quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Para todos os leitores...


UM EXCELENTE NATAL!!!!!!

E aquele livro que o Pai Natal tem na mão... Será de certeza para um de vós ;)



Desejo a todos um Bom Natal, Boas Festas, com prendas e muitos livros e leituras à mistura! Celebrem a época.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Bobo, de Christopher Moore

Verdadeiras são as palavras de Christopher Moore, mui amado escrivão e jogral literário sem igual, criador de obras de superior inteligência e indescritível hilaridade, incluindo os bestsellers laureados pelo Times da Velha Nova Iorque como Minha Besta (sem ofensa!) e que agora decide encarnar, nem mais nem menos, que o lendário Bardo (com a maior humildade e respeito). Uma história perversa, de uma comicidade insana, sobre um monarca apalermado e as suas duas filhas traiçoeiras. Uma intensa narrativa repleta de conspirações, sub-conspirações e contra-conspirações, traições, guerra, vingança, mamas ao léu, luxúria incontida... e um fantasma (há sempre o raio de um fantasma!), vista pelos olhos de um homem de coquilha e guizos na cabeça.

"[Os seus livros] combinam habilmente o surreal, o oculto e até episódios de ficção científica com uma hilariante sátira à cultura contemporânea."

Washington Post Book World

"[Moore é] absurdo, carinhosamente absurdo, embora a doçura incutida nas suas histórias jamais lhes comprometa o humor."
Daily News (New York)



Entretenimento.
Christopher Moore é isso mesmo.
Sou sincero, depois de ler "O Bobo" e "Guia Prático Para Cuidar de Demónios", ainda não apanhei bem o estilo satírico do autor. Talvez precise de reler as obras com outros olhos.
Mas de uma coisa sei: este livro é divertido pra caraças!

Serve de ideia base a peça trágica "Rei Lear", de William Shakespeare.
O que faz Moore?
Transforma-a num romance hilariante, cheio de tramas e personagens e que só paramos de ler quando nos fartamos, o que raramente acontece!
Lear, as suas três filhas (Goneril, Regan e Cordélia), os maridos das filhas (Albany, Cornualha e França), os amigos do rei (Gloucester e Kent), os filhos de Gloucester (Edgar e Edmund), o bobo Pocket e o seu ajudante (Drool), os guardas, os cavaleiros, as cozinheiras, as empregadas, as lavadeiras, as freiras, a ermitã, as bruxas, as putas (sem ofensa), os cavalos, os cães, os gatos, e o raio do fantasma!!!!!!
Sim, é uma autêntica salganhada de personagens.
Agora imaginem quando entre elas se desenvolve pelo menos duas intrigas, conspirações e algumas cópulas...

Sim, dá um livro a princípio confuso de tanta coisa que para aqui vai, mas que se vai tornando cada vez mais cativante à medida que avança.

Christopher Moore esmerou-se neste livro. Enquanto que "Guia Prático para Cuidar de Demónios" é um livro divertido, que sabe a um filme em família domingo à tarde, "O Bobo" almeja altos níveis com muitas mais personagens. Todas elas umas porcas.

Mas não levemos isso dessa forma. Porque Moore não fez mais do que contar a história de Shakespeare, mas um pouco mais actualizada, e BASTANTE mais cómica. E assim é este livro: uma brincadeira que se torna num excelente entretenimento e que leva o leitor a divertir-se tanto que chegamos a confundi-lo com uma obra verdadeiramente original. E, convenhamos, não chega a tanto.

Diverti-me com este livro, muito. Adorei as personagens. Tem um começo confuso, com a apresentação de demasiados intervenientes, mas vai-se tornando bastante claro com o avançar da tramóia. É uma história bastante perversa, sim... Com um vocabulário pouco educado e algumas cenas de sexo ímpares.
Mas é um coma.

É bom ver que Christopher continua divertido, continua cativante, e que planeia explorar um pouco mais as suas capacidades. E nada mais se pode esperar deste autor do que puro entretenimento literário.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Melodia do Adeus, de Nicholas Sparks

Com apenas dezassete anos, Veronica Miller - ou "Ronnie", como é carinhosamente chamada - vê a sua vida virada do avesso quando o casamento dos pais chega ao fim e o pai se muda da cidade de Nova Iorque, onde vivem, para Wrightsville Beach, uma pequena cidade costeira na Carolina do Norte. Três anos não são suficientes para apaziguar o seu ressentimento, e quando passa um Verão na companhia do pai, Ronnie rejeita com rebeldia todas as tentativas de aproximação, ameaçando antecipar o seu regresso a Nova Iorque. Mas será na tranquilidade que envolve o correr dos dias em Wrightsville Beach que Ronnie irá descobrir a beleza do primeiro amor, quando conhece Will, e vai afrouxando, uma a uma, todas as suas defesas, deixando-se tomar por uma paixão irrefreável e de efeitos devastadores. Nicholas Sparks é, como sabemos, um mestre da moderna trama amorosa, e, em A Melodia do Adeus, usa de extrema sensibilidade para abordar a força e a vulnerabilidade que envolvem o primeiro encontro com o amor e o seu imenso poder para ferir… e curar.

Antes de mais... Peço desculpa por andar tão desaparecido.
Ultimamente, pelo que se pode dizer da minha vida fora destas andanças, as coisas andam a correr e roubam o tempo todo. Portanto, se tive 2 segundos para ler, para escrever alguma coisa, para visitar blogues ou fóruns... Esses 2 segundos desapareceram.
Mas creio que, de hoje em diante, vou ter uns dias de descanso, pelo que estou de volta, pode-se dizer!

E, ao voltar, trago uma opinião: o meu primeiro livro de Nicholas Sparks!

Gostei? Não gostei? Digamos que me emocionei com a história (sim, têm razão os restantes leitores, com Nicholas Sparks desde a primeira página que somos confrontados com uma história acompanhada com as suas lágrimas...). E adorei as personagens. Já a escrita de Sparks não é o meu estilo.

Este romance tem potencial. Este romance tem qualidade. Este romance tem personagens pelas quais nos apaixonamos em três tempos. Já percebi que essa é uma das qualidades do autor, e louvo-o por isso. Nem digo que a história seja o mais original possível (há histórias de amor bem mais vividas, bem mais entusiastas), mas não deixa de ser uma história que queremos acompanhar durante muito tempo.
Porque sentimo-nos bem ali dentro. Sentimo-nos bem naquela comunidade que Nicholas nos apresenta. Nem se torna cansativo nem nos põe de lado. Identificarmo-nos com as personagens e reflectirmos com elas é o objectivo deste livro. É estarmos ali.

Talvez por isso mesmo não tenha apreciado totalmente a escrita do autor. Este livro está feito para deixar o leitor à vontade: de uma maneira que faz com que a sua escrita perca um bocado a "qualidade" que muitos críticos não condenariam, caso contrário. Se a escrita de Sparks fosse mais profunda, menos ingénua, mais "literária", por assim dizer, eu teria apreciado este livro ao máximo. Reconheço, porém, que este é um gosto pessoal, mas que não deixarei de apontar como uma fraqueza neste livro. Embora a história seja encantadora e as personagens perfeitas, nunca a escrita atingiu níveis que um outro génio conseguiria, com as mesmas bases. É pena, porque a descrição perfeita neste mundo de "A Melodia do Adeus" tornaria este livro uma obra-prima.

Não achei imprevisível. Já suspeitava o que iria acontecer a Ronnie, ao seu pai, a Will... Mas se há coisa que desde sempre me invadiu foi "Ronnie e Will ficarão juntos?". Foi a única coisa do livro que achei imprevisível, porque este autor aproveita muitas vezes a tragicidade do momento para nos emocionar.
E, por isso mesmo... É um livro a considerar para ler. Foi o primeiro que li de Nicholas Sparks e estou com curiosidade por saber até que nível mantém os restantes romances.
Não se arrependerão, tenho a certeza. É o livro que vão querer para se emocionarem... Sem grandes obras. Não, nada disso. O tipo de livro para pegar quando queremos algo menos grandioso, mas que nos arranque alguns suspiros. Um bom livro, portanto, não obstante os vossos gostos pessoais. Consegue agarrar cada um.

sábado, 14 de novembro de 2009

Ghostgirl - A Rapariga Invisível, de Tonya Hurley

Quando a popularidade é uma questão de vida ou morte

"Eu era apenas mais uma pessoa no mundo, mas o meu sonho era ser o mundo de uma pessoa."

Charlotte Usher sente-se praticamente invisível na escola, até que um dia fica mesmo. Pior ainda, descobre que está morta... e tudo por causa de um rapaz e de um urso de goma. No entanto, a morte não impede Charlotte de seguir com os seus planos. Bem pelo contrário! Torna-se mais criativa e capaz de fazer qualquer coisa para atingir os seus objectivos: ser popular e conquistar Damen, o rapaz por quem se apaixonou.


Como pessoas, e principalmente na fase da adolescência, creio que todos nós passamos por aquelas fases em que queremos acreditar que temos alguém neste mundo, sejam namorados, sejam melhores amigos. Queremos que a nossa vida se resuma a essa felicidade (e os pais não são para aqui chamados. Nem no livro parecem existir).

Charlotte não tinha amigos e queria um. Charlotte estava apaixonada por Damen e queria tê-lo.
Até que morre engasgada por um urso de goma, e começa uma das histórias mais mirabólicas e divertidas que já li, com verdadeiro humor negro!!!

A sua experiência da morte é deveras curiosa. Ela tem de andar num liceu onde se deve aprender a aceitar a morte, até atingirem o "Além" definitivo. Obviamente que os seus colegas são as maiores aberrações que existem, desde quem morreu por ter engolido uma flauta a quem morreu devido às radiações do telemóvel (verdadeiramente nojento, para os mais sensíveis).
Ainda assim, há um pormenor e uma pessoa que pode ajudá-la a continuar a sua missão de vida, ou seja conquistar Damen... E esta sua determinação afectará tanto o mundo dos vivos como dos mortos!

Isto pode-se assemelhar a um daqueles filmes para adolescentes, com o liceu, os populares, os não-populares, os todos os estilos, o Baile! É mesmo! Mas é mais do que isso, não só devido à improvável experiência da Morte, como também à maneira como o livro se nos apresenta.

Só pela estética do livro, vale a pena tê-lo na estante. A capa está lindíssima, as ilustrações no início de cada capítulo muito típicas, e as pequenas divagações da autora no início de cada capítulo também, que não deixam de ser pequenas lições de moral, são uma grande mais valia para tornar este livro mais do que apenas um livro para adolescentes, mas sim para jovens adultos.
Se virem e folhearem este livro em algum lado, não é só a história que nos vai interessar. Vai ser mesmo a organização que vos vai querer levá-lo para casa.

Do princípio ao fim uma grande lufada de animação (não obstante o tema), aconselho-o especialmente a quem não consegue aceitar a morte, tanto como o seu fim como a continuação da vida sem si. Acho que essa é a grande conclusão deste livro.

Para além das suas personagens tão típicas e a sua história tão atípica, é sem dúvida a escrita descontraída da autora que nos faz querer avançar. O seu estilo satírico agarra qualquer um, puxando tanto pelo nosso imaginário como pelo nosso bom senso!
Não sei que dizer mais... Fiquei com vontade de conhecer o mundo dos mortos, mas creio que isso está destinado para o próximo livro, cujos direitos já foram adquiridos pela Contraponto!
A ler. Definitivamente, a ler!!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Homem Pintado, de Peter V. Brett

Por vezes há boas razões para recear a escuridão...

Num mundo povoado por demónios que dominam a noite, forçando os seres humanos a esconderem-se atrás de guardas mágicas à espera que o sol nasça, o jovem Arlen assiste ao massacre da sua família por causa da cobardia do pai. A partir desse momento tudo muda e Arlen parte numa viagem de descoberta que o levará a percorrer o mundo e a conhecer Leesha e Rojet. Os três são a última esperança da humanidade na luta contra os demónios. Só que por vezes os demónios mais difíceis de vencer são os que trazemos dentro de nós.

Para aqueles que procuram o novo grande nome da fantasia a espera terminou. Ele é Peter V. Brett. Comparável a muitos mas diferente de todos, oferece-nos uma história brilhante que nos prende da primeira à última página. Dizer que é uma obra magistral é pouco para descrever a história épica da luta de Arlen, Leesha e Rojet para salvar uma humanidade condenada a viver num medo permanente da noite e dos demónios que ela encerra.

É, de facto, um autor que pode ser considerado a muitos... Mas, como em tudo, somos inspirados por antecessores. Ainda assim, Brett criou um mundo único, e que me fascinou da primeira à última página.

O livro começou por me impressionar bastante, na medida de que não é nem tão assustador, nem tão sério quanto parece! Demónios, Noite, um homem tatuado... Tem tudo um ar muito negro, certo? Mas o livro não é assim. É, sim, um livro de Fantasia, e é isso que tem. Fantasia. Magia.
Talvez não seja tão "negro" quanto aparenta por relatar a história das três personagens (Arlen, Leesha e Rojet) enquanto jovens. Todos de diferentes paragens, vêm as suas vidas mudadas de um momento para o outro, conduzindo-os a um destino que os vai unir e com o mesmo compromisso: lutar contra os demónios, seres imortais e que despertam os maiores medos e fraquezas nos humanos.

Li este livro em dois dias, e não porque fosse pequeno! Para além de que estou cheio de tempo, achei-o mesmo muito muito cativante. Acho a ideia dos Demónios da Noite impressionante, e facilmente simpatizamos com as personagens, levando-nos a querer continuar a sua jornada!
Para além disso, o autor escreve com alguma correnteza, nunca se perdendo em descrições, avançando na história e revelando-nos um pouco deste mundo por si criado. Embora a batalha contra os demónios seja o principal, creio que ficou muito por contar em relação à história do Mundo, alheia ao domínio dos nuclitas (como se chamam os demónios, que todas as noites se erguem do solo...).

E assim começa uma excelente jornada, e mais uma grande obra na Literatura Fantástica! Com as últimas palavras Brett aguça-nos o apetite para o próximo livro, tendo com este primeiro livro feito o favor de nos dar a conhecer as suas personagens, desde o início.

domingo, 8 de novembro de 2009

A Nona Vida de Louis Drax, de Liz Jensen

«Estranho e maravilhoso. Um romance psicológico perturbante sobre a transgressão e os mistérios do subconsciente.» People

Louis Drax é um miúdo de nove anos, precoce, inteligente, problemático e muito dado a acidentes. Sofreu pelo menos um episódio maior, acidente ou doença, em cada ano da sua curta vida, mas sobrevive sempre como o gato que cai sobre as quatro patas. Durante o piquenique familiar por altura do seu nono aniversário, cumpre-se a maldição que parece assombrá-lo, cai do alto de uma falésia e afoga-se num rio permanecendo num coma profundo de onde poderá não regressar. Tão dramático e dúbio acontecimento implica também o misterioso desaparecimento do pai de Louis, Pierre Drax. Louis acaba por ficar ao cuidado de Pascal Dannachet, um neurologista que acredita em coisas que os outros médicos não acreditam. Em simultâneo, desenrola-se uma investigação policial para tentar encontrar o principal "suspeito" do que poderá ter sido um crime, o desaparecido pai. Esta história brilhante e impecavelmente arquitectada, cheia de um irreverente humor negro e intensamente empolgante, é contada a duas vozes: a do próprio Louis, dentro do seu inacessível subconsciente, e a do neurologista, que não consegue resistir à sedução de Natalie Drax, a sofredora e vitimizada mãe de Louis.

As expectativas para este livro eram elevadíssimas. Porquê? Porque este ano tenho experimentado algumas pérolas de "humor negro", e esta história é, acima de tudo, um choque. Até o título dá que pensar, não é?

Não posso dizer que tenha correspondido às expectativas... Aliás, não achei que este fosse um romance cheio de humor negro, mas sim um romance mais perturbante sobre os mistérios da inconsciência. A história não é NADA do que estava à espera, e por um lado não foi bom.

Antes de mais, a deliciosa escrita de Liz Jensen! Pessoalmente, acho que este não é um bom livro, mas sim uma excelente escritora! Se há coisa maravilhosa neste romance é a escrita da autora, que nos agarra magistralmente. São palavras deliciosas que percorremos com um enorme prazer, e confesso que fiquei curioso em conhecer outros livros de Jensen...

O facto de este ser um livro contado a duas vozes foi a menos-valia. Porque, se a narração de Louis Drax é viciante, é extraordinária, quase genial, a narração de Dannachet chega a ser arrastada, obsessiva, chata.
Louis é uma criança, mas mesmo em coma é das mais espertas que existem. E quando fala, sentimos que estamos perante uma percepção genial do mundo e de quem o rodeia! É uma personagem fascinante a todos os níveis, não só pela inteligência, não só pela sua má fortuna, mas talvez também por ser a personagem que está directamente envolvida nesse mundo subconsciente, e por isso nos apresenta divagações francamente inventivas, difíceis de parar de ler.
Já Dannachet envereda por divagações chatas, obsessivas. A maneira como o vi envolver-se no caso de Louis Drax foi-me, confesso, um bocado cansativo. A certa altura fartei de todo o seu palavreado, do seu "nem anda nem desanda", e estive mortinho por voltar a enterrar-me na inconsciência de Louis. Infelizmente, foi esta segunda voz que me desmanchou muito, muito mesmo do que poderia ter achado deste livro.

Ainda assim, o que começa por ser um mistério aparentemente sem resolução, acaba por ser um verdadeiro "twist". Eu já estava à espera: não fiquei totalmente surpreendido. Mas admirei a capacidade da autora criar um enredo verdadeiramente cativante, e uma conclusão que deixará qualquer leitor agarrado ao livro, agarrado à verdade que subitamente nos deixa tão admirados. Muito bem.

Sem ser um livro que considere "único" ou "extraordinário", e sendo ainda mais "terra-à-terra" do que estava à espera, sei que muita gente vai querer lê-lo, e não sem razão. Não é essencial, não o leria já amanhã, mas mais cedo ou mais tarde acabará por chamar a atenção do leitor. E é, de facto, um tempo que não dou por perdido.

A Mecânica do Coração, de Mathias Malzieu

Edimburgo, 1874. Jack nasce no dia mais frio do mundo, com o coração… congelado. A Dr.ª Madeleine, a parteira (segundo alguns, uma bruxa) que o trouxe ao mundo, consegue salvar-lhe a vida instalando um mecanismo - um relógio de madeira - no seu peito, para ajudar a que o coração funcione. A prótese funciona e Jack sobrevive, mas com uma contrapartida: terá sempre de se proteger das sobrecargas emocionais. Nada de raiva e, sobretudo, nada de amor. A Dr.ª Madeleine, que o adopta e zela pelo seu mecanismo, avisa: «O amor é perigoso para o teu coraçãozinho.» Mas não há mecânica capaz de fazer frente à vida e, um dia, uma pequena cantora de rua arrebata o coração - o mecânico e o verdadeiro - de Jack. Disposto a tudo para a conquistar, Jack parte numa peregrinação sentimental até à Andaluzia, a terra natal da sua amada, onde encontrará as delícias do amor… e a sua crueldade. Um conto de fadas para adultos, ao estilo de Tim Burton ou Lewis Carroll.

Parti para a leitura deste livro com as expectativas mais do que elevadas: este ano li "A Loja dos Suicídios" e adorei, e era esse género de livro que esperava encontrar. Claro que o tema é totalmente diferente, mas o tipo de escrita, o estilo da história, em tudo surreal.

E creio que acertei.

Comecei a ler este livro e de logo fiquei impressionado com as personagens directas e belíssimas que nos são apresentadas! Para além do rapaz com o coração-relógio, temos a sua mãe adoptiva, uma parteira bruxa e que não se pode gabar muito da vida, um bêbado sem-abrigo com uma coluna de metal, duas prostitutas humildes, uma cantora com visão fraca...

Enfim, personagens apenas existentes numa lindíssima Edimburgo de 1874 (as descrições são tão belas, tão poéticas, que o que me deu mais pena foi não ter percorrido esta cidade).

É uma história em tudo surreal, em tudo encantadora. E não é um amor normal... Acho que a relação que se desenvolve entre Jack e a pequena cantora não é um conto de fadas, mas algo bastante sólido e específico. Não pode ser um amor normal, quando o rapaz pode morrer, literalmente, por amor...

A escrita de Malzieu é encantadora. Desde o início que sabemos que este conto nos vai iluminar, nos vai fazer suspirar um bocadinho. Escreve com tanta naturalidade... E a sua imaginação é única. A premissa do livro é magnífica e o seu desenvolvimento não me desiludiu de todo. Aliás, acho que tem o tamanho certo. Mais do que um livro para dar prazer, emociona-nos pelo sonho que é. E, como não podia deixar de ser, encontrei na improbabilidade das personagens, na surrealidade do enredo, pequenas lições de vida que nos deixam abismados, a reflectir...

Para concluir... Quando acabei este livro, não consegui pegar imediatamente noutro. Precisei de suspirar um pouco mais para além da última página. Um livro belíssimo, que como Le Soir bem disse, faz-nos querer comprar dezenas de exemplares para oferecer! Para reler.


sábado, 7 de novembro de 2009

Vencedores do passatempo "A Melodia do Adeus"

Antes de mais, obrigado às 95 participações que recebi! Dessas inscrições, 64 responderam correctamente às questões:

1.ª - Qual o maior romance de Nicholas Sparks? (resposta aceite seja em inglês ou em português)

R: "A Melodia do Adeus", ou "The Last Song".

2.ª - Quem escolheu o nome da personagem Ronnie, em "A Melodia do Adeus"?

R: Miley Cyrus.

3.ª - Quantos livros de Nicholas Sparks já foram adaptados para o cinema?

R: Quatro (4).

Posso finalmente divulgar os vencedores deste passatempo:

1.º - 10 - Cláudia Cruz (livro autografado + saco promocional)
2.º - 41 - Ana Rita Lopes (livro + saco promocional)
3-º - 63 - Helena Pereira (livro + saco promocional)

Parabéns às vencedoras! Estejam atentas às caixas de entrada, pois em breve entrarei em contacto convosco.

Mais uma vez, obrigado a todos os participantes, e até um passatempo futuro!

sábado, 31 de outubro de 2009

Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos

Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA, o historiador e criptanalista português Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra. 6AYHAS1HA8RU Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo. E se a Al-Qaeda tem a bomba atómica? Baseando-se em informações verídicas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra surpreendente como o mestre dos grandes temas contemporâneos. Mais do que um empolgante romance, Fúria Divina é um impressionante guia que nos orienta pelo labirinto do mundo e nos revela os tempos em que vivemos.

Este romance foi revisto por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda.

Bem, acho que será escusado dizer que este não só é o regresso de José Rodrigues dos Santos, como o facto de ter sido revisto por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda chamou a atenção de muitos.

Comprei o livro no seu lançamento no Colombo, e desde já digo que não ouvi nada do que o autor disse, nem dos restantes apresentadores. Estava tanta gente, e o som estava tão mau! Para a próxima, a ver se JRS reserva o Pavilhão Atlântico.

Logo nessa noite comecei a lê-lo.

Acho que é um excelente regresso. Do autor e das personagens.
Não é o seu livro mais ambicioso. Aliás, a nível de tema, acho que os anteriores foram bastante mais "atrevidos", almejavam bastante mais. Não acontece isto aqui! Neste livro, Dos Santos apresenta-nos o fundamentalismo islâmico. É extremamente interessante, e confesso que até fiquei com curiosidade de ler o Alcorão! Não é, ainda assim, um livro que mereça a polémica que outros mereceram.

O seu estilo jornalístico está lá. Este é o tipo de livro que não nos deixa frustados na busca de conhecimento. Lemos sobre o Islão e o fundamentalismo religioso com avidez, sem pararmos de receber todo o tipo de curiosidades, de informações, e dos pontos de vista que pedimos. É uma das coisas que gosto em JRS: não se resume à acção.

E assim chegamos ao enredo. Li "O Sétimo Selo" e DETESTEI a personagem de Tomás Noronha. Não sei transmitir o ódio que esta personagem transmite, a ingenuidade!!!
Este livro é totalmente diferente.
Neste livro encontrei (FINALMENTE) um Noronha maduro, um Noronha que sabe, um Noronha que é professor universitário, um Noronha que já passou por muito. Fiquei obviamente impressionado por ter conseguido reavivar a personagem.

Mas não foi isso que tornou este livro diferente dos outros.
Foi a construção do enredo.
Há algo novo neste romance, em relação a outros do autor. Temos duas histórias paralelas: a de Noronha e a de Ahmed, o rapaz que ao longo da sua vida vai descobrindo os ensinamentos de Alá. Pessoalmente, achei isto um golpe de génio, vindo de JRS. Não só criou duas histórias paralelas e um jogo muito interessante no enredo como criou Ahmed, que é fascinante, como se desviou de páginas intensivas de Noronha, que poderiam chatear o leitor.
Embora o tema não seja melhor do que os anteriores da série, este foi para mim dos melhores livros em termos de enredo! Foram dados alguns passos nesta área, que alguns saberão ser um ponto fraco em JRS.

Continuam a haver gralhas. Continuam a haver situações que raramente poderiam acontecer. Continuam a haver vários pontos que tornam a história pouco credível. Mas há aqueles pontos que parece que dão mais qualidade a este thriller! E é fácil de ler... Pouca descrição, uma escrita bastante corrida. Nada a notar!
Para terminar, tenho a dizer: nunca achei que José Rodrigues dos Santos fosse parecido com Dan Brown. Nunca. Mas "Fúria Divina" tanto poderia ter sido escrito pelo português como pelo inglês. Tenho de reconhecer a grande semelhança entre os dois nesta obra específica!

Para quem não gosta de ler, bem que vai gostar deste livro! Para quem gosta de JRS, este tem de ser lido. Para quem ainda tem preconceitos, pegue num do jornalista, mesmo não sendo este ("A Filha do Capitão" e "O Codex 632" são bons romances!). Eu gostei muito, e já estou à espera do próximo dele.

domingo, 25 de outubro de 2009

As Atribulações de Jacques Bonhomme, de Telmo Marçal

"Não se lê propriamente o livro que têm em mãos, mas mergulha-se nele. Um parágrafo, uma página, e estamos cercados pela sua forma própria de ser, pela visão particular do mundo e da raça humana. Mergulhamos descontraidamente e logo percebemos a insensatez da nossa postura. Esta não é uma obra redentora. Não nos dá a mão e nos acompanha pelos becos escuros, pelo vale da nossa dor, qual guardião que protege a nossa fragilidade. Ao entrarmos na primeira página, descobrimo-nos na jaula da fera encurralada - e depois não podemos voltar atrás." Do prefácio de Luís Filipe Silva

Este prefácio não podia explicar melhor a sensação que este livro nos transmite.

Ainda assim, só lendo perceberão o que se quer dizer.

Trata-se de um conjunto de 12 contos muito únicos, o que torna Telmo Marçal um autor especial num género tão mal explorado em Portugal: a distopia.
São, porém, contos extremamente pessimistas. A sua visão da raça humana, da nossa sociedade, é tão opressiva que não podemos deixar de nos sentir sem saber o que fazer, perante uma perspectiva tão ameaçadora, tão feroz, tão sufocante.

Não posso deixar de aconselhar este livro, porque estamos perante algo especial na literatura nacional. Não encontramos com facilidade um autor que arrisque tanto!
Por outro lado... É um livro MUITO difícil de digerir. Quando digo muito, é mesmo muito. Talvez por ser demasiado pessimista... Talvez por apresentar uma raça humana tão opressiva, tão abafada.

Talvez por nos apercebermos que não há sentimento nestas páginas. Como o Homem não tem qualquer sentimento. Isso é o que torna o livro tão difícil.

Alturas houve em que o achei ligeiramente chato. Quando a fórmula atribulada e violenta já se repetia, conto atrás de conto. E alturas houve em que me via sinceramente impressionado pelo mundo que Marçal me apresentava, tão parecido com o nosso, e no entanto ainda distante.

Para além disso, há que referir: este livro não se desenvolve como qualquer outro. Vou tentar explicar: enquanto que, num livro normal, ser-nos-iam apresentadas personagens e o mundo onde vivem, a sua sociedade, e as suas "atribulações", neste livro estamos perante contos onde percorremos o caminho da personagem, chegamos ao fim e pensamos "É só isto?". Praticamente não temos a descrição de nada, apenas temos o dever de acompanhar os passos do personagem. Pode parecer insuficiente, sem qualquer história, mas a verdade é outra. Temos de ser suficientemente espertos para assimilar o mundo onde a personagem vive. É isso que faz "As Atribulações de Jacques Bonhomme". Não a descrição da sua sociedade, mas as atribulações de cada um nela. Se o que queremos é saber mais sobre o que o rodeia, temos de ser nós a assimilar os pormenores.

Há vários contos que poderiam ter sido, por tantas razões, mais desenvolvidos. Não foi o que aconteceu, mas esta "injecção" já bastou para me sentir suficientemente abismado.

Nunca, mas nunca, daria este livro a quem não é minimamente experiente. "Não é uma obra redentora". Não vale a pena pensarmos que estamos perante uma obra que nos vai ficar assombrados, chocados talvez, porque é totalmente diferente do que esperamos. É demasiadamente limitada, não conseguimos fugir à sua experiência.
Leiam com precaução. Com atenção. E leiam quando se sentirem capazes de tal.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Passatempo "A Melodia do Adeus", de Nicholas Sparks

O primeiro passatempo deste blogue!


O Cantinho do Bookoholic, em colaboração com a Editorial Presença, tem 3 LIVROS "A Melodia do Adeus", de Nicholas Sparks, para oferecer!!
Este é o novo romance de um dos mais amados autores de ficção americana e vai ser lançado cá em Portugal a 3 de Novembro.

Para além deste livro que já gera expectativas, os 3 vencedores terão direito a um saco promocional do livro. E pensam que é só? Nada disso! O primeiro sorteado terá o privilégio de receber a sua cópia autografada pelo autor ;)


Para se candidatarem a este passatempo, temos três perguntas para responderem...

1.ª - Qual o maior romance de Nicholas Sparks? (resposta aceite seja em inglês ou em português)
2.ª - Quem escolheu o nome da personagem Ronnie, em "A Melodia do Adeus"?
3.ª - Quantos livros de Nicholas Sparks já foram adaptados para o cinema?

Enviem as vossas respostas para cantinhodobookoholic@gmail.com, juntamente com primeiro e último nome, morada e código-postal (os dados são pessoais, e por isso nunca serão divulgados. Destinam-se apenas para informar a Editorial Presença dos vencedores do passatempo).
Só são válidas as participações com as três respostas certas!
Só é válida uma participação por pessoa e por residência.
Deverão enviar as suas respostas apenas para o mail disponibilizado acima, até às 23h59 do dia 3 de Novembro. O passatempo encerra a partir das 00h00 de 4 de Novembro (a data foi alterada, dia 3 de Novembro ainda têm a chance de participar!).
Este passatempo destina-se a residentes em Portugal, e não fora.
Ao serem validadas as vossas respostas, deverão receber um email de confirmação com o número de registo!
Os vencedores serão sorteados aleatoriamente por mim, administrador do blogue.
Os 3 vencedores serão divulgados neste blogue e receberão os seus exemplares e o saco a cargo da Editorial Presença, em princípio.

E... toca a participar! Não podia ser mais aliciante!

domingo, 11 de outubro de 2009

Compras!!!

Bem, ultimamente não tenho falado de muitas aquisições... Para além dos livros que as editoras vão enviando, e que vou lendo imediatamente, não tenho comprado nada! É uma tentativa de animar o ritmo de leitura!

Mas, entretanto, este fim-de-semana quebrei a calma que por aqui ia.

Estes três livros foram comprados numa Feira perto do Rossio. No próprio Rossio? Ok, não tenho a certeza, porque não fui eu que os comprei =P É uma excelente oportunidade para ler livros que... De certeza que nunca leria, se não mos comprassem.

Estes dois de António Lobo Antunes foram uma autêntica sorte! Esta edição comemorativa já saiu há uma/duas semanas, mas encontrei-os numa livraria, numerados e autografados!!! Desta edição houve uma tiragem de 2000 livros, e desses apenas 500 estão autografados (eu sou o n.º 42). Ainda encontrarão por aí, se estiverem interessados!

Bem, quanto a este livro não vou comentar. Não se encontra em NENHUMA livraria em Lisboa e arredores. NENHUMA. Fui de propósito à "Casa das Histórias", o museu de Paula Rego, em Cascais. Livra!

Como poderão reparar, eu sou daqueles que vai querer logo livros que implicam percorrer a Baixa inteira à procura de livreiros que os tenham. O problema é só mesmo um: gosto de livros.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Prémio Nobel da Literatura... Enfim...


Já não me ria assim tanto há muito tempo (sarcástico!).

Atenção: não estou a pôr em causa a qualidade, a mestria, o valor da escritora. Aposto que é, de facto, excelente, e que mereceu tudo o que o Prémio Nobel tem a dar!

Mas, sinceramente, perdi um bocado a confiança na Academia Sueca. Começo a achar que o objectivo deles mais é afastarem-se de certos autores do que propriamente colocar o prémio nas mãos de quem merece. Mais uma vez, acredito que Muller mereça inteiramente o prémio. Não é pelo facto de ser desconhecida para a maior parte da comunidade leitora que estou algo aborrecido. É pelo facto de haverem favoritos, de haverem merecedores que esperam há anos, e a Academia despreza-os literalmente, sempre a cortar-lhes as pernas.
Enfim.

domingo, 4 de outubro de 2009

Twitter!

E eu a pensar que nunca iria aderir ao Twitter!

http://twitter.com/PedroBookoholic

Já lá estou! =)

Desde já fica aqui estabelecido: o objectivo do meu Twitter será ir comentando as leituras gradualmente. Estive para abrir um blogue novo para tal, para ir analisando "página a página" um livro, mas acho que o piu-piu me vai satisfazer nesse aspecto!

Portanto, se estiverem ansiosos por saber o que estou a achar de certo livro... Vão twittando ;)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Este ano, "Frei Luís de Sousa" é uma leitura escolar obrigatória.

Bem, a verdade é que é a terceira vez que o leio!

Almeida Garrett é, antes de mais, um dos meus autores preferidos. Depois de Fernando Pessoa e Eça de Queirós, este será o meu escritor nacional favorito! Adoro a sua escrita, adoro os seus enredos, tanto em drama como poesia, e falta-me ler a sua prosa!

Voltando ao livro... Li-o a primeira vez muito novo. Bem, tão novo que à primeira vez não percebi nada!
No dia seguinte voltei a relê-lo, e adorei de facto.

Hoje, passados uns bons anos, pego no livro e apercebo-me que, finalmente, percebo TUDO o que Garrett transmite! Sou capaz de detectar os pormenores históricos, os sentimentos presentes em cada expressão, e o enredo que se desenrola de uma maneira que eu nunca vi na vida!!! Trágico, romântico e cheio de emoção, é o que posso dizer do livro. Que aperto no coração!

Vinte anos depois da Batalha de Alcácer-Quibir, Madalena de Vilhena está casada com Manuel de Coutinho. Ambos têm uma filha, Maria, que é um anjo para todos lá da casa. Mas a vida não é fácil e o destino vai pregar uma partida demasiado grande a esta família! Manuel é perseguido pelos governantes que se instalaram depois de D. Sebastião desaparecer; Madalena vive assombrada pela memória do seu primeiro marido, cujo destino acompanhou o de D. Sebastião... E Maria, a filha, rapariga vivaça, demasiado curiosa e fruto de um casamento pecaminoso, segundo Manuel e Madalena.
Até que surge o Romeiro...

O enredo, mais do que viciante, apresenta-nos um prol de personagens únicas. Uma peça de teatro trágica, a evocar altos níveis literários!
O tipo de escrita é... Bem, muito lírico! Estamos perante um livro do séc. XIX, para muitos é um tipo de escrita algo floreado. Mas Garrett não é tanto assim. Na verdade, achei isso a primeira vez que o li, porque agora que o reli pareceu-me demasiado fácil de ler!

Admiro o autor por carregar o livro de emoção, de uma história bastante bem construída e personagens únicas!

Como não podia deixar de ser, adorei, e acho que é uma leitura obrigatória para quem quer experimentar um verdadeiro e apaixonante clássico.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Cabana, de Wm. Paul Young

A HISTÓRIA DE UMA CONVERSA COM DEUS QUE MUDARÁ A SUA VIDA PARA SEMPRE "A Cabana" é um livro especial que está a mudar a vida de muitas pessoas em todo o mundo e que será lançado em Portugal em Outubro de 2009.

Mack é um pai que adora a sua família. E que um dia perdeu a filha. Desde então que a sua vida se resume a uma Grande Tristeza, a um peso tremendo nos ombros.
Certo dia, Deus convida-o a voltar à cabana onde tudo aconteceu, onde a sua filha teve de sofrer. Embora seja demasiado forte voltar ao local onde tudo se passou, a curiosidade é demasiada. Portanto, decide ir o fim-de-semana até à cabana, onde vai encontrar Deus e onde iniciará um percurso inteiro.

Não sou uma pessoa religiosa. Mas sou filosófico. Gosto deste tipo de reflexões.

Por um lado, isto era o que esperava: uma conversa com Deus. Por outro lado, essa conversa não teve nem o desenvolvimento que esperava ou que me puxasse mais a atenção.

Está bem que este não é um livro religioso. Mas não é o que estamos à espera de um livro filosófico! Pessoalmente, este "livro de fé" aproxima-se mais da religião.
No entanto, não comecem a pensar duas vezes.

Vale a pena descobrir o livro.

Não me marcou. A sério que não me marcou. Acho que este é mais um livro que nos leva a abranger as nossas crenças! Que nos leva a testar até quanto acreditamos e quanto a nossa fé se expande!
Não é um livro que nos faça acreditar em Deus, mas é um livro que nos faz olhar para o que acreditamos.
Neste Deus, nesta visão do que Deus é para nós, do que o Mundo e a Humanidade representa, não vemos uma religião espelhada, mas sim o caminho individual de cada leitor no que é capaz de acreditar!
Porque, quer dizer, se Deus existe, porque há tanta dor no mundo? O livro tenta responder a esta questão-base. Na qualidade de agnóstico, não digo que seja uma resposta definitiva, mas na qualidade de leitor, acho que é para nos contentarmos.

Com estas poucas palavras, acho que exprimi o que o livro quer de nós! Não somos nós que vamos pedir ao livro, mas é o livro que nos vai fazer chegar a algum lado!
Interessante de descobrir. E, já agora, convém comprarem-no, porque este é daqueles livros a reler imensas vezes.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Mais informações sobre o fenómeno "A Cabana"

Lido "O Nome do Vento", que já se revelou ser um dos melhores livros do ano, é tempo de dar mais algumas dicas sobre "A Cabana"!

Já comecei a ler e estou... curioso. Não sou religioso, sou antes filosófico, e por isso estou extremamente interessado em saber que ensinamentos esconderá este livro.


A Cabana, de Wm. Paul Young, já é um romance fenómeno mundial de popularidade, e está a chegar a Portugal!!!

A Porto Editora publica, a 2 de Outubro, o livro que Wm. Paul Young escreveu para a família e que, hoje, está a ter forte impacto em todo o tipo de públicos, nos mais diversos países. Nos EUA, venderam-se sete milhões de exemplares; no Brasil, em pouco tempo, já mais de um milhão.
Segundo o próprio autor, «a questão central é a da bondade de Deus». E, por abordar uma temática tão cara à maioria das pessoas, é, como referiu Isabel Coutinho, no Público, «um forte candidato a best-seller do ano».

Paul Young começou a escrever a história em 2005, para explicar aos seis filhos como lidou com as tragédias da sua própria vida. Tudo começou com as quinze cópias que ofereceu à família e a algumas pessoas próximas. Quando os amigos começaram a pedir exemplares para enviar a outros amigos, Paul começou a pensar na possibilidade de fazer chegar a sua história a uma maior audiência. Ainda bem que surgiu esta ideia, porque de facto tornou-se um "pequeno milagre"...
Com a ajuda de um amigo, criou uma editora e fez um investimento que lhe permitiu avançar com uma modesta edição de autor. Hoje, o livro é um êxito avassalador, discutido em todo o mundo.

A Porto Editora disponibilizou um sítio com fórum e um perfil no Facebook, onde os leitores poderão participar.

O livro é espectacular, completamente diferente de tudo o que tenho lido.
De tal maneira fiquei colado àquelas páginas, que vou lê-lo outra vez. Acho que a partir de agora vou viver a vida de outra maneira.

(João Chaves, Oceano Pacífico, RFM)



Sinopse:

E se Deus marcasse um encontro consigo? As férias de Mack com a família na floresta do estado de Oregon tornaram-se num pesadelo. Missy, a filha mais nova, foi raptada e, de acordo com as provas encontradas numa cabana abandonada, brutalmente assassinada. Quatro anos mais tarde, Mack, mergulhado numa depressão da qual nunca recuperou, recebe um bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à malograda cabana. Ainda que confuso, Mack decide regressar à montanha e reviver todo aquele pesadelo. O que ele vai encontrar naquela cabana mudará o seu mundo para sempre.

Primeiras páginas



Wm. Paul Young nasceu no Canadá e foi criado pelos pais missionários numa tribo nas montanhas do que era a Nova Guiné. Anos depois, as mortes do irmão mais novo e de uma jovem sobrinha deixá-lo-iam completamente destroçado.
Há um ano e meio atrás, Wm. Paul Young tinha três empregos. Desde essa altura até agora, a vida do autor deu uma enorme reviravolta.
Actualmente, Paul Young vive com a família, no estado de Oregon, nos EUA.


sábado, 19 de setembro de 2009

O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss

"Chamo-me Kvothe. Resgatei princesas dos túmulos de reis adormecidos, incendiei Trebon. Passei a noite com Felurian e parti com a sanidade e com a vida. Fui expulso da Universidade na idade em que a maioria dos alunos é admitida. Percorri caminhos ao luar que outros receiam nomear durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e compus canções que fazem chorar os trovadores. É possível que me conheçam." Assim se inicia uma história sem igual na Literatura Fantástica, a história de um herói contada pela sua própria voz. É uma história de mágoa, uma história de sobrevivência, a história de um homem que busca o sentido do seu universo e de como essa busca e a vontade indomável que a motivou, fizeram nascer uma lenda. "O Melhor do Ano para a Amazon.com... Escolha So Far para 2007. Os fãs de Harry Potter ansiando por uma nova série excitante não precisarão de procurar além de O Nome do Vento, primeiro livro de uma trilogia sobre um órfão que se torna lendário. Repleto de música, magia, amor e perda, a estreia cativante e viva de Patrick Rothfuss deixou-nos sem palavras." Amazon.com

Este livro é um peso enorme: 966 páginas!
Quer dizer, já ninguém cá edita um livro deste tamanho! Na melhor das hipóteses encontramo-los divididos em dois...

Daí que eu me tenha sentido ainda mais excitado por começar a leitura de um livro que prometeu ser uma nova entrada na Literatura Fantástica a tornar-se clássica!
Prometeu... E cumpriu!
Devo realmente dizer que este já é dos meus livros preferidos do ano e, muito possivelmente, um dos livros de Fantasia que mais prazer me deu ler.

Sou-vos sincero: houveram alturas em que me senti tão agarrado, tão frenético!!!, tão entusiasmado, que simplesmente me doía pôr o livro de lado. Foi um autêntico vício do princípio ao fim, e quando passei três dias sem pegar nele, bastou ler apenas uma página para me sentir ainda mais vibrado!!!

"O Nome do Vento" é uma espécie de Harry Potter para adultos, passado numa espécie de Terra Média. Poderão pensar "Isso são demasiadas influências...", mas garanto-vos que estamos perante um livro fresco, capaz de nos fazer imaginar e por criar uma história deveras emocionante. Mais do que emocionante! Kvothe é uma personagem poderosa.

A capa está lindíssima, e transmite muito bem a aura negra, misteriosa, mística, que o livro tem. Embora possamos fazer uma comparação a Harry Potter, já que estamos perante um jovem que entrou para a Universidade para se tornar um dos maiores mágicos de sempre, pessoalmente não achei tanto assim... O livro é grande, e eu não tiro nem uma palavra!!! Pelo que a história também há-de ser bastante desenvolvida...

Os seus pais foram mortos por criaturas que o próprio Kvothe não sabe quem são, mas suspeita serem quem muitos pensam nem existir... E para se vingar vai ter de estudar e desenvolver a prática de magia que desde pequeno revelou ter. Mas a quantidade de sacrifícios que terá de passar quase nos arrancar do nosso mundo.

Kvothe é uma personagem deveras bem construída. Tão bem construída, para se tornar tão fantástica e humana quanto possível, que se torna muito verídica. Viveu centenas de aventuras e conheceu outras centenas de pessoas que foram capazes de nos fazer ficar pegados ao livro, mas até se tornar uma lenda teve de sofrer muito... Um destino que nos intriga ao longo do livro!

É uma história deveras cativante. E não deixa de ter tudo o que um livro fantástico tem. É de notar a criação de um mundo que foi construído à base de imensas lendas e mitos e personagens históricas que se tornaram lendárias, muito à base do que temos com "O Senhor dos Anéis"! No entanto, não deixa de ser algo novo e cheio de magia, romance, aventura, mistério, perda, todo o épico, que gostamos de ler neste tipo de livros.

Para quem se sente intimidado pelo tamanho, posso garantir que a escrita é tão cativante e acessível que não será uma leitura tão demorada! Para quem julga que estamos perante uma daquelas histórias inspiradas noutras, posso garantir que esta entrada tem de tão cativante quando original. Opinião pessoal: fiquei vibrado!!! Mal conseguia pousar o livro sem me sentir mal! Há algum tempo que não lia um livro que me fizesse vibrar tanto (voltei a experimentar a sensação que apenas tinha tido com "Os Pilares da Terra", que é só o meu terceiro livro preferido!).

Espero que o autor não demore assim tanto tempo a escrever o segundo volume (tudo leva a crer que vai levar muito tempo...), porque a vontade de entrar de novo no seu mundo e de continuar ao lado das suas personagens é extremamente alta!!!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A Cabana... Prepare-se para entrar!



É com grande prazer e honra que anuncio que a Porto Editora escolheu este cantinho como um dos 10 blogues que vão ter acesso exclusivo e antecipado ao livro que promete ser um dos mais marcantes do ano, e já é considerado um clássico de literatura moderna: A Cabana, de Wm. Paul Young (www.acabana.pt), cuja capa provisória aqui se revela.

Este já clássico vendeu mais de 7 milhões de livros nos Estados Unidos, mais de 1 milhão no Brasil, e parece-me que o número aumentará. Está a chegar a Portugal, portanto atenção...

Em breve, a minha opinião!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Verso da Língua, de Juva Batella

Sente que o Novo Acordo Ortográfico é confuso? Que nunca se vai habituar? Que nem sequer teve voto na matéria? E de que lado ficaria se pudesse, de facto, votar? Até onde estaria disposto a ir? Juva Batella foi longe, e criou esta trama insólita - onde não faltam mistérios, sequestros, assassinatos, suicídios e investigações policiais à italiana - protagonizada pelo Verbo; pelo Substantivo; pelo Dr. Aurélio, sempre a citar o grego e o latim (do latim latine); pelo Pleonasmo, exaustivamente cansativo; pelas Gírias, sempre marotas; pelas Interjeições, sempre aos berros; pelo Palavrão, sujeito tosco e mal-educado; pelo Negrito e o Itálico, membros dos grupos étnicos desfavorecidos; pelo Interrogação, armado em filósofo e cheio de dúvidas; pela Voz Passiva e pelo Pronome Apassivador, casal neurótico mas feliz; e por muitos outros. Todo o universo da língua está aqui, num romance híbrido - policial linguístico - sobre a violência das palavras e a nossa língua-pátria, que é também mátria e é frátia - essa língua transatlântica que todos falamos e que nos faz dizer, como Caetano Veloso: «Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões».

Agora com o Novo Acordo Ortográfico, muito se discute e muito se procura esclarecer.
Este livro pega na polémica e aproveita as suas personagens.

Este livro é teatro. Mas em prosa.

Temos imensas, imensas imensas personagens, todas saídas das gramáticas portuguesas! Melhor ainda, cada uma tem uma palavra a dizer, o que as torna super interessantes!
Um rol tão grande de personagens pode-se tornar, contudo, algo cansativo.

Tudo começa numa reunião entre sinais de pontuação, classes de palavras e funções sintácticas. Uns são contra o Novo Acordo, outros não!
Uma coisa é certa: cada uma tem a sua razão. No entanto, como pessoas e leitores, acho que temos de procurar nós próprios uma razão para nos defendermos, e não é procurando neste livro, que se trata simplesmente de uma discussão entre coisas que constam na gramática e que consideramos essenciais!
Entretanto, o Ponto Final desapareceu. Raptado? Porquê? Sem o Ponto, o Novo Acordo não pode avançar! Quem ia querer impedir de tal maneira o Acordo que levaria a este extremo?

Todo o livro é cheio de imaginação e brincadeira. Brincadeira porque Batella pega na Gramática Portuguesa e cria personagens. O texto é tal e qual um teatro. Cada uma tem a sua fala, o seu aspecto. É sinceramente muito engraçado, e tanto ouve alturas em que me ri um bocado como alturas em que senti que aquelas personagens, que são tão conhecidas, mas abordadas de maneira tão diferente aqui, que nos leva a procurá-las, a querer falar com elas.

No entanto, este livro data de 1995!!! Sinceramente, acho que já passou muita água debaixo da ponte, como se costuma dizer. Talvez faça muito muito sentido ler este livro agora, mas entretanto a discussão sobre o Novo Acordo Ortográfico desenvolveu-se de maneira que há coisas que poderiam ser discutidas neste livro que... Não o são.

Um livro engraçado, uma brincadeira que se desenvolve muito maduramente! Até fiquei impressionado nesse aspecto! A história é bastante sólida e tem um enredo que não se pode dizer apenas "giro", mas sinceramente adulto. No entanto, 1995 já foi há muito tempo, e agora queríamos talvez uma sequela que se ajuste ao que hoje se discute mais...

Recomendo a sua leitura para quem procura um livro... Algo diferente. Um livro com personagens tão ideais!!!
E para um verdadeiro interessado pela Língua Portuguesa.
Acho que será sempre o tipo de leitura que passamos e que até apreciamos, como um chá das cinco.

Quem também lê