Esta é a história de um livro e de todos os seus 333 exemplares impressos. É a história secreta do impacto de um livro na vida de cada um dos seus leitores, e de como um rectângulo de papel pode transformar uma vida.
Quantas aventuras cabem dentro de um livro? Resposta: tantas quantas os seus leitores. 333 é a história das histórias das vidas tocadas por um livro profano que queimava como um livro sagrado. Pedro Sena-Lino leva-nos pela mão até um desses livros que, mais do que ser lido, lê e revela quem o abre.
Rui Zink
Uma cornucópia de histórias através do tempo onde se prova que só o amor é imutável. As palavras do poeta ao serviço de uma grande imaginação fizeram de Pedro Sena-Lino um romancista.
Dulce Maria Cardoso
É um hino. Ao amor. Amor pelo Livro, pela Palavra. Este primeiro romance de Pedro Sena-Lino faz muito mais do que contar uma história.
Marie-Noëlle Ciccia (Universidade de Montpellier
Há vários livros sobre livros, mas este deve ser, sem dúvida, único.
Pela primeira vez, ou pelo menos desde que me lembro, senti uma vontade enorme de pegar no lápis e sublinhar várias expressões do livro. E, de facto, contra o que costumo dizer, sublinhei este livro. Cada vez que o lia, tinha ao meu lado um lápis.
E porquê esta necessidade? Porque há inúmeras passagens nas quais nós, leitores nos identificamos, e também nas quais identificamos os livros que lemos.
Pedro Sena-Lino não é um prosador, é um poeta.
No entanto, conseguiu (minimamente) escrever um romance como deve ser.
A princípio, achei a escrita confusa. Tal como já aconteceu quando li "Máscaras do Destino", de Florbela Espanca, apercebi-me de que não gosto muito de ler prosa poética intensa em romances. Gosto muito de poesia, mas transportá-la para prosa fica demasiado confuso.
Até porque, pessoalmente, adoro prosa poética, quando se tratam de descrições. Não há melhor maneira de descrever paisagens, sensações, sentimentos, do que através de prosa poética.
Pelo que, passadas algumas páginas, fui-me habituando à escrita do autor. Não foi fácil, mas consegui. E, uma vez habituado, nada me impediu de adorar.
No séc. XVI, são impressos exactamente 333 exemplares de um livro especial... Especial porque é único no mundo: tem o dom de marcar de uma forma dolorosa, única, intensa, cortante, a vida de quem o lê. E, portanto, Pedro Sena-Lino apresenta-nos os destinos de todos os 333 exemplares, que tão fortemente marcam o leitor.
Todos os destinos são bastante trágicos. Todos os exemplares têm um fado forte, que acaba sempre na sua morte. Isto poderá ter alguma coisa a ver com o amor, que é a grande mensagem do dito livro. Trata-se de um conjunto de Cartas que reflecte, de uma forma bastante intensa, o amor, a paixão, o que faz com que o leitor fique tão obcecado. Todos os destinos são trágicos por isso. Muitos livros nem são sequer lidos, mas de qualquer maneira acabam por ser destruídos. Suponho que este mundo não estava preparado para o amor puro.
Adorei ler todos os destinos de todos os exemplares. Acho fascinante esmiuçar estas coisas. Este romance não tem um fio condutor (embora à medida que vai avançando uma pequena história se realce até ao fim), trata-se antes de várias curiosidades. Ou seja, os vários destinos. O que é muito engraçado, porque todos nos fazem lembrar milagres, tragédias gregas e shakespearianas, lendas, histórias religiosas ou pagãs.
Sem dúvida um livro que encherá as medidas aos amantes da leitura. Sem dúvida um autor que escreve muito bem e que conseguiu escrever algo único, mas que na minha opinião tem de desenvolver muito mais, caso contrário cai no aborrecimento.