sábado, 19 de setembro de 2009

O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss

"Chamo-me Kvothe. Resgatei princesas dos túmulos de reis adormecidos, incendiei Trebon. Passei a noite com Felurian e parti com a sanidade e com a vida. Fui expulso da Universidade na idade em que a maioria dos alunos é admitida. Percorri caminhos ao luar que outros receiam nomear durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e compus canções que fazem chorar os trovadores. É possível que me conheçam." Assim se inicia uma história sem igual na Literatura Fantástica, a história de um herói contada pela sua própria voz. É uma história de mágoa, uma história de sobrevivência, a história de um homem que busca o sentido do seu universo e de como essa busca e a vontade indomável que a motivou, fizeram nascer uma lenda. "O Melhor do Ano para a Amazon.com... Escolha So Far para 2007. Os fãs de Harry Potter ansiando por uma nova série excitante não precisarão de procurar além de O Nome do Vento, primeiro livro de uma trilogia sobre um órfão que se torna lendário. Repleto de música, magia, amor e perda, a estreia cativante e viva de Patrick Rothfuss deixou-nos sem palavras." Amazon.com

Este livro é um peso enorme: 966 páginas!
Quer dizer, já ninguém cá edita um livro deste tamanho! Na melhor das hipóteses encontramo-los divididos em dois...

Daí que eu me tenha sentido ainda mais excitado por começar a leitura de um livro que prometeu ser uma nova entrada na Literatura Fantástica a tornar-se clássica!
Prometeu... E cumpriu!
Devo realmente dizer que este já é dos meus livros preferidos do ano e, muito possivelmente, um dos livros de Fantasia que mais prazer me deu ler.

Sou-vos sincero: houveram alturas em que me senti tão agarrado, tão frenético!!!, tão entusiasmado, que simplesmente me doía pôr o livro de lado. Foi um autêntico vício do princípio ao fim, e quando passei três dias sem pegar nele, bastou ler apenas uma página para me sentir ainda mais vibrado!!!

"O Nome do Vento" é uma espécie de Harry Potter para adultos, passado numa espécie de Terra Média. Poderão pensar "Isso são demasiadas influências...", mas garanto-vos que estamos perante um livro fresco, capaz de nos fazer imaginar e por criar uma história deveras emocionante. Mais do que emocionante! Kvothe é uma personagem poderosa.

A capa está lindíssima, e transmite muito bem a aura negra, misteriosa, mística, que o livro tem. Embora possamos fazer uma comparação a Harry Potter, já que estamos perante um jovem que entrou para a Universidade para se tornar um dos maiores mágicos de sempre, pessoalmente não achei tanto assim... O livro é grande, e eu não tiro nem uma palavra!!! Pelo que a história também há-de ser bastante desenvolvida...

Os seus pais foram mortos por criaturas que o próprio Kvothe não sabe quem são, mas suspeita serem quem muitos pensam nem existir... E para se vingar vai ter de estudar e desenvolver a prática de magia que desde pequeno revelou ter. Mas a quantidade de sacrifícios que terá de passar quase nos arrancar do nosso mundo.

Kvothe é uma personagem deveras bem construída. Tão bem construída, para se tornar tão fantástica e humana quanto possível, que se torna muito verídica. Viveu centenas de aventuras e conheceu outras centenas de pessoas que foram capazes de nos fazer ficar pegados ao livro, mas até se tornar uma lenda teve de sofrer muito... Um destino que nos intriga ao longo do livro!

É uma história deveras cativante. E não deixa de ter tudo o que um livro fantástico tem. É de notar a criação de um mundo que foi construído à base de imensas lendas e mitos e personagens históricas que se tornaram lendárias, muito à base do que temos com "O Senhor dos Anéis"! No entanto, não deixa de ser algo novo e cheio de magia, romance, aventura, mistério, perda, todo o épico, que gostamos de ler neste tipo de livros.

Para quem se sente intimidado pelo tamanho, posso garantir que a escrita é tão cativante e acessível que não será uma leitura tão demorada! Para quem julga que estamos perante uma daquelas histórias inspiradas noutras, posso garantir que esta entrada tem de tão cativante quando original. Opinião pessoal: fiquei vibrado!!! Mal conseguia pousar o livro sem me sentir mal! Há algum tempo que não lia um livro que me fizesse vibrar tanto (voltei a experimentar a sensação que apenas tinha tido com "Os Pilares da Terra", que é só o meu terceiro livro preferido!).

Espero que o autor não demore assim tanto tempo a escrever o segundo volume (tudo leva a crer que vai levar muito tempo...), porque a vontade de entrar de novo no seu mundo e de continuar ao lado das suas personagens é extremamente alta!!!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A Cabana... Prepare-se para entrar!



É com grande prazer e honra que anuncio que a Porto Editora escolheu este cantinho como um dos 10 blogues que vão ter acesso exclusivo e antecipado ao livro que promete ser um dos mais marcantes do ano, e já é considerado um clássico de literatura moderna: A Cabana, de Wm. Paul Young (www.acabana.pt), cuja capa provisória aqui se revela.

Este já clássico vendeu mais de 7 milhões de livros nos Estados Unidos, mais de 1 milhão no Brasil, e parece-me que o número aumentará. Está a chegar a Portugal, portanto atenção...

Em breve, a minha opinião!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Verso da Língua, de Juva Batella

Sente que o Novo Acordo Ortográfico é confuso? Que nunca se vai habituar? Que nem sequer teve voto na matéria? E de que lado ficaria se pudesse, de facto, votar? Até onde estaria disposto a ir? Juva Batella foi longe, e criou esta trama insólita - onde não faltam mistérios, sequestros, assassinatos, suicídios e investigações policiais à italiana - protagonizada pelo Verbo; pelo Substantivo; pelo Dr. Aurélio, sempre a citar o grego e o latim (do latim latine); pelo Pleonasmo, exaustivamente cansativo; pelas Gírias, sempre marotas; pelas Interjeições, sempre aos berros; pelo Palavrão, sujeito tosco e mal-educado; pelo Negrito e o Itálico, membros dos grupos étnicos desfavorecidos; pelo Interrogação, armado em filósofo e cheio de dúvidas; pela Voz Passiva e pelo Pronome Apassivador, casal neurótico mas feliz; e por muitos outros. Todo o universo da língua está aqui, num romance híbrido - policial linguístico - sobre a violência das palavras e a nossa língua-pátria, que é também mátria e é frátia - essa língua transatlântica que todos falamos e que nos faz dizer, como Caetano Veloso: «Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões».

Agora com o Novo Acordo Ortográfico, muito se discute e muito se procura esclarecer.
Este livro pega na polémica e aproveita as suas personagens.

Este livro é teatro. Mas em prosa.

Temos imensas, imensas imensas personagens, todas saídas das gramáticas portuguesas! Melhor ainda, cada uma tem uma palavra a dizer, o que as torna super interessantes!
Um rol tão grande de personagens pode-se tornar, contudo, algo cansativo.

Tudo começa numa reunião entre sinais de pontuação, classes de palavras e funções sintácticas. Uns são contra o Novo Acordo, outros não!
Uma coisa é certa: cada uma tem a sua razão. No entanto, como pessoas e leitores, acho que temos de procurar nós próprios uma razão para nos defendermos, e não é procurando neste livro, que se trata simplesmente de uma discussão entre coisas que constam na gramática e que consideramos essenciais!
Entretanto, o Ponto Final desapareceu. Raptado? Porquê? Sem o Ponto, o Novo Acordo não pode avançar! Quem ia querer impedir de tal maneira o Acordo que levaria a este extremo?

Todo o livro é cheio de imaginação e brincadeira. Brincadeira porque Batella pega na Gramática Portuguesa e cria personagens. O texto é tal e qual um teatro. Cada uma tem a sua fala, o seu aspecto. É sinceramente muito engraçado, e tanto ouve alturas em que me ri um bocado como alturas em que senti que aquelas personagens, que são tão conhecidas, mas abordadas de maneira tão diferente aqui, que nos leva a procurá-las, a querer falar com elas.

No entanto, este livro data de 1995!!! Sinceramente, acho que já passou muita água debaixo da ponte, como se costuma dizer. Talvez faça muito muito sentido ler este livro agora, mas entretanto a discussão sobre o Novo Acordo Ortográfico desenvolveu-se de maneira que há coisas que poderiam ser discutidas neste livro que... Não o são.

Um livro engraçado, uma brincadeira que se desenvolve muito maduramente! Até fiquei impressionado nesse aspecto! A história é bastante sólida e tem um enredo que não se pode dizer apenas "giro", mas sinceramente adulto. No entanto, 1995 já foi há muito tempo, e agora queríamos talvez uma sequela que se ajuste ao que hoje se discute mais...

Recomendo a sua leitura para quem procura um livro... Algo diferente. Um livro com personagens tão ideais!!!
E para um verdadeiro interessado pela Língua Portuguesa.
Acho que será sempre o tipo de leitura que passamos e que até apreciamos, como um chá das cinco.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Living Dead in Dallas, de Charlaine Harris

"A fun, fast, funny, and wonderfully intriguing blend of vampire and mystery that's hard to put down and should not be missed." - Susan Sizemore, author of the Laws of the Blood series

Cocktail waitress Sookie Stackhouse is on a streak of bad luck. First, her coworker is murdered and no one seems to care. The she's face-to-face with a beastly creature that gives her a painful and poisonous lashing. Enter the vampires, who graciously suck the poison from her veins (like they didn't enjoy it).
Point is, hey saved her life. So when one of the blood.suckers asks for a favor, she complies. And soon, Sookie's in Dallas using her telepathic skills to search for a missing vampire. She's supposed to interview certain humans involved. There's just one condition: The vampires must promise to behave - and let the humans go unharmed. Easier said than done. All it takes is one delicious blonde and one small mistake for things to turn deadly...

Praise for
Dead Until Dark:
"Highly original, extraordinarily riveting, erotic, and exotic... Charlaine Harris weaves storytelling magic in a tale of vampires and small-town Louisiana." - Lynn
Hightower


Pois é, mais um que acabei!
Antes de mais, tenho a dizer que a série de Sookie Stackhouse já é uma das minhas favoritas... E acho que estar a lê-la na língua original contribui muito para isso!

Mais uma vez, encontramo-nos com Sookie e o Bill, o seu namorado, que é um vampiro. Nestes livros, os vampiros são aceites na nossa sociedade, embora nem todos os humanos estejam contentes com esta situação...

Neste livro, Sookie tem a missão de se deslocar até Dallas e procurar por um vampiro desaparecido. Conhecemos, assim, uma data de novas personagens, uma Aliança totalmente contra os vampiros e outros seres fantásticos!

Confesso que o que me desagradou mais no primeiro livro foi precisamente o aparecimento de novas criaturas, como os "metamorfos" (shapeshifters), pois na minha opinião tirava alguma da veracidade que o livro poderia ter, com vampiros aceites na nossa sociedade.
Este livro mudou totalmente a minha opinião.
Encontramos ainda mais criaturas, como uma Ménade, e muito embora a princípio me fizesse muita confusão o seu aparecimento, estamos perante um final tão, mas tão bom, que fiquei de todas as formas agradado com todas as criaturas!!

"Dead Until Dark" foi um excelente começo, dotado de originalidade. Acho que "Living Dead in Dallas" deixa a originalidade para trás para começar a explorar mais a história, e embora a princípio achasse que parecia mais um daqueles livros de aventura e Fantasia, enquanto avancei na leitura mudei totalmente de opinião. O livro foi-se tornando mais interessante, e muito, muito mais mexido do que o primeiro! Torna-se um autêntico vício, para culminar num final perfeito!

A escrita de Harris está, na minha opinião, um pouco mais madura do que o primeiro livro. A linguagem continua a ser acessível e a empolgar o leitor, mas nota-se ser um pouco mais cuidada.

Resumindo, este livro é um pilar bastante sólido para esta série, e quero ver se me despacho a ler os restantes livros!



P.S.: o Eric é um vampiro que tem grande destaque neste livro, e posso garantir que também o terá nos próximos livros =) Sem dúvida, uma personagem que com Sookie atrai grandemente o leitor!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gailivro com novas apostas!

Notícias em primeira mão leitores!!!

A Gailivro vai, até ao final do ano, publicar alguns livros que prometem ser grandes sucessos. Preparem-se para roer as unhas!

Vamos ter livros como A Canção do Dragão, de Anne McCaffrey, o quarto da série "Os Cavaleiros de Pern". :wink:
Amazon.com
Goodreads
Fantastic Fiction
(presumo que seja este livro)

O Bobo, de Christopher Moore. Já podem ler a minha opinião sobre "Guia Prático para Cuidar de Demónios", e parece-me ser mais uma leitura de verdadeiro entretenimento ^_^
Fantastic Fiction
GoodreadsAmazon.com
(presumo que seja este livro, foi o único que encontrei que se traduz o título para Bobo :P )

John Scalzi vai ser também um novo autor que vamos ver cá em Portugal, de Ficção Científica, e parece muito aclamado lá fora!
Fantastic Fiction


Finalmente, mas não menos importante, preparem-se para O Homem Pintado, de Peter V. Brett, que promete ser um mega sucesso!!!
Goodreads
Fantastic Fiction
Amazon.com

Destaco ainda a publicação de um autor nacional, Telmo Marçal, e o seu livro As Atribulações de Jacques Bonhomme, um conjunto de contos de ficção científica, passados num futuro próximo e sombrio... Promete! É uma aposta arriscada, mas que desde já quero realçar para que tenha o sucesso merecido ;)

Portanto... preparem-se para grandes êxitos! A Gailivro espera um final de ano à altura deste ano que lhes foi magnífico (pudera, com a publicação do Amanhecer :rolleyes: .

Pessoalmente, estou super entusiasmado com estas notícias, espero ler todas estas grandes obras!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Missão de Az Gabrielson, de Jay Amory

Alheou-se de tal modo do que o rodeava, que não se apercebeu de que havia uma outra pessoa naquele andar. O homem vestido de negro flutuou por trás, batendo as asas lenta e furtivamente. E nem sequer deu conta que o estranho pairava por cima das suas costas, suficientemente perto para lhe falar ao ouvido, até o perceber sussurrar. Uma única palavra. Proferida suavemente. Três sílabas. "Anormal" "Um elenco de personagens absolutamente maravilhoso. Excelente material! Amory é um autor com uma consciência social inata e uma voz capaz de atrair leitores de todas as idades." John Berlyne, SF Revu

Desde a capa que senti-me algo inspirado pelo livro.
E essa inspiração manteve-se até ao fim do livro! Custou-me tanto pô-lo de lado, ter de dormir!
Adorei, adorei este livro, há algum tempo que procurava algo Fantástico diferente mas não muito complexo, e encontrei!

Az é um rapaz Alado. Vive no Mundo das Nuvens. Que é, deixem-me que vos diga, extremamente fascinante!
Mas tem uma particularidade: nasceu sem asas. Não se sabe o motivo. E essa deficiência faz com que seja a única pessoa capaz de descer à Terra.
Mas porque deve descer à Terra??? Há séculos atrás os humanos subiram às nuvens, construindo cidades espectaculares e vivendo à custa de matérias-primas que sobem através de um elevadores, desde a Terra lá em baixo até às nuvens. E subiram para as nuvens porque a Terra foi contaminada.
Durante séculos, as máquinas trabalharam sozinhas, já que os Terrenos estariam extintos e apenas os Alados resistiram, e os elevadores trabalham por si só.
Mas um dia os elevadores vêm vazios. E Az tem a missão de investigar o caso. O problema é que os Alados que se encontram no Poder esconderam-lhe coisas que podem mudar toda a História.

E então Az chega ao solo, e começa a sua aventura. Uma corrida. Muito mistério e surpresas, muita acção e suspense.

Este livro está maravilhosamente escrito. A escrita é muito fluida e cativa da melhor maneira possível: deixa-nos à espera de mais, deixa-nos a imaginar ao máximo. Eu fiquei fascinado com a relação entre os Alados e os Terrenos e o Mundo das Nuvens, fartei-me de puxar pela imaginação! Os Alados são fascinantes, muito mesmo, e os Terrenos têm uma História que nos deixa a ansiar por mais, talvez por lhes sermos tão próximos.

Para além disso, os capítulos são pequenos, pelo que 453 páginas passam em 3 dias!

Um enredo excelente, como já disse, uma ideia brilhante. Foi esperto do autor pegar nestes povos e nesta história futurista. Ainda assim, algumas vezes quis que o livro fosse ainda mais complexo, porque para um fanático por Fantasia como eu, o que queria era explorar ao máximo os Alados e a história dos Terrenos!
Mas, de qualquer maneira, foi suficiente. Fiquei mais do que viciado.

As personagens, embora sejam bastante típicas neste tipo de livros, estão muito bem escolhidas. Facilmente nos vemos arrastados para os seus caminhos, as suas aventuras e intenções. Estamos perante um livro que, mais do que bem escrito, mais do que bem imaginado, mais do que personagens bem escolhidas, consegue atrair a todos.

Espero ansiosamente pela publicação do segundo livro,e espero que este venha com muito mais pormenor e ainda mais acção, que traga uma guerra épica que já prometeu! Se é fã de Fantasia, não hesite em pegar neste livro!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Guia Prático para Cuidar de Demónios, de Christopher Moore

Nesta engenhosa narrativa de Moore encontramos um dos pares mais dissonantes de que há memória nos anais da Literatura. O bem parecido é um ex-seminarista e académico “de estrada”, de cem anos de idade, Travis O’Hearn. O verde é Catch, um demónio com o péssimo hábito de comer praticamente todas as pessoas que conhece. Por detrás da falsa fachada Tudor de Pine Cove, Catch vê um bufete de quatro estrelas. E Travis julga ter descoberto a forma de se livrar do seu companheiro de viagem, de dentes aguçados. Mas, entretanto, os bêbados, as neo-pagãs e os sedutores caloteiros de Pine Cove têm outros planos e ninguém está minimamente preparado, quando o inferno estoira! "Christopher Moore está, rapidamente, a converter-se no autor de culto dos dias de hoje, ocupando o lugar em tempos preenchido por Kurt Vonnegut."
Denver Post

Estou deliciado com esta leitura!

É um livro diferente. Minimamente original (ATENÇÃO!!! Minimamente...). Porque é verdade que podia ser mais.
Aliás, se houve coisa que faltou foi profundidade.
Mas a verdade é que esse não era o objectivo!

A meta deste livro é entretenimento! Como é que a leitura pode ser entretenimento, como um filme de domingo à tarde? Este livro é a resposta!

Mistura montes de comédia (genial) com algum terror (é mais a história que puxa para o terror do que propriamente o que leitor sente, mas também tem aqueles momentos assustadores, tem sim!) com uma história que, sem ser aprofundada ao máximo dos máximos, entretém e interessa como o diabo! Literalmente, é interessante como o diabo.
Tem também uma certa vertente crítica à religião, mas sinceramente acho que isso é mais uma paródia do que outra coisa!

Travis anda com o demónio Crash há uns 70 anos, e desde então não envelhece e tem de cuidar deste demónio, já que é o seu amo. O problema é que o demónio mata praticamente todos os humanos que conhece para se alimentar. Quando Travis julga ter encontrado a solução da liberdade, conhece Jennifer, que se separou do marido Robert, que não sabe do paradeiro do seu amigo Brisa, já que o agente Rivera anda atrás do amigo, que por acaso foi comido por Crash, que julga ter encontrado uma solução também para se libertar, e conhece Rachel que lidera um grupo do qual Jennifer faz parte.
Ou seja: Pine Cove vai rebentar quando Travis e Crash chegam. Ah, e porque o Rei dos Djinn anda atrás de Crash, toda a cidade de Pine Cove vai finalmente poder dizer "Nesta cidade acontece alguma coisa!".

É um livro hilariante, com a sua pitada de terror e um final que deixa o leitor satisfeito. Um final que lá tem as suas reviravoltas e que nos deixa com vontade de ler mais sobre estes seres demoníacos!

A escrita de Moore é de tão fácil leitura que nem vale a pena poisar o livro. Não há momentos chatos. Há sempre alguma coisa a acontecer! E Moore é tão esperto que consegue arranjar humor onde pensamos não haver espaço!

Foi uma leitura diferente e que apreciei bastante. Gostei imenso da história e das personagens.

Não há nada de profundo na história, embora a sinopse o dê a entender. Aliás, é o que mais me custou. Vamos lendo e ficamos cativados pelo enredo, mas não há profundidade na história.

Aconselho a todos, principalmente se procuram algo diferente e que dê para rir um bocado. Diferente.
E digo: este livro dava um filme. Aliás, sou sincero, este livro é, em tudo, um filme. Parece que foi escrito de propósito para ser adaptado ao grande ecrã.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Até que o Rio nos Separe, de Charles Martin


Doss Michaels nasceu e cresceu num parque de caravanas junto ao rio St. Mary e tenta sobreviver como pintor. Abigail Coleman é a única e lindíssima filha do mais poderoso senador da Carolina do Sul. Um único encontro foi suficiente para perceberem que ficariam juntos para sempre. Após dez anos de casamento, Abbie debate-se com uma doença terminal. Sempre a seu lado, Doss trava com ela uma terrível batalha pela vida. Quando Abbie elabora uma lista de dez coisas que gostava de fazer antes de morrer, Doss tudo faz para a ajudar a concretizar os seus desejos. E, antes que seja tarde de mais, partem juntos para a viagem das suas vidas.

Esta é uma forte história de amor. Emocionante, que nos deixa a sorrir muitas das vezes, e que também nos vai deixar pena.

Mas, pessoalmente, não achei o livro nada pequeno e achei, umas poucas vezes, algo difícil de ler. Talvez por aborrecimento.

A história não podia ser mais emotiva. Os capítulos vão-se alternando entre o passado e o presente; a história de um amor improvável e que foi surgindo vitorioso ao longo do tempo e a história da homenagem a esse amor, quando Abbie se encontra à beira da morte e Doss arrisca a sua própria vida para realizar dez desejos à esposa.

Foi preciso sentir para escrever esta história. E nem o leitor é capaz de ficar imune a esse sentimento, ao amor. Desde o princípio que gostei imenso da história de ambos, como se conheceram, como as suas vidas foram ficando cada vez mais unidas. Assim como somos fascinados pela realização dos dez desejos, sendo um deles percorrer um rio praticamente da nascente à foz, uma proeza.

No entanto, tenho a dizer que nem sempre este livro conseguiu prender a minha imaginação. Não quero com isto dizer que não tenha gostado imenso desta história de amor, quero com isto dizer que há certas passagens que simplesmente dispensava. Talvez algumas divagações do autor que, na minha humilde opinião, nada acrescentam à história ou a prender o leitor. Apenas estão ali para dar mais espaço de escrita, mais letras que poderiam comprovar um escritor de excelentes dotes, mas que pessoalmente me faziam pôr o livro de lado.

De referir, pois, que para criar este amor tão emotivo, e uma viagem tão inspiradora, assim como um livro de jeito, o autor tem realmente uma escrita própria para a ocasião. Sabe escrever um romance, é o que se pede de um romance. Recomendo com certeza aos mais apaixonados, aos que realmente gostam de ler estas histórias de amor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Uma novidade a caminho!


Contada por Kvothe, na primeira pessoa, esta é a história de um jovem extremamente dotado em artes mágicas e que se virá a tornar o mais famoso feiticeiro que o mundo conheceu. A narrativa intimista de uma infância vivida numa trupe itinerante, os anos passados como órfão nas ruas violentas de uma cidade flagelada por criminosos, a ousada e bem sucedida entrada para uma lendária escola de magia e a vida de fugitivo após o assassinato de um rei constituem a mais impressionante história de transição para a idade adulta da literatura recente.”
Uma narrativa repleta de acção, escrita pela mão de um poeta, “O Nome do Vento” é uma obra-prima que levará os leitores a encarnar, de corpo e alma, a figura de um feiticeiro.

Pois é, ainda nem saiu e já está a gerar grande entusiasmo!
Podem ver pelo Goodreads e pela Amazon as fantásticas críticas positivas que recebe!
Estou ansioso... A sinopse fez-me pensar um pouco em "Harry Potter", mas confio que estamos perante uma excelente obra!
Esta posso garantir que será em breve lida ;) E é melhor prepararem essas compras!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A Seita, de Robert Muchamore

Títulos da Colecção
1. O Recruta
2. O Traficante
3. Segurança Máxima
4. O Golpe
5. A Seita

Nunca pensei que ler fosse tão fixe. Adorava ser um agente CHERUB.
Nome de código: Nelson
Foram os melhores livros que li em toda a minha vida. Até conseguiram que eu lesse mais. Livros geniais! Nome de código: Ana

James e os seus colegas infiltram-se num culto australiano, Os Sobreviventes, depois de descobrirem indícios de uma potencial ligação ao grupo terrorista Ajudem a Terra.
O quartel-general do culto está completamente isolado no deserto australiano, a vários quilómetros da cidade mais próxima. É a missão mais difícil até ao momento, porque James será obrigado a obedecer às rígidas regras por que o culto é famoso e resistir às técnicas de lavagem cerebral que usa para cativar os seus seguidores. Desta vez, James não só terá de combater terroristas, mas também lutar para preservar a sua própria sanidade.

www.mundocherub.com
http://mundocherub.hi5.com


É fácil de perceber porque é que este livro arrastará milhares de jovens.

É um livro de acção. Os espiões são jovens, dos onze aos dezasseis anos. É a adrenalina juvenil perante a aventura e o perigo.
É um livro muito bem escrito. Muchamore tem sem dúvida um toque especial para livros de acção, e aquela linguagem tão acessível torna o livro muito mais cativante.

Bem, lembro-me de que houve pelo menos um momento em que simplesmente não conseguia parar de rir. Acho que nunca mais me vou esquecer desse capítulo, no fim hilariante mas genial ao longo dele.

Portanto, este é um livro juvenil de qualidade.

Por vezes esquecemo-nos que é juvenil. Sentimo-nos agarrados, entusiasmados com a missão, a torcer pelos nossos jovens heróis!
Embora seja (será? Hum...) notoriamente fantástico a mais para o mundo real, não deixa de ser tremendamente cativante. Porque não ler mais? A princípio pode parecer grande (são 400 páginas), mas é tão fácil de ler, tão entusiasmante que facilmente chegamos ao fim, satisfeitos.

Depois de séries como "Filhos da Lâmpada" ou "Crónicas de Spiderwick", estou extremamente feliz por encontrar novos livros com que me apaixonar.
Não tem nada a ver com Fantasia, como os referidos. É antes um thriller juvenil, um livro de acção. Mas é sem dúvida uma série a não perder pelos mais jovens.
Aos mais velhos, aconselho vivamente a lerem pelo menos um. Vão ver que vão ficar satisfeitos! (e não vão parar hehe)

Atenção: este é o quinto livro da série. Claro que vou ler os outros, mas pessoalmente sempre prefiro ler a partir do primeiro.
Mais do que aconselhado, uma leitura que nos deixa saciados e à qual vamos querer voltar. É a magia destes livros juvenis, são pequenos "escapes", e que, como acontece neste livro, acabam por ser também leituras enriquecedoras, inesquecíveis, marcantes.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A Promessa, de Brunonia Barry

Espantoso. Enfeitiçante. Inesquecível.

Towner Whitney, uma mulher enigmática e fascinante, descende de uma família de mulheres de Salem que têm a capacidade de ler o futuro nos padrões da renda típica da cidade.

Após uma vida de traumas e tragédias que a leva a exilar-se na Califórnia, Towner regressa à sua cidade natal, em busca da tia-avó, Eva, desaparecida misteriosamente. Towner vê-se, assim, obrigada a enfrentar os medos do seu passado e a verdade das tragédias na sua família.

A Promessa
é uma narrativa hipnotizante que desvela um mundo de segredos, identidades perdidas, mentiras e meias-verdades, onde a realidade e a ficção se unem inexoravelmente.

Uma deslumbrante sa
ga de paixão, suspense e magia. Time Magazine

Este livro começou por fascinar logo pela capa. Muito bem feita!
E depois bastou ler as primeiras páginas para pensar "Vou gostar".

Totalmente cativante, não posso dizer mais do que isso. Esta é sem dúvida uma renda muito bem tecida, que nunca cansa o leitor. Não são apenas os capítulos curtos, mas sim a escrita que é muito apelativa, a história que vai intrigando o leitor ao longo das páginas, as personagens fazem parte de um enredo tão misterioso que não podemos deixar de nos sentir agarrados... E passa-se em Salem, aquele local repleto de turistas, onde o mito das bruxas ainda perdura.

É um livro onde a realidade e a magia unem-se... Na perfeição.

Towner volta a Salem, essa cidade onde ainda existem bruxas que chamam a atenção dos turistas, depois da sua tia Eva desaparecer misteriosamente. O seu desaparecimento levanta muitas suspeitas, e vai fazer despoletar uma guerra há já muito tempo iniciada. As mulheres de Salem lêem nas rendas o destino das pessoas, e esse dom faz delas bruxas. Por outro lado, Cal Boynton formou o seu próprio grupo, nomeados "calvinistas", dispostos a fazer de tudo para pregar a fé de Deus e de Cristo e eliminar estas mulheres.

Fora esta forte componente religiosa (na minha opinião, bastante interessante), temos um fascinante passado que vai unir todas as personagens e colocar muitas dúvidas e desvendar muitos segredos.

Adorei ler este livro. Adorei o local onde se passa. Adorei a escrita da autora e a sua imaginação, que faz com que o livro seja mesmo muito difícil de pôr de lado.
Recomendo mais do que vivamente este livro. A não perder. Excelente.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Labirinto da Rosa, de Titania Hardie

O Labirinto da Rosa é um romance de estreia de uma riqueza surpreendente que tem no centro da sua trama uma herança enigmática que remonta à época Tudor. John Dee, matemático, astrónomo e conselheiro da rainha Isabel I, deixou escondida uma série de documentos seus por considerar que a humanidade não se encontrava preparada para compreender o que neles estava escrito. As sucessivas gerações de descendentes souberam guardar o segredo da sua localização à espera do momento certo para revelar tais conhecimentos ao mundo. Esse momento parece ter finalmente chegado quando, volvidos quatro séculos, a mãe de Will, às portas da morte, lhe passa um testemunho - uma antiga folha de pergaminho com enigmas e uma chave de prata. Mas que segredo poderá revelar aquela misteriosa chave? Um romance soberbo, um verdadeiro labirinto literário, com traços do romance histórico, do romance de aventura, de mistério, do thriller, e referências vastíssimas que vão dos conhecimentos esotéricos egípcios, templários e renascentistas à história do Islão, ao Cristianismo, ao paganismo ou à astrologia. Presos no seu poderoso encantamento, vamos desvendando, enigma após enigma, o denso mistério que o envolve, acompanhando os seus protagonistas numa demanda intelectual por alguns dos locais mais interessantes da Europa.

Estou a reler a sinopse do livro e a pensar: "Como podem prometer tanta coisa?".

Este é daqueles livros que me deixa francamente sem saber se o recomendo ou não.

Começo por dizer que li-o enquanto estava fora, portanto não estava propriamente dedicado ao livro. E este livro pede alguma dedicação, senão pode parecer algo confuso.

Acho que tem a ver com o facto de ter muito esoterismo. Por exemplo, eu nem achei que tivesse assim TANTOS conhecimentos como a sinopse diz, até se preocupa mais em desenvolver aquele palavreado confuso e metafórico dos enigmas. Só isso.

A verdade é que é uma leitura que dificilmente pomos de lado! Não fosse ficar confuso com as suas palavras, e acho que teria adorado descobrir os enigmas! É uma leitura agradável e que nos vai agarrando, e gostei sim das personagens.

O final... Deixou algo a desejar, e passo a explicar: todo o livro desenvolve um denso mistério, uma série de puzzles e conhecimentos que, de tão densos que são, só podem originar uma revelação que deixe o leitor de boca aberta. E não é bem isso que acontece... O grande mistério revela ser um pouco mais banal do que podemos pensar.

Portanto... Se procuram um bom livro, um mistério denso e repleto de esoterismo e palavras metafóricas, este é o tal. Mas convém lerem na melhor altura, sem outras coisas em cima.


(Já agora, esta edição vem com um bloco onde se encontram os supostos documentos que John Dee deixou... E o próprio leitor pode pegar neles e estudar o mistério =D)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sputnik, Meu Amor, de Haruki Murakami

Um jovem professor primário, identificado apenas pela inicial "K", apaixona-se por Sumire, uma jovem aspirante a escritora. Quando esta entabula uma relação amorosa com Miu, uma enigmática mulher de meia-idade que a emprega como secretária, K é relegado para o ingrato papel de confidente. Sumire, porém, estando de férias numa ilha grega com a sua amante, desaparece misteriosamente, e K é chamado para ajudar nas buscas. Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade. Haruki Murakami nasceu em Quioto, Japão, em 1949. Licenciado em Artes Dramáticas, publicou o seu primeiro romance em 1979. Recebeu diversos prémios pelos seus romances, entre os quais o Yomiuri (1996) e o Franz Kafka (2006), sendo actualmente considerado um nome incontornável da literatura contemporânea. Além de Sputnik, meu Amor, onde se encontram resumidos todos os temas que atravessam a sua obra, destacam-se os títulos Em Busca do Carneiro Selvagem, Madeira Norueguesa, Dança, Dança, Dança, Crónica do Pássaro de Corda e Kafka à Beira-Mar.

Se me permitem, ainda nem sei muito bem o que dizer deste livro...

Que vício!!!

Epá, alguém me quer oferecer outro de Murakami? Qualquer um! Quero lê-lo já de seguida, a sua escrita é tão viciante!

Dizem que este é o livro "menos bom" de Murakami (já que não tem nenhum livro pior), mas eu adorei lê-lo e a vontade de mais é incontrolável.

Imaginem...
Mergulharem num sonho. Num mar feito de matéria de sonhos. Essa é a escrita dele. As suas palavras enveredam por enredos e personagens estranhas, muitas vezes não percebemos muito bem a história... Mas são tão belas, tão viciantes, e tão simples, que não podemos deixar de ler.
O livro é recheado de metáforas e comparações. Tal qual os sonhos. E, por isso, muitas das vezes não nos deixamos de perguntar "Mas que é que ele está a dizer?".

Para mim, a sinopse que apresento e que está na contracapa do livro não faz jus ao livro.
Em primeiro lugar, isto é muito mais do que uma relação amorosa. É mais complicado...
O triângulo de personagens é, de facto, o mais estranho possível.
Não esperem uma história completa, porque não é. É bastante estranha, preparem-se. Há coisas para as quais não há explicações.
Isto pode ser um entrave para alguns de vocês. Mas com Murakami é assim, não é preciso haver explicações, fins ou sequer inícios, apenas sonhos.

Alguns acontecimentos mais estranhos e mais inexplicáveis deste livro fizeram-me lembrar as típicas histórias japonesas que realizadores como Hayao Miyazaki nos apresentam (no seu grande filme "A Viagem de Chihiro", só para referir um no meio da sua obra-prima).

A vida das personagens é tudo menos convencional. Desde Miu, que sofreu um episódio mais do que misterioso e inexplicável, marcando-a para o resto da vida, Sumire que desaparece sem deixar rasto, K que se vê metido neste triângulo e preso pelas suas implicações. O sentido está muito, muito pouco explícito, mas o leitor só pode deduzir que está lá, e isso fá-lo querer ler e reler.
A história tanto se passa no mundo real como se pode passar num mundo para lá deste...
Mas, verdadeiramente, este é um mundo real? Quem somos nós, nesse caso?
São algumas perguntas que o livro coloca. E é por fazer parte de outro mundo que temos de lê-lo com outros olhos.

Um sentimento nostálgico atravessa as suas páginas, para além da paixão, das reflexões, e principalmente da solidão. Adorei os diálogos das personagens, prenderam-me.

Mais do que aconselhado. Todos deviam experimentar este autor. Quero ler mais, quero ler mais!!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Por favor, passem por aqui.

Divagações de um road novel

Agradeço que passem por lá, que sigam, que o adicionem e que comentem... É um novo blogue, mais descontraído, em parceria com um outro companheiro.

Espero que lá se sintam à vontade de desabafar também, de discutir, de sabe-se lá o que vem aí!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Silêncio dos Teus Olhos, de Hugo Girão

Este livro é uma sincera homenagem às mulheres que fizeram, e continuam a fazer de mim, o homem que hoje sou. A elas dedico estas humildes palavras. Algumas já não estão entre nós, mas como acredito na eternidade, sinto que me acompanham desde o primeiro dia em que as conheci. Estarão sempre no meu coração... Este livro é também uma singela homenagem à minha mulher e aos meus filhos. À minha mulher porque tem sido uma verdadeira fortaleza capaz de desvendar em mim coisas mágicas, de me fazer descobrir aspectos que eu jamais conheceria sem a sua presença; por ser a amiga, a amante, a mãe, o ser humano que todos os dias está ao meu lado para me guiar... Aos meus filhos, por me fazerem sentir capaz de gerar um milagre tão lindo e belo como é a Vida, a sua... O que duas pequenas vidas nos podem ensinar...

Confesso: a paciência para ler um livro deste género não era muita.

Cheguei a pegar nele, ler duas páginas e pô-lo de lado...
Mas tem mesmo a ver com as alturas. Peguei nele de novo quando me senti preparado, e acho que foi o melhor que fiz.

Até certo ponto... Impressionou-me.
As expectativas diziam-me que este livro seria demasiado lamechas. Demasiado apaixonado. Demasiadas palavras de amor. Demasiada poesia. Demasiado fantasioso. Demasiado aborrecido.

Pessoalmente, achei que teve a medida perfeita.

Como um autêntico escritor, Hugo Girão não deixa cair as suas palavras no aborrecimento, nem se alonga numa história até à repetição de ideias. E, no entanto, mantém o seu objectivo de transmitir esse sentimento de amor.

Eu sei que este livro não vai ser lido por muitos de vocês. Eu próprio ainda me mantenho algo céptico quanto à minha opinião... Porque a verdade é que este tema, o amor, a prosa poética, são coisas que alguns leitores acham exasperantes. É um livro para corações apaixonados, isso sim.

Mas posso dizer que este livro não é nada aborrecido. A história não é rica e é bastante previsível, a escrita é à primeira vista demasiado poética e apaixonada... Contudo, comecei a ler e senti-me agarrado pelas suas palavras, por esta confissão.

Todo o livro é uma confissão de um homem perdidamente apaixonado pela mulher, mas a quem a vida não tem sorrido: primeiro com a perda de um filho, depois com a depressão da mulher, e finalmente vê-se desgastado por um desastre enquanto a mulher espera pelo segundo filho.

Mas não posso deixar de dizer que me sinto feliz. Ler estas palavras é como um petisco: saboreamos e gostamos muito, e talvez em breve nos esqueçamos do que comemos/lemos, mas a sensação que fica, a lembrança de ler algo diferente e sem complexos no meio de tantas outras leituras, permanece.

Paciência e coração aberto, é o que o livro pede.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Filho da Guerra, de Emmanuel Jal

Em criança, mal podendo com o peso de uma arma, Jal, um dos Meninos Perdidos do Sudão, testemunhou e praticou actos de extrema brutalidade, no contexto da guerra civil que grassava no seu país. As suas memórias de terror desenham-se vividamente nesta poderosa autobiografia, que revela dolorosamente a fúria que a guerra lhe ensinou, mas também a forma impressionante como conseguiu superá-la. Inspirado por Mahatma Ghandi, Martin Luther King e Nelson Mandela, socorreu-se da música como instrumento para o seu próprio processo de cura e incentivo à paz no seu país, tornando-se um dos mais promissores cantores rap africanos, reconhecido internacionalmente. Chocante, inspirador e carregado de esperança, Filho da Guerra é a autobiografia de um jovem singular, determinado a contar a sua própria história e a revelar ao mundo a tragédia do seu país. "Franco, implacável... O retrato de um jovem marcado pela guerra que é hoje um exemplo e um defensor da sua comunidade."
Kirkus Reviews
"Avassalador... Puro... Provocante."
The New York Times

Estamos perante um livro pesado...
Uma linguagem forte... Melhor, descrições de guerra muito fortes... Não há perdão. Há morte. Há terror. Há memórias tornadas pesadelos.
Estamos perante um livro forte, um retrato vivo e sem escrúpulos, da guerra.

Ao mesmo tempo, estamos perante um livro cansativo.

Acho que só vou aconselhar este livro a quem se interessa pelo tema. Embora as descrições estejam brutais (não na qualidade, mas sim na brutalidade das cenas), e o percurso de Jal seja todo ele tocante, a certas alturas achei a leitura muito cansativa, já gasta. Comecei-me a fartar de ler quase o mesmo.

Não acho que seja um livro que nos inspire particularmente, visto estar perante uma realidade que se afasta da minha vida, por exemplo. Estamos a falar de uma guerra, de uma situação extrema, de Meninos Perdidos, que são parte de uma realidade que não tem nada a ver com a realidade da sociedade ocidental. Pessoalmente, não me senti particularmente movido pela jornada de Jal, mas sim pelo sofrimento que a guerra causa.

É intenso... Mas não é o ideal para quem não lê regularmente algo dentro deste género. Sem dúvida, interessante pelo retrato de guerra e tocante pelo sofrimento a que assistimos, mas não deixa de ser uma leitura a (pequenos) espaços aborrecida.
Talvez se começasse a apostar mais em livros autobiográficos, ou livros de não-ficção, talvez me sentisse mais atraído por esta leitura... Pessoalmente, o meu gosto ficou pelo "Interessante".

sábado, 18 de julho de 2009

"Once again I must ask too much of you, Harry"


Once again, my expectations asked too much of Harry.

Melhor filme até agora?
Brutal?
Nem uma coisa nem outra.

Para o que é um dos meus livros preferidos (Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e Harry Potter e o Príncipe Misterioso são mesmo dos meus livros preferidos), não achei nada que fosse o melhor.

Acho que o meu preferido continua a ser Harry Potter e a Câmara dos Segredos, seguido por Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

O livro é mesmo imperdível. Tem imensas revelações, empolga, para mim dos melhores. Mas o filme perde tanto... Porque durante 2 horas o filme não é nada mais do que parado.

Só a última parte é que anima (muito), ao ponto de sentir um frenesim! A cena na caverna está fenomenal, e o que se segue... Excelente. Capta na perfeição a essência.
No entanto, o resto do filme perde-se em divagações adolescentes e namoricos.
Eu compreendo que os filmes acompanhem a faixa etária dos fãs... Mas há muito, muito interesse que se perdeu.
Tenho a elogiar os efeitos especiais (na gruta, mais uma vez) e as actuações.
Finalmente, Michael Gambon (Albus Dumbledore) pareceu realmente o Dumbledore! Eu nunca gostei dele como director de Hogwarts, sempre achei que se afastava da personalidade deste idoso, e finalmente, neste filme, ele está perfeito!
Já o caso do Snape, embora o actor seja (mais do que) perfeito, não apareceu muito neste filme, e tenho mesmo pena, porque sem dúvida é um dos mais cativantes no ecrã!

Não digo que o filme não tem qualidade. Tem qualidade, nota-se, basta olhar para o ecrã.
Mas está a grandes espaços aborrecido.

É, no entanto, o filme mais cómico de toda a saga. Só não é mais parado porque dá para rir (imenso) ao longo do filme. Momentos que desanuviam um bocado.

Andam por aí a dizer que é dos melhores filmes... Infelizmente, não achei isso. Matem-me se quiserem.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Escolhi o Teu Amor, de Emily Giffin


Como se pode voltar a amar verdadeiramente alguém se ainda não esquecemos quem partiu?

"Escolhi o Teu Amor" é uma história envolvente sobre uma mulher na encruzilhada da vida e das emoções e sobre as razões que, por um lado, nos fazem escolher amar quem amamos e, por outro, nos impedem de esquecer quem nos partiu o coração.

A relação de Ellen e Andy não é só aparentemente perfeita.
Eles amam-se verdadeiramente. Não há dúvidas de que a sua relação é repleta de entrega e devoção mútuas.
Até que um dia Ellen cruza-se com Leo, o ex-namorado com quem manteve uma relação problemática e obsessiva; o mesmo homem que um dia, sem explicação, a deixou e lhe despedaçou o coração.
Leo, que Ellen nunca esqueceu e que, oito anos depois, reaparece por acaso e faz com que ela questione se a vida que tem é, afinal, a vida que quer e merece.

"Uma Jane Austen contemporânea."

Cincinnati Enquirer

Não penso que alguma vez fosse ler este livro. Não porque o achasse de pouca qualidade, mas porque... Não faz o meu género de livro.

É um romance feminino, sem dúvida. Mas muito mais interessante do que julgava.
Ao contrário do que pensava, não é nada fútil, pelo contrário.

Ellen é casada com Andy, e eles são o casal perfeito. Têm uma relação marido-mulher invejável, que os permite ter uma confiança extrema em cada um.
Até que Ellen encontra Leo. Leo é o ex-namorado que já não vê há oito anos, mas a sua relação foi deveras marcante na vida de ambos. Encontrarem-se foi como se o passado de Ellen, e todas as dúvidas e paixão que ficaram para trás, tivessem assaltado o presente, para finalmente ela perguntar: "Quem amarei eu verdadeiramente?".

Uma personagem feminina bastante boa. Porque não é um livro agitado, é bastante calmo até, mas a autora tem a mestria de criar uma personagem cujas reflexões nos puxam, nos fazem sentir ligados à história.
Aliás: até custa acreditar que Ellen não é uma personagem verdadeira!

Se há coisa que sentimos, é afeição pela personagem. Porque todos os sentimentos, todas as suas dúvidas, tudo o leitor consegue sentir, e isso é o que torna o livro uma leitura tão agradável.
Não se trata aqui apenas de amor. Trata-se de uma data de sentimentos, que também passa pela amizade, pela lealdade, a traição, a solidão, a tristeza, estranheza, uma série de emoções pelas quais Ellen passa...

Se querem um livro que fale sobre decisões, sobre escolhas na vida, sobre sentimentos, este é o tal.

Uma vez começado, é difícil não querer ler mais. Não o posso incluir nos típicos romances cor-de-rosa, porque na minha opinião trata-se de uma viagem individual muito mais rica e que nos atinge muito mais.

As mulheres devem ler este livro. Sem ter um enredo sobressaltado, tem antes uma personagem feminina que se encontra numa dúvida forte entre dois amores muito fortes. Este livro discute coisas pelas quais qualquer mulher já passou ou já pensou. Ideal.

Os homens... Também devem lê-lo! Não é um livro fútil, pelo contrário. Experimentem conhecer a luta interior da mulher, verão o quão interessante pode ser!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Harry Potter is back!

Infelizmente, a saga já está toda escrita, e só nos resta reler desde o primeiro livro... Coisa que tenciono fazer!

Mas os filmes... Esses ainda estão longe de acabar...



Estreia hoje, em Portugal, Harry Potter e o Príncipe Misterioso!!!

Estou ansioso por vê-lo?
Estou em pulgas!

Este é, talvez, o meu livro preferido de toda a saga, ao lado de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Acho que é dos livros com mais acção, mais revelações, mais empolgante, e cujo final nos deixa a roer as unhas.

Podem crer que as expectativas para o filme estão mais do que elevadas.

Eu sei que muitos de vocês não gosta dos filmes, prefere os livros. Mas, se o filme for tão bom quanto o livro, podem crer que vale mais do que a pena.
Já é considerado dos melhores filmes da saga.
Se tivermos em conta a classificação no IMDB, é aliás o melhor filme de Harry Potter até agora.

Sábado vou vê-lo. Nessa altura digo logo o que achei!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Dead Until Dark, de Charlaine Harris


"A fun, fast, funny, and wonderfully intriguing blend of vampire and mystery that's hard to put down and should not be missed." - Susan Sizemore

Sookie Stackhouse is a small-time cocktail waitress in small-town Louisiana. She's quiet, keeps to herself, and doesn´t get out much. Not because she's not pretty. She is. It's just that, well, Sookie has this sort of "disability". She can read minds. And that doesn't make her too dateable. And then along comes Bill. He's tall, dark, handsome - and Sookie can't hear a word he's thinking. He's exactly the type of guy she's been waiting for all her life...

But Bill has a disability of his own: He's a vampire with a bad reputation. He hangs with a seriuosly creepy crowd, all suspected of - big surprise - murder. And when one of Sookie's coworkers is killed, she fears she's next...

"Harris writes neatly and with assurance." - (New York Times Book Review)


Nunca fui fã de vampiros nem quis ler nada sobre eles.
Li Crepúsculo e adorei. Embora confirme que não é nada de especial, foi daqueles livros em que queria era sentir-me agarrado pela história, e foi o que aconteceu. Adoro o romance entre Bella e Edward.
E depois li Lua Nova, e talvez porque também tenha gostado muito (mas não adorado), um pensamento me surgiu na cabeça:
"Quero ler mais livros sobre vampiros".

Acabo de realizar esse desejo e, sem dúvida, comecei por um dos melhores!

Charlaine Harris consegue criar uma sociedade vampírica única, e eu aposto que Stephenie Meyer gostou tanto de ler "Dead Until Dark" que, num acto de inspiração, escreveu em três meses "Crepúsculo" (sim, "Dead Until Dark" é anterior ao "Crepúsculo").

Sookie é uma empregada num bar. Bill é um vampiro. Para nós parece estranho que os vampiros vivam lado a lado com os humanos (bem, não propriamente, que de dia fogem do sol...), mas neste livro acontece algo fenomenal: os vampiros são aceites. O mundo está feito para aceitar estas criaturas, desde bares especiais, hotéis exclusivos a sangue sintético, que os japoneses inventaram para que não andássemos sempre com os dentes deles na garganta.
Embora muitos humanos o queiram... Porque é a coisa mais excitante que há no mundo, e beber de um humano está muito associado a relações sexuais (os vampiros são deuses do sexo).

E Sookie apaixona-se por Bill. Com ele, esquece-se do seu dom de ler os pensamentos dos outros, com ele encontra alguém diferente. E conhecer os vampiros é, de todo, excitante.

Até que uma data de assassínios naquela vila rural vêm disturbar a vida tanto dela como dele, e de quem os rodeia.
O resultado é um livro emocionante, sem partes chatas, que à medida que vai avançando torna-se viciante e difícil de pousar.

A escrita de Harris é muito exótica. Muito acessível, mas bastante exótica, de modo a encaixar neste também exótico livro. (ler em Inglês foi uma mais-valia para mim, fico sempre mais concentrado e empolgado na história, mesmo que perca alguns pormenores - o que, infelizmente, acontece)

Confesso que achei a relação entre Sookie e Bill demasiado instável. Muito, muito instável. Ao ponto de me irritar...
No entanto, as personagens estão bem escolhidas, e Sookie é uma figura feminina bem interessante. Todas as personagens estão mais do que bem exploradas, Sookie é uma mulher de força e, uma vez que ela nos conta a história, os outros são envolvidos numa aura de mistério, constantemente a serem analisados.

Mas o que mais gostei foi, sem dúvida, aqueles momentos em que eu próprio quase entrava em êxtase.
Este livro tem um lado sexual muito forte. Os vampiros são uns sedentos de sangue, e essa sede tem um cariz sexual... Bem, nem vos digo!
Charlaine Harris transmite tão bem essa força! Transmite essa necessidade de sexo, viril, inesquecível, e essa sede tão grande de sangue que ficamos a ofegar de cada vez que alguém bebe outro. Único e exótico, sexual e sem tabus.
Os vampiros são os mais fascinantes que pude conhecer. São até bastante inovadores pelo seu comportamento não só como os clássicos nos habituaram, mas também pelos hábitos sexuais.

Atrevam-se a encarar as consequências na mistura entre vampiros e humanos... Os comportamentos de ambos são fortemente alterados, e influenciados uns pelos outros.

O livro é imparável. À medida que vamos avançando na leitura, vai-se tornando cada vez mais viciante, e cada vez mais nos deixa sedentos de mais. Eu fiquei com uma vontade enorme de ler o segundo livro já. Espero que esse nos traga mais sobre esta sociedade de vampiros, muito mais na verdade...
Tem tudo para ser uma excelente leitura.



Este livro foi publicado cá em Portugal pela editora Saída de Emergência, com o título "Sangue Fresco". Uma boa aposta!

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