançamento exclusivo de A Tormenta de Espadas, o 5º volume de As Crónicas de Gelo e Fogo (oportunidade única de adquirir mais cedo um livro que só chegará às livrarias dia 11 de Agosto)

• Palestra de George R. R. Martin sobre As Crónicas de Gelo e Fogo, moderada por Safaa Dib, moderadora do Fórum Bang!

• Sessão de perguntas e respostas sobre a série e o autor

• Sessão de autógrafos

Dia 2 de Julho, às 19.00h, no auditório da Fnac do Colombo:

• George R. R. Martin dará uma palestra sobre a escrita, o acto de escrever e o escritor. Uma oportunidade única de ver e ouvir um autor, bestseller nos quatro cantos do mundo, a falar do seu ofício

Dia 5 de Julho, às 16.00h, na Biblioteca Municipal de Telheiras:

• George R. R. Martin, acompanhado de dois nomes nacionais ainda por nomear, falará sobre Literatura Fantástica, desde a ficção científica e fantasia até ao horror. Curiosamente, Martin tem livros premiados nos três géneros!


Atenção: em princípio não haverá alterações nestes eventos. Mesmo assim, aconselhamos os fãs a darem uma olhadela nesta página para ficarem a par de alterações/actualizações. Obrigado!


Ah, e já comprei os dois últimos volumes que me restavam! Depois de acabar "Expiação" (que, peço perdão, mas ainda vai demorar, exames e essas coisas dificultam a leitura, mas posso adiantar que o livro vale a pena!) começarei a ler "As Crónicas de Gelo e Fogo" (ou assim espero, não se sabe...)!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Portugal, Hoje - O Medo de Existir, de José Gil

Esta nova edição acrescenta ao texto de Portugal, Hoje - O Medo de Existir um comentário em que José Gil analisa a evolução recente do país e as críticas que o seu livro recebeu. Seguem-se algumas das principais entrevistas que o autor deu a propósito de Portugal, Hoje.

Pensador difícil e denso, altamente criativo, capaz de inventar conceitos próprios, José Gil, com Portugal, Hoje adquire uma notoriedade assinalável.

Eduardo Prado Coelho,
Público, Fevereiro de 2005

Num livrinho de 150 páginas, quase de bolso, José Gil teve a humanidade de libertar o seu discurso do jargão académico e filosófico e descer à terra. O resultado é fascinante porque há muito que não se via, entre nós, um filósofo falar do real quotidiano de modo tão inteligente e, ao mesmo tempo, tão simples.
Rodrigues da Silva, J.L., Janeiro de 2005

Na análise de José Gil, Portugal é uma sociedade normalizada, onde o horizonte dos possíveis é extremamente pobre e onde a prática democrática encontra resistências ao aprofundamento.

António Guerreiro,
Expresso, Dezembro de 2004


Vasta ambição esta de José Gil tentando reconstruir toda uma tradição filosófica, quer levando até aos limites algumas das nossas tradições, quer opondo-se com determinação às que estão na própria origem da sua vocação filosófica, como a fenomenologia.
Eduardo Lourenço, no n.º especial do Le Nouvel Observateur, de Janeiro de 2005, sobre os "25 Grandes Pensadores do Mundo Inteiro".


As palavras que descrevem este livro são "O Medo de Existir", não "Portugal, Hoje". Porque, o que quer que pensem, não se trata de uma análise ao país, mas sim uma reflexão filosófica que vai coincidir, e como exemplo, em aspectos das características da personalidade portuguesa.

De lembrar que José Gil foi eleito um dos 25 grandes pensadores de todo o mundo, pelo Le Nouvel Observateur.

Este não é, de todo, o meu género de livro. Portanto, porque é que o fui ler? Primeiro porque tive vontade de experimentar algo diferente, depois porque foi dos únicos livros que o meu pai me aconselhou para ler já. Por isso, lá fui ler, e embora não me tenha arrependido não me parece que seja um tipo de leitura a desenvolver.

É um livro bom, sem dúvida, e concordei com muitas análises assim como discordei noutras. É, como disse, pura reflexão filosófica, uma tese em que o autor transmite ideias, conceitos, definições, e que acompanham a personalidade portuguesa, a maneira como Portugal se vai tornando numa sociedade de controlo e os portugueses continuam na mesma mó de baixo. A democracia é disfarçada e as pessoas não têm conhecimento suficiente para caracterizá-la ou sequer protestar. Não pude deixar de notar as ligações com livros como 1984 ou Admirável Mundo Novo!

Basicamente, a grande lição é a "não-inscrição". O livro fala-nos muito da tendência para o português deixar andar e nada do que acontece lhe influencia a vida. É por isso que não fazemos parte das correntes artísticas, é por isso que somos fechados, porque não tentamos mudar, não tentamos romper caminho!

Para quem gosta deste tipo de leitura, é um livro a aconselhar. Para quem é virado para outras coisas... Enfim, talvez seja menos excitante, mas um bom leitor, se se dedicar, não perde o sentido da obra. Aconselhem, leiam se gostarem do género, se não ponham em segundo plano.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Príncipe de Fogo, de Daniel Silva

Gabriel está de regresso a Veneza, quando uma terrível explosão em Roma o conduz a uma perturbadora revelação: a existência de um dossier em mãos terroristas que revela os seus segredos e expõe a sua verdadeira história. Apressadamente chamado a Israel, regressa mais uma vez ao seio da organização que tinha escolhido esquecer. Allon vê-se em perseguição de um cabecilha terrorista através de uma paisagem embebida no sangue derramado por várias gerações. E quando por fim se dá o confronto, não é só Gabriel que corre o risco de ser eliminado – pois não e apenas a sua história que é posta a nu.


Tenho estado ausente por falta de tempo e estudo. Portanto, quando arranjo um tempinho tenho de aproveitar e postar no blog!

Gostei de ler o livro. Fiquei com muita vontade de ler as obras anteriores a esta, para conhecer mais do protagonista (uma vez que se trata de um conjunto de livros com a mesma personagem) e para conhecer as missões deste Allon.

Ao princípio somos confrontados com um emaranhado de nomes e pessoas que, para mim, confundiu um bocado. Ainda por cima, essas pessoas são palestinianas e israelitas, com aqueles nomes estranhos... Bem, mas lá nos habituamos à leitura e somos atraídos pelo livro, cuja acção se vai desenrolando. O facto de ter acabado uma leitura mais pesada, contribuiu para uma dificuldade em adaptar-me a esta nova leitura... =/

Para quem não conhece a história da guerra entre os israelitas e os palestinianos, é uma boa lição de História. Eu já conhecia as razões desta guerra interminável, mas mesmo assim foi um romance que não deixou de interessar.
Começa com uns atentados, ligados a um único terrorista, disposto a matar centenas por uma vingança que atravessa gerações. Para “arrumar” este homem, Gabriel Allon, um restaurador de arte e espião ao serviço dos israelitas, é contratado. A história de Allon, envolta em desgraça, volta à tona e, para a apaziguar, Gabriel viaja pela Europa e pela Palestina, na linha de fogo entre os israelitas e os palestinianos, cuja guerra tem vindo a provocar tensão e medo.

Dispensa muitos clichés, tratando-se apenas de um livro de perseguição e espionagem. Ao contrário de muitos livros, que se desenrolam à volta de um mistério que só no fim é desvendado, chocando por vezes algumas religiões ou massas, este livro é apenas uma acção de espionagem e perseguição, a caça de um terrorista que tem uma vingança para cumprir. É muito bom porque agarra o leitor para mais umas páginas, para saber mais um bocadinho da história, para seguir ao lado de Gabriel Allon pela Europa até encontrar o terrorista e matá-lo. Sem ser demasiado complicado, torna-se uma leitura agradável.

Como disse, aconselho e apetece-me ler mais do autor, pois a história da personagem merece ser vista. Este é o quinto livro da série Allon.

Quem também lê